Educação nova: as bases, o corpo da criança

Augusto Joaquim Alves dos Santos · Capítulo 35 de 72

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Educação nova: as bases, o corpo da criança

5) Cânon antropométrico da Puberdade

do eu [135] , que vai ser a base da personalidade.

O psicólogo Baldwin caracterizou a puerícia, chamando-lhe: «período de percepção dos objectos, e de correspondentes

reacções [136] , por sugestão e imitação ».

 

CÂNON ANTROPOMÉTRICO DA PUERÍCIA

 

Efectivamente, o que mais domina, nesta época, são os

interêsses perceptivos e glóssicos[137]; alêm de que, o desenvolvimento da atenção espontânea e o início da atenção voluntária (condições essenciais do raciocínio) tambêm são suas características.

Sintéticamente, a puerícia representa, na vida evolutiva da criança, a idade média, ou o período de transição (ainda não influenciado pela lei dos sexos) entre a impulsividade dos instintos, temperada já por uma certa autonomia da consciência, e a idade crítica do crescimento, que será aquela, em que se operar a transformação definitiva do corpo da criança no organismo do adulto.

 

5)

Cânon antropométrico da Puberdade

 

(Pelos quinze anos)

 

A

P [138] ( altura dos segmentos )

 

Sexo masculino Sexo feminino

Partes do corpo Valor Valor

Percentagem métrico Percentagem métrico

absoluto absoluto

1) Cabeça 14% cm cm 21 ,6 — 21,2

I. Busto 2) Pescôço cm 39% cm 60 ,4 — 59,3 3) Tronco

 

II. Superior cm cm 44% 69 ,7 — 68,4 (torácico)

Membros Inferior 47% cm cm 72 ,8 — 71,5 (abdominal)

 

B

P (grossura dos segmentos)

 

Valores métricos absolutos

Partes do corpo

Sexo masculino Sexo feminino

I. cm cm Cabeça 54 51

II. Tronco cm cm 72 ,6 71,5

III. cm Braço 24,3 —

IV. Antebraço cm 20 —

V. cm Côxa 44 —

VI. Perna cm 29 —

C

D (espessura e largura dos segmentos)

 

Valores métricos absolutos

Partes do corpo

Sexo masculino Sexo feminino

 

I. Cabeça cm transverso ântero-posterior cm 18,6 —

14 ,8 —

 

II. Tronco cm transverso ântero-posterior cm 19,1 —

26 —

 

III. Bacia cm transverso ântero-posterior cm 16,5 —

22 —

 

D

Outras :

 

Sexo Sexo

masculino feminino

Densidade de todo o corpo quil. quil., 46 , 300 49 435

(pêso) do cérebro quil. gr 1 , 300 1000.

do cérebro, em 3% — relação ao corpo

Índice cefálico 79 —

Índices 1.º 136 — torácicos 2.º 46 — Índice pélvico 75 —

A adolescência constitue uma época de instabilidade orgânica, que prepara a criança para os desequilíbrios da puberdade.

 

«Nenhum período da vida, escreve Mendousse, é mais fecundo em surprêsas de todo o género, porque, ao lado das faculdades novas que começam a desenhar-se, persistem os hábitos antigos, que não querem

desaparecer»[139].

Daqui, um conflito de energias, que lança o adolescente em perplexidades, cuja eficiência, por vezes, lhe pode ser funesta.

 

CÂNON ANTROPOMÉTRICO DA PUBERDADE

 

Stanley Hall redigiu o catálogo dos contrastes e das flutuações mentais e morais da adolescência, pelo qual se vê que, de facto, a criança desta idade possue uma vida inadaptada, que é a fonte dos seus êrros e da maior parte

dos seus [140] sofrimentos.

Quando a puberdade se aproxima, então, a anarquia e o choque das tendências, ainda é maior.

A criança, solicitada por fôrças estranhas, cujos efeitos desconhece, sofre dum desequilíbrio, que lhe não permite adaptar-se, desde logo, às condições do meio; e passarão alguns anos, antes que se organizem, em direcções definidas, os novos hábitos mentais, que as novas circunstâncias exigem.

A puberdade é o centro do crescimento; a idade crítica, por excelência; aquela, em que se decide a sorte, todo o futuro

da [141] criança.