Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Alberto Pimentel · Capítulo 5 de 51

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Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Capítulo 15

Como Malafaia foi nomeado regedor do Civel em 1457, mais de vinte annos depois da morte de D. João I, entende um escriptor moderno ser inverosimil a noticia d'aquelle conflicto como causa determinante da emigração de João Vaz de Almada, por isso que os codices dão Malafaia como exercendo o referido cargo n'essa

occasião[15].

O facto dos chronistas lhe declararem a qualidade de regedor do Civel não invalida, a meu vêr, a noticia do conflicto, porque muitas vezes os escriptores antigos,{26} referindo-se a um acontecimento qualquer, intromettem circumstancias que se deram antes ou depois, especialmente quando mencionam titulos ou actos de um mesmo individuo.

O conflicto causou escandalo e irritou D. João I, que, collocado entre dois homens a quem devia serviços e dedicações, cortou a direito, quiz fazer justiça contra o aggressor.

João Vaz de Almada teve de fugir para Inglaterra, onde já era conhecido; e levou comsigo os seus dois filhos, Pedro e Alvaro.

Fosse esta ou outra qualquer a causa determinate da sahida do fidalgo portuguez e seus dois filhos legitimos para Inglaterra (o auctor da Historia Serafica limita-se a dizer: «os quaes ausentando-se do reino por razões, que para isso tiveram», parecendo comtudo querer occultar assim um motivo desagradavel), o que não{27} padece duvida é que João Vaz de Almada emigrou para aquelle paiz, d'onde, tendo fallecido, vieram mais tarde os seus restos mortaes, bem como os de seu filho Pedro, para a capella de familia,

que possuiam em S. Francisco de Lisboa[16].

Duarte Nunes de Leão diz que João Vaz de Almada acompanhára o rei de Inglaterra, que devia ser Henrique VI, até Rouen. Sendo assim, assistiria ao sacrificio de Joanna d'Arc (30 de maio de 1431).