Esplêndida

Julia Quinn · Capítulo 6 de 27

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Esplêndida

Capítulo 5

 

 

Por um segundo abençoado, Emma achou que era uma alucinação. Simplesmente não havia como aquele demônio de olhos verdes estar dentro do quarto dela. E ela havia batido com a cabeça com força naquela tarde. Já ouvira dizer que aquele tipo de acidente fazia coisas estranhas com a cabeça de uma pessoa.

Então o duque de Ashbourne tou-a com um sorriso diabólico e se sentou na poltrona dela.

Foi quando Emma soube que era real. Nenhuma alucinação se comportaria de forma tão abominável. Ela sentiu um nó na garganta e uma náusea súbita e muito forte. Santo Deus, os tios e primos haviam passado o último mês ensinando-a o que era aceito e o que não era na sociedade de Londres, mas ninguém lhe dissera o que fazer se um cavalheiro – não, um libertino – entrasse em seu quarto. Emma sabia que deveria dizer alguma coisa, gritar, mas nem um som saiu de seus lábios.

Então ela se deu conta de que ainda estava com o corpo esticado na cama, em uma posição muito comprometedora. Emma levantou os olhos e percebeu rapidamente que o duque notara a mesma coisa. O olhar ardente que ele lançava parecia queimar a pele dela, que logo cou vermelha de vergonha. Ela se sentou rapidamente na cama e segurou um travesseiro contra o peito, ansiosa para se proteger dos olhos de Alex.

– Que pena – comentou ele em um tom irônico.

Os olhos de Emma encontraram os do duque, mas ela continuou em silêncio. Não con ava na própria voz.

Ele respondeu à pergunta que viu nos olhos dela.

– Poucas mulheres têm seios tão adoráveis quanto os seus. É uma pena cobri-los.

Aquilo só fez Emma agarrar o travesseiro com mais força. Alex riu da modéstia dela.

– Além do mais – continuou ele –, não está escondendo de mim nada que já não tenha mostrado para toda Londres.

A não ser pelo fato de que “toda Londres” não está sentada no meu quarto, pensou Emma, furiosa.

– Sinceramente, Meg… ou devo dizer Emma? Não vai conseguir me convencer de que é muda. Tive uma prova do seu temperamento hoje de manhã. Com certeza deve ter alguma coisa a dizer.

Emma disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

– Acho que vou vomitar.

Aquele comentário pegou Alex completamente de surpresa e ele começou a se levantar da poltrona. Emma teve que se controlar para não rir da expressão de puro pânico que viu no rosto dele.

– Deus pai – sussurrou Alex.

Ele olhou ao redor do quarto em busca de algum tipo de receptáculo. Como não achou, olhou de volta para a mulher na cama.

– Está falando sério?

– Não. Embora a sua presença realmente tenha abalado o meu estômago.

Alex foi pego de surpresa mais uma vez. A jovem americana havia conseguido confundi-lo completamente, sem esforço. Ele deveria castigá-la por isso, mas Emma parecia tão inocente e atraente sentada ali na cama com o travesseiro junto ao peito que ele só conseguiu rir.

– As mulheres já me disseram que provoco várias reações – falou lentamente –, mas náusea nunca foi uma delas.

Emma ignorou o comentário.

– O que está fazendo aqui, pelo amor de Deus? – perguntou ela,

nalmente.

– Não é óbvio? – Os olhos verdes de Alex cintilaram quando ele se inclinou para a frente. – Vim procurar você.

– Me procurar? – perguntou Emma, a voz muito aguda, torcendo para que tivesse havido algum engano. – Mas você nem me conhece.

– Está certa – cismou Alex. – Mas conheci uma criada de cozinha hoje cedo que se parecia demais com você. Cabelos ruivos, olhos violeta. Por acaso você teria uma gêmea idêntica? – perguntou ele, sorrindo perigosamente. – Mas a garota que conheci não se parecia nada com você em temperamento. Era uma mocinha fogosa, ah, se era… Mal conseguia manter as mãos longe de mim… e me beijou nos lugares mais impronunciáveis.

– Não z nada disso! – bradou Emma. – Como ousa sequer sugerir uma coisa dessas!

Alex apenas ergueu uma sobrancelha diante da fúria dela.

– Então admite que esteve na minha carruagem essa tarde?

– Sabe que estive. Não tenho como negar.

– Realmente – concordou Alex, recostando-se confortavelmente na poltrona.

– Fique à vontade.

Alex não prestou atenção ao sarcasmo dela.

– Obrigado. Você é muito gentil. E, agora – exigiu ele –, eu gostaria de uma explicação completa de como você acabou usando roupas de criada e perambulando por Londres sozinha.

– O quê?! – perguntou Emma, ultrajada.

– Estou esperando a explicação – disse Alex, a voz carregada de paciência.

– Ora, mas não vai ter explicação nenhuma, seu nojento arrogante – retrucou ela em um tom ácido.

– Você é muito encantadora quando está com raiva, Emma.

– Você realmente precisa sempre dizer coisas ultrajantes?

Alex cruzou as mãos atrás da cabeça e se recostou mais na poltrona, pensando sobre a pergunta furiosa dela.

– Na verdade, sempre me orgulhei de ser ligeiramente ultrajante.

– Aposto que sim – murmurou ela.

– O que foi aquilo hoje cedo?

Emma decidiu tentar outra tática.

– Acho que você está agindo de modo mais do que ligeiramente ultrajante. Posso ser americana, mas até mesmo eu sei que isso não são modos – disse ela, suspirando enquanto avaliava o dilema em que se encontrava. – Por acaso você está determinado a me arruinar? Eu estava me esforçando tanto para deixar o meu tio e a minha tia orgulhosos de mim…

Alex sentiu uma pontada de culpa pelo próprio comportamento ao ver a expressão melancólica de Emma. Seus olhos violeta cintilavam com lágrimas não derramadas, e seus cabelos pareciam arder como fogo sob o brilho trêmulo da vela. Uma nova onda de ternura se abateu sobre ele, que precisou se esforçar para não tomá-la nos braços. Queria acalmá-la, protegê-la, não arruiná-la. Inferno, ele nem sabia direito porque subira até ali.

Mas sabia que precisava lutar contra aquela estranha ternura que sentia pela jovem americana. Ainda precisava encontrar uma dama que conseguisse ver além do título e da fortuna dele se quisesse se casar. Se ousasse sentir alguma coisa por Emma, sabia que se magoaria. E, de algum modo, sabia instintivamente que aquela jovem tinha o poder de feri-lo mais profundamente do que qualquer outra.

Por isso Alex endureceu o coração e a ou a língua.

– Tenho certeza de que a sua tia e o seu tio estão profundamente orgulhosos – disse ele, a voz carregada de sarcasmo. – A nal, metade da aristocracia, a metade masculina, pelo menos, estava babando por você. Tenho certeza de que pode esperar por meia dúzia de pedidos de casamento antes do m do mês. Você deve conseguir pescar um belo título.

Emma se encolheu, sicamente atingida pelo ataque verbal.

– Como pode dizer coisas tão cruéis? Você nem me conhece.

– Você é mulher – respondeu Alex com simplicidade.

– E daí?

Alex percebeu que, em sua ira, Emma jogara o travesseiro para o lado. A pele dela estava ruborizada de raiva, e seu peito se movimentava a cada respiração. Ele a achou deliciosa, mas manteve o desejo sob controle.

– As mulheres – explicou Alex com paciência – passam os primeiros 18 a 21 anos de sua vida a ando suas habilidades sociais. E quando acham que estão prontas, saem para o mundo, frequentam algumas festas, piscam os olhos, sorriem lindamente e, então, conseguem um marido. Quanto mais alto o título e quanto mais dinheiro, melhor. E quase sempre o pobre camarada não faz nem ideia do que o atingiu.

Emma estava obviamente chocada, a expressão em seu rosto deixava claro que cara horrorizada.

– Não consigo acreditar que você acabou de dizer isso.

– Está ofendida?

– Completamente.

– Não deveria estar. As coisas são assim, não há nada que eu ou você possamos fazer a respeito.

De repente, Emma sentiu sua raiva se dissolver em piedade. O que teria acontecido com aquele homem para torná-lo tão duro, tão cruel?

– Vejo que você nunca amou ninguém… – disse ela, a voz tranquila agora.

Alex levantou o olhar ao ouvir a declaração feita em tom suave, e

cou surpreso ao ver preocupação verdadeira nos olhos de Emma.

– E você por acaso já amou tanto a ponto de ser uma especialista? – retrucou ele, em um tom igualmente tranquilo.

– Não desse jeito – disse ela. – Mas vou amar. Algum dia sei que vou. E até lá, tenho meu pai, tio Henry, tia Caroline, Belle e Ned. Não poderia ter uma família mais maravilhosa, e amo profundamente todos eles. Não há absolutamente nada que eu não zesse por eles.

Alex se pegou desejando estar incluído naquele grupo privilegiado.

– Sei que você tem uma família – continuou Emma, lembrando-se do encontro com a irmã dele. – Você não ama essas pessoas?

– Sim, amo.

A expressão de Alex se suavizou pela primeira vez naquela noite, e Emma não pôde deixar de perceber o amor nos olhos dele quando pensou na família. Alex riu.

– Talvez você esteja certa. Parece que há algumas poucas mulheres no mundo que são dignas de serem amadas. Infelizmente, tenho parentesco próximo com todas elas.

– Acho que você está com medo – ousou dizer Emma.

– Espero que tenha a intenção de explicar esse comentário.

– Você está com medo. É muito mais fácil se fechar para as pessoas do que amá-las. Se você mantiver o coração atrás de um muro, ninguém será capaz de se aproximar o bastante para derrubá-lo. Certo?

Emma levantou a cabeça e cou surpresa ao encontrar o olhar atento dele. Amaldiçoando-se pela própria covardia, ela desviou os olhos.

– Você… bem… – balbuciou ela, esforçando-se para manter a coragem de que precisava para falar de modo tão atrevido. – Posso ver que você não é uma pessoa ruim. Está claro que se importa profundamente com a sua família, então deve ser capaz de amar. Você só tem medo de se colocar em uma posição vulnerável.

Alex cou surpreso tanto pela gentileza do sermão quanto pelo desconforto causado pela precisão do que Emma dissera. Sentiu-se extremamente inquieto. Ela não percebia que aquelas palavras ternas tinham mais poder de atravessar a armadura dele do que qualquer espada? Sentindo-se subitamente mais desconfortável ainda, Alex decidiu mudar de assunto antes que Emma tivesse outra oportunidade de transtorná-lo.

– Ainda não me disse por que estava andando por aí com roupas de criada – falou Alex abruptamente.

Emma cou surpresa com a súbita mudança de assunto, e a rispidez na voz dele reacendeu a sua raiva.

– Por que eu deveria explicar minhas ações a você?

– Porque insisto em que faça isso.

– O quê? Você só pode estar brincando! – falou Emma, ultrajada. – Seu arrogante, inescrupuloso, autoritário…

– Mais uma vez – interrompeu Alex em um tom tranquilo –, estou admirado com a vastidão do seu vocabulário.

– Há mais palavras oportunas de onde saíram essas – falou Emma, com os dentes cerrados.

– Não duvido disso nem por um instante.

– Por que, seu insuportável, odioso…

– Lá vamos nós de novo.

– … PORCO!

Emma levou a mão ao rosto quando se deu conta do que acabara de dizer, e seu corpo começou a sacudir silenciosamente com o riso. Não conseguiu evitar.

Ainda sentada sobre a colcha branca macia, em uma posição nada feminina, ela puxou as pernas dobradas mais para junto do corpo e inclinou a cabeça, gargalhando. Seu corpo se sacudia descontroladamente e ela tentava conter o ataque de riso. De repente, Emma se dava conta do absurdo completo daquela situação e, embora soubesse que devia fazer alguma coisa, como ngir um desmaio, por exemplo, simplesmente não conseguia evitar achar aquilo tudo divertidíssimo.

Alex a encarou, surpreso com a reação dela. Era inconcebível que uma mulher realmente visse graça naquela situação comprometedora! Mas ele logo descobriu que o ataque de riso era contagioso. E começou a rir com vontade, observando os ombros pálidos e delicados da jovem subindo e descendo a cada risada.

Com a risada de Alex, Emma perdeu de vez o controle e explodiu em uma gargalhada alta, gostosa. Incapaz de continuar a conter o corpo que se agitava com as risadas, Emma agiu como se estivesse com Belle no quarto, e não com o duque de Ashbourne, e caiu de costas na cama, as pernas caindo pela lateral.

Alex observou tudo, fascinado. Com o corpo largado na cama, os cabelos amejantes espalhados na coberta alva, ela parecia nem reparar nele. Perdida no momento, Emma se mostrava totalmente sem artifícios, completamente desatenta ao olhar faminto dele.

Alex a achou magní ca.

Como manteria as mãos longe daquela mulher?

– Ah, meu Deus.

Sem ar, Emma nalmente emergiu da crise de riso. Esforçando-se para recuperar o fôlego, tentou desesperadamente se conter. E levou a mão ao peito arfante enquanto recuperava o controle.

– O que você deve estar pensando de mim?

– Estou pensando… – Alex fez uma pausa enquanto atravessava o quarto em passadas rápidas e se sentava aos pés da cama – … que você é linda.

Emma puxou as pernas de volta para cima da cama e se encostou na cabeceira. A voz suave do duque pareceu derreter os braços e as pernas dela, e a reação dele a deixou aterrorizada. Precisava se afastar o máximo possível daquele homem belo e perigoso que se esgueirara para dentro do seu quarto.

– A beleza é super cial – gracejou Emma, tentando aliviar a tensão que pairava no ar.

– Muito astuto o seu comentário – retrucou Alex, com um aceno de cabeça. – Permita que eu me corrija. Acho você esplêndida.

A alegria disparou pelo corpo de Emma como 10 mil minúsculas chamas, e seu corpo vibrou com sensações estranhas e desconhecidas. Tudo o que sabia era que a presença de Alex a afetava de maneiras que ela não entendia, e aquilo a assustava.

Alex percebeu seu olhar tímido.

– Minha cara Emma – começou a dizer.

Subitamente, ela sentiu a necessidade de se a rmar e de recuperar parte da autocon ança que ele a levara a perder temporariamente. Emma endireitou as costas com uma coragem ngida.

– Certamente não sou sua cara Emma – disse, em um tom afetado.

– É mesmo? Então é de quem?

– Que pergunta absurda.

– De forma nenhuma – disse Alex, pegando o pé descalço dela e começando a massageá-lo. – Porque, se você ainda não pertence a ninguém, acho que posso torná-la minha.

Emma arquejou enquanto as mãos dele continuavam a massagear os músculos dos seus pés. Nunca sonhara que um toque no pé pudesse enviar sensações até seu estômago, pensou, desesperada, enquanto puxava a perna para se desvencilhar de Alex. Mas seus esforços só aumentaram a determinação dele, e as mãos bronzeadas subiram pela bainha da saia dela até chegarem à panturrilha. Emma umedeceu os lábios inconscientemente enquanto espasmos de prazer disparavam por sua perna.

– Gostoso, não é? – perguntou Alex com um sorriso.

– Não, acho que não gosto nada disso – foi a resposta estrangulada dela.

– Ah, é? – perguntou Alex, ngindo inocência. – Então terei que me esforçar mais.

As mãos dele continuaram subitamente pela perna dela até chegarem acima do joelho.

– E disso, gosta?

Diante da expressão atordoada de Emma, ele continuou.

– Não? Talvez um beijo então?

Antes que ela tivesse qualquer chance de reagir, Alex puxou-a pelos pés, o que a deixou deitada de barriga para cima. Ele se deitou ao lado dela, o corpo rme pressionando a lateral do corpo de Emma. Alex segurou o queixo dela com a mão forte, virou seu rosto e seus lábios encontraram gentilmente os dela.

– Não – sussurrou Emma sem muita rmeza.

Ela não entendia como aquele homem havia chegado ao quarto dela, e como acabara deitado em sua cama, mas, acima de tudo, não entendia por que seu corpo subitamente parecia estar prestes a entrar em combustão.

– Só um beijo – gemeu Alex contra a boca de Emma, a voz rouca de desejo. – Se disser que não depois disso, eu prometo parar. Prometo.

Emma não disse nada, apenas fechou os olhos enquanto a língua de Alex traçava o contorno de seus lábios. Aquele toque delicado acabou sendo a perdição de Emma e seu corpo reagiu sem o menor pudor. Ela passou os braços ao redor do pescoço de Alex e pressionou os lábios instintivamente contra os dele. Então gemeu baixinho e abriu os lábios, mal consciente dos próprios movimentos.

Alex tirou todo o proveito da reação dela e na mesma hora sua língua invadiu a boca convidativa, investigando.

– Meu Deus, como você é doce – murmurou, a voz ainda rouca.

Ele voltou a beijá-la, pressionando, saboreando. Emma juntou-se à carícia íntima com um ardor que nunca sonhou experimentar. Ela agarrou os cabelos cheios com uma das mãos e acariciou os músculos fortes das costas dele com a outra.

Alex gemeu; o toque dela o in amava. Com a boca ainda colada à de Emma, ele se posicionou em cima dela e pressionou seu corpo contra o colchão. Emma soltou um gemido apaixonado diante daquela nova intimidade e do som que Alex deixara escapar.

– Quem teria imaginado que uma coisinha pequenina como você seria tão ardente? – murmurou ele, os lábios descendo suavemente pelo pescoço pálido e macio dela.

Ela estremeceu de desejo.

– O que está fazendo comigo? – perguntou, em um sussurro.

O riso de Alex saiu do fundo da garganta, e seus lábios voltaram a capturar os dela.

– Estou fazendo amor com você, meu bem. E você está se sentindo assim…

A mão dele se aproximou do seio dela, e Emma arquejou quando sentiu o calor do toque dele atravessando o cetim do vestido e queimando a pele dela.

– Porque você me quer tanto quanto eu quero você.

– Isso não é verdade – retrucou Emma, trêmula, mas soube que estava mentindo no instante em que as palavras saíram de sua boca.

Os lábios de Alex se moveram para mordiscar o lóbulo da orelha dela.

– Ah, minha cara Emma, já transformaram você em uma senhorita inglesa pudica?

Emma podia sentir o hálito quente dele junto à orelha, mas nada poderia tê-la preparado para a onda violenta de desejo que sentiu quando a língua de Alex voltou a acariciar a dela.

– Ah – disse ela, incapaz de conter o murmúrio de prazer.

Alex apenas sorriu.

– Não tenha vergonha do que está sentindo, Emma. Nunca sinta vergonha. É completamente natural. Não há nada mau ou diabólico nisso, independentemente do que as matronas da sociedade possam dizer.

– Não me disseram que essas sensações são ruins por si sós – retrucou Emma, a voz trêmula. – Só me disseram que são ruins quando a moça não é casada.

Alex fez uma careta ao ouvir a palavra que começava com C, e seu desejo amainou ligeiramente.

– Se eu fosse você, não olharia para mim com casamento em mente – repreendeu ele gentilmente.

– Eu não estava fazendo isso! – retrucou Emma, afastando-se dele.

– Ótimo!

– Eu jamais me casaria com você.

– O que é muito conveniente para você, porque não me lembro de tê-la pedido em casamento.

Emma o encarou furiosa.

– Eu não me casaria com você nem se você fosse o último homem na face da terra! – exclamou ela, ponderando um segundo sobre o que era claramente um clichê. – Bem, talvez se você fosse o último homem na face da terra, mas só nesse caso!

Alex decidiu que amava aquele óbvio bom senso dela.

– Mas já que você não é o último homem na face da terra – continuou Emma –, o que é mais do que evidente se levarmos em consideração o fato de que tenho um salão de baile inteiro cheio de rapazes solteiros e bons partidos no andar de baixo…

Alex cerrou os lábios na mesma hora.

– … acho que você deveria sair daqui agora.

– Discordo.

– Não me importo.

– Parecemos ter chegado a um impasse – comentou Alex, lentamente. – Eu me pergunto quem vai vencer…

– Não tenho a menor dúvida do resultado deste impasse – declarou Emma com coragem. – Saia do meu quarto agora!

Alex ergueu as sobrancelhas diante da ira de Emma. A indiferença dele só serviu para in amá-la mais.

– Agora! – explodiu ela.

Alex cou de pé e endireitou o paletó.

– Se há uma coisa que eu aprendi – comentou ele em um tom cáustico – foi que nunca se deve discutir com uma mulher gritando.

Ela cou aborrecida na mesma hora.

– Eu não estava gritando. Eu nunca grito.

– Ah, é?

– Só ergui um pouco a voz.

– Pelo seu bem, espero que você realmente não tenha gritado – falou Alex –, porque a última coisa de que precisamos é que sua família entre aqui correndo. Especialmente agora que já estabelecemos claramente nossa falta de desejo de nos casarmos um com o outro.

– Que inferno… – disse ela, com um suspiro.

– Cuidado com o linguajar – repreendeu Alex, e logo se deu conta de que soara exatamente como a irmã.

– Ah, não me aborreça. A última coisa que preciso é de um sermão da sua parte – disse ela, cando de pé e alisando as pregas do vestido violeta. – Pareço apresentável? – perguntou, os olhos arregalados de insegurança. – Não quero envergonhar a minha família.

– Para ser bem sincero, parece que você acabou de ser beijada. Profundamente beijada.

Emma gemeu e correu até o espelho para avaliar o dano. Alex estava certo. O rosto dela estava ruborizado e mechas de cabelo haviam escapado da presilha, emoldurando sedutoramente o seu rosto.

– Bem, pelo menos não vai ser muito difícil ajeitar o penteado. Meg passou uma eternidade tentando fazer algo na última moda, mas consegui convencê-la de que seria mais simples, mais confortável e mais bonito deixar o cabelo meio solto.

– Não me diga que você realmente tem uma criada chamada Meg.

– Sim… Bem, é difícil ser criativa quando se acaba de tomar uma pancada na cabeça.

Emma estava se esforçando para prender os cabelos com a presilha.

– Permita-me – sussurrou Alex, parando atrás dela.

Emma cou chocada quando ele pegou a escova e começou a passar suavemente nos cabelos dela, levantando-os no alto da cabeça.

– Não vou nem perguntar onde aprendeu a arrumar cabelos.

– Provavelmente não deveria mesmo.

– Você tem muitas amantes, tenho certeza.

– Você andou ouvindo histórias a meu respeito – acusou ele.

– Só algumas – admitiu Emma.

– Que injusto da sua parte. Eu não sabia nem o seu nome verdadeiro.

Alex pegou a presilha da mão dela e a prendeu com rmeza no lugar.

– Bem, agora você sabe – comentou Emma, incapaz de pensar em alguma coisa mais interessante para dizer.

– Agora eu sei – respondeu Alex, mais ou menos pela mesma razão.

Os dois pararam e caram apenas se olhando, hesitantes. Emma

nalmente rompeu o silêncio.

– É melhor você agir como se não me conhecesse. Não quero que ninguém descon e de nada inconveniente.

– É claro. Mas que avisada de que me certi carei de ser apresentado a você o mais rápido possível. Depois disso você vai ter trabalho para me evitar.

– Não será por falta de tentativa, tenho certeza.

As palavras ofensivas saíram antes que Emma conseguisse se conter, mas Alex apenas riu baixinho.

– Você realmente tem uma personalidade encantadora, minha cara Emma – disse ele, baixando a cabeça rapidamente para roubar um beijo dos lábios da jovem, que foi pega de surpresa. – Agora vá, volte para o baile. Vou esperar pelo menos quinze minutos antes de descer.

Emma correu para a porta, abriu e saiu para o corredor. Fez uma breve pausa e en ou novamente a cabeça no quarto.

– Promete?

Alex deu uma risadinha.

– Prometo.