Vida e obra de Oswaldo Cruz

Clementino Fraga · Capítulo 34 de 36

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Vida e obra de Oswaldo Cruz

Capítulo XXX – Síntese cronológica

Capítulo XXX – Síntese

 

 

cronológica

 

1.ª Parte

 

Nasceu Osvaldo Cruz a 5 de agôsto de 1872, em São Luís de Paraitinga, Estado de São Paulo, Brasil.

Foram seus pais o Dr. Bento Gonçalves Cruz e D. Amália de Bulhões Cruz.

Em 1877 a família Bento Cruz transferiu sua residência para o Rio de Janeiro; em 1888 o Dr. Bento Cruz foi nomeado membro da Junta Central de Higiene Pública; em novembro de 1890 foi provido no cargo de ajudante do inspetor-geral de Higiene; em janeiro de 1892 foi nomeado inspetor-geral de Saúde, vindo a falecer a 8 de novembro do mesmo ano.

Aos cinco anos de idade Osvaldo sabia ler e escrever, tendo sido sua mãe sua primeira professôra em São Luís de Paraitinga.

No Rio, Osvaldo freqüentou os colégios Lauro e S. Pedro de Alcântara.

Matriculou-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1889; durante seu tirocínio trabalhou no laboratório de Física do Prof. Martins Teixeira e depois no laboratório da cadeira de Higiene do Prof. Rocha Faria.

Diplomou-se em 1892, quando defendeu tese de doutoramento sôbre Veiculação Microbiana pela Água. Em janeiro de 1893 casou-se com D. Emília Fonseca, de cujo consórcio teve seis filhos, dos quais quatro sobrevivem. Em 93 substituiu seu pai como médico da Fábrica Corcovado. Em 94 fundou e dirigiu o laboratório de análises clínicas da Policlínica Geral do Rio de Janeiro.

De 96 a 99 freqüentou em Paris o Instituto Pasteur, e o laboratório de toxicologia, de Vibert e Ogier. Em 99 regressa ao Rio, volta a seu lugar técnico da Policlínica e instala um laboratório particular de análises, à Travessa de S. Francisco, hoje Rua Ramalho Ortigão.

Em fins de 1899 foi comissionado pelo govêrno para verificar a suspeita clínica da peste, em Santos. Recebe nessa época um convite de Francisco de Castro para assistente de sua cadeira de Clínica Propedêutica.

Em julho de 1900 funda o Instituto Soroterápico, na Fazenda Manguinhos, para a produção do sôro e vacina específicos contra a peste, dita bubônica.

Em 1902 consolida sua situação na direção do Instituto de Manguinhos, já ampliadas as atividades no sentido da experimentação em Patologia.

Em 1903, por indicação de Sales Guerra, é nomeado diretor-geral de Saúde Pública, dez anos depois da morte de seu pai, que ocupou êsse cargo. Tinha apenas trinta anos. Sua nomeação tem a data de 23 de março de 1903. A 26 do mesmo mês assumiu as funções do cargo.

Inicia, desde logo, com o auxílio do Dr. Carlos Carneiro de Mendonça, as providências profiláticas contra a febre amarela e a peste. Data de 1.º de abril do mesmo ano sua primeira exposição ao govêrno sôbre as atividades imediatas a desenvolver.

É enviado ao Congresso Nacional o plano de reforma de Saúde Pública em 15 de junho de 1903.

A 1.º de julho o Deputado Melo Matos apresenta o projeto de reforma, na conformidade do plano sugerido ao govêrno pela administração técnica.

Em 15 de dezembro do mesmo ano, depois de muitas peripécias, o projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados e enviado ao Senado, sendo então ràpidamente votado. O Regulamento da nova lei foi publicado em março de 1904. A campanha contra a febre amarela aumenta de intensidade de março de 1904 em diante.

Em 1904 o Supremo Tribunal reforma urna decisão do Ministro Pires e Albuquerque e concede uma ordem de habeas-corpus contra um expurgo pela Saúde Pública, sob fundamento de inviolabilidade do lar. A propósito, Osvaldo Cruz dirige-se ao govêrno em têrmos veementes.

O Tribunal de Contas recusa o registro de uma verba de 72 contos para custear o serviço em Niterói.

A administração sanitária e a campanha da imprensa, com a transcrição de trechos dos jornais da época. Reflexos da campanha contra a febre amarela no estrangeiro. Combate paralelo à peste.

Combate à varíola.

Sedição contra o govêrno. Revolta da Escola Militar a 14 de novembro de 1904. O govêrno domina a revolta e restabelece a ordem. Tudo terminado a 17 de novembro. Ainda a varíola – nova incursão epidêmica em 1908, por não ter sido executada a lei da vacinação obrigatória, proposta pelo diretor de Saúde Pública.

O diretor pede demissão por lhe ter faltado o Regulamento da lei de vacinação obrigatória. O govêrno nega a demissão. Plano de luta contra a tuberculose.

Organização sanitária dos portos – Excursão de Osvaldo Cruz aos portos do Norte e do Sul o caso Urbino de Freitas e a Saúde Pública.

Osvaldo Cruz na Amazônia – Partida em junho de 1910. Plano de combate à malária para permitir a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.

Campanha antiamarílica em Belém do Pará – outubro de 1918. Êxito profilático em seis meses.

 

2ª Parte – Medicina experimental

 

Verificação da peste em Santos, em 1899. Fundação do Instituto Soroterápico em 1900. O primeiro recruta – Ezequiel Dias.

Incidente administrativo: Osvaldo Cruz deixa a direção do laboratório soroterápico em 1902, voltando ao serviço com autoridade unipessoal.

Em 1901 surge a 1.ª tese de doutoramento trabalhada em Manguinhos; no ano seguinte dois novos trabalhos; em 1903 elevam-se a cinco as teses de Manguinhos. Em 1919 os trabalhos somam 71 – surgem as Memórias do Instituto.

Conquistado pelo Brasil o 1.º prêmio na Exposição Internacional de Higiene de Berlim, o govêrno brasileiro deu o nome de Instituto Osvaldo Cruz ao Instituto de Manguinhos. São contratados sábios estrangeiros para dar cursos especializados no Instituto (1909).

Gaspar Viana descobre o tratamento da leishmaniose pelo tártaro emético em injeção intravenosa.

Osvaldo foi feito presidente honorário do Congresso de Otorrinolaringologia de Viena (1908).

Na mesma época é escolhido membro da Comissão do "Prêmio Schaudin".

O Brasil-Médico toma a iniciativa de uma homenagem ao sábio brasileiro – (medalha de ouro a ser oferecida pela classe médica).

A 5 de agôsto de 1909 os membros do 4.º Congresso Latino-Americano oferecem a medalha no Instituto Osvaldo Cruz. Em 1910 Osvaldo Cruz vai à Amazônia, a convite da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (profilaxia do impaludismo). De volta recebe significativa manifestação no Palácio Monroe. O Brasil concorre à Exposição de Higiene de Dresde em 1911, conquistando nôvo êxito.

Na Câmara Federal, em 1911, o Deputado Duarte de Abreu propõe um prêmio de 200 contos para Osvaldo Cruz. Eleição de Osvaldo Cruz para a Academia Brasileira de Letras, a 11 de maio de 1912. Recebido a 26 de junho de 1913. Em 1914 Osvaldo Cruz é eleito presidente da Conferência Sanitária Pan-Americana reunida em Montevidéu. Em junho de 1914 a Sociedade de Medicina e Cirurgia, do Rio de Janeiro, entrega em sessão solene a Osvaldo Cruz uma medalha de ouro que lhe foi conferida pelo 7.° Congresso de Medicina e Cirurgia de Belo Horizonte.

Em 1915 parte para a Europa em missão oficial. Em 1916 é nomeado prefeito de Petrópolis, empossando-se do cargo a 17 de agôsto.

Já muito doente, meses depois, passa o cargo a seu substituto legal.

11 de fevereiro de 1917, às 21 horas e 1O minutos, falecia em Petrópolis Osvaldo Cruz.

No dia seguinte era sepultado no Cemitério S. João Batista, no Rio de Janeiro.

A 23 de maio de 1917, em homenagem à memória de Osvaldo Cruz, em magna sessão cívica, falou Rui Barbosa pela Nação. Perfil psicológico (1947).