Vida e obra de Oswaldo Cruz

Clementino Fraga · Capítulo 24 de 36

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Vida e obra de Oswaldo Cruz

Capítulo XX – O Instituto Osvaldo Cruz

Capítulo XX – O Instituto

 

Osvaldo Cruz

 

TÃO CEDO pronto e apercebido do material necessário a cada laboratório, o Instituto foi descrito, em resumo, por um dos seus técnicos, o Dr. Artur Neiva: "O Instituto compõe-se de um edifício central e várias dependências. O edifício é de estilo mourisco e, sem exagerar, posso dizer que a instalação é luxuosa.

O edifício principal tem cinqüenta metros de altura por quarenta e cinco de largo e outros tantos de fundo e está dividido em cinco andares: no primeiro encontra-se o depósito, uma oficina de carpintaria, uma sala para grandes centrífugos, agitadores, máquinas de vácuo, pressão etc., o laboratório de distribuição de vacinas e soros, uma oficina de tipografia, uma sala de embalagem e expedição dos produtos preparados no Instituto, e os motores para fornecimento de energia elétrica ao estabelecimento e sua dependência. Três grandes compartimentos servem de estufas, aquecidas por um sistema de serpentinas; um dos compartimentos tem uma temperatura de 40 graus e nêle se cultiva a vacina contra a mangueira; outro com 38 graus para o cultivo de diferentes germes, e o terceiro, a 20 graus, que é a micoteca, isto é, onde se cultivam os fungos.

Por baixo dêste andar, há o subsolo, onde se encontram as instalações da câmara frigorífica, que pode chegar até 4 graus abaixo de zero, a máquina de fabricar gêlo e de fabricar ar líquido.

Escusai-me de detalhar a oficina de mecânica, que possui também uma seção para reparar aparelhos delicados, como microscópicos etc. No andar térreo encontram-se, também, os banheiros e instalações sanitárias para os serventes.

No andar superior estão situados vários laboratórios, a administração, a sala de desenho, a sala de cursos, a instalação telefônica e de registro de temperatura das estufas, que fàcilmente são fiscalizadas pelo mesmo empregado que tem a seu cargo os telefones; e, além disto, neste andar, está também instalada a oficina de vidraria.

Os laboratórios são de duas ordens: entre os dos chefes de serviço e os dos assistentes a única diferença que existe é de tamanho. Com pequenas modificações, devidas às necessidades de cada serviço, a descrição de um laboratório servirá para todos. Além de pressão e vácuo, todos os laboratórios possuem água, gás, transmissores de corrente elétrica, telefones, máquinas de escrever, relógio elétrico e, segundo a natureza dos serviços a que cada um está destinado, possui ou não frigoríficos, estufas e centrífugos.

Além disto, existem centrífugos portáteis e micrótomos, estufas de parafina etc., que fàcilmente são pedidas ao depósito pelos laboratórios que dêles fazem uso constante. O terceiro andar está inteiramente ocupado por laboratórios, uma grande sala para química, sala de balanças de precisão e outra para espectroscopia, cardiografia, Raios X etc. Neste andar encontra-se o laboratório do diretor e a sala dos micrótomos de grandes dimensões, aquêles que permitem o corte completo de cérebros humanos.

O quarto andar está inteiramente ocupado pelo museu, biblioteca, oficinas de encadernação e a sala de preparação de peças anátomo-patológicas destinadas ao museu. Entre o quarto e o quinto andar existe um intermédio ocupado pela seção de fotografia e cinematografia, corno também pelo depósito de caixas e outros elementos que se usam nas expedições.

O quinto andar está destinado aos banheiros e dormitórios do pessoal superior. As comunicações são efetuadas por um elevador.

Como dependências principais existem: um pavilhão de peste, as cavalariças, um aquário, um viveiro de animais, uma grande oficina mecânica capaz de reparar os automóveis e lanchas do Instituto; o pavilhão para os pequenos animais infectados; outro pavilhão com viveiro de insetos transmissores de enfermidades e o refeitório."

O pessoal técnico do Instituto se compõe, então. De cêrca de trinta profissionais, entre chefes de serviço e assistentes, sendo as seguintes as seções de experimentação e serviços complementares: bacteriologia; zoologia, compreendendo protozoologia e parasitologia; micologia; físico-química; anatomia; clínica de doenças tropicais e infectuosas; veterinária.

O Instituto realiza de quando em quando expedições científicas no país. associando sempre o trabalho de clínicos ao do pesquisador. As viagens de estudos à Europa e América são obrigatórias para cada assistente, durante o estágio, custeado oficialmente, pelo menos seis meses, Os estudos completos sôbre a Doença de Chagas foram ultimados, sempre sob a direção do descobridor da moléstia, depois da morte de Osvaldo Cruz, a quem sucedeu na direção do Instituto.

Trabalhos experimentais foram rematados ali, com êxito, sôbre assuntos de patologia brasileira e alguns de patologia cosmopolita.