Educação nova: as bases, o corpo da criança
III A vida da criança; fases que atravessa durante o «crescimento», ou idades da evolução do organismo humano
psico-
pedagogia
psico-
técnica.
Pedagogia
experimental higiene (a criança sã escolar. e normal)
ortofrenia.
III
A vida da criança; fases que atravessa
durante o «crescimento»,
ou idades da evolução do organismo
humano
1.—A vida da criança, tanto sob o ponto de vista somático, como em relação à sua actividade psíquica, varia com a idade e com o sexo; e difere, não só em quantidade, como tambêm e principalmente em
qualidade [17] , da vida do adulto.
A existência incontestável desta diferenciação estrutural e dinâmica das crianças entre si, e da criança com o adulto, levanta o problema dos factores do desenvolvimento, e o da progressão funcional das energias bio-psíquicas, que nêle interveem.
¿Em que medida é que a hereditariedade e o meio influem na evolução da criança; e porque é que o aparecimento e a acção dos processos psíquicos estão sujeitos à lei do progresso contínuo?
Dum modo mais geral, pode preguntar-se, se existe alguma relação entre o desenvolvimento bio-psíquico da criança e o da espécie humana, através das idades geológicas; ou se, pelo contrário, a doutrina da recapitulação carece de apoio sólido, em que se
firme[18].
Nós, remetendo o leitor para os estudos especializados, que se referem à interpretação genética das energias orgânicas do crescimento, e à apreciação das
influências mesológicas [19] , que sôbre elas agem,
passamos à enumeração das fases da vida das crianças, de conformidade com o critério fisiológico da
dentição, combinado com o da maturidade sexual[20].
2.—São seis as idades da evolução do organismo humano, desde o início da vida extra-uterina, até à idade adulta:
1) recêm-nascença (até ao fim do primeiro mês, depois do nascimento);
2) infância (desde o fim do primeiro mês, até aos três anos);
3) puerícia (desde os três anos, até aos sete);
4) adolescência (desde os sete, até à idade que oscila, para os rapazes, entre os doze e os catorze anos; para as raparigas, entre os onze e os treze);
5) puberdade (desde o fim da adolescência, até a uma época que, segundo as circunstâncias, tambêm varia, em relação a cada sexo; não indo, porêm, entre nós, em regra, alêm dos dezasseis anos, para os rapazes, e dos quinze para as raparigas);
6) nubilidade (desde os quinze ou dezasseis anos, até
aos [21] vinte ).
3.—A recêm-nascença inicia-se pela crise, resultante da passagem da vida intra-uterina do feto para a vida extra-uterina; e assinala-se, no recêm-nascido, pela existência de características, que importam o mais
absoluto [22] automatismo.
À criança que vem de nascer, chamou Virchow «um ser espinhal», para significar, sem dúvida, que é como um anencéfalo, que ela se comporta, em todos os seus movimentos.
Efectivamente, o recêm-nascido é uma pura máquina de reflexas, que a necessidade de adaptação ao meio exclusivamente acciona, sob risco de morte. A espontaneidade só virá com o funcionamento sensorial que, nesta curtíssima idade, só muito imperfeitamente
se manifesta[23].
4.—A infância é a época, em que se completa a
primeira dentição [24] (os vinte dentes do leite ); e em que, ao ser fisiológico, que era a criança, se ajunta agora um
ser intelectual[25].
Compreende duas fases principais, indo a primeira, desde o início do segundo mês, até aos catorze ou dezasseis meses; e a segunda, desde aí, até aos três anos completos.