Era Uma Vez em Hollywood

Quentin Tarantino · Capítulo 13 de 29

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Era Uma Vez em Hollywood

Capítulo Nove: “Pense menos em hippie, e mais em Hells Angels”

Capítulo Nove

 

“Pense menos em hippie, e mais em Hells Angels”

 

Cliff cruza os portões dos estúdios da Twentieth Century Fox pilotando o Cadillac de Rick. O guarda no portão dá as instruções para chegarem ao cenário de vilarejo espanhol de faroeste onde estão filmando o piloto de Lancer:

— Segue reto e pega a segunda à esquerda, entra na Tyrone Power Boulevard; passa pelo lago artificial e pelo set de Hello, Dolly!, vira à direita na Avenida Linda Darnell, e não tem como vocês errarem.

No banco do carona, ao seu lado, Rick usa óculos escuros enormes para proteger seus olhos do sol, e fuma um Capitol W para proteger a língua do gosto da boca. Quando Cliff desliga o carro, Rick sabe que chegaram.

O ator olha pela janela do banco do carona e, através das lentes escuras, enxerga uma cidade de faroeste; alguns cavalos e carroças; uma equipe de filmagem; um diretor imbecil montado em cima de uma grua da Chapman; um ator que pensa que é sexy interpretando um caubói, vestindo uma camisa vermelha vibrante ao estilo de Las Vegas e um pequeno chapéu marrom de caubói; um cara todo metido usando um terno azul-claro ridículo e, para completar, uma cartola, parecendo que veio direto do set de Agora Seremos Felizes; uma garotinha com roupas de época; e um tampinha mexicano com um sombreiro enorme. Bem-vindo à Lancer, caralho, pensa Rick. Ele abre a porta do carro e desce com as pernas tremendo. Assim que fica em pé, é acometido por um ataque de tosse que traz mais um pouco do ácido de seu estômago para o fundo de sua garganta.

Ele cospe um catarro verde misturado com vermelho e vira-se para Cliff, atrás do volante. O ator se inclina para falar com o assistente pela janela aberta do carona.

— Acho que o vento derrubou a minha antena de TV ontem à noite. Você teria como dar uma passada lá e consertar?

— Eu tenho e eu vou — diz Cliff, tranquilizando o chefe.

Então, falando com Rick da maneira mais casual que consegue, pergunta:

— Você poderia falar hoje sobre mim com o chefe da técnica? Pra eu saber se vou trabalhar esse fim de semana ou não?

Houve um tempo em que o envolvimento de Cliff nos projetos de Rick já era acertado nos próprios contratos. Se Rick fizesse um papel, Cliff seria seu dublê. Na Universal, isso fora acertado no contrato de Rick, e havia uma cadeira no set com o nome de Cliff. Mas já fazia muito tempo que se acabara esse tempo. Desde que Rick passou a fazer participações nos programas de TV de outras pessoas, Cliff não tem porra nenhuma garantida. A maioria dos chefes da técnica das emissoras tem as suas próprias equipes, e a prioridade da maioria desses chefes era proteger esse pessoal. Se Cliff conseguiu trabalhar um ou dois dias em Tarzan ou em Bingo Martin foi porque Rick conversou com o chefe da técnica e o convenceu a fazer isso.

Rick suspira.

— Pois é, eu estava querendo te contar...

Estava evitando te contar seria mais próximo da verdade.

— O chefe da técnica desse programa é o melhor amigo do Randy. Sabe, o chefe da técnica do Besouro Verde?

Sabendo o que aquilo significava, Cliff diz:

— Puta que pariu!

— Então, na verdade não faz sentido — diz Rick, de forma pragmática.

— Aquele merdinha do caralho — xinga Cliff, agressivamente, e então volta sua agressão para si mesmo. — Por que eu fui esquentar a minha cabeça se a porra no motorista do Besouro Verde acha que ele é capaz de dar uma surra no Muhammad Ali? Quer dizer, puta que pariu, o campeão mundial dos pesos pesados precisa que eu o defenda?

— Especialmente quando isso põe em risco a sua carreira e a porra da minha reputação — acrescenta Rick, ficando irritado de novo com aquilo. — Eu praticamente tive que chupar o pau do Randy pra conseguir aquele bico pra você — lembra Rick. — E o que você fez? Praticamente destruiu a cara daquele boca grande. Resultado? Você tendo que ficar a três quarteirões de distância dos sets de programas de TV dessa cidade, e eu, com a porra de uma fama de babaca. Bem, pelo menos, você deu uma lição nele — diz Rick, encerrando de forma sarcástica.

— Olha, cara — diz Cliff, erguendo as mãos em rendição —, quando você tem razão, você tem razão, e você tem razão.

Rick conta a Cliff uma antiga história ocorrida num set de filmagens, sem perceber que já havia contado a ele aquela mesmíssima história três vezes.

Ouvir Rick contando as mesmas histórias e anedotas e fingir que não percebia que elas estavam sendo repetidas era praticamente parte da descrição do trabalho de Cliff. E, só para dar uma alfinetada, também era sinal da pouca inteligência de Rick.

— Eu estava fazendo meu primeiro papel decente num filme — começa Rick —, A Batalha do Mar de Coral, com o Cliff Robertson, dirigido pelo Paul Wendkos. Era um dos meus primeiros papéis para o cara que acabaria se tornando meu diretor preferido. E num estúdio de cinema de verdade, a Columbia Pictures. OK, que era um filme B da Columbia, mas, mesmo assim, não era um filme da Republic ou da AIP, era da porra da Columbia Pictures.

Acomodando-se no banco do motorista, Cliff olha para o patrão e se prepara para ouvir a mesma história pela quarta vez.

— Mas, enfim, eu estava empolgado pra caralho. Só que tinha esse filho da puta, o segundo assistente de direção, que era um verdadeiro pau no cu. E esse filho da puta ficou me sacaneando o tempo todo. Ele não fez nada pro Tommy Laughlin e, definitivamente, nada pro Cliff Robertson. O cara praticamente chupava o saco do Cliff! Ele não sacaneava mais ninguém. Só fodia comigo!

Rick continua:

— Aquilo era uma merda, era injusto, e chegou um ponto em que eu enchi o saco. Então, eu tava almoçando com um gordinho que estava no filme, um cara que sempre trabalhava com o William Witney, Gordon Jones. O cara já estava nessa havia bastante tempo, tinha feito uns oitenta filmes, e era um sujeito muito legal. Daí eu falei pro Jones que eu só estava esperando aquele babaca de merda me dizer só mais uma palavra, porra, só mais uma, que eu ia quebrar a cara dele!

Então, Rick chega à moral da história:

— E o Jones me disse: “Beleza, você pode fazer isso. E beleza, você provavelmente quebraria a cara dele. E beleza, ele merece. Mas, antes de derrubar o cara em seu local de trabalho, é melhor ir tirando sua carteirinha do sindicato de dentro da carteira, riscar um fósforo, e atear fogo nela. Porque, como é basicamente isso o que você vai fazer, é melhor fazer direito.”

Cliff repete a opinião de antes:

— Saquei, saquei. Quem se importa com o que diz aquele babaca?

— Quer dizer, puta que me pariu — diz Rick. — Se todo mundo resolvesse enfrentar todo protagonista de seriado que fica se gabando de coisas que eles obviamente não são capazes de fazer, nada jamais seria filmado. Bob Conrad e Darren McGavin não conseguiriam passar uma semana sem que algum espertinho desafiasse os dois — diz Rick, e ilustra: — Aquele anãozinho que faz o Kato, aquele cara é ator pra caralho! Qualquer ator que alega ser capaz de fazer qualquer outra coisa que não seja dizer as falas que foram escritas por outras pessoas é um mentiroso do caralho. Porra, e a maioria nem isso consegue fazer direito!

Rick conta nos dedos os atores que sabem do que estão falando.

— Se você perguntar ao Audie Murphy como é matar uns caras, ele tem autoridade pra falar. Se você perguntar ao Jim Brown sobre fazer touchdowns, ele tem autoridade. Se você perguntar pra Sonja Henie sobre patinação no gelo, ela tem autoridade. Se você quiser perguntar pra Ester Williams sobre natação, porra, vá em frente! Mas todos os outros estão fingindo. E se tem alguém que deveria estar ciente disso é a porra de um dublê que é veterano de guerra!

Cliff sorri para o patrão e repete, em estilo Zen:

— Como eu disse, quando você tem razão, você tem razão.

— Mas com certeza eu tenho razão — diz Rick.

Mudando de assunto, Cliff pergunta:

— Bom, se você não precisa mais de mim pra nada, posso vir te buscar no final do dia, então?

— Não — confirma Rick. — Só vê o que você consegue fazer com aquela merda daquela antena e a gente se vê no final do dia. Que horas acaba hoje?

— Sete e meia.

— Até lá, então — diz Rick, e sai andando em direção ao set de Lancer.

Um segundo se passa, então Cliff o chama.

Rick dá meia-volta e, de trás do volante do Cadillac, o amigo aponta um dedo firmemente em sua direção e diz:

— Lembre-se de que você é a porra do Rick Dalton! Não se esqueça disso!

Aquilo faz o ator sorrir. Ele acena discretamente para Cliff e, em seguida, o Coupe de Ville vai embora e o ator se apresenta para o trabalho.

Sentado numa cadeira diante do espelho no trailer de maquiagem do set de Lancer, Rick mergulha o rosto numa tigela de água com gelo. Paul Newman, supostamente, fazia isso todas as manhãs. Mas, se para Newman isso faz parte do seu ritual de beleza, para Rick serve para estimular seus sentidos a saírem do torpor nauseabundo da bebedeira da noite passada. Quando o rosto emerge da água gelada, ele pega alguns cubos de gelo com a mão e os esfrega na cara e na nuca.

Sonya, a maquiadora e cabeleireira desse piloto, que forneceu a tigela de água com gelo a Rick, está sentada do outro lado do trailer, fumando um Chesterfield. Sentada ao seu lado, esperando pela chegada do diretor para discutir o figurino de Rick, está a simpática figurinista gordinha de cabelo volumoso, Rebekkah. Se ela estivesse de trancinhas, a roupa poderia lhe garantir um terceiro lugar num concurso de sósias da Vandinha Addams. Por cima dessa fantasia ela veste uma enorme jaqueta de motoqueiro, de couro preta, ao estilo O Selvagem da Motocicleta.

Embora Sonya não diga nada, ela sabe perfeitamente a diferença entre um ritual de beleza (maldito seja Paul Newman) e uma cura para a ressaca. Para começar, tem muito menos gemidos envolvidos no primeiro procedimento.

Bem quando o estímulo do gelo começa a penetrar em Rick, a porta do trailer de maquiagem se abre, batendo contra a parede, e o diretor do piloto de Lancer entra, com a extravagância teatral caricata que é costumeira nesse método de entrada.

Cumprimentando Rick como se aquilo fosse uma peça que seria encenada no Old Vic, o diretor declara:

— Rick Dalton? Sam Wanamaker!

O diretor estende a mão para o ator sentado. Com o rosto molhado e levemente desconcertado, Rick instintivamente completa a saudação com um aperto de mão encharcado.

Depois de pigarrear, Rick solta:

— Prazer hã… hã… hã… Sam. Desculpe pela mão molhada.

Sam rebate o comentário sobre a mão molhada.

— Não esquenta, eu estou acostumado com o Yul — diz Sam.

É uma referência ao exótico astro de Hollywood Yul Brynner, de quem Wanamaker ficara amigo quando os dois atuaram juntos no épico de ação Taras Bulba. Mais recentemente, Yul Brynner havia chancelado o movimento de Wanamaker para trás das câmeras, ao estrelar seu primeiro filme, Dólares de Sangue.

— Eu quero que você saiba, Rick, que fui eu quem escalou você, e não poderia estar mais feliz por você ter aceitado — acrescenta o diretor.

O diretor conversa com Rick como se estivesse com o tanque cheio de uma gasolina de alta octanagem, enquanto o ator, com seu combustível na reserva, luta para manter o equilíbrio. Os nervos de Rick, então, se apresentam, e a sua suave gagueira faz sua primeira aparição do dia.

— Bo-bom, obrigado, S-S-Sam. Fi-fico feliz — diz, e, por fim, ele consegue pronunciar uma frase inteira: — É um bom papel.

— Você conheceu o protagonista da série, Jim Stacy? — pergunta Wanamaker, referindo-se ao ator que interpreta Johnny Lancer.

— Nã-não, ainda não — gagueja Rick.

Esse merda é gago?, pensa Sam.

— Vocês juntos vão ser que nem dinamite — diz Sam.

— Bom… — Rick fica procurando pela palavra certa, mas acaba desistindo, e diz apenas: — Isso parece empolgante.

Wanamaker diz confidencialmente, muito embora Sonya e Rebekkah possam ouvir tudo o que ele está dizendo:

— Cá entre nós, foi a emissora quem escolheu os protagonistas da série, Jim e Wayne.

Wayne é o coadjuvante da série, Wayne Maunder, que interpreta o irmão Lancer criado em Boston, Scott.

— E foi uma ótima escolha. Mas, ainda assim, foi escolha da emissora. Eu escolhi você. Primeiro, porque eu consigo prever que você e Stacy vão se estranhar como dois gorilas. E eu quero que você explore isso.

Sam inclina-se na direção de Rick, e o gigantesco medalhão de ouro do zodíaco (gêmeos) que o diretor usa pendurado no pescoço balança no ar sobre a cabeça de Rick, sentado na cadeira de maquiagem.

— Isso não significa que eu quero que você seja qualquer coisa menos do que profissional. Só que você é um profissional experiente. Eu quero trabalhar junto com você — diz ele, apontando um dedo para Rick — pra que você me ajude a tirar dele o que eu preciso.

Sam gesticula com o dedão sobre o seu ombro para Stacy, em algum lugar do lado de fora daquele trailer de maquiagem.

— Quando vocês dois estiverem usando seu figurino, eu quero que você — diz ele, apontando mais uma vez para Rick em sua cadeira — continue, sutilmente, competindo com ele pra ver quem tem o pau maior.

E, gesticulando com as mãos para conjurar no ar uma imagem para Dalton visualizar, diz:

— Pense num confronto entre um gorila e um urso pardo.

Rick ri.

— Bem… Sam… essa é uma imagem e tanto.

— Eu sei.

— Eu sou qual — pergunta Rick —, o gorila ou o urso?

— Qual tem o maior pau? — responde Wanamaker.

— Bom — deduz Dalton —, acho que provavelmente o gorila.

— Você já viu um urso pardo de pau duro? — provoca Wanamaker.

— Não posso dizer que sim — confessa Dalton.

— Então, não tenha tanta certeza assim — alerta Wanamaker. — Quando estiverem contracenando, quero que você provoque o cara. Você acha que pode fazer isso, Rick?

— Como assim “provocar”? — pergunta Dalton.

— Provocando. Cutuque o urso, provoque sua fúria. Atice o bicho como se você estivesse tentando convencer os executivos da emissora a demitir Stacy para refilmar o piloto com você no papel de Johnny Lancer. Vá pra cima dele com essa intenção — garante Wanamaker a Dalton —, e você estará fazendo um favor tanto para ele quanto para o programa. Isso sem falar que essa seria uma façanha e tanto.

Wanamaker vê Sonya às suas costas no reflexo do espelho, sentada em sua cadeira, fumando seu Chesterfield. Ele não se vira para falar com ela; simplesmente conversa com o seu reflexo.

— Sonya, primeiro, eu quero que você dê um bigode a Caleb. Um bigode grande, comprido, caído, ao estilo Zapata.

Que maravilha, pensa Rick. Ele odeia bigodes e barbas falsas. É como tentar atuar com uma lagarta grudada no seu lábio superior ou um castor pendurado na sua cara. Isso sem falar que ele odeia quando a cola suja sua caneca.

Após mencionar o “bigode ao estilo Zapata”, Wanamaker dá uma gargalhada e diz a Rick:

— E confie em mim, quando Stacy bater os olhos nesse bendito bigode, sua peruca vai sair voando! — diz Sam, e então explica: — Nós dois queríamos que o Johnny Lancer usasse um bigode. Eu disse à emissora que a gente precisava usar pelos faciais pra dar uma modernizada no gênero. Como os italianos estão fazendo na Europa.

Rick se contorce.

Wanamaker prossegue, muito envolvido em sua própria história para notar a reação de Rick:

— Bom, a CBS disse: nem fodendo. Se você quer botar um bigode em alguém, bote na cara do vilão. E esse é você, Rick — diz Sam, com um sorrisão.

Rick não curte usar bigodes falsos, mas e quando o protagonista quer usar e não pode, mas ele, sim? Aí a coisa já muda tremendamente de figura.

— Então, o Stacy queria usar um bigode? — pergunta Rick, para confirmar.

Wanamaker responde:

— Queria.

— E isso vai deixar ele incomodado? — pergunta Rick.

— Tá brincando? Ele vai ficar puto! Mas ele sabe o que a emissora disse. Então, isso só vai acrescentar mais uma camada sutil ao antagonismo entre vocês.

Então, ele se vira para falar com Rebekkah:

— Agora, Rebekkah, querida, eu quero um visual diferente para o personagem de Rick. Não quero que Caleb vista o que costumavam vestir os bandidos em Bonanza ou Big Valley na última década. Eu quero um toque do zeitgeist atual nessa roupa, mas nada anacrônico. Em que ponto 1969 e 1889 se encontram? Eu quero um figurino que ele possa usar pra ir na London Fog essa noite e ser o cara mais descolado do pedaço.

A figurinista escolada na contracultura dá ao diretor descolado a resposta que ele quer ouvir.

— Vamos usar um casaco do Custer que tem franjas descendo pelos braços. Ele é marrom-claro agora, mas, se eu o tingir de marrom-escuro, ele poderia arrasar usando ele na Strip hoje à noite.

Isso era o que Wanamaker queria ouvir. Ele passa um dedo pelo rosto dela e diz:

— Essa é a minha garota.

Rebekkah sorri de volta e, naquele momento, Rick sabe que Sam está transando com ela.

Wanamaker vira novamente na direção de Rick.

— Agora, Rick, sobre o seu cabelo.

Um pouco mais na defensiva do que deveria, Rick pergunta:

— O que tem o meu cabelo?

— A geração do gel no cabelo já era — explica o diretor. — Isso é muito Eisenhower. Quero que o Caleb use um penteado diferente.

— Diferente como?

— Alguma coisa mais hippie.

Você quer que eu pareça um hippie de merda?, pensa Rick.

— Você quer que eu pareça um hippie de merda? — pergunta Rick, com uma expressão incrédula.

— Pense menos em hippie — esclarece Sam —, e mais em Hells Angels.

Os olhos de Sam encontram Sonya novamente no reflexo do espelho.

— Eu quero colocar uma peruca de índio comprida na cabeça dele e cortar num estilo hippie.

Então, virando-se rapidamente para Rick:

— Mas um hippie assustador — garante ele ao ator.

Rick interrompe o fluxo criativo de Sam com uma pergunta:

— Sam… hã… Sam?

Sam vira-se para o seu ator, concentrando toda sua atenção nele.

— Sim, Rick?

Rick tenta, sem parecer que é um babaca temperamental, desacelerar o fluxo de ideias de Sam com uma pergunta de ordem prática:

— Olha…. Hã… hã… Sam, se você tapar o meu rosto com esse… hã… hã — ele procura a palavra certa — troço, ninguém vai saber que sou eu.

Sam Wanamaker faz uma pausa, e então responde ao ator:

— Bom, tem gente, meu querido, que chama isso de atuar.