Um contemporâneo do Infante D. Henrique
Capítulo 54
Este periodo da celebre carta mostra não só o profundo resentimento do infante D. Pedro, mas tambem que D. Alvaro viera de Ceuta, onde praticára novos e gloriosos feitos.
Não podemos precisar o anno em que o conde esteve pela segunda vez em Ceuta. Mas, pelo dizer o infante, sabemos que no fim de 1448 já tinha regressado, e por outra noticia sabemos tambem que em 1446 estava em Lisboa.
Certamente n'este ultimo anno[54] veiu a Portugal Jacques de Lalain, famoso cavalleiro{102} da côrte do duque de Borgonha. Foi recebido pelo joven rei Affonso V e pelo regente D. Pedro com grandes honras e festas. Quando De Lalain se aproximava da cidade de Evora, sahiram a recebel-o, em nome do rei, Alvaro Vaz
de Almada e outros senhores e cavalleiros portuguezes [55].
Não houve justas nem torneios, porque a De Lalain foi dito, em nome do rei, que elle não podia consentir que nenhum cavalleiro portuguez fizesse armas contra outro da casa de Borgonha, a que estava ligado por estreitos laços de parentesco e affecto.
Perdeu-se assim uma excellente occasião de vêr o conde de Avranches justar, em Portugal, com um cavalleiro estrangeiro{103} dos mais afamados, porque Alvaro Vaz de Almada não teria certamente prescindido d'essa honra e gloria.
Vamos agora caminhando rapidamente para Alfarrobeira.
Depois de fallar ao rei, Alvaro Vaz correu ancioso a abraçar o infante D. Pedro, que estava em Coimbra, nas suas terras.
O infante D. Henrique acampanhou-o.
Houve então alli um como conselho de familia para se deliberar sobre o que cumpria fazer. O momento era angustioso; a resolução difficil. A reunião do conselho repetiu-se quando se soube que o duque de Bragança tinha sido chamado á côrte.