Esplêndida
Capítulo 12
Fascinada, Emma não conseguia afastar os olhos do rosto de Alex, que se aproximou até tocar os lábios nos dela. O toque foi breve. Emma estava paralisada, mal conseguia respirar.
Alex levantou a cabeça e viu que Emma ainda o encarava com os olhos muito abertos, como se nunca o tivesse visto antes.
– Emma? – chamou ele, tocando o queixo dela.
Emma lutava contra a vontade de erguer a mão e afastar um cacho dos cabelos que havia caído na testa dele. Alex olhava para ela com tanto carinho que Emma achou que tudo o que queria fazer na vida era se aconchegar no calor daqueles braços e derreter. Ela sabia que ele não a amava, que não pretendia se casar com ela. Mas também sabia que Alex gostava dela, e que a desejava muito. E que Deus a ajudasse, ela também o desejava imensamente. Emma havia passado meses tentando se convencer de que não havia nada especial naquelas sensações novas e estranhas que experimentava sempre que Alex estava por perto. Ele tinha dito que precisava beijá-la. Finalmente chegara a hora de ser honesta consigo mesma. Ela também precisava beijá-lo.
Alex percebeu o momento exato em que a hesitação de Emma deu lugar ao desejo. O olhar dele cou mais suave e ela umedeceu os lábios. Mas, antes que pudesse de fato beijá-la, Emma o deteve, pousando a mão no rosto dele, e murmurou seu nome com a voz rouca.
Alex virou a cabeça lentamente e beijou a palma da mão dela.
– O que houve, meu bem?
A voz de Emma estava carregada de emoção quando perguntou:
– Você promete que vai parar quando tivermos que parar?
Ele a encarou com intensidade, se perguntando se ela entendia o que estava pedindo.
– Eu-eu não tenho muita experiência neste tipo de coisa, Alex.
Emma engoliu em seco, tentando reunir coragem para continuar a falar.
– Eu quero muito beijar você. Acho que nunca quis tanto uma coisa na vida. Mas talvez eu não saiba quando deveríamos parar, ou como impedir você. Estou pedindo que dê sua palavra de cavalheiro de que vamos parar antes de fazermos alguma coisa… irrevogável.
Alex soube naquele momento que Emma era dele. E soube que poderia fazer amor com ela ali mesmo, em cima daquela manta, e que Emma não faria nada para detê-lo. Mas também sabia que a mente de Emma não queria o que o corpo dela obviamente desejava. Alex baixou os olhos para tar o rosto cintilante e concluiu que não teria como viver consigo mesmo se tirasse vantagem da con ança dela.
– Eu dou a minha palavra – disse ele, baixinho.
– Ah, Alex…
Emma soltou um gemido e passou os braços ao redor do pescoço dele, que havia se curvado novamente acima do corpo dela.
– Se você soubesse há quanto tempo venho esperando por isto – murmurou ele ao mesmo tempo que deixava uma trilha de beijos ardentes por todo o rosto dela, descendo pela lateral do pescoço.
– A-acho que sei exatamente quanto – retrucou Emma, a voz trêmula diante do óbvio desejo dele.
Quando Alex a deitou lentamente, Emma en ou os dedos nos cabelos cheios, tentando desesperadamente chegar o mais perto possível dele. Sem pensar, ela pressionou o corpo contra o de Alex, moldando-se aos músculos poderosos.
Para Alex, o movimento foi como se a faísca que ardia dentro dele havia meses nalmente tivesse se incendiado.
– Ah, Deus, Emma – gemeu ele. – Você tem alguma ideia do que está fazendo?
Ele abaixou a cabeça e viu que os olhos de Emma agora cintilavam com um desejo recém-descoberto e também com… con ança. Perdido naquele olhar violeta, Alex gemeu de novo.
– Posso ver que não.
Emma não entendeu o comentário enigmático.
– Al-algum problema? – perguntou ela, preocupada com a possibilidade de ter feito alguma coisa que o desagradara em virtude da inexperiência.
Alex se abaixou e beijou as pálpebras dela.
– Acredite em mim, meu bem, problema algum.
Ele deu uma risadinha ao ver o alívio na expressão dela. E cou profundamente comovido por Emma estar tão preocupada em agradá-lo. – Você parece ter um talento natural para este tipo de coisa.
Alex se perguntava como, em nome de Deus, seria capaz de se conter como havia prometido a Emma, mas não verbalizou o pensamento, com medo de quebrar o encanto sensual que agora pairava sobre o piquenique particular.
Emma enrubesceu de prazer diante do elogio.
– Eu só quero… Ahh!
Ela arquejou em voz alta quando Alex subiu a mão por sua cintura até alcançar os seios.
O toque foi tão abrasador que Emma cou surpresa por não tê-la queimado através do tecido do traje de montaria. Ela abriu os olhos e entreabriu os lábios, surpresa com a ousadia do gesto.
O sorriso de Alex era da mais pura satisfação masculina.
– Você gosta disto, não é, meu bem?
Ao sentir o mamilo dela se enrijecer através do tecido, ele apertou o seio cheio e viu Emma estremecer de desejo. E amaldiçoou silenciosamente os botões minúsculos que desciam pelas costas do vestido e tornavam impossível afastá-lo pelos ombros. Com um suspiro entrecortado, Alex se resignou ao fato de não poder ver o seios cheios e o mamilo rígido tão inebriantes. Levando em conta a promessa feita segundo antes, talvez aquele revés fosse bom.
– Ah, Alex – gemeu baixinho. – Tudo isto é tão estranho…
Emma deixou escapar outro arquejo quando sentiu a mão dele se insinuar sob as dobras da saia dela para acariciar suas panturrilhas esguias e rmes. Emma sentiu espasmos de prazer subirem por suas pernas até o centro do seu corpo e suspirou, com abandono.
– É tão gostoso…
A mão de Alex continuou a acariciá-la, cada vez mais para cima, até alcançar o ponto sensível onde o topo da meia encontrava a carne macia e pálida. Emma quase quicou na manta com a energia intensa que parecia se derramar das pontas dos dedos dele. Então, embora não conseguisse acreditar que aquilo realmente estava acontecendo, a mão dele subiu ainda mais.
– Alex? – chamou ela, ofegante. – O que vo…? Você tem certeza? Não sei se…
Alex a silenciou com um beijo suave.
– Shhh, meu bem. Eu prometo que não vou…
Alex deu um sorrisinho irônico diante das palavras melodramáticas que estava prestes a pronunciar:
– Que não vou violar você aqui, em cima desta manta. Quando
zermos amor, vai ser perfeito, sem hesitações ou mal-entendidos entre
nós.
Alex continuou a espalhar beijos delicados pelo rosto de Emma, para acalmar seus medos, enquanto deslizava a mão por baixo da roupa de baixo dela e começava a acariciar os pelos delicados que cobriam seu prazer mais íntimo.
Emma prendeu a respiração e seu corpo cou rígido contra o dele, sentindo os vinte anos de uma criação conservadora voltando à mente para dizer que ela não deveria estar naquela situação. Ela pousou a mão no peito dele, tentando afastá-lo.
– Espere, Alex, eu não tenho certeza se…
– Não tem certeza de quê, meu bem?
A voz dela saiu trêmula de apreensão quando respondeu:
– De você, disto, de nada.
– Você não tem certeza em relação a mim? – perguntou, tentando brincar para afastar os medos dela. – Está me dizendo que preferiria estar com outra pessoa?
– Não! – exclamou Emma. – Não é isso, é que…
– O quê?
– Eu não sei!
Emma sentia a mente gritando que ela deveria se levantar e ir embora, mas não poderia negar as sensações eletrizantes que disparavam por seu corpo a cada toque. E, por mais que a batalha interna continuasse, Emma se sentiu relaxar, o corpo implorando por aquilo que apavorava sua mente.
– Não se preocupe, meu bem – murmurou Alex, aliviado por ela ter cedido. – Vou manter a promessa.
Ele respirou fundo, esforçando-se para manter os instintos sob controle. Seu desejo por Emma era dolorosamente aparente, o membro rígido esgarçava o tecido dos calções de montaria.
– Só quero… preciso estar dentro de você de algum modo. Não consigo explicar isso. Só sei que preciso sentir você imediatamente.
Então ele deslizou um dedo para dentro dela. Emma estava quente e molhada, como Alex sabia que estaria, mas era muito pequena e muito apertada. Ele experimentou uma onda de orgulho ao se dar conta de que era o primeiro homem a tocá-la de forma tão íntima. E sentiu o próprio corpo latejar de desejo, o membro implorando para trocar de lugar com os dedos.
Deliciosas ondas de prazer dispararam pelo corpo de Emma, que começou a se sentir tensa na expectativa de algo que não compreendia, mas que sabia que iria acontecer.
– Alex! – gritou. – Por favor… Eu não aguento mais…
– Ah, sim, você aguenta, meu bem.
Conforme Alex a acariciava intimamente com um dedo, outro dedo encontrou o ponto sensível de carne escondido sob os pelos macios.
– Ah, meu Deus, Alex!
Emma gritou o nome dele em completo abandono. Todo o desejo que vinha se acumulando em seu corpo se concentrava agora em um ponto delicado em seu ventre e Emma sentiu a tensão chegar ao ápice. Em segundos o mundo pareceu explodir e ela se deixou cair, fraca e exausta, sobre a manta de anela.
Alex retirou os dedos gentilmente e se deitou ao lado dela, apoiando-se no cotovelo.
– Shhh… – murmurou, acalmando-a enquanto Emma se recuperava do clímax.
Ele acariciou os cabelos dela e, com o olhar distante nas campinas ao redor, forçou o próprio corpo a se acalmar, pois sabia que não teria o mesmo alívio. Ainda assim, era inegável a satisfação por tê-la satisfeito
sicamente. E, embora sempre tivesse sido um amante atencioso, aquela
era a primeira vez que sua própria necessidade física se tornava completamente secundária em relação à da parceira.
– Ah, meu Deus – disse Emma com um suspiro, assim que conseguiu recuperar a capacidade de falar.
– Concordo – brincou Alex, dando uma risadinha e deixando o indicador correr pela linha elegante do maxilar dela. – Como se sente?
– Eu me sinto… Ah, não sei como me sinto.
Emma fechou os olhos por um momento, sentindo-se profundamente relaxada. Havia um leve sorriso em seus lábios. Ela voltou a abrir os olhos e xou-os no homem à sua frente.
– Você sabe mais sobre isso do que eu. Como eu me sinto?
Alex riu alto.
– Você se sente esplêndida, meu bem. Simplesmente esplêndida.
– Sim, acho que sim – concordou ela com um suspiro, enrodilhando o corpo contra o dele. – Mas eu não fui… vigorosa demais?
Alex conteve um sorriso.
– Não, meu bem, você não foi vigorosa demais. Foi simplesmente perfeita.
– Muito obrigada por dizer isso – falou ela, enterrando o rosto na lateral do corpo dele. – Eu não sabia muito bem o que fazer…
Emma teve vontade de encará-lo, queria ver a expressão nos olhos dele, mas sentiu-se enrubescer de constrangimento.
– Não precisa ter medo. Planejo fazer com que você ganhe muita experiência.
– Como?
Emma sentou-se depressa, subitamente ansiosa para ajeitar a saia. De algum modo, as palavras de Alex a trouxeram de volta à realidade.
– Alex, você sabe que não podemos fazer isso o tempo todo.
– Por que não?
– Simplesmente não podemos. Muitas pessoas acabariam magoadas. Muitas pessoas esperam mais de mim.
– Não consigo imaginar nada que eu esperasse mais de você.
– Você está sendo deliberadamente tolo. Eu só… – Emma de repente
cou muito pálida. – Não consigo acreditar no que eu acabei de fazer.
Ela estava com os olhos arregalados de choque diante do próprio comportamento escandaloso. Um beijo roubado era uma coisa, mas aquilo… santo Deus, ela deixara… não, na verdade implorara que Alex a tocasse da forma mais íntima.
Alex gemeu enquanto observava a dúvida e a autocensura estampadas no rosto de Emma. O corpo dele latejava dolorosamente e, para ser sincero, ele não se sentia com energia para lidar com o súbito ataque de suscetibilidade feminina.
– Não culpo você. Culpo a mim mesma. Eu perdi o controle.
Nada do que ela pudesse ter dito teria feito com que ele se sentisse pior. Emma era muito inocente e não tinha ideia do tipo de pressão sensual que ele exercera. Como era típico daquela jovem corajosa tentar assumir a responsabilidade pelas carícias íntimas que haviam trocado… Mas, apesar da culpa que começava a surgir, Alex não estava se sentindo particularmente caridoso. Seu corpo implorava por alívio e isso o estava deixando nervoso.
– Emma – enunciou ele subitamente, a voz calma e controlada. – Vou dizer só uma vez. Não se arrependa do que aconteceu. Foi lindo e natural, e você foi tudo o que eu sempre sonhei que seria. Se continuar a se culpar, vai acabar se sentindo mal. E se por acaso decidir que nunca mais devemos compartilhar nossas almas como acabamos de fazer, bem, acho que você vai ter que aceitar que não pretendo acatar isso tranquilamente.
Voltaram para casa cavalgando em silêncio. Emma tinha a sensação de que todas as suas emoções estavam à or da pele. Por um lado, não parava de relembrar as carícias tórridas de poucos minutos atrás. Por outro lado, tinha vontade de se açoitar assim que chegasse em casa.
A vida, pensou, estava se tornando muito confusa.
Alex também não estava com vontade de conversar. Seu corpo parecia prestes a explodir, e não ajudava o fato de que o cheiro de Emma parecia estar por toda parte – nas roupas dele, nas mãos, simplesmente pairando no ar. Ele soubera desde o início que não encontraria satisfação física, mas achara que a satisfação com o prazer de Emma seria su ciente. E realmente havia sido – até ela começar a duvidar de si mesma, vulgarizando a experiência ao se sentir envergonhada daquela forma.
Teria que tomar algumas decisões importantes, concluiu. E… logo. Não tinha certeza de quanto mais conseguiria suportar aquela situação.
Quando nalmente chegaram a Westonbirt, Emma estava em um estado de completa confusão. Ao adentrarem o enorme saguão de entrada da casa, ela balbuciou alguma coisa incoerente para Alex e subiu correndo a escada longa e curva, em uma velocidade de que nunca imaginou ser capaz.
Alex guardou uma breve visão da musselina azul-escura e dos cabelos amejantes, e deixou escapar um suspiro cansado. Quase desejou poder simplesmente dizer a si mesmo que a tratara mal. Ao menos assim poderia tentar desfazer o erro. Mas o fato era que a angústia de Emma se devia a um sentimento de culpa, com o qual ela provavelmente teria que lidar sozinha. Alex deixou escapar um gemido de frustação, passou a mão pelos cabelos e seguiu na direção de seus aposentos, pensando em pedir ao valete que lhe preparasse um banho gelado.
Emma chegou ao quarto tão afobada pelo impulso que entrou praticamente voando pela porta e se jogou na cama. Mais tarde se daria conta de que por isso cou tão surpresa ao ver Belle deitada ali, enrodilhada tranquilamente com um livro de Shakespeare.
– Que inferno, Belle – falou Emma, irritada, esfregando o ombro que batera no quadril da prima. – Não pode ler no seu próprio quarto?
Belle a encarou com uma expressão de inocência nos olhos azuis.
– A luz aqui é melhor.
– Pelo amor de Deus, Belle. Tente ser um pouco mais criativa nas suas desculpas. O seu quarto ca bem ao lado do meu, recebe a mesma quantidade de luz.
– Acreditaria se eu dissesse que a sua cama é mais confortável que a minha?
Emma pareceu prestes a explodir.
– Está bem, está bem – apressou-se em dizer Belle, saindo rapidamente da cama. – Eu admito. Queria saber como foi o passeio a cavalo com Ashbourne.
– Ora, foi bom. Está satisfeita?
– Não – retrucou Belle com veemência. – Sou eu, Belle, está lembrada? Você supostamente deveria me contar tudo.
Algo no tom persuasivo da prima pareceu bater fundo nas emoções de Emma, que sentiu uma lágrima quente escorrer pelo rosto.
– Não sei se quero conversar agora.
Belle percebeu a expressão abatida da prima, deixou o livro de lado e, com sua presença de espírito característica, se lembrou de fechar rapidamente a porta do quarto.
– Ah, meu Deus, Emma. O que aconteceu? Ele… você…
Emma fungou e secou uma lágrima.
– Ele violou você?
– Odeio essa palavra – disparou Emma. – Já disse que odeio essa palavra?
– Violou?
– Não, ele não fez isso. Que tipo de mulher você acha que eu sou?
– Uma mulher apaixonada, suponho. Já ouvi dizer que os homens podem ser incrivelmente persuasivos quando a mulher está apaixonada.
– Pois bem, não estou apaixonada – retrucou Emma em um tom desa ador.
– Não?
Não sei, gritava a mente de Emma, mas ela não disse nada.
– Posso ver que você está ao menos considerando – continuou Belle. – Já é um começo, acho. Não preciso nem dizer como todos nós
caríamos felizes se vocês dois se casassem.
– Pode acreditar que eu já havia me dado conta dos desejos de vocês.
– Bem, você não pode nos culpar. Adoramos ter você aqui na Inglaterra. Especialmente eu – falou Belle, muito séria. – É difícil quando a sua melhor amiga está a um oceano de distância.
O último comentário da prima bastou para que Emma explodisse em lágrimas, soluçando alto enquanto encharcava o travesseiro.
– Ah, meu bem. – Belle voltou rapidamente para a cama e começou a afastar os cabelos da prima do rosto. Emma não era o tipo de mulher que chorava à toa, por isso Belle sabia que alguma coisa séria havia acontecido.
– Eu não quis pressionar você. Todos sabemos que, no m, a decisão é sua.
Emma não respondeu, mas as lágrimas continuaram a escorrer de seus olhos. Ela se deitou de lado e respirou fundo, as lágrimas agora pingando do nariz para o travesseiro.
– Talvez você se sinta melhor se falar a respeito – comentou Belle. – Por que não vai até a penteadeira para que eu penteie seu cabelo? Parece que o vento o embaraçou todo.
Emma se levantou e atravessou lentamente o quarto, esfregando o nariz com o dorso da mão sem se preocupar em ser graciosa. Deixou-se cair na cadeira forrada de veludo e tou seu re exo no espelho. Sua aparência era péssima. Seus olhos estavam inchados e injetados, o nariz, vermelho, e os cabelos, totalmente bagunçados. Ela respirou fundo para recuperar o equilíbrio e cou secretamente encantada com as mulheres da sociedade que conseguiam até mesmo chorar com elegância. Uma única lágrima ou duas, uma fungadinha delicada – nada como aqueles soluços que pareciam sair do fundo do peito de Emma, deixando-a com aquela aparência arrasada.
Ela se virou para Belle, fungando alto mais uma vez.
– Sabe de uma coisa? Eu era diferente.
– Como assim? – Belle pegou um pente.
– Quero dizer, e corrija-me se eu estiver errada, que eu costumava ter a reputação de uma mulher excepcional. Não quero me gabar, mas eu sei que tinha.
Belle assentiu, tentando disfarçar um sorriso.
– Eu não dava sorrisinhos afetados – continuou Emma, com um pouco menos de entusiasmo. – Nem me envolvia em conversas tolas. Era espirituosa. As pessoas costumavam comentar a respeito disso.
Ela levantou os olhos para a prima em busca de con rmação.
Belle continuou a assentir, solidária, mas obviamente estava tendo di culdade em conter o sorriso. Ela começou a passar o pente gentilmente pelos cabelos de Emma.
– E eu também tinha con ança em mim mesma.
– E não tem mais?
Emma suspirou e afundou mais o corpo na cadeira.
– Não sei. Eu era tão decidida nas minhas ações. Agora, nunca sei o que fazer. Estou sempre confusa e, quando nalmente tomo uma decisão a respeito de alguma coisa, me arrependo mais tarde.
– Você acha que toda essa confusão pode ter algo a ver com Ashbourne?
– É claro que tem a ver com Alex! Tem tudo a ver com ele. O homem virou a minha vida de cabeça para baixo.
– Mas você não está apaixonada por ele – lembrou Belle, com a voz suave.
Emma cou calada.
Belle tentou uma tática diferente.
– Como você se sente quando está com ele?
– Completamente insana. Em um momento, estamos brincando como velhos amigos, e no momento seguinte eu sinto esse aperto na garganta, como se estivesse entalada com um ovo, e tenho a sensação de que sou uma menina tímida de 12 anos.
– Você não sabe o que dizer? – deduziu Belle.
– Não é que eu não saiba o que dizer. Tenho a sensação de que não sei mais nem falar!
Belle continuou a desembaraçar os cabelos da prima.
– Hum… Estou achando tudo isso fascinante. Nunca me senti dessa forma em relação a um homem – disse Belle, fazendo uma pausa, pensativa. – Embora esteja ansiosa para reler Romeu e Julieta quando
nalmente chegar à letra R.
Emma fez uma careta.
– Por favor, lembre-se de que os dois acabaram tendo um nal nada feliz. Eu preferiria que você não zesse comparações.
– Ah. Desculpe.
Talvez por causa dos nervos à or da pele, Emma não achou que a prima parecia muito contrita.
– Lá vamos nós – disse Belle, com naturalidade. – Tudo resolvido no lado esquerdo. – Ela começou a pentear a parte de trás dos cabelos de Emma. – Por que não me conta sobre essa tarde? Algo deve ter acontecido para deixar você desse jeito.
Emma não conseguiu evitar que seu rosto casse muito quente.
– Ah, nada, na verdade. Só passeamos a cavalo. A propriedade é linda.
Belle passou o pente com força pelos cabelos da prima.
– Ai! – gritou Emma. – Meu Deus, se continuar assim vou estar careca quando você terminar.
– Você estava dizendo alguma coisa sobre essa tarde? – lembrou Belle, com a voz doce.
– Me dá aqui esse pente! – falou Emma, irritada.
Belle en ou a arma nos cabelos ruivos à sua frente e deu um leve puxão, para deixar clara a tortura que estava por vir.
– Ah, meu Deus… – cedeu Emma. – Nós paramos para fazer um piquenique.
– E?
– E foi muito agradável. Contamos histórias das nossas infâncias.
– E?
– E ele me beijou! Está satisfeita?
– Ele deve ter feito um pouco mais do que isso – descon ou Belle. – Você já beijou Alex antes, e nunca chorou desse jeito.
– Bem, talvez ele tenha feito um pouco mais do que isso.
Emma realmente desejava não estar sentada diante de um espelho, onde era forçada a ver a própria pele enrubescendo de tal forma que estava quase da cor de seus cabelos.
– Mas ele não violou você? – Emma parecia quase aborrecida.
– Belle, você está desapontada por eu ter conseguido atravessar a tarde com a minha virtude intacta?
– Não, é claro que não – respondeu Belle rapidamente. – Embora deva admitir que estou um pouco curiosa em relação ao “ato” e tudo o mais, pois não consigo fazer a mamãe me contar nada a respeito.
– Ora, você não vai conseguir mais detalhes comigo. Sou tão inocente quanto você.
– Não exatamente tão inocente, imagino. Posso ser inexperiente, mas até eu sei que existem algumas coisas entre um beijo e o “ato”.
Dizer que Emma cou sem palavras seria um eufemismo.
– Estou errada?
– Ahn, bem, sim – balbuciou Emma. – Sim, existem.
Belle pressionou um pouco mais.
– Seria justo dizer que você fez alguma coisa entre beijar e o “ato”?
– Você poderia parar de chamar de “ato”?! – explodiu Emma. – Faz parecer tão sórdido.
– Prefere que eu chame de outra forma?
– Pre ro que você não chame de nada – disse Emma, os olhos se estreitando perigosamente. – Esta conversa está cando pessoal demais.
Belle não se deixou deter.
– Você fez?
– Você não tem vergonha, não?
– Nenhuma – garantiu Belle em um tom animado, puxando o pente de forma impertinente.
Emma se encolheu de dor, gemeu, e mal conseguiu se conter para não praguejar.
– Ah, está bem, está bem! – cedeu, bufando.
Naquele ritmo, Belle arrancaria todos os os de cabelo dela até a hora do jantar.
– Fiz – falou com um gemido. – Fiz, sim! Satisfeita?
Belle largou o pente e se sentou na cadeira em frente à prima.
– Ai, meu Deus – sussurrou.
– Você poderia fazer a gentileza de parar de me olhar como se eu tivesse sido arruinada?
Belle a encarou, confusa.
– O quê? Ah, desculpe. É só que… ai, meu Deus.
– Pelo amor de Deus, Belle. Eu gostaria que você esquecesse o assunto. É uma bobagem.
Ah, é mesmo?, perguntou a si mesma. Então por que você estava se acabando de chorar poucos minutos atrás? Emma calou rapidamente aquela vozinha interior. Talvez sua reação tivesse sido um pouco exagerada. A nal, não tinha sido violada (maldita palavra). E, com um sorriso pesaroso, admitiu que não podia dizer que não tinha gostado.
Belle avaliava a questão cuidadosamente com seu jeito sempre pragmático. Aquilo realmente era uma grande notícia. Ela concluiu consigo mesma que o casamento entre a prima e o duque de Ashbourne era iminente. Uma ligeira indiscrição antes das núpcias de fato poderia ser facilmente esquecida. Ainda assim, aquilo não signi cava que Belle não estivesse profundamente curiosa a respeito do incidente.
– Só me diz uma coisa, Emma – implorou. – Como foi?
– Ah, Belle…
Emma soltou um suspiro e decidiu deixar de lado qualquer tentativa de parecer uma donzela que tivera a virtude ofendida.
– Foi esplêndido.