Erário mineral
5. O Erário Mineral divertido e curioso
Bromelia edulis (Aquarela de Sydney Parkinson)
O Erário Mineral divertido e curioso
Ronaldo Simões Coelho
Introdução
A história do trabalho e do esforço humano é muito mais
interessante e significativa do que a história do homem como
indivíduo, porque os homens morrem sem alcançar sequer cem
anos, mas sua obra sobrevive durante muitos séculos.
Gorki
A razão e a experiência sempre foram mais poderosas que a autoridade humana (EM, v. 1, p. 233), afirma o Dr. Luís Gomes Ferreira. E reafirma: As coisas por novas não devem desmerecer o crédito de sua verdade porque, que coisa haverá no mundo tão antiga que não fosse nova em algum tempo? Insiste: Pela experiência assim me ter ensinado, pois onde esta fala, emudecem todas as autoridades. E diz, ainda: Se alguém quiser, que nos atemos em tudo aos passados, quererá que se atem os vivos aos mortos. (EM, v. l, p. 225-227).
Luís Gomes Ferreira tem todas as características de um bom médico: é ético, recusando-se a tratar alguém que esteja aos cuidados de outro médico ou cirurgião; aceita opiniões de colegas, ainda que defenda suas idéias; é crítico, duvidando das autoridades em algumas circunstâncias, e se recusa a praticar aquilo em que não crê; é crédulo e, com isso, diminui sua onipotência; é, ainda, estudioso, experiente e generoso; caridoso, é capaz de levar o doente para ser tratado na sua própria casa; preocupa-se, como católico que afirma ser, com a salvação da alma e a vida eterna de seus pacientes. Talvez resida aí a razão de seu sucesso.
Seus métodos, sua teoria, sua prática e sua experiência o fazem levar ao doente tudo aquilo que todo paciente deseja: cuidado, atenção, confiança. Curar é cuidar.
Autoconfiante, acredita que a experiência se sobrepõe à autoridade e, apoiado na teoria dos humores, procura adaptá-la ao clima da região em que trabalha.
É significativa, na sua obra, a busca de bons resultados, venham eles do pó de minhoca, do sulfato de quinina, do testículo de cavalo, do sangue menstrual (considerado veneno terrível, capaz de levar à loucura), do leite virginal, da triaga magna, da sangria do lado oposto ao da lesão, de terra de sepultura, das mordidas feitas por moças menstruadas nos portadores de papos. Ou outra coisa qualquer, como a virtude oculta, a simpatia ou a antipatia. O importante é que funcionem. Tudo aquilo que não sabe ele o sabe. Sua ignorância é sua aliada e seu saber. Récipe, eis a questão.
Ao querer ouvir exaustivamente os escravos e os brancos rudes, antecipa-se a Freud. Deve ter lido Celso, ou algum autor que o tenha citado, pois procede como recomenda Freud em um de seus aforismos: Um médico experiente não deve, logo ao chegar, pegar no pulso do paciente, mas deixá-lo sentar-se e perguntar como se sente, se está com medo ou apreensivo, encorajando-o, através de fala simples, e só então tomar-lhe o pulso.
Pensa, ainda, nas dificuldades econômicas, acredita que remédios baratos podem fazer tão bem aos pobres quanto os remédios caros farão bem aos ricos. E critica aqueles que prolongam os tratamentos para ganhar mais dinheiro.
Pouco importa se está atualizado, se conhece as mais recentes descobertas da medicina de sua época. O modo como pratica a medicina o torna pioneiro da medicina ecológica e precursor da medicina comunitária.
Parece estranho que o Dr. Gomes Ferreira fale apenas apenas em pacientes brancos e negros, nunca mencionando os índios, apesar de utilizar muitos remédios de uso contínuo entre estes. O fato de viver em zona de mineração, em plena efervescência da busca do ouro, explicaria sua ignorância em relação à prática curativa dos índios?
Nunca se questiona sobre a escravidão, ele próprio sendo possuidor de escravos, mas se preocupa com a questão dos negros, o modo como são tratados, os riscos constantes a que se acham sujeitos. Leu Paracelso e, talvez, tenha a visão paracelsiana da medicina do trabalho. Relata as más condições em que são exercidas as atividades mineradoras dos negros, a deficiência alimentar e as condições de moradia. Tem visão preventiva, pois fala na importância de diagnosticar cedo os tumores de mama, assim como relaciona o abuso da bebida alcoólica com doença hepática. Insiste na necessidade de condições higiênicas. Seguindo os antigos, sugere a importância do exercício físico como coadjuvante na cura e, receitando para que os gordos emagreçam, não deixa de mencionar que devem comer pouco. Mostra-se um precursor da parasitologia ao descrever as moscas varejeiras. Prepara seus remédios com seriedade, por mais demorada que seja a manipulação e por mais difíceis que sejam de encontrar os materiais de que necessita.
Seu maior mérito, porém, está em submeter-se à critica do futuro, expondo-se totalmente ao relatar em livro toda a sua experiência, sujeitando-se, como tem acontecido, às mais severas recriminações dos estudiosos, por descrever tratamentos absolutamente inócuos ou dignos de serem comparados àqueles dos curandeiros, pela utilização de farmacopéia recheada de remédios imundos, como se isso não fosse costume imemorial e usual. Não teria sido por intermédio dessas experiências que se pôde chegar a remédios para hipertensão, por meio de veneno de cobra, e a tantos outros em uso atualmente, derivados daqueles mais primitivos?
O Dr. Luís Gomes Ferreira nunca poderia supor que, além de permitir o estudo da história da medicina de seu tempo, estaria contribuindo também para estudos de costumes, de folclore, de história, de geografia, de demografia, de lingüística e de outros muitos aspectos de interesse atual.
O autor do Erário Mineral sugere a seus leitores que leiam o Dr. Curvo Semedo, seu mestre, onde acharão bom divertimento. A mesma sugestão pode ser feita sobre sua obra, na qual, com riqueza de detalhes, ensina a medicina por ele praticada nas Minas Gerais do século XVIII.
Seu livro já foi visto por alguns comentaristas como um repositório de crendices e absurdos. A pensar assim, que outros livros antigos ou atuais não seriam idênticos? Outros encontram nele fonte para diversos estudos.
De qualquer forma, como o próprio autor afirma, o fato de ter descrito suas experiências o torna passível de julgamentos e críticas. Aliás, ele mesmo critica e altera conceitos das autoridades.
Como demonstração de sua prática médica, o autor se baseia em seus conhecimentos teóricos, hauridos na autoridade dos livros e em sua prática diária. Mostra-se versado nos velhos mestres, aos quais recorre muitas vezes para justificar suas ações ou para refutá-los.
Pragmático, como se pode depreender da leitura de sua obra e do próprio fato de tê-la publicado, teve o cuidado de impedir sua reprodução por outros e buscou proteger seus direitos de autor.
A arte de curar
É um erro crer em tudo e outro erro é não crer em nada.
Sêneca
O ser humano, na sua luta contra o sofrimento e a dor, a doença e a morte, sempre buscou todo e qualquer recurso, seja na magia, na religião ou na ciência. Recorreu às palavras, aos sonhos, aos sacrifícios, aos oráculos, aos deuses e aos santos, aos xamãs e aos médicos. No decorrer dos tempos, utiliza tudo na busca de alívio e cura. E aí se incluem vegetais, animais e minerais.
Uma visão rápida nas páginas da história da medicina oferece riquíssimo panorama das tentativas e experiências feitas pelos homens, no decorrer dos tempos, à procura de remédios eficazes.
É significativo que práticas de cura utilizadas em tempos remotos continuem sendo utilizadas ainda hoje. O povo, apesar do progresso, continua a se comunicar oralmente. Os conhecimentos científicos, em qualquer área, demoram a chegar até o povo. Mesmo a utilização de grandes descobertas pode levar séculos. O termômetro, por exemplo, levou mais de cem anos antes de ser utilizado na medicina. A balança, na química, teve de esperar por Lavoisier. Por isso, sempre existiu uma dupla medicina: a oficial e a popular. Aspecto a ser considerado é o fato de experimentos científicos atuais confirmarem, muitas vezes, o valor terapêutico de técnicas e substâncias empregadas no passado. O uso da pele de sapo em gengivas sangrantes, recomendada na medicina antiga, tem seu valor reconhecido hoje, quando se descobre que a pele de sapo contém poderoso hemostático - a efedrina. A reabilitação da sanguessuga, usada inicialmente na Roma antiga e aplicada até recentemente, está trazendo-a de volta ao cenário médico, após a descoberta de substância anticoagulante secretada por ela.
Outro dado a se considerar refere-se a possíveis erros de interpretação quanto à terminologia usada em outras épocas ou quanto a erros de tradução. Pode-se, por exemplo, traduzir literalmente uma palavra que aparentemente se refere a um animal, quando esta palavra poderia designar uma planta. Um erro de tradução famoso refere-se à expressão espéculo vaginal, cuja utilidade desapareceu no decorrer da Idade Média, por terem os árabes, retraduzindo-a para o latim, lhe dado o nome de espelho. Assim, os médicos da Idade Média, cuja formação é totalmente literária, vão ter no seu arsenal de exame um espelho inútil, como têm um frasco para examinar a urina, fonte de todas as informações de que necessitam para os diagnósticos e a terapêutica.
A farmacopéia do antigo Egito inclui, como demonstra o papiro Ebers, pêlo de bode, excremento de leão, de gazela ou de avestruz, vesícula biliar de tartaruga, olhos de salamandra e dedos do pé de rãs. Uma receita anticoncepcional recomenda espinhos de acácia finamente esmagados, misturados com tâmara e mel, formando uma pasta a ser introduzida profundamente no canal vaginal para evitar a fecundação. Sabe-se, hoje, que o látex contido nos espinhos de acácia desprende ácido lático, principal componente de óvulos anticoncepcionais modernos.
No século XI, os chineses utilizavam algas, com sucesso, no tratamento de bócio, sem terem a menor idéia da função do iodo na cura.
A sutura intestinal descrita na India 2 mil anos antes de Cristo, utilizando formigas, fato descrito também na medicina indígena brasileira, é objeto de estudos atualmente, para saber como se evitava a peritonite em tais casos.
A lista é interminável. Plínio, o Velho, receitava saliva, fezes, esperma, pedras preciosas. São Jerônimo receitava banha de galinha e de hiena para feridas putrefatas e bile animal para cataratas.
O Erário Mineral não foge à regra: tudo vale para curar.
E em todos os tempos vai existir a base teórica para explicar a razão das práticas. O Dr. Luís Gomes Ferreira tem como base a teoria dos humores.
A teoria dos humores
O início da teoria dos humores se dá com Hipócrates, considerado o pai da medicina, e é ampliada com Galeno, cuja autoridade não será contestada durante quinze séculos. Na Idade Média e no Renascimento, torna-se a base de todo o conhecimento médico e da terapêutica.
Os conceitos de Hipócrates se baseiam na harmonia dos quatro humores -bile, melancolia, sangue e fleuma -, que significa saúde. A doença surge quando ocorre desequilíbrio, pois o calor vital provoca a fermentação do humor em excesso, o qual deve ser expelido pelas vias naturais. Caso isso não aconteça, o acúmulo forma o apostema e suas conseqüências: inflamação, gangrena, supuração. A partir daí, entra em ação a natureza, para combater o mal. O papel do médico será apenas de colaborar com as forças naturais para a recuperação da saúde. O médico deve fazer isso através do diagnóstico, do prognóstico e do tratamento. Para tanto, deve observar o doente, acompanhar os sintomas, sempre de acordo com o princípio básico de que, em primeiro lugar, nunca deve prejudicar.
Os princípios hipocráticos foram sendo gradativamente ampliados, sendo os árabes os que mais contribuíram para isso. Constantino, o Africano, ao traduzir ou mandar traduzir os textos árabes, introduziu a propedêutica baseada na ampliação dos conceitos da teoria humoral.
Tudo o que existe no mundo começa a partir dos quatro elementos: o fogo, o ar, a água e a terra. O fogo é seco e quente, a água é fria e úmida, a terra é fria e seca, o ar é quente e úmido. A esses elementos correspondem as qualidades características de cada um e a interação entre eles determinam o que se chama de compleição. São nove as compleições correspondentes às diversas combinações dos quatro elementos. Se estão em proporções iguais, há equilíbrio. Se há predominância de uma das qualidades, há desequilíbrio. Se há qualidades contraditórias ou não, é o que vai decidir como se fará o tratamento. O sangue é quente e úmido como o ar; o fleuma, frio e úmido como a água; a bile, quente e seca como o fogo; a melancolia, fria e seca como a terra. Micro e macrosmo se unem assim. A astrologia passa a ter um prestígio enorme. Mais ainda, a caracterologia surge como capaz de explicar muito: as pessoas são do tipo sangüíneo fleugmático, bilioso ou melancólico.
O desequilíbrio da compleição, isto é, as perturbações que podem ocorrer entre os constituintes do corpo humano, é que vai explicar as doenças e sugerir os tratamentos. Os constituintes do corpo são os quatro elementos (ar, água, fogo e terra), as quatro qualidades (quente, seco, frio e úmido) e os quatro humores (sangue, fleuma, bile e melancolia). Assim, o ar, sendo quente e úmido, está ligado ao sangue; a água, fria e úmida, à fleuma; o fogo, quente e seco, à bile; a terra, fria e seca, à melancolia.
A compleição pode ter as quatro qualidades em proporções iguais, mas pode haver predominância de uma delas ou de duas não contraditórias. A cocção dos alimentos no fígado forma o sangue venoso e leva a cada parte do corpo a nutrição de que ela necessita.
Outros conceitos incluem a noção de membros (o principal deles seria o coração, mas algumas autoridades incluíam o fígado, ovários e testículos), de virtudes ou faculdades e das operações, sendo as últimas as ações necessárias ao funcionamento do organismo. A partir da noção de calor, frio, umidade e secura, toda a prática terapêutica se estabelece para corrigir o desequilíbrio ou "corrupção" da compleição, que se manifesta por intermédio de febre, do apostema, da obstrução das passagens dos humores, etc.
A cura ou tratamento utiliza a dieta (que compreende os fatores ambientais, o sono, a alimentação, as condições de trabalho, etc.), ampla farmacopéia (que inclui medicamentos de origem humana, animal, vegetal e mineral) e cirurgia.
O preparo dos remedios pode ser simples ou complexo e seu uso pode ser interno (xaropes, pílulas ou trociscos, etc.) ou externo (cataplasmas, emplastros e outros).
Os remédios de origem vegetal são os mais usados. Aos poucos se introduzem produtos químicos. Purgar é a principal forma de tratamento, pois facilita a desobstrução, esvaziando parte do corpo do acúmulo de humor. O mesmo se pretende com o uso de sangrias, banhos e outros cuidados. Como muitos medicamentos possuem virtudes ocultas, há de se contar com a experiência do médico ou do cirurgião.
Ferreira se refere aos cacoquímicos, que significam alteração ou depravação dos humores, causa imediata da caquexia.
Virtudes ocultas
A crença nas virtudes ocultas na medicina é um fato curioso. Muitos sábios médicos se referem a elas.
A afirmação de sua existência e de sua importância curativa encheu páginas e páginas da literatura médica durante séculos. Tal como a teoria das simpatias e das antipatias, é uma fascinante busca de explicação para as curas.
A filosofia neoplatônica considerava as virtudes ocultas mais poderosas que as elementais. Seriam, segundo alguns, os instrumentos pelos quais Deus torna os objetos diferentes uns dos outros, não sendo explicáveis tais diferenças pelas qualidades elementares ou pela mistura destas. Crendo-se nas virtudes ocultas, fica mais fácil entender a ação de ervas medicinais ou de amuletos ou pedras preciosas na melhora e na cura dos doentes. Tudo aquilo que não pudesse ser explicado nem comprovado experimentalmente se tornaria compreensível.
Além das explicações astrológicas, mágicas e teológicas, as virtudes ocultas seriam as umbrae (sombras) das idéias divinas conferidas a cada objeto e a cada qualidade, correspondente a uma configuração celestial, segundo Agrippa de Nettesheym no seu livro De occulta philosophia, de 1533.
Amato Lusitano (1511-1568), citado por Ferreira, foi um grande sábio, comentador de Dioscórides, traduzindo os nomes dos simples do grego para o latim, o português, o espanhol, o francês, o alemão e o árabe. Escreveu contra a astrologia, considerando não haver relação entre as posições dos astros e a terapêutica, chegando a afirmar que os médicos que deixassem de sangrar ou de purgar por causa disso seriam dignos de compaixão. Entretanto, a prevalência do modo de pensar dos séculos anteriores continua a exercer grande influência nos séculos seguintes. Curvo Semedo, considerado um espírito adiantado para sua época, acreditava e recomendava até mesmo bruxarias em determinada condições. Luís Ferreira Gomes relata muitos casos em que as virtudes ocultas atuaram favoravelmente. A cura do panarício pode ser feita pondo-se o dedo no ouvido de um gato ou, sendo-se mulher, colocando o dedo doente no seu vaso natural por espaço de um quarto de hora. O mesmo se dará na cura das hemorróidas com o uso de uma bolazinha que um certo macaco mineiro possui, desde que seja da perna esquerda. O uso do espelho para que a hemorróida se recolha envergonhada também é relatado.
Para evitar picadas de abelhas, nada como a virtude oculta da erva-cidreira. A mesma virtude oculta não falha quando se quer separar amancebados: basta que se ponha o esterco do homem na sola ou nas palmilhas do sapato dela e o esterco dela no sapato dele.
Simpatia e antipatia
O próprio autor define simpatia e antipatia. São virtudes ocultas, mas contêm uma explicação. Simpatia, segundo ele, é uma certa amizade, conformidade e inclinação, que têm umas coisas com outras, conformando-se, buscando-se, abraçandose e amando-se, como o vemos no azougue com o ouro, na pedra de cevar com o ferro e no alambre com a palha, e outras coisas. (EM, v. 1, p. 382)
Já a antipatia é
uma certa inimizade, repugnância, aversão e discórdia, que têm
entre si umas coisas com outras, assim viventes, e sensitivas,
como as que não têm vida nem sentimento: isto se deixa ver
nas cordas de viola feitas de tripa de lobo, que, se se ajuntarem
com as que forem feitas de tripas de carneiro, as rói, e as corta,
como se fosse uma navalha. O mesmo vemos em um tambor
feito de uma banda com pele de lobo, e da outra com pele de
ovelha, não fará estrondo, nem soará, ainda que tanjam nele
com quanta força houver, pela antipatia, que entre estes
animais têm entre si, não só quando são vivos, senão também
depois de mortos. Na hera com as árvores vemos o mesmo,
pois as aperta e as mata, como também alguns cipós no Brasil,
que se enrolam, crescem e apertam as árvores de tal modo
que, sendo delgados, e as árvores muito grossas, as corta, e as
faz secar. As couves com as parreiras, etc. (EM, v. 1, p. 382-
383)
Os exemplos se mutiplicam no decorrer da obra: acidentes de asma são provocados porque o bafo do gato tem antipatia pelo nosso pulmão; um corpo defunto brota sangue em presença de seu assassino também por antipatia. A simpatia, por sua vez, fará com que um dente de defunto que tenha morrido velho, sem frio nem febre, fará cair o dente dolorido do doente sem uso de nenhum instrumento.
Galeno era partidário da teoria da simpatia em medicina. A etimologia da palavra lhe dá o significado de sofrer com e é baseada em conceitos dos filósofos estóicos. Trata-se de um princípio unificador e que coordena as partes num todo, assegurando a coerência e a unidade. Uma parte doente pode transmitir secundariamente sua doença a uma outra parte pela simpatia. Esta se opõe à protopatia, que é a doença da parte inicialmente atingida. A simpatia se transmite pelos nervos, pelos humores, pelos vapores ou pelo contato.
A sangria
Entre os diversos meios terapêuticos, a sangria ocupou lugar de destaque durante muito tempo. Indicada para febres, resfriado na cabeça, afecção torácica e tantas outras doenças ou sintomas, era considerada por Guy Pattin, professor da Faculdade de Medicina de Paris no século XVII, como capaz de fazer mais milagres em medicina do que qualquer outro remédio. Acreditava nisso a ponto de ter-se sangrado, a seu filho e a sua mulher, num total de trinta e nove vezes.
Uso e abuso, as diversas maneiras de se realizar (flebotomia, escarificação, sanguessugas), medida higiênica, indicações e contra-indicaçõe astrológicas, quantidade de sangue a extrair, o lugar de sangrar, qual a veia, de que lado, a maior ou menor proximidade da lesão, tudo era motivo de discussão, na qual intervinham não só os médicos, mas também o rei e o papa.
Os árabes se opunham aos seguidores de Hipócrates quanto à questão da distância e do lado, acreditando que se devia sangrar longe e não perto, e do mesmo lado da lesão. No século XVI um médico fugiu de Paris para Portugal para evitar perseguição em razão disso: Pierre Brissot chegou a sangrar o rei D. Manuel I em Évora, mas o físico-mor do reino se opôs a ele e houve séria divisão entre os brissotistas e os antibrissotistas.
Sangrar, portanto, era assunto médico da maior importância, rivalizando-se com a purga, como meio eficaz de curas.
Ora, em pleno início do século XVIII, Luís Gomes Ferreira, mesmo fazendo suas críticas, segue autores de épocas remotas ou outros que se baseiam naqueles, apesar de grandes avanços terem surgido na medicina de sua época e dos quais parece não ter tomado conhecimento. É fácil explicar isso. Com a invenção da imprensa, em 1455, o acesso aos velhos autores se democratiza. Hipócrates é editado em Roma, em 1525, em Basiléia, em 1538, e em Frankfurt, em 1595, no que se refere à Opera Omnia. Os aforismos haviam sido publicados em Leão, por Rabelais, em 1532. Celso foi impresso em Florença, em 1478 (De Re Medicina) e depois em Milão (1481) e Veneza (1524). Dioscórides teve edições em 1481, 1499 e 1524. Plínio, o Velho, foi editado oito vezes logo depois da invenção da imprensa. Galeno, em cinco volumes, surge a partir de 1525 e 1538. A edição mais próxima do Dr. Ferreira é a de Leipzig, feita entre 1541 e 1625. Paulo de Egina tem o seu Epitome impresso em sete volumes em Veneza, entre 1528 e 1553, enquanto Avicena é traduzido e publicado em latim a partir de 1473.
A imprensa, ao recuperar obras de autores antigos, de valor inestimável, deu ocasião à utilização de conceitos dogmaticamente aceitos e não criticamente estudados, ocasionando a repetição sistemática de erros. O século XVII é o de William Harvey (1578-1657), inglês que estudou em Pádua e que, num opúsculo de apenas 72 páginas, revela ao mundo a circulação do sangue. De motu cordis, publicado em 1628, é um momento revolucionário na história da medicina. O Dr. Gomes Ferreira, porém, tão douto nos autores antigos, não conhece a obra de Harvey. Malpighi (1628-1694), que consagra o trabalho de Harvey ao descobrir os capilares, também não parece ter sido lido por ele. O mesmo se dá no que se refere a Pecquet (1622-1674) e à circulação linfática, ou a Leeuwenhoek (1632-1723) e seus achados microscópicos (descrição dos espermatozóides, o caráter estriado dos músculos voluntários, os estudos sobre os glóbulos vermelhos e tantos outros). Nem fala em Stenon, Graaf ou Redi. Não se deve crer que Gomes Ferreira teria uma atitude como a de seu colega inglês, Sydenham (1624-1689), o maior clínico de sua época, o qual fez questão de ignorar seus contemporâneos, só se interessando, medicamente, por Hipócrates e seus métodos de observação. Era contra a doutrina galênica dos humores e pôde, assim, descrever suas observações sobre malária, gota, escarlatina, sarampo, broncopneumonia, disenteria, coréia e histeria. O autor preferido de Sydenham não era médico e se chamava Miguel de Cervantes.
O Dr. Gomes Ferreira não conhecia, apesar de ser cirurgião, a obra de Ambroise Paré, morto em 1590 e considerado atualmente o pai da cirurgia francesa. Paré foi grande divulgador da obra de Vesálio, por ter escrito em francês um resumo de Fábrica, tornando a anatomia acessível aos cirurgiões que não soubessem o latim. Se o Dr. Ferreira o tivesse lido e conhecido, não teria tanto entusiasmo pela pedra bezoar. Paré lamentava que se acreditasse na eficácia do pó de múmia, do pó do chifre de unicórnio e, quanto ao bezoar, conta-se a seguinte história: Quando o rei Carlos IX ganhou de presente uma dessas pedras, tidas como contraveneno universal. Paré lhe afirmou ser impossível tal propriedade. Refutado pelo autor da dádiva. Paré propôs ao rei que se fizesse uma experiência. Bastava escolher um condenado à morte e lhe dar algum veneno, seguindo-se a ingestão da pedra. Caso sobrevivesse, o infeliz estaria perdoado e livre. Foi escolhido um pobre cozinheiro, condenado pelo roubo de duas bandejas de prata. Tomou o veneno, ingeriu o contraveneno e morreu com grandes sofrimentos. Diante disso, o bom rei teria jogado no fogo o restante da pedra, gesto que não impediu seu uso e prestígio durante os séculos seguintes. Paré escreveu um precioso livro sobre monstros e prodígios, o que vem mostrar a ambivalência reinante. De um lado, a racionalidade, a prática, a experiência; de outro, a credulidade.
A dificuldade de acesso às descobertas recentes devia ser enorme, principalmente para um cirurgião exercendo a medicina no Brasil, onde também buscava o enriquecimento nas minas de ouro, já que aqui viveu na época mais rica do chamado Ciclo do Ouro. Não se veja nisso crítica ao Dr. Luís Gomes Ferreira. Mas é bom observar que duzentos anos antes o grande médico judeu-português Garcia D'Orta, autor do Colóquio dos Simples, conseguia manter-se atualizado com o que se fazia na Europa, apesar de estar vivendo na Índia.
De qualquer modo, Luís Gomes Ferreira era um homem da época que ofereceu ao mundo figuras como Shakespeare, Milton, Cervantes, Molière, Servet, Newton, Spinoza, Locke, Bach, Leibnitz, Halley, dentre tantos outros.
Ressalte-se o mérito de o nosso cirurgião fazer descrições de muitos dos casos que atendeu. Isso permite que se façam diagnósticos retrospectivos, por meio da releitura baseada nos conhecimentos atuais. Cita, por exemplo, casos de anasarca, os quais denomina obstrução do fígado, que podem ser descrições de quadros de insuficiência cardíaca congestiva e, quem sabe, relacionados com doença que só vai ser descoberta duzentos anos depois, em 1909, por Carlos Chagas, nas mesmas Minas Gerais. Sua descrição de um quadro de traumatismo craniano foi recentemente estudado por neurocirurgiões, os quais consideraram o tratamento absolutamente correto, pouco diferindo do que se faria hoje, sendo de notar que utilizou aguardente para lavar a ferida, com plena recuperação do paciente.
Dentre outros aspectos da terapêutica utilizada, relembre-se o fato de que ele usou a sangria com certa cautela, afirmando que é o sangue o azeite, em que se conserva a luz da candeia da vida e que é importante sangrar pouco para viver muito. É digna de nota a coincidência da publicação do Erário Mineral com a inauguração e o funcionamento da Santa Casa da Misericórdia de Villa Rica, ambos acontecidos em 1735.
A farmacopéia do Erário Mineral
O autor usa vulnerários, medicamentos próprios para curar úlceras ou feridas; lambedores, xaropes feitos com açúcar dissolvido em suco de frutas; cozimentos, bebidas preparadas por decocção, usando-se a água como veículo de extração dos princípios existentes nas raízes, cascas ou substâncias animais, dependendo dessas substâncias a denominação de cada um (peitorais, tônicos, emolientes, sudoríficos, etc.); conservas, preparações farmacêuticas de consistência mole, preparadas com pós de flores, folhas, frutas ou raízes, às quais se ajunta açúcar e cujas propriedades são adstringentes e tônicas; preparantes: é como preparar um medicamento, dosar, combinar os ingredientes; espírito é o nome dado aos medicamentos líquidos resultantes da destilação do álcool com uma ou mais substâncias aromáticas capazes de terem propriedades ativas que estimulam todos os órgãos; apozemas, medicamentos líquidos, cuja base é a decocção; algália, um licor cheiroso e espesso; tutia, ungüento usada nas oftalmias, que tem por base o óxido de chumbo; triaga magna, electuário de composição complexa; arrobe, espécie de xarope formado pela concentração do mosto da uva sob a ação do fogo; polme, uma massa um pouco líquida; confeição, medicamento composto de muitas substâncias, com virtudes estomacais; posca aquosa, bebida de vinagre com açúcar e água; degoladouros, que o próprio autor define.
Para o nosso autor há remédios milagarosos. Um deles é o óleo de ouro, que merece um capítulo inteiro. O outro é a triaga brasílica, remédio secreto dos jesuítas e que se tornou famoso na Europa após a publicação, em Roma, em 1766, da Colleção de varias receitas e segredos particulares da principais boticas da nossa Companhia de Portugal, da Índia, Macao, e do Brasil, compostas, e experimentadas pelos melhores medicos, e boticarios mais celebres que tem havido nesses paises.
A triaga brasílica é uma panacéia e um antídoto universal, composto de várias plantas, raízes e ervas, além de drogas e animais do Brasil, onde abundam remédios para todos os males. Servia para tudo, desde envenamentos até ausência de menstruação. Consta que, para serem tão especializados em contravenenos, os jesuítas teriam de ser também especialistas em venenos. Aliás, eles foram acusados de ter envenenado e matado o Papa Clemente XIV.
Vê-se que a cura se faz por meio de emplastos, pomadas, xaropes, pílulas, ungüentos, colírios, parche (paninho embebido em água ou álcool, que se coloca sobre qualquer parte do corpo para aliviar dor ou inflamação), além de tantas outras técnicas e artes.
Medicamentos de origem vegetal
São muitas as plantas utilizadas pelo autor (anexa, a relação das plantas). Usa-se tanto a casca como a raiz, a folha, o fruto, a semente, em estado natural ou após preparações demoradas. A maior parte tem efeitos purgativos e eméticos, principal meio curativo dentro da medicina empírica e panacéica da época.
Medicamentos de origem animal e humana
Nos conceitos da medicina panacéica e empírica, baseados em teorias difíceis de compreender hoje, o uso de medicamentos de origem animal e humana se generaliza. Ainda que estranhemos tal uso, ele ainda é corrente na medicina popular. Pó de lombrigas de homem, ferrada, leite de peito, esterco de menino, sebo de bode, miolo de gato, óleo de escorpiões, sebo de rim, unto de porco, matar um animal e pôr o doente dentro, animais abertos vivos, víboras, frango, galinha, pombos, capão, urina, esterco humano ou não, enxúndia de galinha, enxúndia de rã, água de porco espinho, espermacete, leite virginal, óleo humano, fel de boi ou vaca, ovo de galinha, baço de boi, caveiras, suor de agonizante, sebo de carneiro, sebo de homem, sangue, cobra, urina de menino macho, contas de macaco, dentes de caveira, sangue debaixo das asas de pombo, sangue de crista de galinha, dentes de cavalo, cabelos de lebre, pêlos pubianos, mãos de menina virgem, vagina, gatos vivos, gatinhos, minhocas, unicórnio, múmia, cabelo, inhaúma, cinza de lagarto (jacaré), lagartixa, leite de vaca, pó de sapo, osso de perna de sapo, mel, mortalha, fígado de galinha, queijo, soro de leite, trociscos, esperma ranarum, percevejos, formigas, terra de fora dos formigueiros, terra de cemitério, cantáridas, enguias, e quanto mais haja, por meio de difíceis acessos e preparações. Sempre com o maior sucesso terapêutico.
Medicamentos de origem mineral
Também de uso corrente, e isso vem desde os tempos de Plínio, o Velho, abusa-se dos minerais: amianto, âmbar, antimônio, açúcar de chumbo, azougue, breu, ferrugem, fuligem, óleo de ouro vinho, láudano opiado, mercúrio, ópio, pólvora, sal, pedra hematita, pedra-lipes, moeda de prata, pedra bazar, pedra de mombaça - e tantos outros mais, em preparações isoladas ou não.
Anticoncepcionais e abortivos
O autor se refere muitas vezes à ausência e ao atraso das regras. Este é um aspecto intrigante de sua obra. É grande o número de substâncias consideradas ecbólicas ou emenagogas e abortivas no seu trabalho. Não interessa se elas possuem ou não tal efeito, mas a tradição popular e as farmacopéias da época afirmam a existência de tais propriedades, e quem as receita crê na ação pretendida.
Já no primeiro tratado se fornece uma receita útil para fazer vir a conjunção mensal. Ao se referir à cura das obstruções em mulheres e fazer-lhes vir a conjunção, o autor relata como tratou uma moça portadora de perturbação mental pela ausência de regras. Mostra-se familiarizado com remédios capazes de lançar criança que estiver morta no ventre da mãe e outros que evitam partos prematuros. Também se refere à possibilidade de as mães matarem seus filhos após o nascimento e como saber se tal coisa sucedeu. Ensina como tratar barriga inchada por falta de conjunção mensal e provocar as regras. Conhece medicamentos capazes de facilitar a expulsão da placenta. São muitas as referências relacionadas com medicação emenagoga, e até na transcrição da receita antiescorbútica do Dr. Miranda menciona-se como uma de suas indicações a capacidade para fazer virem as regras. Mais do que as referências, porém, é a insistência no uso de tantas plantas com efeitos emenagogos.
Seriam os anticoncepcionais e abortivos usados
com que finalidade?
Algumas hipóteses podem ser levantadas. Sendo homem caridoso, como se pode perceber nos seus escritos, estaria ele querendo poupar as mulheres do risco de morrerem no parto? Seria um bom psicólogo, ao livrar moças solteiras de gravidez indesejável? Ou um pacificador, no caso de mulheres grávidas de outro que não fosse o próprio marido?
Ficam as indagações.
Conclusão
Muitos estudos podem derivar da consulta e da leitura do Erário Mineral. Sob o ponto de vista da abordagem relacionada com a história da medicina, há inumeros fatos curiosos e indicadores da prática vigente à época. O livro não difere muito de outros escritos naquele tempo, como se pode observar na obra de Curvo Semedo.
Atualmente, nossa prática é outra, e a consideramos mais racional e científica. No entanto, cremos mais na indústria farmacêutica e nos equipamentos oferecidos pela tecnologia do que na nossa capacidade de raciocinar sobre o homem doente, o qual se torna cada vez mais um objeto, um caso, do que um sofredor. A chamada relação médico-paciente se deteriora, a ética é ignorada e a medicina se transforma em oficina de reparos.
Por outro lado, a medicina popular continua com as mesmas práticas de séculos atrás, mantendo a crença na magia, nos poderes ocultos, nas cirurgias espirituais, no curandeirismo, na urinoterapia, na astrologia, etc. Isso se dá em função da distância que separa a medicina oficial, por razões econômicas e sociais, da realidade do sofrimento humano.
Que dirão, dentro de pouco tempo, sobre a medicina do nosso século? Serão feitas críticas severas, provavelmente, aos métodos brutais e invasivos da nossa terapêutica, o que não quer dizer que vidas não tenham sido salvas e progressos não tenham sido alcançados.
Por isso mesmo, temos de ser mais modestos, humildes até, no estudo da prática ensinada pelo Dr. Luís Gomes Ferreira.
Se as sangrias não tivessem sido tão abusivamente feitas no passado, seria pouco provável que as transfusões de sangue alcançassem o nível atual. Do mesmo modo, foram as medicações utilizadas empiricamente que levaram ao avanço farmacológico de hoje. A farmacopéia moderna continua utilizando animais, vegetais e minerais.
Nesse sentido, pode-se esperar que a reedição do Erário Mineral contribua para a crítica da nossa própria prática.
Relação das plantas citadas no Erário Mineral
(Em negrito, as ecbólicas ou emenagogas e as abortivas, segundo diversos autores.)
Agárico - Agrimônia - Almécega- Altéia ou malvaísco-Alcar(a,o)via- Ameixa - Amora - Alfavaca - Abóbora - Alecrim - Aspargo -Açafrão - Aipo - Arruda - Artemísia - Assafétida - Alcaçuz -Angelim - Avenca - Anafega - Agraço -Almeirão - Alforvas (?) -Árvore espinhosa (é a jurubeba) - Abútua - Alface -Arroz -Anterrhino (dente-de-leão)
Bardana - Borragem - Buglosada - Bicuíba - Bertônica
Balaústia (Romã) - Beldroega (GLCruz- - Bútua (abútua) -Bananeira - Belis do prado (ou belides) - Batata de purga - Benjoim
Canafístula - Colonquíntidas - Chá - Crocus (é o açafrão, Crocus sativus, da Índia) - Canela - Carerus - Caparosa (não é só planta, mas também é o nome dado ao sulfato de zinco) -Corindiúba - Cocleária - Chicórea (ou Almeirão) - Copaíba -Cevada - Camoezas - Cravo (da Índia) - Cúbeba - Coroa-de- rei -Capeba -Cidra - Carrapicho (v. picão) - Cebola - Cipó (de coração ou Aristolochia cordigera e milhomens) - Cipreste
Drago (sangue-de-drago) - Domadinha - Douradinha (da fam. dos fetos) - Diagrídio (?) Escorcioneira - Estoraque - Espora de cavaleiro- Escórdio Engus - Espina cardi - Escabiosa - Eufórbio - Epiricão -Erva-de-bicho
Fragária (morangueiro) - Fumo bravo (tabaco=erva santa) -Funcho - Figueira baforeira - Fruta-de-lobo - Fava (flor) -Fedegoso (ou matapasto)
Gengibre - Galbano - Golfão - Gilbarbeira - Grama - Guaiaco (pau-santo) -Gurubeba (jurubeba?)
Hissopo - Heléboro - Hortelã - Hermodactiles - Horjevão (berbena) (verbena ou urgebão) - (H)ervas (S. Maria, moura, do bicho, etc)
Incenso - Inhaúma - Ipecacuanha
Jalapa - Joá bravo - Jequira - Jaburandi
Limão - Laranjas bicais azedas - Linho (sementes) - Lírio Maná - Matapasto (fedegoso - cassia bicapsularis) - Malvaísco -Maçã - Meimendro - Mil-homens - Mentrasto (erva de S. João) -Mentruz (erva-de-santa-maria) -Melancia - Mirra
Napelo
Olibano - Ourego (orégano) - Opoponaco - Orelha-de-onça
Persicaria (erva-do-bicho) - Pragana - Paratudo - Pau-santo -Pimpinela Picão -Poejo - Papoula - Pimenta
Quina-quina
Romã - Ruibarbo - rabão (seria o rabanete?)
Salsa - Sassafraz - Semen-contra (artemísia judaica) - Sene -Sabugueiro - Sapé -Saramago - Sarapilheira - Sorveira - Solda -Semente de Alexandria (mastruço) -Silva (rosácea, como as amoras) - Sila
Tormentilha - Trincai - Tripojana - Trovisco - Termentina (terebentina?) -Tepes-Taba
Uvas
Velame - Viola
A botica. (Quadro de Pietro Longhi)
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