Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Alberto Pimentel · Capítulo 27 de 51

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Um contemporâneo do Infante D. Henrique

Capítulo 56

Alvaro Vaz de Almada opinou que a todo o custo o infante devia

impedir a passagem ao duque[56].{104}

Este parecer foi acceito.

Para o executar, D. Pedro moveu a sua gente, que de Penella seguiu para a Louzã, e da Louzã para a aldeia de Villarinho, sendo a vanguarda confiada a D. Jayme, filho do ex-regente, e a D. Alvaro Vaz de Almada. O proprio D. Pedro commandava a rectaguarda.

Quando chegaram ao logar de Serpiz, soube o infante que o duque de Bragança estava apenas a meia legua de distancia.

Logo que isto constou a D. Alvaro, não lhe soffreu o animo mais delongas. Sem dizer nada ao infante, metteu esporas ao cavallo, e foi vêr o arraial do duque. Quando voltou, vinha radiante; mas D. Pedro acolheu-o com tristeza, pesaroso de que elle o não tivesse consultado primeiro.

Perguntou-lhe o infante o que tinha visto.

D. Alvaro respondeu com decisão:

—Senhor, venho de vêr vossos inimigos,{105} de quem prazendo a Deus, e ao bemaventurado S. Jorge, vos eu darei hoje se quizerdes mui boa vingança, e peço-vos por mercê que a não dilateis para mais, e ahi logo dar n'elles; porque na desordem e tristeza em que estão, dão já certos signaes de serem cortados com medo e meio desbaratados, e não percaes tão bom dia; porque já em vossa vida nunca havereis outro tal, e não alongueis a vida a quem se lh'a hoje dais, sabei que a encurtára mui cedo a vós, tendo por certo que o duque na maneira em que se repaira e afortallesa não quer vir ávante, e ou se tornará para traz como veio, ou escondido se

salvará por outro caminho»[57].

O infante D. Pedro, querendo certamente adiar o derramamento de sangue, não{106} acceitou o conselho, nem acreditou a prophecia.