Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Alberto Pimentel · Capítulo 25 de 51

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Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Capítulo 52

Acaso governaria já Affonso V quando o conde partiu para Ceuta? Parece que não. Se esta viagem tivesse sido um meio de o tirar de ao pé do infante D. Pedro, se tivesse sido «um castigo», como explicar que o rei lhe conservasse o castello de Lisboa, que só lhe retirou quando D. Alvaro Vaz voltou de Ceuta? E como explicar igualmente que recebesse o Capitão com tanto agrado?

Parece mais verosimil e provavel que Alvaro Vaz partisse para Ceuta durante a regencia e por indicação do infante, em razão talvez do perigo que offereciam alli os genovezes.

Por fim, como era natural que acontecesse, dada a idade impressionavel de Affonso V e a insistencia dos inimigos do infante, o joven rei acabou por ceder e tirar{98} a D. Alvaro o governo do

castello de Lisboa [52].

Durante a regencia, o infante D. Pedro não só havia conservado ao Capitão o cargo de alcaide-mór, mas tambem lhe fizera importantes doações, como se póde vêr por documento existente no

Archivo National[53].{99}

O infante magoou-se profundamente com o acto pelo qual seu sobrinho tirára o governo do castello de Lisboa a D. Alvaro: não só o feriam directa e pessoalmente, imputando-lhe crimes atrozes, mas tambem na pessoa do seu mais dilecto amigo o queriam ferir.

Na celebre carta que o infante dirigiu{100} de Coimbra, em 30 de dezembro de 1448, ao conde de Arrayolos, que de Ceuta viera expressamente para defendel-o, dizia D. Pedro:

«... por me fazerem deshonra tiraram o castello de Lisboa ao conde d'Avranches, o qual se tinha feito serviços a estes Reynos e aos Reys delles por que lhe esto devesse{101} de ser feito vós sabees; deram-lhe por elles e em especial pollo que agora fez em Ceita, ho gallardam que dam a mim de meus serviços e trabalhos».