Um contemporâneo do Infante D. Henrique
Capítulo 78
Sobretudo, as suas viagens e a sua morte em Alfarrobeira, que tanta impressão causou pelas circumstancias cavalheirescas que a revestiram, despertariam, na imaginação popular, o sentimento do maravilhoso. D'aqui talvez o associarem-n'o á lenda.
Mas Alvaro Vaz de Almada não precisa d'essa gloria, aliás duvidosa, porque sobeja gloria lhe adveio dos seus brilhantes feitos e singulares aventuras.
Na Chronica de Monstrelet falla-se de um combate que, no anno de 1414, houve em França entre tres cavalleiros portuguezes e tres gascões: sendo o pretexto o amor das damas, comquanto o verdadeiro mobil fosse o odio que existia entre os francezes e os inglezes, de que os portuguezes eram então alliados.{145}
Os portuguezes foram D. Alvares, D. João e D. Pedro
Gonçalves [78]; e os gascões François de Grignols, Archambaud de la Roque e Maurignon.
O combate ter-se-ia realisado em Saint-Ouen, na presença do rei: Os portuguezes portaram-se com bravura, mas foram vencidos. Pudera! ou a versão não fosse franceza...
Desculpe, meu caro snr. Lugan. O orgulho das nações chega a ser uma cousa respeitavel.
Para fazer justiça ao valor dos seis campeões, foram passeiados, todos, pelas ruas de Paris, em triumpho, ao som de trombetas e acclamações enthusiasticas.
Ora estes tres nomes, mudado Alvares para Alvaro, correspondem justamente aos{146} dos tres cavalleiros da familia Almada: o pai e os dous filhos.
E o appellido de Gonçalves poderá talvez explicar-se por confusão com o do Magriço, que, como sabemos, se chamava Alvaro Gonçalves (Coutinho).