Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Alberto Pimentel · Capítulo 39 de 51

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Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Capítulo 77

Este catalogo tem para nós muito pouco{142} valor. Os nossos antigos chronistas não se preoccupavam com a chronologia. Assim é, por exemplo, que Luiz Goçalves Malafaia e Soeiro da Costa são incompativeis, chronologicamente, com a época dos Doze de

Inglaterra [77]. Além d'isto, a vaidade das familias mais illustres de Portugal não deixaria de collaborar no catalogo, fazendo supprimir uns nomes para os substituir pelos de representantes seus.

Quanto ao primeiro cavalleiro do catalogo de Védouro, Alvaro de Almada, o Justador, não deixa de inspirar certa desconfiança a coincidencia de existirem na mesma época dois homens do mesmo nome e do mesmo vulto cavalheiresco.

Não será acaso Alvaro de Almada, o Justador, um desdobramento da individualidade de Alvaro de Almada, o conde de{143} Avranches, por errada repetição de algum códice, nobiliario principalmente?

Talvez por descobrir este equivoco seria que José da Fonseca, na edição dos Lusiadas, feita em Paris em 1846, substituiu Alvaro de Almada, o designado Justador, por João Fernandes Pacheco, que no catalogo de Védouro figura como primeiro supranumerario.

A ter-se como certa a ida dos Doze cavalleiros portuguezes a Inglaterra, o que não póde ter-se como certo, parece-me, é que Alvaro Vaz de Almada fosse um d'esses cavalleiros.

Elle, que foi armado cavalleiro em Ceuta em 1415, e que pela primeira vez estivera na Inglaterra em Janeiro d'esse anno, quando alli fôra levantar as trezentas e cincoenta lanças, não poderia tomar parte n'um torneio, que se teria realisado no fim do seculo anterior.

A sua inclusão na lenda dos Doze explica-se,{144} decerto, por ter sido um dos mais famosos cavalleiros portuguezes do seu tempo.