Erário mineral

Luís Gomes Ferreira · Capítulo 1 de 31

Páginas do PDF

Erário mineral

Front Matter / Elementos Pré-textuais / Páginas Iniciales

ERÁRIO

MINERAL

 

LUÍS GOMES FERREIRA

Organização

JÚNIA FERREIRA FURTADO

Governador

Itamar Augusto Cautiero Franco

Secretário de Estado do Planejamento e Coordenação Geral Frederico Penido Alvarenga

FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO

Presidente

Ricardo Carneiro

Diretora do Centro de Estudos Históricos e Culturais Sylvana de Castro Pessoa Santana

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ

Presidente

Paulo Marchiori Buss

Vice-Presidente de Desenvolvimento Institucional, Informação e Comunicação

Paulo Gadelha

EDITORA FIOCRUZ

Coordenador

Paulo Gadelha

Coordenador Executivo

João Carlos Canossa P. Mendes

Esta obra é dedicada à memória do professor Júlio Barbosa, um dos idealizadores da Coleção Mineiriana.

 

61 (815.1) Ferreira, Luís Gomes.

F382e

Erário mineral [livro eletrônico]/ Luís Gomes Ferreira; organização Júnia Ferreira Furtado -Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais; Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2002.

12.824 Kb ; ePUB, 2 v. il. (Coleção Mineiriana. Série Clássicos )

Publicado em 1735 em Lisboa Ocidental na oficina de Manuel de Rodrigues documento dividido em 12 tratados

ISBN 978-85-7541-240-4

1. Medicina - Minas Gerais - século XVIII. 2. História econômica - Minas Gerais - século XVIII. 3. Condições de vida - Minas Gerais - século XVIII. 4. Medicamento - Minas Gerais - século XVIII. 5. Doenças - Minas Gerais - século XVIII. I. Título. II. Furtado, Júnia Ferreira, org. III. Série.

CDU61 (815.1)

 

Apoio:

Fundação Oswaldo Cruz – FIOCRUZ

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais –

FAPEMIG

 

COLEÇÃO MINEIRIANA – CONSELHO EDITORIAL

Aluísio Pimenta, Amilcar Vianna Martins Filho, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, Bernardo Novais da Mata Machado, Caio César Boschi, Carlos Antônio Leite Brandão, Douglas Cole Libby, Eleonora Santa Rosa, Fábio Lucas, Fernando Correia Dias, Friedrich Ewald Renger, Guy de Almeida, Jarbas Medeiros, José Bento Teixeira de Salles, Lucília de Almeida Neves, Marcus Vinicius de Freitas, Maria Efigênia Lage de Resende, Miguel Augusto Gonçalves de Souza, Ricardo Carneiro, Roberto Borges Martins, Sylvana de Castro Pessoa Santana

EDITORA FIOCRUZ – CONSELHO EDITORIAL

Carlos E. A. Coimbra Jr., Carolina M. Bori, Charles Pessanha, Jaime L. Benchimol, José da Rocha Carvalheiro, José Rodrigues Coura, Luis David Castiel, Luiz Fernando Ferreira, Maria Cecília de Souza Minayo, Miriam Struchiner, Paulo Amarante, Vanize Macêdo

Capa original da edição do Erário Mineral de 1735.

EQUIPE EDITORIAL

Coordenação Editorial

JÚNIA FERREIRA FURTADO

ROSELI RAQUEL DE AGUIAR

Supervisão Geral

SYLVANA DE CASTRO PESSOA SANTANA

Organização

JÚNIA FERREIRA FURTADO

Indicação do Texto

RONALDO SIMÕES COELHO

Projeto Gráfico e Arte

SEBASTIÃO NUNES

Produção Editorial e Executiva

ROSELI RAQUEL DE AGUIAR

RONARA DE PAULA

Revisão de Texto

MARIA DE LOURDES COSTA DE QUEIROZ

Normatização

HELENA SCHIRM

EQUIPE TÉCNICA

Coordenação

JÚNIA FERREIRA FURTADO

Modernização do texto em prosa

BRUNO FLÁVIO LONTRA FAGUNDES

Modernização do texto poético

ELIANE SCOTTI MUZZI

Estudos críticos

JÚNIA FERREIRA FURTADO

ELIANE SCOTTI MUZZI

MARIA ODILA LEITE DA SILVA DIAS

MARIA CRISTINA CORTEZ WISSENBACH

RONALDO SIMÕES COELHO

Glossário

BRUNO FLÁVIO LONTRA FAGUNDES (Org.)

SÉRGIO GÓES DE PAULA (Org.)

ÃNGELA PÔRTO

JÚNIA FERREIRA FURTADO

ROBERTA CERQUEIRA

VIVIANE DE LAMARE

Glossário de médicos

RONALDO SIMÕES COELHO

 

Fundação João Pinheiro

Centro de Estudos Históricos e Culturais

Belo Horizonte

2002

A Fundação João Pinheiro (FJP), por intermédio do seu Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC), tem a satisfação de trazer a público o Erário Mineral, de Luís Gomes Ferreira, volume da Coleção Mineiriana - Série Clássicos.

O Erário Mineral foi editado pela primeira vez em Lisboa, em 1735, e é dos primeiros tratados de medicina brasileira escrito em língua portuguesa. O livro reúne as experiências de práticas médicas realizadas pelo cirurgião-barbeiro Luís Gomes Ferreira na Capitania de Minas Gerais e demorou menos de um ano para ser escrito.

Curioso é o fato de que o autor não veio para as Minas Gerais com o intuito primeiro de se dedicar à medicina ou à cirurgia; veio para tentar a fortuna na mineração, que esperava o enriquecesse em poucos anos. Perdido nos sertões das Minas, em pouco tempo começou a exercer a medicina como cirurgião-barbeiro, pois, segundo ele, nestas Minas aonde não chegam médicos nem cirurgiões, padecem os povos grandes necessidades.

O autor faz não só uma descrição pormenorizada dos principais males freqüentes em Minas, como também dos meios mais eficazes de cura que experimentou e um importante inventário dos medicamentos utilizados na época com suas respectivas funções. Entre os remédios empregados encontravam-se vários utilizados pelos índios e incorporados pelos paulistas à medicina colonial.

Além disso, há que se anotar o que concerne à história econômica e social e a outros aspectos da vida de Minas Gerais. Luís Gomes Ferreira permaneceu na Capitania entre 1708 e 1733, tendo girado por muitos lugares e residido em vários arraiais e vilas das Comarcas do Rio das Mortes, Rio das Velhas e Ouro Preto. Ali viveu dias turbulentos, marcados inicialmente pelas disputas que abalaram paulistas e reinóis, na célebre Guerra dos Emboabas, e pela lenta e controvertida afirmação da política fiscal e administrativa da Coroa portuguesa.

Parte preciosa de seu relato é constituída pelas minuciosas informações que fornece sobre os escravos: características, alimentação, hábitos, doenças, trabalho e moradia, dentre outros aspectos. As duras condições de vida e de trabalho a que estavam submetidos pelos senhores, permanentemente mergulhados nos rios, nos afazeres da mineração, minavam-lhes as forças e facilitavam a propagação das doenças.

A presente edição foi secionada em dois volumes, para facilitar o manuseio do leitor, utilizando-se a primeira edição da obra, publicada em 1735. Para enriquecer a recepção do leitor, foram incorporados cinco estudos críticos, que buscaram desvendar diferentes aspectos do Erário Mineral. Júnia Ferreira Furtado, apesar das lacunas documentais, trouxe à luz uma pequena biografia do autor e sua trajetória em Minas Gerais. Eliana Scotti Muzzi abordou o aspecto discursivo do texto, o contexto literário no qual foi escrito e analisou os poemas laudatórios que abrem a obra. Em instigante texto, Maria Odila Leite da Silva Dias tratou os aspectos da colonização em Minas Gerais, o dia-adia de um cirurgião-barbeiro, testemunha ocular das dificuldades de afirmação da administração portuguesa em uma nova frente de povoamento. Maria Cristina Cortez Wissenbach e Ronaldo Simões Coelho dissecaram as práticas médicas utilizadas, os medicamentos receitados, "experiências inscritas nas possibilidades da medicina e da cura na movimentada idade do ouro do Brasil". Dois glossários completam e enriquecem ainda mais esta edição. Ronaldo Simões Coelho fez um levantamento dos médicos e cirurgiões citados pelo autor. Bruno Flávio Lontra Fagundes e Sérgio Góes de Paula coordenaram uma equipe que esquadrinhou o rico universo vocabular presente no livro.

Esta edição, organizada por Júnia Ferreira Furtado, contou com as parcerias da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), decisivas na sua viabilização. Iniciada na gestão do Presidente Roberto Borges Martins, resulta, em especial, de intenso esforço de trabalho dedicado pela equipe do Centro de Estudos Históricos e Culturais (CEHC), a quem agradecemos.

Ricardo Carneiro

Presidente da Fundação João Pinheiro

É com satisfação que a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) se associa à Fundação João Pinheiro na edição do Erário Mineral, de Luís Gomes Ferreira.

Embora a tradição da FIOCRUZ seja a pesquisa do novo, do que ainda não se conhece, o próprio fato de ser uma instituição centenária faz com que ela esteja de olhos abertos não apenas para a busca do desconhecido, do que está no futuro, mas também para busca do que já é esquecido, do que está no passado. Neste campo, temos a destacar as atividades da Casa de Oswaldo Cruz, com seus departamentos de pesquisa, de arquivo, de patrimônio e de ensino, e o Museu da Vida.

Sendo assim, associarmo-nos na publicação do Erário Mineral não é uma ação fortuita, mas faz parte de uma linha de pesquisa, ensino e divulgação bastante ativa e, de certa forma, enraizada no passado, já que se pode dizer que ela foi iniciada pelo próprio Oswaldo Cruz que, ao criar a biblioteca do Instituto de Manguinhos, preocupouse em adquirir um grande número de obras raras - dentre as quais um exemplar deste mesmo Erário Mineral.

Estamos certos de que os leitores, sejam eles especialistas em história da medicina ou interessados nas coisas do Brasil, terão muito o que aprender com este livro, que vai muito além de um receituário do século XVIII - só isto já bastaria para justificar sua republicação - e se mostra um verdadeiro tesouro de informações sobre a vida na América Portuguesa.

Paulo Marchiori Buss

Presidente da Fundação Oswaldo Cruz

São Cosme e São Damião enxertam a perna de um mouro em um

paciente branco.

(Pintura de Jaime Huguet)