A existência de Deus comprovada por um filósofo ateu
I. Pequenos ajustes entre espécies naturais e espécies sobrenaturais
I. Pequenos ajustes entre espécies naturais e
espécies sobrenaturais
Foi necessário chegar ao início do século XX para que uma descoberta científica, inicialmente modesta, finalmente permitisse reconsiderar as relações – absolutamente decisivas – das espécies naturais (os animais e os homens) com as espécies sobrenaturais (os deuses). De fato, essa descoberta permite retomar de maneira nova grandes questões filosóficas, entre as quais encontram-se as relações natureza-cultura, vale dizer, no fim das contas, as relações entre essas duas partes de que somos constituídos, o vivente e o falante, compondo o singular complexo biopolítico no qual e através do qual existimos. Essa descoberta é a neotenia do homem, à qual em breve retornarei longamente.
Registre-se por enquanto que essa teoria, devida a um anatomista
holandês chamado Louis Bolk,1 atualmente confirmada por grande
parte da pesquisa paleoantropológica,2 entende o homem como um ser de nascimento prematuro, incapaz de alcançar seu desenvolvimento germinal completo e, no entanto, capaz ao mesmo tempo de se reproduzir e de transmitir suas características de juvenilidade, normalmente transitórias nos outros animais. Ao contrário dos outros animais, esse animal não acabado deve portanto finalizar-se fora da esfera da primeira natureza, numa segunda natureza geralmente chamada cultura.