Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Alberto Pimentel · Capítulo 19 de 51

Páginas do PDF

Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Capítulo 40

tomou[40].

Um homem de tamanho vulto, como era D. Alvaro Vaz de Almada, por força havia de ter inimigos, especialmente n'uma época em que os interesses politicos da sociedade portugueza estavam profundamente divididos em dous campos oppostos.

Uma carta regia, que se encontra no archivo da camara municipal de Lisboa e é datada de 12 de maio de 1440, dá conhecimento de não ter sido permittido que Alvaro Vaz de Almada, alcaide-mór, intentasse acção, para se desaggravar do que contra a sua pessoa tinham dito e feito alguns{70} officiaes da cidade; e recommenda-lhes que reciprocamente usassem d'aquella boa maneira e amizade,

com que sempre se haviam tratado[41].

A reacção, por parte dos sequazes da rainha, decerto procuraria amesquinhar e desprestigiar D. Alvaro, a alma do movimento em favor do infante.

Parece que, entre outras accusações, lhe fizeram tambem a de haver impedido a entrada de um navio carregado de trigo, que era preciso ao consumo publico.

Mas, não obstante este e outros meios de reacção, a causa da rainha naufragava: D. Leonor fugira para Castella, segundo parece, no dia 29 de dezembro de 1440.

N'este momento desapparece-nos Alvaro{71} Vaz de Almada do theatro dos acontecimentos, sem que os chronistas nos dêem a chave do enygma.