Vida e obra de Oswaldo Cruz

Clementino Fraga · Capítulo 28 de 36

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Vida e obra de Oswaldo Cruz

Capítulo XXIV – O Brasil na exposição de higiene de Dresde

Capítulo XXIV – O Brasil na

 

exposição de higiene de Dresde

 

À EXPOSIÇÃO Internacional de Higiene de Dresde, marcada para maio de 1911, compareceu o Brasil e à frente da Comissão, Osvaldo Cruz, que por delegação do gôverno indicou os nomes que a deviam compor.

O pavilhão brasileiro foi inaugurado a 14 de junho. Inauguração solene, tendo falado o ministro do Brasil em Berlim, Itiberê da Cunha, o presidente do Conselho de Ministros, Conde Witzthum e o Conselheiro Lingner, presidente da Exposição.

O pavilhão brasileiro expunha copioso material de doenças tropicais e amplo documentário em gráficos, desenhos, miniaturas etc. dos Institutos Osvaldo Cruz, Butantã e da repartição de Saúde Pública.

Com a data de 20 de agôsto de 1911, o Prof. Calmette escrevia ao Dr. Figueiredo Vasconcelos a seguinte carta, a propósito do êxito da exposição brasileira:

 

"Meu caro Vasconcelos. – Não quero deixar Dresde sem manifestar-lhe tôda a minha admiração pelos trabalhos que o Brasil – e a sua vara

mágica 1– apresentaram na Exposição Internacional de Higiene.

É minha opinião que a seção do Brasil é cientificamente a mais interessante, pois vem demonstrar com clareza o que pode a administração de uma grande cidade ou de um Estado, em matéria de higiene pública e de defesa social, contra as doenças infecciosas, quando aquêles que a dirigem sabem respeitar os conselhos dos homens da ciência.

Peço-lhe que transmita a Osvaldo Cruz minhas felicitações vivas e cordiais e bem assim a todos os seus colaboradores.

Faça-lhes ver com que interêsse são acompanhados em França seus belos trabalhos e creia, com sinceridade, em meus sentimentos de cordialíssima dedicação. – Dr. A. Calmette. – Dresde, 20-9-11."

 

Pouco depois recebia o govêrno brasileiro a seguinte e honrosa comunicação do presidente da Exposição, o Prof. Ligner:

"A Diretoria da Exposição sente-se obrigada a, penhoradamente, agradecer, ainda uma vez, ao Ministério do Interior da República do Brasil, por se ter feito representar na Exposição Internacional de Higiene.

A Exposição Brasileira, com sua imprevista organização e clareza do exposto, surpreendeu justamente a Europa.

Todos os entendidos, e entre êstes as mais elevadas autoridades, por diversas vêzes, elogiosamente salientaram as particularidades do exposto, mostrando grande satisfação pela oportunidade que se apresentou aos povos e sábios europeus, de conhecerem essa tão rara exposição. Os visitantes da Exposição também o fizeram com uma extraordinária freqüência ao pavilhão brasileiro, que foi um dos mais visitados.

Se o júri dos Estados estrangeiros não resolvesse colocá-los Hors Concours, em consideração à dignidade e valor científico do exposto nos pavilhões estrangeiros, decretando uma homenagem com direito a diploma de honra aos Institutos e aos colaboradores científicos que tomaram parte, distinção que consideramos como a mais elevada que podemos dispensar, e se não tivesse sido proposto com expresso desejo de seus comissários, que somente os institutos científicos e não os colaboradores científicos recebessem êste diploma de honra, então com tôda a certeza a Exposição Brasileira teria obtido um muito maior número dêsses diplomas, visto achar-se realmente em primeira linha.

Esperamos que o govêrno brasileiro se considere recompensado pelo enorme sacrifício e trabalho que teve concorrendo à Exposição Internacional de Higiene, visto que nenhuma vez ainda na Europa, em tal assunto, a América inteira se achou tão brilhantemente representada e ainda pelo impulso que a Exposição Internacional de Higiene procurou dar no Brasil aos extraordinários esforços que aí, nos ramos da higiene, já se tem efetuado sempre com resultado crescente.

Com a maior estima e consideração, pela Exposição Internacional de Higiene. Dresde, 1911. – O Presidente Lingner."

Em setembro de 1911, Osvaldo Cruz regressou ao Brasil, plenamente satisfeito com o êxito alcançado, a ponto de dizer, sem o constrangimento de sempre, de referência a si mesmo: "a nossa

posição no mundo científico está perfeitamente garantida."2

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Na Câmara Federal, o Deputado Duarte de Abreu, representante de Minas, justificou da tribuna o seguinte projeto:

 

"A Nação Brasileira conferia a Osvaldo Cruz a dotação de 200 contos, em sinal de reconhecimento aos relevantes serviços que prestou à pátria, com a extinção da febre amarela no Rio de Janeiro e com o brilhante desempenho de importantes comissões científicas de grandes vantagens para o Brasil."