Esplêndida
Capítulo 3
Alex cou parado na frente da mansão Blydon, olhando para a entrada dos criados. Vira a expressão de puro pânico nos olhos de Meg antes de concordar em não acompanhá-la até a porta. Estava muito sério, preocupado com a possibilidade de ela ser punida por voltar tão tarde do mercado. Embora já tivesse encontrado o conde e a condessa de Worth em várias ocasiões, não sabia muito sobre eles. Não tinha ideia de como funcionava a casa. Alguns membros da aristocracia tratavam os criados de forma abominável. E embora Alex se recusasse a acreditar que sentia qualquer coisa além de desejo por Meg, apavorava-o pensar que ela pudesse ser demitida ou coisa pior. Alex sentiu uma vontade imensa de entrar direto na cozinha da mansão para se assegurar de que Meg estava sendo recebida como a heroína que era. Ele suspirou, ligeiramente irritado com a extensão da preocupação que sentia. Não tinha certeza se a jovem havia se recuperado por completo da queda. O que realmente queria fazer naquele momento era pegá-la nos braços, carregá-la para o quarto dela e colocá-la na cama com uma boa compressa fria na cabeça. Alex gemeu diante da visão que surgiu em sua mente. Se conseguisse colocá-la na cama, duvidava que fosse capaz de resistir a deitar ao lado dela.
– Alex! – Sophie colocou a cabeça para fora da carruagem. – Está esperando o quê?
Alex desviou os olhos da mansão.
– Nada, Soph, nada. Só estou um pouco preocupado com Meg. Acha que ela vai car bem? Que tipo de pessoas são o conde e a condessa de Worth?
– Ah, eles são adoráveis. Já estive com eles em várias festas.
– Eu também, pirralha, mas isso não faz deles bastiões da virtude.
Sophie suspirou e revirou os olhos.
– Se passasse mais de um minuto nas festas a que mamãe e eu o obrigamos a comparecer, você saberia que os Blydons são simplesmente maravilhosos. Eles são muito gentis, nem um pouco arrogantes, e mamãe tem um imenso carinho por lady Worth. Acho que elas tomam chá juntas ao menos de quinze em quinze dias. Creio que não precisamos nos preocupar com Meg agora que sabemos que ela trabalha aqui. Não consigo imaginar lady Worth permitindo que alguém seja maltratado em sua casa.
– Espero que esteja certa. Devemos muito a Meg. O mínimo que podemos fazer é garantir o seu bem-estar.
– Não pense que não sei disso, caro irmão. Pretendo fazer uma visita a lady Worth esta semana para contar a ela como Meg salvou Charlie. Estou certa de que ela não vai permitir que tamanha bravura que sem recompensa.
Alex entrou na carruagem e se sentou enquanto o veículo se punha em movimento.
– É uma ótima ideia, Sophie.
– Eu faria isso hoje à noite, é claro, mas não estou nem um pouco disposta.
– Como assim, hoje à noite?
– Sinceramente, Alex, você deveria se manter mais a par das coisas. Lady Worth vai dar um grande baile hoje à noite. Estou certa de que você foi convidado… você sempre é convidado para tudo, embora não compareça. Se não começar a…
– Por favor, me poupe do sermão você-nunca-vai-conhecer-uma-boa-moça-com-quem-casar-e-produzir-um-herdeiro. Já ouvi o bastante e não estou interessado.
Sophie lançou um olhar irritado para o irmão.
– Ora, mas é a pura verdade, e você sabe muito bem que não pode
car solteiro para sempre. Só o que você sabe fazer é farrear com seus
amigos, que são tão tratantes quanto você.
Alex abriu um sorriso maroto.
– Sinceramente, Soph, não é como se me faltasse companhia feminina.
– Aaaah! – indignou-se Sophie. – Você diz essas coisas só para me aborrecer, não é? Eu sei disso. Essas mulheres di cilmente valem a pena serem mencionadas na minha presença.
– Essas mulheres, como você tão delicadamente colocou, não querem nada de mim além de alguns presentes, e esse é exatamente o motivo pelo qual escolho dividir a cama com elas… ao menos são honestas em relação aos seus desejos materialistas.
– Lá vem você de novo! Sabe que odeio saber dos seus affairs tórridos. Juro que sou capaz de bater em você se continuar com essa conversa, Alex.
– Pare com esse drama, Sophie. Nós dois sabemos que você adora ouvir sobre os meus supostos affairs tórridos. Você só é pudica e decente demais para admitir isso.
Sophie afundou no assento, admitindo a derrota, enquanto Alex erguia a sobrancelha em uma expressão arrogante. Ele estava absolutamente certo. Ela adorava ouvir sobre as aventuras do irmão – amorosas ou de qualquer tipo. Só não queria dar a ele a satisfação de admitir isso. Além do mais, como poderia manter sua cruzada para conseguir que Alex se casasse se ele soubesse como ela achava o estilo de vida dele fascinante? Mas Sophie fez uma última tentativa.
– Você sabe que vai precisar de um herdeiro, Alex.
Ele se inclinou na direção da irmã e deu um sorriso travesso.
– Imagino que serei sicamente capaz de gerar um herdeiro daqui a dez ou mesmo quinze anos. Mas, se você quiser, carei feliz em passar o nome e o endereço da minha última amante. Tenho certeza de que ela poderá atestar a minha virilidade.
– Mamãe, o que é virilidade? – perguntou Charlie.
– Nada com que você precise se preocupar por muitos anos ainda – respondeu Sophie alegremente, e então abaixou o tom de voz. – Alex, eu já disse que você precisa prestar atenção no que diz perto dele. Esse menino simplesmente idolatra você. É provável que ele passe o próximo mês comentando sobre a própria virilidade com todas as empregadas da casa.
Alex riu.
– Está bem, pirralha, vou prestar mais atenção no que eu falo, mesmo que seja só para evitar que as suas criadas sejam vítimas dos desejos libidinosos de Charlie. Agora, pode ser uma boa menina e me contar sobre o baile de hoje à noite?
Sophie arqueou as sobrancelhas.
– Ora, ora, estamos subitamente interessados no cenário social da cidade, é?
– Só quero aproveitar para conferir como está Meg. Ficarei os meus quinze minutos de sempre, depois vou embora.
– Lady Worth quer apresentar a sobrinha americana à sociedade – explicou Sophie. – Ouvi dizer que vai ser um grande evento.
– Por que você não vai então?
– Não gosto de sair quando Oliver não está na cidade e… – Sophie interrompeu-se e deu um sorriso tímido e uma palmadinha na barriga – Estou esperando outro bebê.
– Não diga! Isso é maravilhoso!
Alex abriu um largo sorriso e puxou a irmã para um abraço afetuoso. Por mais radical que ele fosse em relação a casamento e lhos para si mesmo, adorava car com Charlie e estava empolgado com a perspectiva de ter outro sobrinho ou sobrinha.
A carruagem parou diante da casa de Sophie. Alex a beijou no rosto e deu uma palmadinha em sua mão.
– Ah, aqui estamos. Se cuide, irmãzinha. Não se canse demais.
Sophie aceitou a mão do irmão, que a ajudou a sair da carruagem.
– Pelo amor de Deus, Alex, ainda não está nem aparecendo. Certamente não preciso car de cama.
– É claro, meu bem, mas você deve ser cuidadosa. Andar a cavalo no parque de nitivamente está fora de cogitação.
– Apesar dos seus modos libertinos, você é mesmo um tio exemplar, Alex. Basta ver como Charlie adora você – disse ela, sorrindo de satisfação.
Alex abaixou os olhos para o menino. E, realmente, Charlie estava puxando o casaco do tio, implorando que Alex entrasse e brincasse com ele. Alex desarrumou os cabelos do sobrinho.
– Outro dia, seu danado. Prometo.
– Sabe, Alex – começou Sophie –, sei que você também seria um excelente marido e pai, se ao menos se desse o trabalho de procurar a mulher certa.
Alex cruzou os braços.
– Não comece de novo, por favor. Já tivemos sermões su cientes por um dia. Além do mais, tenho que me preparar para esse maldito baile.
Com um último aceno, Alex voltou para dentro da carruagem e orientou o cocheiro a levá-lo para a sua residência de solteiro.
Sophie acenou de volta e cou parada na porta de casa, segurando a mão de Charlie. Ao menos o irmão iria à festa naquela noite. Já era um começo. Com sorte, ele encontraria uma mulher adequada.
Quando Emma abriu novamente os olhos, estava em sua cama. A dor de cabeça havia diminuído bastante, mas havia uma nova dor no quadril igualmente ou mais desagradável. Belle estava enroscada em uma cadeira próxima, com um livro encadernado em couro nas mãos.
– Ah, olá – disse a prima, animada, ao reparar que Emma havia acordado. – Você nos deu um susto e tanto.
Belle se levantou, cruzou a curta distância até Emma e se sentou aos pés da cama. Emma ergueu o corpo de modo a car reclinada, para que pudesse ver Belle um pouco melhor.
– O que aconteceu?
– Você desmaiou.
– De novo?
– Como, de novo?
– Bem, não foi exatamente um desmaio da primeira vez. Foi mais como um golpe na cabeça.
– O quê?!
– Bem, não exatamente um golpe na cabeça. Eu caí e bati com a cabeça.
– Ai, meu Deus! – exclamou Belle. – Você está bem?
– Acho que sim – retrucou Emma, esfregando com cuidado o inchaço cada vez maior acima da orelha direita. – Como cheguei aqui? Até onde me lembro, estava na cozinha.
– Eu carreguei você.
– Você me carregou por quatro lances de escada?
– Bem, a Cozinheira ajudou.
Emma fez uma careta ao pensar na Cozinheira tendo que carregá-la no colo por quatro lances de escada.
– Ah, meu Deus. Que vergonha.
– E Mary e Susie também.
Profundamente morti cada, Emma afundou de volta na cama, como se tentasse desaparecer entre as cobertas volumosas.
– Na verdade, não foi muito difícil – continuou Belle, ignorando o óbvio desconforto da prima. – Primeiro enrolamos você em uma manta. Então, eu a segurei pelos ombros, a Cozinheira pegou seus pés, e Mary e Susie caram entre nós duas, uma de cada lado.
– E eu não acordei?
– Você fez alguns barulhos estranhos quando dobramos em um canto no segundo andar, mas não acordou, não, estava inconsciente, com toda a certeza.
– Barulhos estranhos?
Belle pareceu envergonhada.
– Bem, na verdade, talvez tenha tido alguma coisa a ver com o fato de termos batido com você no corrimão ao fazermos a curva.
Emma arregalou os olhos e lembrou-se do ponto dolorido no quadril esquerdo, que esfregava distraidamente.
De repente, um pensamento terrível surgiu na mente dela.
– E a sua mãe?
– Nenhuma de nós chegou a contar a ela o que aconteceu exatamente – respondeu Belle, de modo vago.
– Mas ela deve ter ouvido a agitação.
– Sim, bem, ela realmente me procurou depois que chegamos aqui em cima com você.
– E? – insistiu Emma.
– Eu disse a ela que você tinha sofrido um pequeno colapso, nada de mais.
– Um pequeno colapso?
Emma encarou a prima sem acreditar. Belle assentiu.
– Por causa da empolgação com o seu primeiro baile e tudo o mais.
– Mas isso é um absurdo! Eu nunca sofro colapsos!
– Eu sei.
– E tia Caroline sabe que eu nunca sofro colapsos!
– Eu sei. Você não é exatamente do tipo que desmaia por qualquer coisa.
– Ela não acreditou em você, não é?
– Nem por um segundo – respondeu Belle, bem-humorada. – Mas mamãe consegue ser maravilhosamente diplomática às vezes, e por isso não fez mais perguntas. Desde que você vá ao baile hoje à noite com boa saúde e de bom humor, ela não vai dizer nem uma palavra. Tenho certeza disso.
Emma se sentou na cama, para que pudesse fazer um inventário de todas as novas dores que sentia.
– Que dia maluco – comentou, com um suspiro.
Belle levantou os olhos do livro que começara a ler de novo.
– Hum? Disse alguma coisa?
– Nada interessante.
– Ah.
Belle voltou novamente a atenção para o livro.
– O que você está lendo, pelo amor de Deus?
– Tudo está bem quando termina bem. Shakespeare.
Emma se sentiu compelida a defender sua cultura.
– Sei quem escreveu o livro.
– Hum? Sim, é claro que você sabe – disse Belle com um sorriso distraído. – Trouxe para ler enquanto esperava você acordar.
– Santo Deus. Quanto tempo você achou que eu caria inconsciente?
– Na verdade, eu não tinha ideia. Eu nunca sofri um colapso.
– Eu não sofri um colapso – insistiu Emma entre dentes.
– Se você diz…
Emma suspirou ao ver a expressão de falsa inocência da prima.
– Imagino que você queira que eu lhe conte o que aconteceu.
– Só se você quiser – disse Belle, reabrindo o livro e retomando a leitura. – Tenho todo o tempo do mundo, você sabe. Decidi ler as obras completas de Shakespeare. Estou começando pelas peças, em seguida passarei para a poesia.
– Está falando sério?
– Com certeza. Vou seguir em ordem alfabética.
– Você tem noção de quanto tempo isso vai levar?
– É claro que tenho, mas, no ritmo em que você vai, passarei bastante tempo ao lado da sua cama.
Emma estreitou os olhos.
– O que está querendo dizer com isso?
– Quem sabe quanto tempo vai demorar até você car inconsciente de novo?
– Posso lhe garantir que não tenho planos para isso no futuro imediato.
Belle deu um sorriso doce.
– Imagino que não. Mas, se não me contar o que aconteceu hoje à tarde, talvez eu mesma a deixe inconsciente.
Muitas horas depois, Emma estava sentada diante da penteadeira, gemendo enquanto Meg, a camareira, tentava arrumar seus cabelos. Belle estava ao lado dela, passando por uma tortura semelhante.
– Acho que você não me contou tudo – reclamou Belle.
– Contei, sim – respondeu Emma, com um suspiro. – Eu caí depois de empurrar o menino para tirá-lo do caminho da carruagem e bati a cabeça.
– E esses brincos?
– A mãe do menino me deu. Ela pensou que eu era uma criada. Estou planejando visitá-la amanhã para devolvê-los. Quantas vezes você vai precisar ouvir essa parte?
Belle estreitou os olhos, descon ada.
– Não sei. Ainda acho que você deixou alguma informação de fora.
– Eu salvei o garoto, recebi os brincos como recompensa, ponto nal.
Emma assentiu com rmeza na direção de Belle para enfatizar o que dizia.
– Emma, você cou fora por uma hora! Alguma coisa deve ter acontecido entre você salvar o menino e receber os brincos!
– Eu quei inconsciente, foi isso que aconteceu! O que você acha, que fui violada por algum homem misterioso?
Emma soltou um gemido por dentro ao se dar conta de como aquela especulação chegara perto de ser verdade. Sentia-se um pouco culpada por não contar a Belle sobre a estranha experiência que tivera com o duque de Ashbourne. Elas costumavam contar tudo uma à outra. Mas Emma se sentia estranhamente possessiva em relação ao tempo que passara com o duque e não tinha vontade de compartilhar aquela lembrança com ninguém, nem mesmo com Belle.
– Ora, acho incrível que tenha sido a condessa de Wilding quem lhe deu esses brincos – comentou Belle, com uma risadinha e um brilho divertido nos olhos azuis. – Conheço Sophie razoavelmente bem. Ela não é muito mais velha do que nós. Mamãe e a mãe dela são boas amigas, vão
car impressionadas quando souberem o que aconteceu. Embora, talvez,
seja melhor não contarmos nada. Acho que mamãe não gostaria de saber que você saiu sozinha, vestida como uma criada. Mas a situação é muito divertida. Não posso acreditar que Sophie lhe deu joias para garantir o seu futuro. Ora, com a sua fortuna, você poderia comprar e vender todos nós.
– Di cilmente – retrucou Emma, com ironia, olhando signi cativamente para a leira de pérolas ao redor do pescoço da prima. – Além do mais, ela achou que eu fosse uma criada.
– Eu sei, eu sei. Ainda assim, é muito engraçado. Queria muito que Sophie viesse hoje à noite. Adoraria ver o rosto dela quando entrasse no salão de baile e visse a “criada de cozinha” com suas melhores roupas.
– Sinceramente, Belle, acho isso cruel da sua parte. A condessa cou muito perturbada hoje à tarde. Ela quase perdeu o lho.
– Você está me chamando de cruel? Você, que adora pregar uma peça? A mesma Emma que mandou ao pobre Ned um falso bilhete de amor de Clarissa Trent?
Emma tentou conter um sorriso travesso.
– Sinceramente, aquilo não precisava ter causado tamanho alvoroço!
– Você está totalmente certa – declarou Belle, com evidente sarcasmo. – E não teria causado tamanho alvoroço se Ned não estivesse perdidamente apaixonado pela moça.
Emma desviou os olhos, ngindo inocência.
– Ora, como eu poderia saber? Ainda não fui apresentada à sociedade, como você sabe. Não estou a par das últimas fofocas.
– Ele só mencionava o nome dela umas cem vezes por dia.
Emma soltou um muxoxo e levantou as sobrancelhas para a prima.
– Bem, acabou sendo melhor assim. Agora todos sabemos quão sem coração é essa você-sabe-o-quê da Clarissa. No m das contas, salvei seu irmão de um destino terrível.
– Pode ser que sim – disse Belle –, mas Ned cou muito mal quando declarou seu amor por Clarissa e ela retrucou sem rodeios que estava se guardando para um duque com toneladas de dinheiro.
– Acho que Ned cou mais chateado por Clarissa não ser perfeita como ele imaginava do que pelo fato de o sentimento não ser recíproco. Mas chega disso. Já aprendi a lição… Chega de interferir na vida romântica de Ned. Mesmo se eu estiver fazendo a coisa certa. Então, me diga, por que Sophie não virá hoje à noite?
– Não tenho certeza. Provavelmente porque o marido dela está passando alguns meses nas Índias Ocidentais a negócios. Acho que ela sente falta dele. Eles se casaram por amor, sabe?
Belle deixou escapar um suspiro romântico.
– Provavelmente vai ser melhor assim… mesmo que com isso você seja privada de ver o susto que ela levaria se me visse hoje à noite. Tenho certeza de que vai ser mais fácil para todos se eu simplesmente for visitá-la amanhã de manhã.
– Acho que você tem razão, mas já aviso que vou junto. Quero muito estar presente quando Sophie pousar os olhos em você.
– Está bem, está bem, é claro que você pode ir… Ai!
Emma uivou quando Meg puxou seus cabelos com um pouco mais de força.
– Pare de reclamar, Srta. Emma – repreendeu Meg. – É preciso trabalhar duro e aguentar um pouco de dor para car linda.
– Meu Deus! Se eu tiver que sentir tanta dor, não preciso car linda. Pode deixar meus cabelos soltos. É muito mais confortável assim.
Meg pareceu a ita.
– Não posso, milady. Não é nada elegante.
– Ah, está certo, faça o que preferir, Meg. Só tente manter o nível de desconforto no mínimo.
Belle riu.
– Ah, Emma, não sei como você vai conseguir atravessar toda uma temporada social.
– Também não. Eu pareço incapaz de me lembrar como me comportar.
– Pare de balançar a cabeça! – pediu Meg. – Senão vamos car aqui a noite toda, e a senhorita vai perder o baile.
– Do jeito que a minha cabeça está doendo, não seria tão ruim assim – murmurou Emma.
– Disse alguma coisa? – perguntou Belle, distraída.
– Não, nada.
Emma não queria que Belle soubesse como o inchaço na cabeça dela realmente era grande. A prima com certeza contaria à mãe, e Emma sabia que a tia caria muito preocupada. A noite seria arruinada a menos que ela ignorasse a dor e mantivesse um sorriso no rosto durante toda a festa.
– Que tal me contar mais sobre Sophie? – pediu Emma, só para puxar assunto.
– Sophie? Ela é uma pessoa encantadora. Mas fala muito.
Emma riu.
– Eu percebi.
– Ela e o marido são profundamente devotados um ao outro. Sei que ela sente muita saudade dele.
– Ela tem parentes próximos?
Belle arqueou as sobrancelhas diante do interesse da prima.
– Só quero saber quantas pessoas mais vão descobrir sobre a minha fugidinha – apressou-se a dizer Emma.
– Tem mãe. E irmão.
– É mesmo? – Emma tentou soar casual, mas sua voz saiu ofegante e empolgada.
– Sim, acho que ele deve ter 29 anos agora. É lindo, tem cabelos pretos e cheios e os olhos mais verdes que você já viu.
Emma sentiu uma pontada de ciúme, mas se controlou rapidamente. O homem era um canalha arrogante, e ela com certeza não estava nem um pouco interessada nele. Não importava se o beijo do duque tivesse sido a coisa mais empolgante que já lhe acontecera desde que ela chegara a Londres.
– Você parece muito interessada nele, Belle – comentou Emma, com cautela.
– No duque de Ashbourne? Você só pode estar brincando. Ele é um belo patife, mas é claramente perigoso. Nunca se envolve com damas, apenas com mulheres, se é que você entende o que eu quero dizer. Na verdade, eu mal o conheço, mas… – Belle se inclinou para a frente em uma atitude conspiratória – Ouvi dizer que ele partiu corações por toda a Inglaterra. E no Continente.
– Ele parece bastante interessante.
– É interessante, sim. Mas nem um pouco adequado. Mamãe e papai teriam um ataque se eu me mostrasse interessada nele. O duque é um solteiro convicto, deve demorar anos para se casar. Eu apostaria minhas pérolas nisso. E quando nalmente acontecer, será com alguma mocinha estúpida que ele poderá manipular com facilidade e ignorar depois que ela produzir um herdeiro.
– Ah.
Emma se perguntou por que se sentia tão deprimida subitamente.
– Ele não deve vir hoje, eu garanto. Mas foi convidado, é claro. O duque é convidado para tudo, mas nunca aparece, a menos que a família o obrigue. Ele provavelmente tem inúmeras amantes elegantes estabelecidas por toda Londres. Além do mais, tenho certeza de que você não vai querer conhecê-lo. O homem está sempre de cara amarrada e provavelmente arrancaria a sua cabeça se você lhe dirigisse duas palavras.
– Meu Deus, esse duque está começando a parecer bastante desagradável.
– Ah, eu não o chamaria exatamente de “desagradável”. Ned só tem elogios para ele. Os dois frequentam o mesmo clube. Ned diz que todos os amigos o admiram e respeitam muito. Na verdade, eles querem ser Ashbourne – disse Belle, dando de ombros. – Ele é absurdamente rico, sabe, e ainda mais absurdamente lindo. Acho que o mau humor dele nas festas é só porque o homem detesta a agitação social… Ele não tem paciência para ngir que gosta e olha de cara feia para qualquer um que não desperte o seu interesse. A maioria das minhas amigas tem pavor dele… mas só quando não estão tramando para tentar levá-lo ao altar.
– Ele deve ser um homem e tanto para ter tamanho poder de in uência – comentou Emma.
– Ah, sim, é realmente deplorável como o duque sempre consegue que as coisas sejam feitas a seu modo. Todo mundo vive bajulando ele.
– Por quê?
– Bem, em primeiro lugar, por causa do título, a nal o homem é um duque. E, como eu mencionei, muito rico. Mas, se você o vir pessoalmente, vai entender o que eu quero dizer. Alex de nitivamente exala poder. É um espécime e tanto.
– Belle! – Emma riu. – A sua mãe sofreria um colapso se a ouvisse falar assim.
– Mamãe sofre colapsos com a mesma frequência que você.
– Acho que essa frequência pode aumentar a qualquer minuto então – brincou Emma.
Mas, por dentro, ela estava suspirando de alívio com a garantia de Belle de que Alex não estaria presente. Sua cabeça ainda doía, e ela se sentia exausta. Não haveria a menor possibilidade de que ela casse suspirando pelo duque arrogante, mas, depois do acidente, Emma não estava com disposição para enfrentá-lo novamente.