Esplêndida
Capítulo 19
Poucas horas depois, Emma abriu as pálpebras lentamente e olhou ao redor, atordoada. Respirou fundo, bocejou e deixou escapar um som semelhante a um ronronar. Então piscou algumas vezes enquanto seus olhos se ajustavam à escuridão. O ar cheirava levemente a musgo, e ela respirou fundo, já que não estava acostumada àquele aroma. Depois de sentir o perfume mais uma vez, voltou a bocejar e fechou bem os olhos enquanto se virava para o outro lado. Deixou escapar um leve suspiro e abriu novamente os olhos. Então arregalou-os ao se descobrir a poucos centímetros do rosto de Alex.
Foi quando se deu conta de que o peso em cima dos seus quadris era a perna dele. Ela prendeu o ar, chocada com a intimidade da cena.
– Ai, meu Deus – sussurrou, mantendo-se absolutamente imóvel para não acordar o homem que dormia ao seu lado.
Emma não tinha nenhuma experiência com aquele tipo de situação. Se zesse qualquer movimento, provavelmente o acordaria. Por outro lado, seu coração estava batendo tão rápido que ela sabia não haver a menor possibilidade de voltar a dormir.
Emma achava que talvez devesse gritar. Ou desmaiar. Isso, imaginou, era o que uma dama bem-nascida deveria fazer em uma situação como aquela. Mas a verdade era que uma dama bem-nascida não deveria estar naquela situação. De qualquer modo, sabia que gritar não resolveria. E desmaiar parecia um esforço tolo – não se pode fazer nada enquanto se está inconsciente e, quando acordasse, estaria no mesmo lugar de antes. Além do mais, pensou Emma com ironia, ela não era muito boa em desmaiar sem receber um golpe forte na cabeça.
Haveria um escândalo, imaginou, a não ser que Alex e a família dela se comportassem com a máxima discrição. Na verdade, havia uma boa chance de o tio e a tia ainda nem terem notado sua ausência. Quando saíram para o baile de lady Mottram, Emma os levara a pensar que estava indo se deitar mais cedo por causa de uma dor de cabeça. Os dois estavam preocupados com a sobrinha, que parecera muito deprimida e cansada nos últimos dois dias. Disseram a Emma para descansar, e ela teve certeza de que não a incomodariam quando voltassem. Ned saberia, é claro. E Belle também, porque quase com certeza arrancaria a informação do irmão no minuto em que chegasse em casa.
Não teria problemas desde que voltasse para casa antes do nascer do sol, momento em que os criados começavam suas tarefas diárias. Os primos provavelmente deixariam a porta aberta para ela. Emma deu um sorriso irônico. Belle e Ned quase com certeza estariam esperando na saleta da frente, revezando-se na janela para abrir a porta para ela. Não iriam querer perder a história que Emma contaria para explicar sua longa ausência.
Ela virou a cabeça e estreitou os olhos para tentar ver as horas no relógio na mesa de cabeceira de Alex. Três e quarenta e cinco da manhã. Henry, Caroline e Belle provavelmente já tinham retornado do baile de lady Mottram. Ela ainda tinha muito tempo. Não faria diferença se partisse naquele momento ou dali a meia hora. Fosse qual fosse o dano com o qual teria de arcar, já estava feito.
Tendo justi cado devidamente o seu silêncio, Emma cou satisfeita em permanecer deitada na cama grande, examinando o rosto de Alex. Dormindo, ele parecia um menino. Os cílios escuros eram pecaminosamente longos e Emma se viu desejando, não pela primeira vez, ter cílios como aqueles. Os cabelos de Alex estavam desarrumados e seus lábios, ligeiramente entreabertos enquanto ele ressonava.
Alex tirou o braço de debaixo das cobertas e Emma pôde ver o topo do seu peito. Ela nunca o vira sem camisa antes e se pegou exionando a mão, desejando pousá-la no peito dele só para saber qual seria a sensação. O olhar de Emma continuou a descer pelo corpo de Alex até o limite das cobertas. Ele havia tirado a camisa… E a calça? Ela prendeu a respiração. Santo Deus, será que Alex estava nu?
A perna por cima dos quadris dela subitamente pareceu muito estranha. Emma mordeu o lábio inferior enquanto tentava descobrir um modo de sair de debaixo de Alex sem acordá-lo. Ele murmurou no sono enquanto mudava de posição, rolando na direção dela e prendendo-a com mais rmeza sob a perna. Parecia só haver um modo de veri car o estado de nudez dele. Ela respirou fundo e en ou a mão embaixo das cobertas até tocar os pelos macios nos joelhos dele. E recolheu rapidamente a mão. Alex com certeza não estava usando calça.
Se ele não estava usando camisa nem calça, só havia um único lugar que poderia ter permanecido vestido, para proteger a virtude dela. Emma engoliu em seco. Ela certamente não iria deslizar a mão por debaixo das cobertas e tocá-lo ali. Não tinha nem certeza do que esperar.
Emma tentou uma tática diferente. Ergueu as cobertas muito lenta e cuidadosamente para não perturbar Alex. Quando a coberta já estava acima dos seus olhos, ela espiou, mas não conseguiu ver nada em meio às sombras. Emma reuniu toda a sua coragem e en ou a cabeça embaixo das cobertas, ainda segurando-a erguida, contando com a ajuda da luz da lua. Mais ainda estava escuro demais. Ela fez uma careta e se resignou à derrota. Não poderia en ar mais a cabeça embaixo das cobertas sem correr o risco de esbarrar em alguma coisa, e certamente não queria isso. Emma desdobrou o corpo devagar e voltou a cabeça à posição original, sobre o travesseiro ao lado de Alex.
Os olhos dele estavam abertos.
Emma prendeu a respiração e examinou mais atentamente a expressão dele. Com certeza os olhos de Alex estavam abertos e, mesmo na escuridão do quarto, ela pôde ver o humor cintilando nas profundezas verdes.
– Não tirei minha roupa de baixo, se era isso que você estava tentando descobrir – falou ele, e Emma poderia jurar ter ouvido um sorriso em sua voz. – Não sou um completo cafajeste – continuou.
– Obrigada – disse Emma com sinceridade.
– Você pegou no sono e eu não tive coragem de acordá-la. Você ca linda dormindo.
– Você também – disse Emma, sem conseguir se conter.
– Obrigado – respondeu ele, com a mesma sinceridade. – Há quanto tempo está acordada?
– Não muito.
– Está aquecida?
– Ah, sim – falou Emma, tranquilamente, encantada com o absurdo da situação.
Ali estava ela, deitada ao lado de um homem, na cama dele, perto das quatro da manhã, e eles estavam conversando polidamente como se estivessem em um salão de visitas. Ela suspirou e deixou o olhar se perder no teto.
– Teremos que ser muito cuidadosos quando você me levar para casa – disse, por m. – Se formos bem silenciosos, talvez ninguém acorde e possamos evitar o escândalo.
– Não se preocupe – disse Alex, subitamente. – Vou cuidar de tudo.
Emma se virou de costas. Alex não fez qualquer tentativa de mover a perna, que acabou acomodada no espaço entre o quadril e a perna dela.
– Está tão aconchegante aqui… – comentou ele. – Não estou acostumado a dividir esta cama com ninguém.
– Ah, por favor, Alex – zombou Emma. – Você já teve um monte de amantes. Todo mundo sabe disso.
Ele abriu um largo sorriso.
– Está com ciúmes, é? Bom sinal.
– Não estou com ciúmes.
– A propósito, não tive um monte de amantes. Não tenho energia su ciente para isso. Admito que não vivi como um monge, mas já faz algum tempo que não tenho uma amante.
Emma se virou para encará-lo com uma pergunta nos olhos.
– Já faz pelo menos dois meses agora, eu acho.
Aquele era aproximadamente o tempo pelo qual se conheciam. Emma cou absurdamente satisfeita.
– E – continuou ele – eu com certeza nunca trouxe nenhuma delas aqui. Você, minha querida, é a primeira a embelezar a minha cama.
– Você fala como se tivéssemos feito algo que não zemos.
Alex preferiu não comentar, apenas esticou o braço e puxou-a para junto de si.
– Você está muito longe...
Emma arquejou quando se viu pressionada contra a extensão rme do corpo masculino. A pele de Alex estava muito quente por ter cado embaixo das cobertas, e aquele calor atravessava a roupa dela.
– Talvez, mas acho que agora estou um pouco perto demais.
Ignorando o comentário, Alex suspirou e en ou as mãos nos cabelos cheios dela.
– Seu cheiro é delicioso, sabia?
– Sabonete de rosas – falou ela, com a voz trêmula.
– Acho que adoro sabonete de rosas.
Ele pressionou os lábios contra a ponta do nariz dela.
– Também acho que você está vestida demais.
– Isso não é verdade.
– Pode car quietinha?
Alex moveu os lábios pelo rosto de Emma e beijou os olhos dela para fechá-los. Ela se sentiu derreter, e se deu conta de que queria tanto ser seduzida quanto ele queria seduzi-la. Enquanto Alex continuava a espalhar beijinhos por seu rosto, Emma tentou racionalizar a posição em que se encontrava. Sabia que o que estava fazendo era errado. Ou ao menos era o que todos falavam. Mas algo dentro dela lhe dizia que aquilo era muito certo, que ela pertencia àquele lugar, com Alex, deitada nos braços dele. Era como se ele tivesse dentro de si todo o calor do mundo e como se esse calor cintilasse em seus olhos cor de esmeralda. Será que Emma seria mesmo uma pecadora por amá-lo tanto? Achava que não. E achava que merecia aquele momento de felicidade. Decisão tomada, Emma respirou fundo e levantou o rosto para Alex, entreabrindo ligeiramente os lábios quando a boca dele pousou sobre a dela.
Alex percebeu a mudança em Emma quase instantaneamente, e o desejo que quase temera sentir disparou por todo o seu corpo quando se deu conta de que ela não iria rejeitá-lo.
– Ah, Deus, Emma. Eu quero tanto você – disse ele com um gemido. – Eu quero você há tanto tempo.
Quando começou a desabotoar a camisa masculina que ela ainda usava, reparou que seus dedos estavam trêmulos e deu um sorriso tímido, sentindo-se um menino inexperiente. A cada botão que abria, Alex tinha a sensação de estar expondo um tesouro delicado. Ele cou sem fôlego ao perceber que nunca havia sentido aquele tipo de nervosismo, aquela empolgação, aquela ansiedade. Quando o último botão foi aberto ele afastou a camisa para o lado, revelando uma camisa de baixo de seda que mais mostrava do que escondia.
Alex pousou as mãos fortes no abdômen de Emma e levantou lentamente a camisa de baixo, a seda roçando de modo sensual contra a pele luminosa dela. Emma estremeceu, sem conseguir e sem desejar conter a própria reação à estranha e bela sensação das mãos de Alex através da seda nal da sua camisa de baixo. Santo Deus, como ela o desejava, como desejava aquilo. Todo o seu corpo parecia in amado, ardendo pelas semanas de desejo acumulado.
Alex parou quando a camisa de baixo chegou à altura dos seios dela. Ele ergueu os olhos, dando a Emma uma última chance de impedi-lo, mas só o que viu nos olhos cor de violeta foi desejo e con ança.
– Sente-se por um momento – falou ele com a voz rouca.
Emma se sentou e ele tirou a camisa de baixo pela cabeça dela, prendendo novamente o ar quando os seios fartos nalmente foram revelados.
– Você é tão linda – murmurou, tando-a com reverência. – Tão linda.
Emma enrubesceu sob o olhar intenso dele, a pele vibrando de expectativa. Quando Alex pousou a mão ao redor de um seio ela perdeu o ar, mal capaz de compreender as sensações que disparavam por seu abdômen. Então, quando ele apertou a carne macia, ela soube que estava perdida.
– Ah, Alex – gemeu, inundada de prazer. – Me beije. Por favor, me beije.
Ele deu uma risada rouca.
– Como quiser, minha querida.
Alex se abaixou, capturou entre os lábios o bico rosado do outro seio e começou a sugá-lo gentilmente enquanto continuava a massagear o que tinha na mão.
Emma quase gritou.
– Ah, meu Deus! – falou. – Não foi isso que eu quis dizer.
– Hum, eu sei, mas é muito gostoso, não é?
Emma não podia negar, por isso en ou as mãos nos cabelos dele, puxando-o com força contra si. Se o abraçasse com bastante força, pensou, descontrolada, Alex jamais pararia de fazer todas aquelas coisas deliciosas que estava fazendo.
Ele sorriu enquanto seus lábios traçavam uma trilha até o abdômen dela, parando para correr a língua ao redor do umbigo.
– Acho que precisamos fazer alguma coisa em relação a essa calça inconveniente.
Ele abriu os botões e abaixou a calça lentamente pelas pernas dela.
– Não que você não esteja adorável com ela, é claro, mas acho que não vou permitir que saia de casa vestida assim de novo.
Com um último puxão, a calça que Emma usava se juntou à camisa e à camisa de baixo no chão, e Alex se colou ao corpo dela, de modo que seus narizes se tocassem.
– Acho que mais ninguém precisa saber como o seu traseiro é adoravelmente arredondado.
Como se para provar o seu ponto de vista, ele segurou o traseiro dela, apertou-o e puxou-a com mais força contra o corpo.
– Ah, meu Deus – sussurrou Emma.
Ela agora estava quase nua, a não ser pela roupa de baixo, e Alex parecia muito quente e rme contra ela. Timidamente, Emma acariciou as costas dele, ansiosa para explorar seu corpo, mas sem saber como fazer.
– Vo-você gosta disto?
– Santo Deus, Emma – falou Alex, a voz muito rouca. – Só olhar para você já me faz desejá-la. Você não tem ideia do que acontece quando me toca.
Emma enrubesceu, mas não parou de acariciar as costas dele, e quando Alex despiu a última peça dela, não fez qualquer tentativa de detê-lo.
– Você também vai ter que tirar a roupa – disse Emma, impressionada com a própria ousadia. – Posso ser nova nisso, mas até eu sei que não vai dar certo se você estiver vestido.
Alex soltou uma gargalhada e quase deixou escapar quanto a amava. Mas conteve-se, porque ainda não estava pronto para confessar seu sentimento antes que ela o zesse. Em vez disso preferiu resolver o problema mais premente, despindo a roupa de baixo e cobrindo o corpo de Emma com o dele.
O coração de Emma começou a bater a mil quando os lábios de Alex se colaram aos dela. As mãos dele pareciam estar por toda parte, acariciando, provocando, apertando, mas ela queria mais. Por m, a mão dele pousou na parte mais íntima do corpo dela, e Emma quase saltou da cama diante do prazer que o toque causou. Embora Alex já a tivesse acariciado ali e ela soubesse o que esperar, por algum motivo tudo parecia muito mais íntimo agora que estavam na cama, a pele nua dele colada à dela. De repente, Emma sentiu o indicador dele penetrá-la e cada músculo do corpo dela cou tenso.
– Shhh – murmurou ele. – Só quero garantir que você esteja pronta para me receber. Sou maior do que o meu dedo, não quero machucá-la.
Emma relaxou um pouco, e Alex continuou com os movimentos sensuais, acariciando com o polegar o ponto que parecia concentrar todo o prazer dela. Ondas de satisfação dispararam por todo o corpo de Emma, que se sentiu umedecer de desejo e gemeu, contorcendo instintivamente o quadril sob o corpo dele.
Alex usava todo seu autocontrole para não penetrá-la imediatamente e se perder na maciez de sua carne. Estava determinado a tornar aquela experiência perfeita para Emma. Ele sabia que seu próprio prazer seria vazio se ela não chegasse ao clímax. Em algum momento ao longo do caminho, a felicidade dela se tornara muito mais importante do que a dele.
Emma sentiu o corpo arquear com aquelas sensações ardentes.
– Alex, por favor – implorou. – Por favor, eu preciso de você.
O desespero de Emma foi a perdição de Alex, e ele se posicionou rapidamente em cima dela para penetrá-la.
– Está pronta? – perguntou, em um tom ardente.
Febril de desejo, Emma assentiu e Alex en m arremeteu e se deu conta de quão apertada ela era.
– Shhh – disse, mais para acalmar a si mesmo do que a ela. – Vou fazer tudo bem lentamente. Quero que você tenha a chance de se acostumar comigo.
E com um gemido que era em parte de prazer, em parte de frustração, ele recuou um pouco, então voltou a investir, muito lentamente.
Naquele momento, Emma teve certeza de que estava prestes a morrer. Simplesmente não havia como seu corpo suportar mais aquela pressão que vinha crescendo dentro dela.
– Por favor – gemeu, virando a cabeça de um lado para o outro. – Eu quero… preciso… Meu Deus, eu não sei o que eu quero!
– Shh, meu bem, eu sei. Mas você ainda não está totalmente pronta. Você é tão pequena… Estou com medo de machucá-la.
Alex pensou que não poderia haver afrodisíaco maior do que a visão de Emma se contorcendo na cama dele, totalmente consumida pela paixão. Mas manteve o desejo sob controle, obrigando-se a fazer movimentos lentos. Então, quando estava certo de que não conseguiria mais se conter, chegou ao ponto que guardava a virgindade dela.
– Emma? – disse Alex, a voz ainda mais rouca de paixão.
Emma estava tão perdida na própria bruma de prazer que não o ouviu.
– Meu bem? – chamou de novo, um pouco mais alto dessa vez.
Emma levantou a cabeça, os olhos mal conseguindo manter o foco.
– Meu bem, talvez isso doa um pouco, mas eu prometo que vai ser só dessa vez.
– Como assim?
Ele fez uma careta enquanto se apoiava nos cotovelos. Santo Deus, ninguém explicara isso a ela?
– Você é virgem e eu estou prestes a tirar a sua virgindade. Isso pode doer, mas prometo que vai passar e você não sentirá dor na próxima vez.
Emma tou-o. Alex parecia tão preocupado com ela, com a testa franzida e os olhos do verde mais suave que já vira.
– Eu con o em você, Alex – falou baixinho, e passou os braços ao redor dele.
Os últimos resquícios de controle de Alex desapareceram naquele momento e ele arremeteu. Emma deixou escapar um gritinho, mas achou a dor mínima e ela logo foi substituída pelo prazer absurdo de fazer amor com Alex. A cada arremetida, Emma sentia uma onda urgente de calor disparar por todo o corpo até que, subitamente, as sensações foram além do que conseguia suportar. Foi como se todos os seus músculos se contraíssem e quase congelassem. Ela não conseguia se mover, não conseguia respirar, até que nalmente o mundo inteiro explodiu e ela entrou em colapso, completa e absolutamente exaurida.
Um espasmo ardente de prazer fez todo o corpo de Alex estremecer quando sentiu os músculos ao redor do seu membro se contraírem. O ritmo primitivo da penetração cou mais rápido, mais frenético, então ele arremeteu uma última vez, dominado pelo êxtase, e se derramou dentro dela.
Emma o ouviu gritar no momento em que chegou ao clímax. Ele desabou sobre ela e, enquanto ainda se recuperava do próprio êxtase, Emma pensou que nunca se sentira tão absolutamente satisfeita.
– Estou me sentindo bem – declarou com um suspiro.
Alex deu uma risadinha e rolou para o lado.
– Eu também, meu bem, eu também.
– Se eu soubesse que seria tão bom assim, talvez não tivesse expulsado você do meu quarto no dia em que nos conhecemos.
Alex segurou o rosto dela entre as mãos.
– Não teria sido tão lindo. Ainda não nos gostávamos naquela época.
Emma se aconchegou mais a ele ao ouvir as palavras carinhosas. Com certeza agora ele diria que a amava, certo? Mas Alex não fez isso. Emma suspirou. Estava feliz demais para se preocupar com isso no momento. Ele não teria feito amor com ela como acabara de fazer sem amá-la ao menos um pouquinho, não é mesmo?
Os dois permaneceram naquela posição por vários minutos, com Emma aconchegada em Alex enquanto ele acariciava distraidamente os seus cabelos. Por m, ela levantou a cabeça e fez a temida pergunta.
– Que horas são?
Alex olhou por cima da cabeça de Emma para o relógio na mesa de cabeceira.
– Quase quatro e meia.
– Tenho que ir para casa – disse ela em tom de lamento.
Era péssimo pensar no mundo real, mas teria que voltar para casa mais cedo ou mais tarde. De preferência mais cedo.
– Os criados já devem estar de pé e em plena atividade a esta altura. E, como você sabe, eles são tão habilidosos em espalhar fofocas como a aristocracia. Se uma criada me vir, a cidade toda vai car sabendo hoje mesmo.
– E quem se importa?
Emma virou a cabeça rapidamente para encará-lo, e o choque e a irritação eram evidentes em seus olhos.
– Como assim “quem se importa”? Pre ro que a minha reputação não seja arrastada na sarjeta, obrigada.
Alex a encarou com perplexidade.
– Que história é essa de sarjeta? Estaremos casados na semana que vem. Daqui a duas semanas, todo o furor por causa de um casamento apressado terá acabado e o único adjetivo atribuído a nós será “românticos”.
Uma indignação irracional começou a arder dentro de Emma diante da atitude autoritária de Alex. Era bem típico dele declarar que os dois iram se casar na próxima semana sem nem se dar o trabalho de consultá-la.
– Isso supostamente foi um pedido de casamento? – perguntou ela, com dureza na voz.
Alex a encarou, sem entender.
– Nós vamos nos casar, não vamos?
– Eu de nitivamente não sei. Ninguém pediu a minha opinião.
– Pelo amor de Deus, Emma. Agora temos que nos casar.
– Não tenho que fazer nada que eu não queira, Vossa Graça – declarou Emma, afastando-se dele na cama e prendendo a coberta embaixo dos braços.
– Emma, foi você quem me pediu em casamento dois dias atrás.
– E, caso não se lembre, você recusou – falou ela, mal-humorada.
– Que inferno, mulher, vamos voltar a isso mais uma vez?
Emma não respondeu.
– Que maravilha – resmungou Alex. – Era disso que eu precisava. Uma mulher nervosinha.
– Não fale assim comigo!
Os olhos de Alex cintilaram com arrogância.
– Eu não estava falando com você, minha cara, estava falando sobre você. E, se não estivesse agindo como uma boba, eu a estaria beijando.
Emma saiu da cama de um pulo diante do insulto, levando a coberta com ela.
– Não tenho que car aqui ouvindo você me difamar!
Emma tropeçou na coberta enquanto tentava pegar as roupas no chão. As peças tinham sido jogadas de lado no auge da paixão, por isso ela precisou atravessar o quarto várias vezes para pegar tudo, dolorosamente consciente de como devia estar parecendo tola em sua tentativa de manter o corpo coberto com a colcha pesada.
Alex tentou uma abordagem diferente.
– Emma – falou em um tom suave –, depois de tudo o que vivemos juntos, você não quer se casar? Vou enlouquecer se não puder ter você em meus braços toda noite.
– Você é desprezível! – esbravejou Emma, furiosa, o rosto rosado de fúria. – Não consigo acreditar no seu atrevimento. Como ousa tentar me seduzir para me fazer casar com você?
– Bem, pareceu estar funcionando – comentou Alex, com um sorriso malicioso.
– Aaaah! Eu seria capaz de… de… Aaaaah!
A raiva de Emma havia atingido uma proporção que já não cabia em seu vocabulário.
– De me matar? Eu não faria isso se fosse você. Faria uma sujeira terrível.
A atitude imperturbável tirou Emma do sério de vez. Ela ergueu um vaso acima da cabeça, pronta para jogar em cima dele.
– Por favor – pediu Alex, em uma voz estrangulada. – O vaso Ming, não.
Emma abaixou os braços, examinou o vaso com um olho treinado, então devolveu-o a seu lugar em cima da mesa. Em seguida, pegou a caixa de rapé.
– Que tal isso?
Alex fez uma careta.
– Bem, se você quer mesmo…
A caixa de rapé passou raspando pela cabeça dele.
– Destruir meus pertences não vai resolver nada – disse Alex, saindo da cama, nem um pouco preocupado com a própria nudez. – Você vai se casar comigo.
– Já lhe ocorreu pedir alguma coisa que você queira em vez de exigir? – perguntou Emma.
Fervendo de raiva, ela tentava vestir a roupa de baixo sem deixar cair a coberta. Sua raiva só aumentou ao ver os lábios de Alex se curvarem em um sorriso diante do apuro em que ela se encontrava.
– Ah, peço que me perdoe, Vossa Graça – falou Emma, a voz carregada de um sarcasmo gelado. – Esqueci. Um duque não tem que pedir nada. Ele não precisa passar nenhuma vontade. É direito dele ter tudo o que deseja.
Emma virou a cabeça para ele quando disse as últimas palavras, e
cou espantada com a expressão irada no rosto de Alex. Horrorizada, ela
recuou um passo, ainda segurando nervosamente a coberta que a protegia do olhar furioso dele.
– Emma – falou ele, muito tenso –, você vai se casar comigo?
– Não!
Ela mal conseguia acreditar que dissera aquilo, mas a palavra saíra como se tivesse vida própria.
– Chega! – explodiu Alex.
Ele atravessou o quarto em passadas rápidas e irritadas e arrancou a coberta da frente do corpo de Emma. Ela tentou desesperadamente se cobrir, mas logo descobriu que aquilo não era necessário, já que Alex parecia determinado a vesti-la o mais rápido possível.
– Eu cansei dessas suas pirraças – disse ele, en ando a camisa de baixo pela cabeça dela. – Se você queria provar que não é uma dama frágil, que ninguém manda em você, que tranquila. Você conseguiu. Agora pare de agir feito uma criança e aceite o inevitável. Você vai se casar comigo, e vai fazer isso com um sorriso no rosto.
Emma o encarou com um sorriso falsamente doce.
– Assim está bom, Vossa Graça? Não iríamos querer que pensassem que o grande duque de Ashbourne teve que forçar uma mulher a se casar com ele.
Ela se arrependeu das palavras no instante em que saíram da sua boca, ciente no mesmo instante de que fora longe demais. O rosto de Alex era uma máscara de fúria mal contida.
– Desculpe – disse ela em uma voz estrangulada, sem conseguir encará-lo.
Alex a soltou com uma expressão desgostosa no rosto. Foi até a cadeira em que deixara as roupas de noite mais cedo, pouco antes de se en ar na cama com Emma. Ele se vestiu com movimentos bruscos e Emma não pôde fazer nada além de tá-lo, espantada e muda diante do esforço dele para controlar o próprio temperamento.
Quando terminou de se vestir, Alex jogou o casaco de Emma para ela, foi até a porta do quarto e puxou-a com força. A porta não se moveu e Alex praguejou fortemente quando se lembrou de que a havia trancado na noite anterior.
– A chave – sussurrou Emma, horrorizada. – Você jogou pela janela.
Ele a ignorou enquanto desaparecia dentro do quarto de vestir. Segundos depois, abriu a porta pelo lado de fora. Os ombros largos de Alex ocupavam quase todo o espaço da porta.
– Vamos – falou com a voz seca.
Emma teve o bom senso de escolher não esbravejar por ele tê-la deixado pensar que estavam presos no quarto na noite anterior, e não perdeu tempo em seguir o comando dele – em parte, por medo da fúria evidente, embora controlada, em parte porque se deu conta de que queria mesmo ir para casa, portanto estava conseguindo o que queria. Ela desceu rapidamente a escada e esperou no saguão da frente enquanto Alex acordava um dos criados e pedia que aprontasse uma carruagem.
– Vai levar alguns minutos – disse ele quando retornou, desa ando-a silenciosamente a protestar. – Lamento, mas meus criados não estão acostumados com atividade na casa a esta hora da manhã.
Emma engoliu em seco e assentiu, mantendo os olhos xos no chão. Estava começando a se sentir um pouco envergonhada pelo ataque de fúria que tivera. Provavelmente era natural que Alex presumisse que se casariam, agora que tinham dormido juntos. Mas nada parecia provocar mais a ira dela do que os modos autoritários dele, e algo dentro de Emma se descontrolara quando ele simplesmente anunciara as núpcias. Olhando com hesitação para a expressão ainda furiosa dele, Emma se deu conta de que, apesar de toda a sua franqueza, ela não era corajosa a ponto de se aventurar a dizer alguma coisa.
Dez minutos depois ela foi levada rapidamente para dentro de uma carruagem, e percebeu com preocupação que os primeiros raios da aurora começavam a iluminar o céu. Os criados na casa Blydon já teriam começado suas tarefas matinais. Perceberiam sua chegada nada convencional e contariam aos amigos que trabalhavam em outras residências, que por sua vez contariam aos patrões. Emma suspirou, exausta. Não havia como evitar o escândalo.
A distância até a casa dela não era longa, mas quando a carruagem parou diante da mansão Blydon o sol já nascera, e Londres despertava. Alex desceu rapidamente e praticamente arrastou Emma com ele.
– Não há necessidade de ser rude, Vossa Graça – disse ela, indignada, enquanto subia os degraus aos tropeções atrás dele.
Alex se virou e ergueu a cabeça de Emma, forçando-a a olhar para ele.
– Meu nome é Alex – falou irritado. – Como nos casaremos neste m de semana, eu gostaria que você se lembrasse disso.
– Neste m de semana? – repetiu ela, com um apo de voz.
Alex não respondeu, apenas começou a bater furiosamente na porta.
– Pelo amor de Deus, Alex! Eu tenho a chave!
Emma agarrou os braços dele, tentando parar o barulho. Tirou a chave do bolso e eles entraram.
– Pode ir embora agora? – pediu. – Posso ir sozinha para o meu quarto.
Alex abriu um sorriso perverso.
– Henry! – chamou ele. – Caroline!
– O que está fazendo? – sibilou Emma. – Seu objetivo é me arruinar?
– Meu objetivo é me casar com você.
– O que está acontecendo aqui?
Emma levantou os olhos. Henry e Caroline desciam a escada às pressas, olhando para o casal no saguão com uma mistura de choque e confusão.
Alex levou as mãos à cintura.
– Comprometi totalmente a reputação da sobrinha de vocês – declarou. – Poderiam fazer a gentileza de insistir para que ela se case comigo?
Caroline nem piscou.
– Isso é bastante peculiar – anunciou.