A existência de Deus comprovada por um filósofo ateu
Terceiro órgão neotênico: o sexo
Difícil deixar de mencionar, a propósito do que entra e sai do corpo, o sexo. O sexo e a sexualidade do homem são uma consequência direta da neotenia. O desenvolvimento sexual do homem, com efeito, é consideravelmente retardado em relação ao dos outros mamíferos. Até os cinco anos de idade, ele mais ou menos acompanha, embora com atraso, a evolução observada nos outros primatas, mas em vez de concluir ele se interrompe então brutalmente durante cinco anos. Como já observamos, é nesse desenvolvimento em dois tempos nitidamente separados que se edifica toda a teoria freudiana, fazendo do sexo do neotênio uma questão nunca realmente resolvida e de sua sexualidade um tópos cujo enigma jamais será completamente esgotado. E podemos compreender por quê: o homem não chega à finição germinal completa que caracteriza os outros mamíferos. Essa não finição deixa marcas orgânicas: a ausência de osso peniano nos homens e a posição da vagina nas mulheres, com a abertura voltada para a frente, que modificam consideravelmente as próprias condições físicas do ato sexual. Mas a principal consequência desse inacabamento é a desvinculação entre sexualidade e reprodução. Nos outros mamíferos, a subordinação da sexualidade à reprodução é perfeitamente identificável. Basta partir do caso das fêmeas. Elas sofrem modificações periódicas do útero e da vagina, desencadeadas pelas secreções ovarianas. Sinais visuais ou olfativos ligados a essas secreções indicam então a ovulação e provocam o cio nos machos, e em seguida a fecundação e a gestação. No neotênio, esse mecanismo não funciona até o fim. O que resulta numa desvinculação entre a reprodução e a sexualidade, tendendo a se afirmar cada vez mais ao longo da História. Não subordinada à reprodução, a sexualidade se autonomiza e se torna difusa. Emancipa-se em relação ao tempo da reprodução. Foge aos limites estritamente genitais e passa a afetar outras localizações corporais.