Educação nova: as bases, o corpo da criança

Augusto Joaquim Alves dos Santos · Capítulo 38 de 72

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Educação nova: as bases, o corpo da criança

CAPÍTULO VII Doenças das crianças, nas idades de evolução. A mortalidade infantil, em Portugal. Crescimento desequilibrado; suas conseqùências.

CAPÍTULO VII

 

Doenças das crianças, nas idades de

evolução. A mortalidade

infantil, em Portugal. Crescimento

desequilibrado; suas

conseqùências.

 

1.—Há certas doenças que parecem específicas das crianças, como a coqueluche, por exemplo, as infecções obstétricas, etc.; e outras que, conquanto extensíveis ao adulto, todavia, atacam, de preferência, as crianças, como a difteria (determinadamente, o garrotilho), por exemplo, a escarlatina, o trasorelho, o

sarampo [157] , etc..

São conhecidos vários ensaios de classificação, por idades, das doenças infecciosas das crianças; tendo-se procurado tambêm, entre nós, organizar, em bases

sérias, a [158] estatística nosológica infantil.

Em face das últimas publicações do Instituto central de

higiene[159], verifica-se que, em Portugal, as doenças mais freqùentes da recêm-nascença e da infância são aquelas que derivam da debilidade congénita, dos vícios de conformação, e das infecções do tubo digestivo (gastro-enterite); as da puerícia afectam, com singular pertinácia, o aparelho respiratório; e as da adolescência e puberdade, incidem, determinadamente,

sobre os [160] pulmões e sobre o sistema nervoso.

2.—Em relação à mortalidade infantil portuguesa, reputamos suficientemente averiguado o cálculo que a eleva à enorme cifra de duzentos, por mil, com menos de dois anos de idade, isto é, a um quinto dos nados-

vivos [161] e sobreviventes , até àquele limite. O seguinte

gráfico (figura n.º 18) exprime resultado análogo, pelo

que respeita à cidade de Coímbra[162].

Só, em Lisboa, Pôrto e Coímbra, morrem, em média, por ano, mais de oito mil crianças, dambos os sexos; e, em todo o país, de tôdas as idades, até aos vinte anos, nada menos do que, em média, um total, verdadeiramente apavorante, de cinqùenta e cinco mil, ou seja a metade da mortalidade geral da população!

3.—Nenhuma, porêm, destas afecções pode ser considerada como doença propriamente do «crescimento», isto é, como processo mórbido, que tenha origem exclusiva nos fenómenos da evolução somática.

Êsses procedem sempre dum crescimento desigual ou desencontrado dos tecidos do organismo.

Sem dúvida que se não trata da desigualdade, que resulta da lei fisiológica da alternância; mas de perturbações ou acidentes do crescimento, que possam afectar o equilíbrio funcional do sólido humano, ou alterar-lhe a constituição anatómica.

Estes acidentes (cuja natureza é irredutível às anomalias, de que falámos no capítulo anterior, por isso mesmo que, como ficou estabelecido, teem a sua etiologia na falta de paralelismo do crescimento) manifestam-se, de preferência, durante a fase peri-pubertária.