Um contemporâneo do Infante D. Henrique
Capítulo 44
«Westminster 9 de agosto»[44].
«Sello particular do Governo, 13 de agosto 23 H. 6.—Nós, tomando em consideração{84} os bons serviços, grande zelo, e bom amor que nosso fiel e bem amado Alvaro de Almada, cavalleiro de Portugal, nos tem feito e prestado e aos nossos muito nobres antepassados, o temos feito e creado ha pouco tempo conde de Avranches, e além d'isso temos concedido ao dito Alvaro uma pensão de 100 marcos por anno durante a sua vida. Nós vos ordenamos de lhe entregar uma taça de ouro do valor de quarenta
marcos[45] [46] e a somma {85} de cem marcos contidos na dita taça».
Estas mercês foram feitas por Henrique VI na sua dupla qualidade de rei de Inglaterra e duque de Normandia em França. Insistimos n'este ponto para combater o erro em que tantos escriptores nacionaes e estrangeiros têm cahido, de suppor que Alvaro Vaz recebera do rei de Inglaterra a ordem da Jarreteira, e do rei{86} de França o condado de Avranches, que estava incluido no antigo ducado de Normandia. O rei era um só. A este respeito com inteira razão nota o snr. Oliveira Martins que nem se concebe que, estando em guerra os dous reinos, o mesmo homem fosse feito conde de Avranches pelo rei de França e cavalleiro da Jarreteira pelo rei de
Inglaterra [47].
Em 1447, o joven rei D. Affonso V{87} pede a seu tio o infante D. Pedro que lhe entregue as redeas do governo, o que immediatamente consegue.
É então que principia a agitar-se em torno do infante ex-regente a intriga atiçada pelo duque de Bragança.