Agricultura, cooperativas e multinacionais

Odacir Luiz Coradini · Capítulo 18 de 43

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Agricultura, cooperativas e multinacionais

Papel do Estado

A Nestlé dominava, também, o mercado de leite condensado e o de creme de leite esterilizado. Tradicionalmente, era a única produtora. Desde 1977, no entanto, uma empresa nacional, a Mococa, conseguiu uma participação de 5 a 10% no mercado desses dois produtos. Para isso, no entanto, teve de lançá-los “idênticos em qualidade, preço e até mesmo apresentação de embalagem” aos de

sua concorrente.15

O mercado de iogurte e de sobremesas lácteas é liderado pelos produtos Danone. Como esta foi a primeira empresa do país a colocar tais produtos no mercado, a partir de 1970, conseguiu facilmente dominá-lo e pôde fixar seus preços a um nível que lhe

garantisse uma grande margem de lucro. 16 Seu sucesso estimulou outras empresas a imitá-la e, no final da década de 1970, tinha como principal concorrente, a Chambourcy/Nestlé, seguindo-se a Vigor, as Cooperativas Centrais paulista, carioca, mineira e outras.

A indústria de queijo, ao contrário dos derivados anteriormente citados, constitui uma área muito tradicional no setor de laticínios. Existem algumas empresas médias e grandes, que se responsabilizam pelo abastecimento das metrópoles, e inúmeras “microindústrias”, que vendem seus produtos para um reduzido mercado local ou regional. A produção de queijos tradicionais está, pois, até hoje, nas mãos de empresas nacionais. Os únicos queijos que atraíram as estrangeiras foram os finos, de luxo: também nesse caso, elas se estão dedicando aos produtos mais sofisticados, dirigidos às classes urbanas de alto poder aquisitivo e que lhes garantam taxas de lucro mais elevadas.

Papel do Estado

Já se lembrou a ação do Estado na difusão de modernos insumos leiteiros. Seu papel é essencial, também, na transferência dos excedentes gerados na área agrícola, para as indústrias de transformação ou, no caso da pasteurização, para a esfera do capital em geral.