Educação nova: as bases, o corpo da criança
CAPÍTULO V Processo bio-químico do «crescimento»: osteogénese
Época das grandes transformações do organismo; e, sob a influência da diferenciação, estádio decisivo da constituição específica de cada sexo, a puberdade marca, na marcha da evolução, o momento preciso, em que a Natureza entra de preparar o ser humano para o exercício da função, de que depende a perpetuidade da espécie.
Esta é a sua característica fundamental e diferencial, o eixo sôbre que gira toda a complexa e contraditória psicologia do adolescente.
CAPÍTULO V
Processo bio-químico do «crescimento»:
osteogénese
1.—Como fenómeno do metabolismo funcional, o «crescimento» é uma resultante da síntese assimiladora do organismo, operada sob a influência das leis físico-
químicas [142] , que a regulam.
Essa síntese, porêm, não se realiza, da mesma maneira e nas mesmas condições, em relação a todos os tecidos do organismo; antes cada elemento somático cresce, a seu modo, consoante a estrutura que possue e a função a que se destina.
Ora, sendo provável que à acção osteogénica se subordine o crescimento de todos os tecidos do organismo, tanto em macroplastia (crescimento vertical), como em euriplastia (crescimento horizontal), é do crescimento ósseo que nos devemos ocupar.
2.—Principiando pelo crânio, todos sabem que a sua morfologia se modifica constantemente, desde a vida embrionária, até à velhice.
No início da gestação, o crânio é cartilaginoso e membranoso; depois, no estado fetal, adquire grande número de pontos de ossificação, de textura diversa, que se vão mutuamente soldando, de modo que, à nascença, o seu número é já muito limitado.
Não é, pois, de admirar que a abóbada craniana do recêm-nascido e a do infante se componham, desde logo, de
ossos [143] , ligados uns aos outros, por suturas e fontanelas,
cujas principais, em norma superior, são a obélica e a brègmática (vulgo, a moleirinha, que fecha completamente,
pelos quinze meses); e, em [144] norma lateral , a astésica.
A ossificação, porêm, dêsses espaços membranosos, faz-se com tamanha rapidez que, pelos meados da infância, não existem já senão suturas, as quais, por sua vez, tambêm vão desaparecendo, pela vida adiante, e de tal sorte que, na extrema velhice, o crânio reduz-se a uma massa óssea, quási tam contínua e homogénea, como o era
o [145] crânio membranoso do embrião.
3.—Onde, todavia, se revela melhor o mecanismo do «crescimento», é na evolução da coluna vertebral (a princípio, tôda ela cartilaginosa) e, sobretudo, no crescimento dos ossos longos do organismo.
Na extremidade de cada diáfise óssea existe uma espécie de apêndice, chamado epífise, que se liga àquela, por uma cartilagem, de natureza particular, que os antropólogos designam pelo nome de cartilagem de conjugação.
Emquanto dura o período de «crescimento» (entre os vinte e os vinte e cinco anos), as epífises, normalmente, permanecem separadas da massa óssea que lhes corresponde (diáfises), pela respectiva faixa cartilaginosa, cuja estrutura é sede de uma transformação histo-
quimica[146]; mas, quando aquele período se encerra, em obediência à lei da hereditariedade, é porque as epífises se soldaram às diáfises, ou a ossificação invadiu, em tôda a sua espessura, as cartilagens de conjugação.