Vida e obra de Oswaldo Cruz

Clementino Fraga · Capítulo 13 de 36

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Vida e obra de Oswaldo Cruz

Capítulo IX – Nôvo tropêço administrativo

Capítulo IX – Nôvo tropêço

 

administrativo

 

CORRIAM os serviços profiláticos e já a estatística demógrafo-sanitária refletia o acêrto das medidas empregadas, quando o Tribunal de Contas recusou o registro da verba de 72 contos para custear o serviço normal antilarvário, em Niterói. Sob pena de expor a cidade a nova contaminação, a profilaxia, forçosamente, devia compreender a área habitada da vizinha cidade, sabido que o Estegomia é mosquito que procura o domicílio humano e suas convizinhanças. Hoje, sabe-se, em razão de trabalhos da Comissão Rockfeller, dirigidos pelo Dr. Fred L. Soper, da existência da febre amarela silvestre em que não tem parte A. aegypti. A nova conquista epidemiológica vem alterar a situação urbana, sempre ameaçada pelo inseto caseiro. Complica-se o problema profilático, uma vez gue a infecção silvestre ameaça a contaminação urbana, sobretudo porque aquela é permanente, provàvelmente mantida por um reservatório do vírus, talvez um macaco, que abastece o mosquito silvestre (A. scapularis e outros) e o transmite ao homem que trabalha na lavoura. A profilaxia neste caso só poderá ser feita pela vacina antiamarílica, sendo utopia pretender exterminar o

vector silvestre na amplitude de seus domínios1. Entretanto a profilaxia urbana prevalecerá no combate ao transmissor, e só assim se conseguirá a tranqüilidade em caso de importação silvestre, como já tem acontecido no Rio, depois da última campanha.

De há muito se havia impôsto a necessidade de tratar as aglomerações urbanas próximas de grande foco; foi assim no caso das campanhas do Rio, da primeira, como da segunda vez.

Premido pela decisão mal aconselhada do Tribunal de Contas, o diretor da Saúde Pública oficiou ao ministro: "Essa medida tomada agora nas proximidades do verão (estávamos em novembro) é terrível ameaça pesando sôbre a nossa cidade, exposta dêsse modo a nova invasão da febre amarela, que, como V. Ex.ª. sabe, ainda grassa em alguns portos do norte do Brasil.

Com efeito, o serviço como atualmente está organizado numa pequena parte da cidade vizinha, Ponta da Areia e ilhas circunjacentes, garante a ausência do Estegomia em tôda essa zona. Suspenso o atual serviço, os mosquitos proliferarão livremente, de maneira que, se aparecer um caso frusto ou indiagnosticável a bordo de um dos navios costeiros que procuram constantemente os diques das ilhas de Mocanguê Pequeno e Viana, êsse caso infectará os mosquitos da região que vai ficar desamparada e formar-se-á de nôvo o foco da Ponta da Areia, hoje completamente extinto.

Na Ponta da Areia existem pedreiras que estão relacionadas com outras aqui no centro da cidade e em ilhas da baía. Essa mesma zona é freqüentada por trabalhadores de carvão (na maioria estrangeiros receptíveis), que estão em comunicação constante com depósitos mais próximos da cidade (ilha dos Ferreiros) e com os navios surtos em nosso pôrto.

Por aí pode V. Ex.ª. ajuizar de como se poderá facilmente infectar de nôvo a nossa cidade, onde hoje o número de receptíveis é colossal."