Educação nova: as bases, o corpo da criança
5) Cânon antropométrico da Puberdade
do eu [135] , que vai ser a base da personalidade.
O psicólogo Baldwin caracterizou a puerícia, chamando-lhe: «período de percepção dos objectos, e de correspondentes
reacções [136] , por sugestão e imitação ».
CÂNON ANTROPOMÉTRICO DA PUERÍCIA
Efectivamente, o que mais domina, nesta época, são os
interêsses perceptivos e glóssicos[137]; alêm de que, o desenvolvimento da atenção espontânea e o início da atenção voluntária (condições essenciais do raciocínio) tambêm são suas características.
Sintéticamente, a puerícia representa, na vida evolutiva da criança, a idade média, ou o período de transição (ainda não influenciado pela lei dos sexos) entre a impulsividade dos instintos, temperada já por uma certa autonomia da consciência, e a idade crítica do crescimento, que será aquela, em que se operar a transformação definitiva do corpo da criança no organismo do adulto.
5)
Cânon antropométrico da Puberdade
(Pelos quinze anos)
A
P [138] ( altura dos segmentos )
Sexo masculino Sexo feminino
Partes do corpo Valor Valor
Percentagem métrico Percentagem métrico
absoluto absoluto
1) Cabeça 14% cm cm 21 ,6 — 21,2
I. Busto 2) Pescôço cm 39% cm 60 ,4 — 59,3 3) Tronco
II. Superior cm cm 44% 69 ,7 — 68,4 (torácico)
Membros Inferior 47% cm cm 72 ,8 — 71,5 (abdominal)
B
P (grossura dos segmentos)
Valores métricos absolutos
Partes do corpo
Sexo masculino Sexo feminino
I. cm cm Cabeça 54 51
II. Tronco cm cm 72 ,6 71,5
III. cm Braço 24,3 —
IV. Antebraço cm 20 —
V. cm Côxa 44 —
VI. Perna cm 29 —
C
D (espessura e largura dos segmentos)
Valores métricos absolutos
Partes do corpo
Sexo masculino Sexo feminino
I. Cabeça cm transverso ântero-posterior cm 18,6 —
14 ,8 —
II. Tronco cm transverso ântero-posterior cm 19,1 —
26 —
III. Bacia cm transverso ântero-posterior cm 16,5 —
22 —
D
Outras :
Sexo Sexo
masculino feminino
Densidade de todo o corpo quil. quil., 46 , 300 49 435
(pêso) do cérebro quil. gr 1 , 300 1000.
do cérebro, em 3% — relação ao corpo
Índice cefálico 79 —
Índices 1.º 136 — torácicos 2.º 46 — Índice pélvico 75 —
A adolescência constitue uma época de instabilidade orgânica, que prepara a criança para os desequilíbrios da puberdade.
«Nenhum período da vida, escreve Mendousse, é mais fecundo em surprêsas de todo o género, porque, ao lado das faculdades novas que começam a desenhar-se, persistem os hábitos antigos, que não querem
desaparecer»[139].
Daqui, um conflito de energias, que lança o adolescente em perplexidades, cuja eficiência, por vezes, lhe pode ser funesta.
CÂNON ANTROPOMÉTRICO DA PUBERDADE
Stanley Hall redigiu o catálogo dos contrastes e das flutuações mentais e morais da adolescência, pelo qual se vê que, de facto, a criança desta idade possue uma vida inadaptada, que é a fonte dos seus êrros e da maior parte
dos seus [140] sofrimentos.
Quando a puberdade se aproxima, então, a anarquia e o choque das tendências, ainda é maior.
A criança, solicitada por fôrças estranhas, cujos efeitos desconhece, sofre dum desequilíbrio, que lhe não permite adaptar-se, desde logo, às condições do meio; e passarão alguns anos, antes que se organizem, em direcções definidas, os novos hábitos mentais, que as novas circunstâncias exigem.
A puberdade é o centro do crescimento; a idade crítica, por excelência; aquela, em que se decide a sorte, todo o futuro
da [141] criança.