Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Alberto Pimentel · Capítulo 7 de 51

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Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Capítulo 18

Ceuta n'esse proprio anno»[18].

A amizade do infante e de Alvaro Vaz{30} principiára antes da partida de D. Pedro para o estrangeiro. Elles eram irmãos de armas, circumstancia que, segundo o espirito da época, impunha deveres

sagrados de reciproca amizade e lealdade[19].

Quando, annos depois, o duque de Coimbra, vendo aproximar-se a hora do combate com as tropas d'el-rei seu sobrinho, pergunta a Alvaro Vaz se está disposto a todos os sacrificios, incluindo o da

morte, tem em resposta:—Não sou eu vosso irmão de armas?[20]

Eram. Porque ambos haviam sido armados cavalleiros no mesmo dia, em Ceuta, depois da victoria.{31}

Alvaro Vaz tinha estado em Inglaterra com o pai, mas devia regressar pouco antes de partir D. João I para Africa.

Como já sabemos, João Vaz de Almada teve razões para refugiar-se mais tarde em Inglaterra levando comsigo os dois filhos

legitimos[21].

Isto passou-se depois da tomada de Ceuta, onde pelas chronicas sabemos que estivera João Vaz de Almada, e onde seu filho, Alvaro

Vaz, fôra armado cavalleiro, por mão do infante D. Pedro[22], tendo

ambos, o infante e Alvaro Vaz [23], aproximadamente a mesma idade.

Não foi, como documentalmente provaremos,{32} Henrique V que deu a Alvaro Vaz o condado de Avranches.

Não poderia Alvaro Vaz contar ao infante os casos de bravura presenciados no dia famoso de Azincourt.

E a razão é obvia. A batalha de Azincourt feriu-se em 1415, e n'este mesmo anno, em agosto, se realisou a tomada de Ceuta. Antes, João Vaz e Alvaro estiveram de passagem em Inglaterra, para levantar lanças; só posteriormente á viagem a Africa com D. João I é que emigraram.