Esplêndida
Capítulo 13
Apesar da determinação de deixar seu constrangimento feminino para trás, Emma voltou a se comportar como uma tola e a balbuciar no instante em que pousou novamente os olhos em Alex.
A noite começara de forma bastante inocente. Depois que Belle conseguiu arrancar de Emma o máximo de detalhes do piquenique, as duas decidiram se arrumar para o jantar. No entanto, Belle estava bem mais interessada em escolher o traje da prima do que o próprio, e insistiu para que Emma usasse um vestido de um violeta profundo, que destacava seus olhos exóticos.
– É a mesma cor que você usou quando debutou na sociedade – explicou Belle. – E Alex cou muito interessado em você.
– Duvido que ele vá se lembrar da cor do meu vestido – respondeu Emma com rmeza.
Ainda assim, ela se permitiu ser convencida, torcendo para que a cor ousada lhe emprestasse um pouco de coragem. Belle optou por um vestido de seda, de um tom pálido de pêssego, que valorizava o rosado de sua pele. Quando estavam prontas, Emma se sacri cou no altar dos penteados e deixou que Meg lidasse com suas madeixas sem uma reclamação sequer. Depois do jeito nada gentil com que Belle tratara seus cabelos mais cedo, a segunda incursão pareceu ser feita por uma deusa da delicadeza.
Sentada ali, diante da penteadeira, vendo pelo espelho Meg passar a escova por seus cachos brilhantes, Emma teve bastante tempo para avaliar a situação.
Amava Alex? Belle parecia pensar que sim. Mas como poderia amá-lo quando aquilo signi cava abandonar o sonho de toda uma vida de administrar o Estaleiro Dunster? Parte de Emma queria mandar a cautela às favas e agarrar qualquer felicidade possível com Alex. Mas sabia que, permitindo-se amá-lo só um pouquinho, não conseguiria evitar amá-lo de todo o coração, com cada bra do seu ser. Ficava apavorada diante da perspectiva de se perder completamente nesse sentimento.
Como havia comentado com Belle menos de meia hora antes, ela mudava quando estava perto de Alex. Um único olhar carinhoso dele parecia banir qualquer pensamento racional, e Emma precisava se esforçar até para balbuciar frases incoerentes. Caso viesse a se casar com Alex, com certeza poderia esquecer a ideia de falar usando sentenças completas.
O que levava a outro ponto delicado: talvez ele não a pedisse em casamento. Alex era extremamente teimoso e Emma não conseguia imaginá-lo cedendo à pressão familiar e fazendo o pedido a menos que ele quisesse muito e estivesse pronto para isso. E se ele o zesse? Ela aceitaria? Emma mordeu o lábio inferior e ponderou a situação. Talvez. Provavelmente. Deixou escapar um suspiro profundo. Com certeza. Como conseguiria evitar? O Estaleiro Dunster teria que sobreviver sem ela, porque Emma achava que não conseguiria sobreviver sem Alex.
Mas casar com ele não era garantia de felicidade. Poucos casamentos entre aristocratas eram baseados no amor, e Emma sabia que um casamento por amor nunca fora um dos objetivos de vida de Alex. Era altamente provável que ele decidisse se casar baseado apenas na afeição e no desejo que sentia por ela. Emma podia imaginá-lo sentado em seu estúdio, os pés apoiados na escrivaninha, avaliando a situação e optando por se casar com ela só porque provavelmente não apareceria nada melhor.
Como seria a vida ao lado de um homem que não a amava? Seria o bastante apenas estar perto dele ou ela perderia um pouquinho de sua alma todos os dias até virar uma concha oca? Mas, Deus do céu, ela não sabia se tinha alternativa, porque estava começando a se dar conta de que a possibilidade de ser feliz sem Alex era realmente muito pequena. Emma supôs que qualquer pedaço dele seria melhor do que nada, porque, sim, estava apaixonada por ele. Amava Alex desesperadamente, e
cava apavorada com a possibilidade de não ser capaz de encontrar uma
forma de fazê-lo retribuir esse amor.
De repente, encará-lo no jantar pareceu uma perspectiva extremamente assustadora.
Emma foi bastante e ciente em encontrar desculpas para continuar no andar de cima. Havia um o solto em seu vestido que precisava ser costurado, e ela estava convencida de que tinham aparecido novas sardas no tempo que passou ao ar livre. Meg foi imediatamente despachada para pegar um pouco de pó com tia Caroline. Emma tinha acabado de ser acometida por uma terrível dor de cabeça quando Belle nalmente perdeu a paciência e empurrou-a pela porta, forçando-a a descer a escada.
Quando chegaram ao andar de baixo, Alex já estava no salão de visitas, apoiado contra o peitoril da janela, girando distraidamente um copo de uísque nas mãos. Ao ver Emma, encarou-a com uma expressão de dúvida e examinou atentamente seu rosto. Ela, por sua vez, fez o melhor que pôde para parecer blasé, mas tinha a forte sensação de que falhara lamentavelmente.
– Boa noite, Vossa Graça – disse ela de súbito, dolorosamente consciente de que parecia uma ovelha balindo.
Não tinha certeza, mas pensou ter ouvido a prima soltar um fraco gemido.
Alex cumprimentou Belle com um aceno de cabeça – ela estava posicionada estrategicamente em um sofá com uma excelente vista para todo o salão. Depois que Belle retribuiu o cumprimento com um sorriso radiante, ele voltou a atenção para Emma.
– Espero que tenha tido uma tarde prazerosa depois do nosso retorno – disse ele em um tom educado.
– Foi muito agradável, obrigada – respondeu Emma automaticamente, apoiando as mãos com força nas costas de uma cadeira forrada de amarelo-palha.
Belle observava a conversa com interesse descarado, a cabeça indo de Emma para Alex sem nem tentar disfarçar.
– Tenho a sensação de estar em cima de um palco – murmurou Emma, baixinho.
– O que disse? – perguntou Alex cordialmente.
– Disse alguma coisa? – perguntou Belle ao mesmo tempo.
Emma deu um sorrisinho e balançou a cabeça. A tensão no cômodo era palpável.
– Acho que vou tomar outra dose – disse Alex.
– Tenho a impressão de que vai precisar – comentou Belle com um sorriso inocente.
– Menina impertinente.
Alex atravessou o salão tranquilamente e se serviu da bebida. Quando voltava para o lugar diante da janela, passou bem perto de Emma e murmurou em seu ouvido:
– Tente não arruinar a mobília, minha cara. Essa é uma das cadeiras favoritas da minha mãe.
Emma soltou a cadeira na mesma hora e praticamente voou para a outra extremidade da mesa com imensa pressa de se sentar perto de Belle. Quando voltou a erguer os olhos, Alex ostentava um largo sorriso.
Emma, por sua vez, não estava com a menor vontade de sorrir.
Felizmente, Sophie escolheu aquele momento para entrar na sala.
– Olá a todos – disse em um tom animado, olhando rapidamente ao redor. – Vejo que minha mãe ainda não chegou. Hum… que surpresa. Achei que ela estaria morrendo de ansiedade para interrogar vocês sobre o passeio a cavalo.
– Também achei– comentou Alex com ironia.
Sophie não teve resposta, por isso atravessou o salão e se sentou na cadeira amarela que Emma até pouco tempo antes parecia tentar destruir. Emma se encolheu ligeiramente, ainda constrangida com o comentário ácido de Alex.
– Cleópatra deu cria – anunciou Sophie, com um sorriso. – Charles
cou encantado. Não falou de outra coisa a noite toda. Infelizmente, agora ele está insistindo em me fazer todo tipo de perguntas bem, hum… delicadas, digamos assim. Não me sinto preparada para responder a um menino de 6 anos – disse ela, soltando um suspiro triste. – Gostaria muito que Oliver voltasse logo para casa.
– Estou certa de que Alex poderá ajudar com as perguntas delicadas – falou Emma, atrevida, arrependendo-se das palavras assim que saíram de sua boca.
Belle deixou escapar um som estranho, meio risada, meio grunhido, e começou a tossir. Emma teve que conter a vontade de dar um forte tapa nas costas da prima.
Alex continuou apoiado no parapeito da janela, com uma expressão inescrutável, e Emma teve vontade de xingá-lo por ser tão devastadoramente lindo sem precisar se esforçar para isso. Ele parecia estar fascinado com as unhas bem tratadas.
No entanto, a verdade era que Alex estava morrendo de medo de cair na gargalhada caso se permitisse olhar para Emma. Sabia que, se zesse isso, ela jamais o perdoaria. Havia algo tão comicamente adorável nela, sentada naquele sofá, fervendo por dentro. Ele tinha a sensação de que nada a irritava mais do que vê-lo aparentemente no mais absoluto controle de si enquanto as emoções dela estavam em ebulição. Alex não estava sendo cruel, ele só preferia vê-la louca de raiva a vê-la parecendo desamparada e consumida pela culpa, como naquela tarde. Fingindo limpar um o solto invisível no colete, ele olhou de relance para Emma. Não tinha certeza, mas achou tê-la visto respirar fundo e soltar o ar lentamente.
Não conseguiu resistir.
– Espero que a sua estadia em Westonbirt esteja sendo agradável até agora, Emma.
Alex tinha certeza de que passaria um ano no inferno por causa daquele comentário, mas valia a pena.
– Está sendo boa – respondeu ela brevemente, recusando-se a olhar para ele.
– Só boa? – falou Alex, e seu rosto era uma máscara perfeita de solicitude. – Então não estamos fazendo o nosso trabalho direito. O que mais podemos fazer para entretê-la?
– Estou certa de que não há nada que você possa fazer – retrucou Emma em um tom objetivo.
Belle estava boquiaberta.
– Ora, isso não pode ser verdade. Só preciso me esforçar mais. Por que não saímos para outro passeio a cavalo amanhã à tarde? Ainda há muito para ver.
Ele achou que Belle fosse cair do sofá.
– Isso não será necessário, Vossa Graça – respondeu Emma, muito rígida.
– Mas…
– Eu disse que não será necessário! – explodiu Emma. Então, percebendo que todos a encaravam com ar de confusão, acrescentou: – Estou com o nariz um pouco congestionado.
Ela fungou para demonstrar, mas é claro que o nariz não pareceu nada entupido. Então deu um sorrisinho sem graça, cruzou as mãos no colo e decidiu não dizer mais nada.
Sophie, constrangida, quebrou o silêncio:
– Ahn, Belle – falou, constrangida. – Por que não leva um dos gatinhos com você para casa? Não tenho ideia do que vamos fazer com todos eles.
– Duvido que a minha mãe permita – respondeu Belle. – O último gato que tivemos foi um desastre completo. Ele tinha um certo problema com pulgas.
– Não acho que os nossos gatinhos têm tempo de vida su ciente para estarem com pulgas – falou Sophie, pensativa.
– Ainda assim, acho que a minha mãe recusaria veementemente a ideia.
– Que ideia eu recusaria veementemente? – perguntou Caroline em voz alta, à porta.
– Sophie está tentando nos convencer a levar um dos lhotes de Cleópatra para casa – explicou Belle.
– Por Deus, não! – retrucou Caroline enfaticamente. – Você pode ter um gato no campo, mas em Londres nunca mais.
Caroline entrou no cômodo, cumprimentou Alex com um aceno de cabeça e se sentou perto de Emma, Belle e Sophie. Henry, que descera a escada logo atrás da esposa, deu uma olhada no grupo de mulheres reunidas no canto e seguiu direto até Alex.
– Uísque? – ofereceu Alex, erguendo o próprio copo.
– Aceito uma dose – respondeu Henry com simpatia.
Mas logo ergueu a mão para impedir que o outro se levantasse. Henry atravessou rapidamente o salão, se serviu de uísque e voltou para junto de Alex.
– Tenho a impressão de que vamos precisar disto hoje à noite – comentou.
– Por mais estranho que pareça, foi exatamente o que a sua lha disse há menos de cinco minutos.
– Como foi o passeio a cavalo esta tarde, querida? – perguntou Caroline a Emma, alto o bastante para que todos ouvissem.
– Foi muito bom, obrigada.
Mas Alex achou a resposta fraca.
– Eu tive uma tarde maravilhosa – declarou.
– Tenho certeza – retrucou Emma, mais para si mesma, tentando esquecer que fora ela que gritara de prazer naquela tarde, não Alex.
– Disse alguma coisa, minha querida? – perguntou Caroline, solícita.
– Não, nada. Estava só pigarreando.
– Parece um hábito – comentou Alex, incapaz de resistir à óbvia perturbação de Emma. Ele atravessou o salão com Henry e os dois sentaram-se perto de Caroline. – Ao menos na minha presença.
Emma encarou-o com tamanha ferocidade que Sophie não conseguiu evitar murmurar baixinho:
– Meu Deus…
Alex tomou um gole de uísque, tranquilo, não parecendo nem um pouco afetado pela ira dela.
O que, é claro, só serviu para deixá-la ainda mais furiosa.
Nessa altura, Alex abriu um sorriso.
– Bem! – falou Caroline, só para quebrar o silêncio.
No entanto, para sua consternação, todos se voltaram para ela na mesma hora, o que a obrigou a dizer mais alguma coisa.
– Conte-nos mais sobre a sua tarde, Emma, querida.
O tema parecia estar em alta.
– Bem, na verdade… – iniciou Emma, a irritação começando a dominá-la.
Belle acertou um chute em sua canela. Emma arquejou baixinho de dor, abriu um fraco sorriso e respondeu:
– Foi adorável, obrigada.
O silêncio voltou a se instalar e, dessa vez, ninguém teve coragem de quebrá-lo, nem mesmo Caroline.
Emma baixou os olhos para o colo, os dedos brincando distraidamente com o tecido da saia. Podia sentir os olhos de Alex e, por mais que tentasse, não conseguia reunir coragem para encará-lo. Sentada ali naquele silêncio pesado, teve que admitir que era consigo mesma que estava zangada, não com Alex.
Sabia que se sentia profundamente atraída por ele. Mas admitir aquilo ao cavalheiro em questão de algum modo parecia ir contra tudo o que aprendera, e era difícil dar as costas ao padrão moral que o pai, a tia e o tio haviam incutido nela. Estava, portanto, muito encrencada: ciente de que o desejava desesperadamente e sabendo que não deveria se permitir tê-lo. Poderia justi car o desejo pelo fato de amá-lo, mas precisava encontrar força de vontade para se impedir de concretizá-lo.
Tudo seria diferente se Alex a amasse ao menos um pouquinho em comparação ao tanto que ela o amava.
Ou, pensou Emma, desanimada, se ele ao menos a pedisse em casamento. Casar com ele sem reciprocidade ainda assim era preferível a não tê-lo de forma alguma. Alex havia voltado a examinar as unhas e não parecia nem remotamente prestes a pedir uma mulher em casamento. Emma engoliu em seco e deixou o corpo afundar ainda mais no sofá.
– Santo Deus! Parece que tivemos um funeral aqui. Vocês todos perderam a capacidade de falar? – perguntou Eugenia, parada na porta do salão de visitas, em um elegante vestido de seda verde.
Alex abriu um largo sorriso para a mãe enquanto se levantava para lhe dar um beijo carinhoso no rosto.
– Na verdade, mamãe, acho que estão todos com certo medo de abrir a boca.
Eugenia olhou para o lho com uma expressão acusadora.
– Você não andou tratando mal nossos hóspedes, não é?
– Só a mim – adiantou-se Emma, bravamente, fazendo com que a tia lhe lançasse um olhar reprovador.
Alex riu, encantado com a provocação.
– Talvez eu possa acompanhá-la até o salão de jantar, Srta. Dunster – disse ele, com elegância.
Alex foi até ela e ofereceu o braço.
– É claro.
A nal, o que mais ela poderia fazer diante de um grupo de espectadores tão ávido?
Emma deu um belo sorriso para a audiência, se levantou e tentou dar um passo na direção da porta, mas a mão de aço de Alex a manteve rme no lugar.
– Acho que vamos entrar por último – declarou ele, o que já cara óbvio.
– Se nenhum de vocês se importar – apressou-se a acrescentar Emma, sentindo o rosto enrubescer.
– Ah, não, nós não nos importamos nem um pouco – exclamou Eugenia, praticamente arrancando a lha do salão.
– Nunca mais faça isso comigo! – explodiu Emma, desvencilhando-se.
– Isso o quê? – perguntou ele com inocência.
– “Espero que a sua estadia esteja sendo prazerosa, Emma” – repetiu ela, imitando com perfeição o tom em que ele falara.
– Ah, por favor. Você não pode me privar de um pouco de diversão.
– Não às minhas custas. Fiquei morti cada!
– Não que tão brava, meu bem. Você sabe que eu só estava brincando.
– Não sei de absolutamente nada. A impressão que eu tive foi de que você estava só se vingando porque não conseguiu o que queria essa tarde.
Sem conseguir afastar os olhos dos dela, Alex segurou-a pelos ombros e puxou-a para junto do corpo.
– Ah, meu bem, me desculpe – murmurou. – Jamais tive a intenção de levá-la a se sentir assim. Acredite em mim, eu consegui exatamente o que queria essa tarde.
– Mas…
Alex pousou os dedos nos lábios dela.
– Shh… Eu só queria deixar você feliz, mas parece que só consegui o oposto. Eu estava implicando com você agora porque, se não posso ver você feliz, vê-la brava é melhor do que vê-la triste.
– Bem, eu pre ro que não volte a usar esse tipo de tática – murmurou Emma contra o peito dele.
Alex deu um beijo na testa dela.
– Eu prometo. Agora… Já tinha visto um cômodo esvaziar tão rapidamente? – perguntou ele, tentando mudar de assunto. – Acho que eu não era o único a desejar que nós cássemos a sós. Poderia apostar que a minha mãe chegou ao salão de jantar em menos de dez segundos.
– Eu acho que nunca vi minha tia se mover com tanta velocidade – comentou Emma, com um sorriso vacilante. – E pensei que o tio Henry fosse arrastar Belle pelos cabelos.
– Engraçado, eu o imaginaria acima disso.
– Você deve estar brincando. Tia Caroline pode ser aterrorizante quando está de mau humor. Ele não iria querer provocá-la. Tio Henry preza demais a tranquilidade. Além disso, todos estão ansiosíssimos para ver a minha vida resolvida. Digo… não que nós… que eu tenha qualquer plano de me assentar tão cedo. Tenho um negócio para administrar em Boston, você sabe.
Emma sentiu um peso no peito no instante em que falou isso. Não acabara de decidir que Alex era muito mais importante do que o Estaleiro Dunster?
– Não se deixe pressionar – disse ela.
Alex tou-a com uma expressão estranha no rosto.
– Embora eu imagine que seja difícil pressionar você a fazer qualquer coisa – continuou Emma, parecendo ligeiramente perdida.
Alex deu um sorriso irônico, se perguntando quanta pressão seria realmente necessária àquela altura para fazê-lo sossegar.
– Está se sentindo melhor? – perguntou apenas.
Emma manteve os olhos baixos.
– Exagerei, não é?
– A que se refere?
Ela enrubesceu diante da clara referência ao seu comportamento apaixonado.
– Por ter cado tão constrangida depois do que aconteceu – explicou Emma, depois parou e se forçou a encará-lo. – Acho que exagerei… Desculpe. Espero não ter aborrecido você.
Ela levantou a cabeça e os olhos violeta cheios de con ança encontraram os dele. Naquele momento, algo dentro de Alex derreteu. Ele não conseguia acreditar que Emma estava se desculpando com ele pelas carícias íntimas que haviam trocado. Jovens damas de boa família eram ensinadas que qualquer tipo de intimidade antes do casamento era o caminho para a perdição eterna, e agora que já não sentia mais o corpo prestes a explodir, Alex estava realmente impressionado por Emma não ter cado de cama por uma semana.
– É muito natural se sentir confusa com uma nova experiência – falou, sentindo que precisava dizer alguma coisa para confortá-la.
– Agradeço por ser tão compreensivo – disse Emma, com um sorrisinho. – Embora ache que seria mais sábio se nos contivéssemos a partir de agora. – Quando Alex ergueu uma sobrancelha, ela explicou: – Eu não consigo nem descrever como me senti mal essa tarde.
– Culpada?
– Isso, e confusa também.
Emma tou um pequeno relógio na extremidade da mesa com o olhar distante. Estava orgulhosa de si mesma por ser tão honesta com Alex, mas, ao mesmo tempo, falar de forma tão aberta era um pouco desconcertante.
– Gostaria que você não se sentisse assim.
– Eu também gostaria – retrucou Emma, ainda olhando para o relógio. – Mas acho que não sou capaz de controlar muito bem minhas emoções e, por isso, seria melhor evitar o estado de agitação em que
quei mais cedo.
– Emma? – Como ela não respondeu, Alex chamou mais alto. – Emma?
Ela se virou rapidamente, os cabelos brilhantes emoldurando seu rosto em ondas suaves. Alex tocou o queixo dela com os dedos e então ergueu seu rosto para que pudesse olhar bem fundo em seus olhos.
– Ainda vou tentar beijá-la.
– Eu sei.
Ele se aproximou mais.
– Em todas as ocasiões possíveis.
– Eu sei.
Os lábios dele estavam quase tocando os dela.
– Vou tentar neste instante.
Emma suspirou, presa na teia daquela voz sensual.
– Eu sei.
– Você vai tentar me impedir? – perguntou Alex baixinho, os lábios colados nos dela.
– Não…
A resposta em voz baixa de Emma se perdeu quando a boca de Alex capturou a dela. Emma simplesmente fechou os olhos e saboreou o calor que emanava dele, se perdendo no prazer do momento.
Alex estava dolorosamente consciente de que tinham poucos e preciosos minutos juntos. Não duvidava de que a mãe fosse capaz de entrar no salão aos gritos e, diante de um simples beijo, declarasse que Emma estava sendo violada e que ele deveria se casar com ela imediatamente. Com um gemido, Alex se afastou e respirou fundo.
– Este vai ser um longo m de semana – murmurou, ainda segurando o queixo dela.
– É, eu sei – disse Emma com a voz muito estranha.
Alex abriu um sorrisinho. Emma parecia presa em um devaneio, os olhos xos em um ponto ligeiramente à esquerda do cotovelo de Alex.
– Eu adoraria saber o que está se passando na sua cabeça neste exato momento – disse ele baixinho, afastando uma mecha de cabelo da testa dela.
Emma balançou a cabeça devagar enquanto tentava se concentrar novamente no momento.
– O quê? – perguntou ela, piscando algumas vezes. – Promete não rir?
– Não prometo nada.
Ela pareceu espantada com a resposta inesperada. Alex sorria de um jeito indulgente, e seus olhos verdes cintilavam com a promessa cálida de amor.
– Bem, acho que vou contar mesmo assim – falou ela, baixinho. – Eu estava pensando que… bem, estava imaginando…
– Sim?
– Na verdade, estava me perguntando como consegui continuar em pé enquanto você estava me beijando ainda há pouco.
Um sorrisinho tímido surgiu em seu rosto e Emma baixou os olhos para os pés, que traçavam semicírculos no carpete.
– Eu achei que fosse derreter.
Alex sentiu algo pouco familiar se acender dentro dele, e não havia como negar o calor agradável que se espalhava subitamente pelo seu corpo. Ele se inclinou e roçou brevemente os lábios contra os dela.
– Você não tem ideia de como co feliz ao ouvir isso.
Emma ainda arrastava o pé pelo carpete, absurdamente satisfeita com aquelas palavras e incapaz de conter um largo sorriso.
– Talvez você possa me dar o braço e me acompanhar até o salão de jantar.
– Acho que isso pode ser providenciado.
Quando chegaram lá, as famílias de ambos já estavam acomodadas ao redor da longa mesa de carvalho. Como o grupo era composto por sete pessoas apenas, Eugenia, que preferia uma boa conversa a formalidades, havia colocado todos em um lado da mesa, deixando o outro vazio.
– Tomei a liberdade de ocupar a cabeceira da mesa – anunciou Eugenia. – Sei que as regras sociais estipulam que esse é seu lugar, Alex, mas somos um grupo informal e admito que ceder meu lugar a você, meu
lho, mexe com meu orgulho.
Alex levantou uma sobrancelha enquanto puxava uma cadeira para Emma e lançou um olhar à mãe que dizia que não acreditava em uma única palavra.
– Além do mais, achei que você e Emma iriam querer se sentar lado a lado.
– Como sempre, muito astuta, mamãe.
O sorriso de Eugenia não vacilou nem um pouco. Ela se virou para Emma, ignorando sumariamente o lho.
– Teve uma tarde agradável, minha cara? Caroline me contou que você adorou o passeio a cavalo.
Emma sorriu com indulgência enquanto se sentava entre Belle e o lugar vazio reservado para Alex. Eugenia era a terceira pessoa naquela noite a lhe fazer aquela pergunta. A quarta, na verdade, se contasse a prima, que fora um pouco mais direta.
– Foi uma tarde deliciosa. Alex foi um acompanhante muito atencioso, agradeço.
Belle começou a tossir. Emma lhe lançou um olhar fulminante e lhe deu um rápido chute por baixo da mesa.
– É mesmo? – sussurrou Eugenia, encantada com a cena que se desenrolava embaixo da mesa. – “Atencioso” como, exatamente?
Daquela vez, foi Sophie quem chutou, e seu pé encontrou a canela da mãe com um ruído audível.
– Extremamente atencioso, mamãe – respondeu Alex em um tom que encerrou o assunto.
Caroline deu um gritinho quando sentiu o chute de Henry na canela.
– Henry! – sibilou. – O que foi isso, pelo amor de Deus?
– Ora, meu bem – disse ele, tando a esposa com carinho –, eu estava me sentindo excluído.