Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Alberto Pimentel · Capítulo 3 de 51

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Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Capítulo 9

Não foram estes os unicos auxilios que D. João I mandou buscar a Inglaterra com o mesmo fim. Tambem Pedro Lobato trouxe d'aquelle paiz trezentas lanças «para o muito poderoso principe o infante D. Henrique, filho do dito seu tio—diz Henrique V n'uma carta aos seus almirantes,—a fim de fazer a guerra aos incredulos e aos

inimigos da fé catholica[9].

Pormenor interessante: Este mesmo Pedro Lobato trouxe n'essa occasião uma{20} armadura completa para o infante D. Henrique.

Vieram ainda mais sessenta lanças, com os respectivos cavallos e armaduras, a bordo de dois navios portuguezes, de que eram mestres João Affonso e Egydio João.

João Vaz de Almada acompanhou D. João I na viagem a Ceuta.

Conta Fernam Lopes que, tendo alguem visto um grande bando de pardaes sobre o castello d'aquella cidade, dissera:

—Não vêdes como aquelles pardaes alli estão assocegados? Que me matem se Salat-bem-Salat com todos os outros não é partido d'alli, e deixou o castello vazio, cá se assi não fosse, não estariam alli aquelles pardaes assi de assocego.

Foram dizer isto ao rei D. João, que respondeu:

—Pois que assi é, vão chamar João [10] {21} Vaz de Almada, que traz a bandeira de S. Vicente, e digam-lhe de minha parte que a vá logo poer sobre a mais alta torre.

Chamado immediatamente João Vaz, foi, com alguns outros, caminho do castello, levando o estandarte de S. Vicente, padroeiro de Lisboa.

Tentavam forçar as portas da fortaleza, quando sobre o muro appareceram dois homens, um biscainho e o outro genovez, que lhes disseram em castelhano: