Um contemporâneo do Infante D. Henrique
Capítulo 27
vinte tres»[27].
Este documento, publicado nas Provas da Historia Genealogica, põe um limite preciso e seguro ás viagens de Alvaro Vaz. Por elle vêmos que o bom capitão recolheu{39} ao reino muito primeiro que o seu amigo, infante D. Pedro, isto é, cinco annos antes.
D. João I quiz certamente dar, com esta nomeação, uma indemnisação á familia Almada: honrar o filho, visto que não pudéra perdoar ao pai.
Até ao anno da desgraçada expedição de Tanger (1437) não teve Alvaro Vaz de Almada, na sua qualidade de capitão-mór da frota, motivo para se assignalar por feitos de armas.
Mas em Tanger o vamos encontrar derramando o sangue pela patria, e combatendo com o valor de que já havia dado sobejas provas em Ceuta ao serviço de D. João I, e na Inglaterra ao serviço de Henrique V.
O infante D. Henrique, tendo chegado a Tanger, estabelece arraiaes n'um outeiro que ficava contra o cabo d'Espartel, desviando-se das instrucções que a este respeito{40} lhe havia dado seu irmão o rei D. Duarte.
«E em se começando a gente de alojar, sahiu uma voz, com um rumor sem certidão, que as portas da cidade estavam abertas e os mouros fugiam; e a este alvoroço acudiram muitos de cavallo contra a cidade, para entrarem, e commetteram o feito mui ardidamente, e se metteram entre o muro e a barreira, e combateram as portas tão rija e ousadamente, que de tres juntas que eram, romperam duas; e a terceira, que se diz o Postigo de Guyrer, commetteram com fogo: e, por ser forrada de ferro e sobrevir a noite, não foi entrada; e tambem porque os mouros a defenderam mui bravamente. E o conde de Arrayolos, por mandado do infante, foi recolher a gente que, alli e na porta do castello e nas outras da cidade, estava em combates repetidos: em que morreram muitos cavallos e alguns christãos, e sahiram muitos{41} feridos: entre os quaes foi o conde de Arrayolos, de uma setta por uma perna, e o capitão Alvaro Vaz