Um contemporâneo do Infante D. Henrique
Capítulo 75
Faria e Sousa, commentando os Lusiadas, em 1639, tambem se refere a um papel antiguo, em que toscamente se historiava o episodio dos Doze.
Ora, o velho chronista francez João Froissart, que falleceu em 1410, falla de uma ordem de cavallaria, a ordem da Dama Branca, que foi organisada para defeza das damas ultrajadas, plusieurs dames et damoiselles, veufves et autres, estoyent oppressées
d'aucuns puissants hommes[75], e publíca o texto das cartas de armas{140} pelas quaes treze cavalleiros francezes, messire Charles d'Albret, messire Bouciquaut, marechal de França, Bouciquaut, seu irmão, Francisco de Aubrecicourt, João de Lignères, Chambrillac, Castelbayac, Gaucourt, Chasteaumorant, Betas, Bonnebaut, Colleville e Torsay, se comprometteram a defender as damas no anno da graça de 1399.
Em face do texto de Froissart, a prioridade seria dos portuguezes, porque a sua ida a Inglaterra é collocada por uns no anno de 1390, e por outros no de 1396. O duque de Lancaster, que para este feito cavalleiresco teria pedido o auxilio de D. João I, falleceu em 1399.
Mas nós abstemo-nos de reivindicar a prioridade dos portuguezes e, portanto, a filiação portugueza da lenda. Contentamo-nos com dizer apenas que esta lenda se tinha generalisado na Europa, querendo cada paiz aproprial-a a cavalleiros seus.{141}
O catalogo completo dos Doze portuguezes appareceu pela primeira vez no opusculo de Ignacio Rodrigues Védouro, Desafio
dos Doze de Inglaterra [76] , publicado em 1732.
Ora, segundo a tradição recolhida por Védouro, esses cavalleiros seriam: Alvaro de Almada, o Justador; Alvaro Gonçalves Coutinho, o Magriço; Alvaro Mendes Cerveira; Alvaro Vaz de Almada, primeiro conde de Avranches; João Pereira Agostinho, Lopo Fernandes Pacheco, Luiz Gonçalves Malafaia, Martim Lopes de Azevedo, Pedro Homem, Ruy Gomes da Silva, Ruy Mendes Cerveira e Soeiro da Costa. Como supranumerarios, João Fernandes Pacheco e Vasco Annes Côrte Real.