Esplêndida

Julia Quinn · Capítulo 26 de 27

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Esplêndida

Capítulo 25

 

Alex só tivera presença de espírito su ciente para pegar Dunford no caminho, antes de seguir com Bottomley para Harewood. Bastou um olhar para o rosto do amigo para Dunford saber que alguma coisa estava terrivelmente errada. Ele pegou o casaco sem dizer nada e em minutos estava em cima de um cavalo.

Os três homens cavalgaram a uma velocidade inclemente, e a viagem até Harewood levou apenas 45 minutos. Os três pararam diante do e

Hare and Hounds, e Alex quase voou de cima do cavalo, incapaz de conter o medo e a fúria que disparavam por seu corpo.

– Espere um instante, Ashbourne – alertou Dunford. – Temos que manter a cabeça no lugar. Bottomley, conte tudo de novo. Vamos precisar estar atentos a cada detalhe que tivermos.

Bottomley segurou as rédeas dos três cavalos, tentando se manter de pé, apesar do tremor nos músculos sobrecarregados.

– Estávamos indo visitar os primos da duquesa e, quando chegamos lá, lady Arabella estava saindo de casa. Nós a seguimos porque a duquesa disse que a prima estava indo a uma reunião de um clube de leitura que acontece toda quarta-feira.

– É o Clube Literário para Damas – murmurou Dunford. – Belle nunca perde uma reunião.

– Mas a carruagem dela passou direto pelo lugar da reunião. Então a duquesa reparou que lady Arabella havia entrado em uma carruagem estranha, por isso nós a seguimos até aqui. Dois grandalhões entraram na estalagem carregando uma bolsa grande, acho que a prima da duquesa estava dentro dela. Isso é tudo o que eu sei. A duquesa mandou que eu partisse imediatamente para chamá-lo, Vossa Graça.

– Obrigado, Bottomley – disse Alex. – Agora vá cuidar dos cavalos e depois descansar um pouco. Você merece. Vamos Dunford.

Os dois homens entraram na estalagem, onde uma multidão embriagada se derramava para fora da taberna, brindando alto a um homem junto ao balcão do bar. Dunford parou do lado de fora para dar uma olhada no sortudo. E piscou algumas vezes, surpreso, antes de pegar a mão de Alex.

– Ashbourne – disse de repente –, aquele não é seu criado?

Alex voltou para a porta da taberna.

– Santo Deus – sussurrou. – É Ames. Está conosco há anos.

– Bem, parece que ele está brindando ao seu recente falecimento, por isso talvez seja melhor você car fora da linha de visão dele.

O coração de Alex afundou no peito.

– Que Deus ajude a minha esposa se ela inventou outro de seus planos loucos, porque, se Emma sair dessa viva, vou matá-la.

Alex foi até o balcão da recepção e bateu furiosamente na campainha até o estalajadeiro assoberbado aparecer. O homem cou sem ar, chocado, ao ver outro aristocrata em seu estabelecimento, dessa vez um ainda mais impressionante do que o anterior.

– Sim, milorde? – falou, hesitante, tendo o bom senso de se afastar um pouco do rosto furioso de Alex.

– Acredito que a minha esposa tenha se registrado aqui no início da tarde. Preciso vê-la imediatamente.

O estalajadeiro engoliu em seco, com um sentimento que evoluiu de confusão ao mais absoluto terror.

– Uma dama elegante realmente se registrou hoje, milorde, mas o marido dela já chegou, portanto ela não pode ser…

Rápido como um raio, Alex passou a mão por cima do balcão e agarrou o homem pelo colarinho.

– Como ela é? – indagou.

– Milorde…

O estalajadeiro começou a suar profusamente e olhou desesperado para Dunford em busca de ajuda. Dunford deu de ombros e começou a examinar as unhas.

Alex puxou o homem para cima, fazendo os pés dele saírem do chão, enquanto a beirada do balcão era pressionada dolorosamente contra o seu abdômen.

– Como ela é? – repetiu em um tom letal.

– Cabelos ruivos – falou o estalajadeiro, quase sufocando. – De um vermelho forte.

Alex o soltou tão rapidamente quanto o agarrara.

– Você descreveu a minha esposa.

– Quarto número três – disse o estalajadeiro o mais rápido que conseguiu. – Eu não a vejo desde que se registrou.

– E o outro homem? – perguntou Alex friamente.

– Subiu há cerca de meia hora.

Dunford se adiantou um passo.

– Poderia, por favor, descrever o cavalheiro?

– Ele tem mais ou menos a sua altura, mas é um pouco mais magro. Cabelos loiros e olhos azul-claros. Muito claros. Pareciam quase sem cor.

– É Woodside – disse Dunford, preocupado. – É melhor subirmos imediatamente.

Os dois homens subiram a escada correndo e quase derrubaram Shipton, que estava no topo.

– Vossa Graça! – gritou o homem, aliviado. – Graças a Deus está aqui.

– Onde está a duquesa? – perguntou Alex rapidamente.

– No quarto dela, com a prima. Elas me mandaram pegar alguma coisa para comerem, mas quando voltei a porta estava trancada e a prima dela gritou que eu deixasse a comida do lado de fora. Acho que aconteceu alguma coisa.

Dunford tirou os sapatos para poder andar sem fazer barulho.

– Vou ouvir atrás da porta, Ashbourne. Por que não vê se consegue descobrir mais alguma coisa com seu criado?

Enquanto Alex interrogava Shipton sobre Emma, Dunford desceu silenciosamente o corredor e colou o ouvido contra a porta. Ouviu a voz abafada de Woodside.

– Falta pouco para o sol se pôr. Está quase na hora do nosso casamento. Cuidarei de você mais tarde.

– Ela não pode ir conosco? – pediu Belle. – Não gostaria de me casar sem alguém da minha família presente.

– Esqueça. Essa criatura mal-educada já me causou muitos problemas por hoje. Vamos sair em alguns minutos.

– Depois podemos voltar para buscar Emma?

Houve uma longa pausa.

– Na verdade, acho que não. No estado em que está, alguém vai encontrá-la mais cedo ou mais tarde, e isso dará uma bela história para os fofoqueiros de plantão, não é mesmo? Talvez devêssemos acrescentar uma venda ao traje dela. Ou talvez seja melhor que ela não esteja usando traje algum.

Dunford voltou silenciosamente pelo corredor. Já ouvira o bastante.

– O que está acontecendo? – perguntou Alex.

– Parece que Woodside vai forçar Belle a se casar com ele. Está planejando levá-la até a igreja do vilarejo logo após o pôr do sol, o que deve acontecer em poucos minutos.

– E Emma?

Dunford fez uma pausa.

– Na verdade, ela não disse nada. Acho que Woodside a amarrou. Ele falou que ela já tinha causado problemas demais.

Um músculo começou a saltar espasmodicamente no pescoço de Alex, que precisou se esforçar para não invadir o quarto. A ideia de Emma amarrada e à mercê daquele desgraçado provocou nele uma onda tão grande de fúria que mal conseguia falar. Quando recuperou o autocontrole, sua voz saiu muito pausada.

– Não vou matá-lo – falou em um tom muito, muito frio. – Porque ele não vale os problemas que se seguiriam. Mas vou fazer esse desgraçado sofrer tanto que ele vai preferir ter morrido.

Dunford ergueu uma sobrancelha e deixou o comentário de Alex passar. Um homem tinha o direito de car furioso quando a esposa estava amarrada e à mercê de outro. Ainda assim, achou melhor tentar aplacar a raiva que exalava visivelmente do amigo.

– Fique grato por ela estar amarrada, ao menos Emma não vai conseguir agredi-lo e acabar machucada. Ainda assim, teremos que ser cuidadosos, Alex. Imagino que ele esteja armado. E a arma vai estar apontada para Belle.

Alex assentiu, a expressão sombria.

– Espere atrás da porta e acerte-o na cabeça. Eu vou atacar pela frente e tentarei tirar Belle do caminho. Shipton, espere aqui. Podemos precisar de você.

Shipton assentiu, e os dois homens caminharam silenciosamente pelo corredor, se posicionando um de cada lado da porta. Alex cou um pouco mais para trás do que Dunford e encostou o corpo na parede. Woodside viria na direção dele quando aparecesse e Alex não queria ser visto até que Dunford entrasse em ação.

Depois de alguns minutos de espera a ita, as dobradiças rangeram e a porta foi aberta.

– Não quero ouvir nem um pio enquanto atravessamos a estalagem, você…

Dunford pulou com uma graça surpreendente nas costas de Woodside e acertou o cotovelo na cabeça do homem.

– Que diabo é isso?

O golpe desorientou Woodside, mas não foi o bastante para nocauteá-lo. No entanto, ele afrouxou a mão que segurava Belle, e ela voltou correndo para dentro do quarto.

Alex saltou, acertando um soco no estômago de Woodside que o deixou sem fôlego. No entanto, o homem deu um jeito de manter a mão no gatilho e um tiro explodiu no corredor. Alex desabou no chão, com o corpo desconjuntado. Shipton se adiantou na mesma hora, mas o criado não tinha experiência alguma com ferimentos à bala, e a visão do sangue vermelho vivo jorrando do ombro do patrão foi su ciente para fazê-lo desmaiar… e aterrissar bem em cima de Alex, prendendo o corpo do patrão contra o assoalho.

Vendada, Emma ouviu os sons da briga, depois o tiro, e seu coração disparou de terror. Ela cravou os dentes na mordaça, desesperada, e esperou, sentada na cama, arrasada, intuindo que o marido estava ferido, talvez morto. E ela não podia fazer nada para ajudá-lo. Não podia ajudar ninguém, nem a si mesma.

– Saia de cima de mim! – gritou Woodside, girando loucamente o corpo, tentando se livrar do braço que Dunford passara ao redor do seu pescoço.

Finalmente, em um último movimento desesperado, ele empurrou Dunford contra o batente da porta, com toda a força, e Dunford caiu. Infelizmente, a pistola também caiu e deslizou para dentro do quarto. Belle a pegou, horrorizada.

Um sorriso sinistro se abriu no rosto de Woodside quando ele ergueu a arma que ainda segurava e apontou-a para o peito de Dunford, na altura do coração.

– Você é um homem muito idiota – disse baixinho, o dedo pronto para apertar o gatilho.

– Não tanto quanto você.

Dunford arquejou ao ver Belle apontando a arma para Woodside.

– Se atirar nele, eu atiro em você – acrescentou ela, tentando manter a voz controlada.

Emma quase morreu naquele momento. Não sabia o que estava acontecendo, mas acreditava que Belle não fazia ideia de como usar uma pistola.

A expressão de Woodside exibiu cautela por um segundo, mas logo se desanuviou.

– Sinceramente, lady Arabella – falou em um tom condescendente, mantendo os olhos xos em Dunford, caído diante dele. – Não acredito que uma dama bem-nascida como a senhorita, lha de um conde, seria capaz de atirar em um homem.

Belle atirou no pé dele.

– Acredite.

Woodside cou sem ação por um instante. Dunford aproveitou o lapso de atenção e jogou o corpo para a frente com a intenção de derrubar Woodside e tirar a pistola da mão dele. Mas, antes que Dunford pudesse acertá-lo, outro tiro foi disparado, e Woodside tombou no chão, aterrissando em cima de Dunford. Mais abaixo no corredor, Alex deixou escapar um suspiro de alívio enquanto a pistola escorregava de seus dedos. Sob o peso de Shipton, perdera segundos preciosos até alcançar a pistola que carregava e que tinha ido parar a alguns metros dele.

Seu ombro latejava, o braço estava dormente, mas ainda assim ele conseguira impulsionar o corpo para a frente, cerrando os dentes para suportar a dor. Quando nalmente encontrou a arma, ele mirou e atirou na parte de trás dos joelhos de Woodside – sem ter ideia de que agira no momento mais oportuno.

Depois que Woodside e Dunford caíram, a cena cou

assustadoramente quieta, com apenas Belle parada, segurando uma pistola fumegante na mão. Ela estava com a boca ligeiramente aberta e seus olhos pareciam ter perdido a capacidade de piscar enquanto tava o resultado da batalha travada por sua causa. O horror que havia conseguido engolir quando atirara em Woodside subiu novamente por sua garganta, e a arma escorregou de seus dedos, caindo com um baque no chão.

– Ai, meu Deus – sussurrou enquanto seus olhos percorriam a cena.

Alex estava preso embaixo de Shipton, e Dunford, embaixo de Woodside. Dois dos homens mais fortes da aristocracia inglesa haviam sido incapacitados pelo mero peso do corpo de outros homens. Teria sido engraçado se ela ainda não estivesse tremendo de terror. E, para culminar, Emma ainda estava amarrada e vendada na cama.

E não estava nem um pouco satisfeita com isso. Deduzindo que o perigo havia passado, Emma começou a se debater loucamente, emitindo grunhidos guturais para que alguém a soltasse. A agitação de Emma tirou Belle de seu torpor e ela correu para soltar a prima.

– Acalme-se – disse, tentando soar rígida.

Belle tirou a mordaça primeiro, e se arrependeu imediatamente de ter feito isso.

– O que aconteceu? O que está acontecendo? Alex está ferido? Não consigo ver nada! Você…

– Você simplesmente não suporta ser deixada de fora, não é? – comentou Belle, sacudindo a cabeça enquanto tirava a venda dos olhos da prima.

Emma piscou enquanto seus olhos se ajustavam à luz.

– Foram tantos tiros! Eu me senti tão inútil! Onde está Alex?

Belle cortou as amarras ao redor dos tornozelos de Emma e teve que correr atrás da prima, que disparou pelo corredor para encontrar o marido.

– Ah, meu Deus! Você levou um tiro!

Emma cou paralisada, nauseada diante da visão do sangue de Alex. Ela chutou uma das pernas de Woodside para longe e se aproximou dele.

– Pode ir mais devagar? – pediu Belle. – Você não pode fazer nada para ajudá-lo se ainda estiver com as mãos atadas.

Emma se ajoelhou ao lado de Alex e pressionou o ouvido contra o peito dele. O coração ainda batia. Belle aproveitou o momento de imobilidade da prima para cortar as amarras de seus pulsos.

Finalmente livre, Emma segurou o rosto de Alex entre as mãos, louca de preocupação.

– Você está bem? – perguntou. – Por favor, diga alguma coisa.

– Tire… ele… de cima de mim!

Emma recuou, mais tranquila diante da veemência da voz. Com a força nascida do pânico que a dominara nos últimos minutos, ela empurrou Shipton e rolou-o para longe do corpo do marido.

Alex deixou escapar um suspiro de alívio.

– Vou car bem – falou com di culdade. – Vá ver se Dunford está bem.

– Eu não sei – disse Emma, ainda preocupada.

Ela pegou o pedaço de tecido que até pouco tempo estava ao redor do seu pulso e pressionou-o contra o ferimento de Alex.

– Você perdeu muito sangue…

Emma lançou um olhar culpado para Dunford, a quem ignorara em sua ânsia de chegar até Alex.

– Fique com ele, eu cuido de Dunford – disse Belle.

Não demorou muito para que ela rolasse Woodside para longe das pernas de Dunford. Belle, então, se dedicou rapidamente à tarefa de amarrar o visconde – com as mesmas faixas de tecido que ele a obrigara a usar em Emma.

Dunford foi até Emma, que ainda estava ajoelhada ao lado de Alex, com uma expressão preocupada no rosto. Ela parecia não estar conseguindo estancar o sangue do ferimento.

– Deixe-me vê-lo – pediu Dunford. – Sei uma coisinha ou outra sobre ferimentos à bala.

Emma sabia que Dunford havia lutado na Guerra da Península com Alex, por isso se afastou na mesma hora.

Dunford examinou rapidamente o ferimento e se virou para Emma, com uma expressão visível de alívio.

– Ele perdeu muito sangue, mas não foi nada sério. Ficará furioso, mas vai sobreviver.

Emma deu um sorriso trêmulo enquanto se inclinava para a frente e depositava um beijo delicado nos lábios do marido. No entanto, quando já se afastava, Alex, com um movimento rápido do braço bom, segurou o queixo dela com força. Chocada, Emma arregalou os olhos e encarou o fundo dos olhos esmeralda do marido, que subitamente estavam muito claros, nem um pouco nublados pela dor.

– Vou manter… você… tranca ada.

– Ah, Dunford! – falou Emma, feliz. – Ele vai car bem!

 

Três dias depois, Alex já se sentia bastante recuperado, mas estava se divertindo tanto com os cuidados de Emma que não conseguiu se forçar a sair da cama. Ela permaneceu ao lado dele durante todo o primeiro dia e a primeira noite, limpando com cuidado o ferimento e, depois que começou a cicatrizar, certi cando-se de que não voltasse a abrir acidentalmente. Ela sabia, por experiência própria, que Alex se debatia um pouco no sono, e não queria que ele perdesse mais sangue.

No segundo dia, ela também permaneceu ao lado dele. A não ser pelo tempo que passou dormindo profundamente. Emma tinha atravessado o país de um extremo ao outro, andara pela cornija no alto de um prédio, fora amarrada e amordaçada, e zera 24 horas de vigília por Alex. Tudo isso em três dias. Ela adormeceu na cadeira, segurando a mão dele. Quando Alex acordou, sentiu a mão pequena da esposa enchendo-o de energia e de amor. Ele se virou para ela e achou-a tão adorável que saiu da cama, pegou-a no colo e a deitou ao seu lado. Seus movimentos foram desajeitados, já que ele ainda não podia fazer uso pleno do braço, mas Alex sentiu uma necessidade ardente de confortar a esposa. Além disso, sentira muito falta da sensação do corpo dela aconchegado ao dele.

Dunford chegou enquanto Emma estava adormecida, e Alex cobriu-a cuidadosamente com uma manta. O decoro mandava que os dois homens conversassem em outro lugar, mas Alex relutava em deixar a cama, e sabia que podia con ar em Dunford. Falaram aos sussurros sobre os eventos dos dias anteriores, e Alex soube que, diante da pressão de Dunford, Woodside saíra do país. Eles haviam considerado a ideia de entregá-lo às autoridades, mas Belle chegara à conclusão de que não queria um escândalo. Woodside era tão obcecado por títulos e pela aristocracia, ela dissera a Dunford, que a vida no interior da Austrália seria um castigo tão grande quanto qualquer cadeia. Depois de dez minutos, Dunford saiu do quarto e se encaminhou para os próprios aposentos, onde planejava dormir por uma semana. Alex não duvidou nem por um minuto que o amigo fosse capaz de fazer isso.

No terceiro dia, Emma acordou um tanto surpresa por se encontrar na cama e completamente nua.

– Você dormiu por quase um dia – falou Alex em um tom divertido.

Emma fechou os olhos.

– Que péssima enfermeira eu me saí.

– Acho você perfeita.

Ele deu um beijo no nariz dela, ao que Emma deixou escapar um suspiro de satisfação e se aconchegou mais ao corpo quente do marido.

– Como está se sentindo?

– Muito melhor. O ferimento não dói mais, a menos que alguma coisa esbarre nele sem querer.

– Que bom – murmurou Emma, passando a cabeça por baixo do braço bom do marido e pousando-a no peito dele. – Você me deixou muito preocupada, sabia? Você sangrou tanto…

– Querida, você não sabe o signi cado da palavra “preocupação”, a menos que estivesse dentro da minha cabeça quando me dei conta de que Woodside estava com você dentro daquele quarto. E, logo depois, quando vi que você tinha sido amarrada… nunca mais quero me sentir assim – falou com intensidade.

Emma percebeu a tensão no corpo dele e pôde sentir em seus músculos a intensidade das emoções que o dominavam. Ela cou com os olhos marejados, e virou de costas na cama, apoiando-se nos cotovelos para poder olhar dentro dos olhos do marido.

– Você jamais vai se sentir assim – garantiu com doçura. – Eu prometo.

– Emma?

– Hum?

– Não me deixe de novo.

– Eu não deixei você.

– Então não saia mais para visitar ninguém de repente. A casa ca muito vazia sem você.

Emma cou impressionada com a força da emoção que a dominou diante das palavras simples de Alex, e precisou morder o lábio para se impedir de começar a chorar. Constrangida por estar sendo tão emotiva, ela se virou de lado novamente, aconchegando-se contra o peito de Alex.

– Andei pensando, Emma.

– Sim?

– Você estava certa sobre não ter muito que fazer por aqui. Estou envergonhado por não ter me dado conta disso antes. Acho que nunca me dei o trabalho de reparar no que as mulheres fazem o dia todo. Simplesmente presumi que você tinha o bastante com que se ocupar.

Alex fez uma pausa e acariciou os cabelos dela, encantado com a textura sedosa dos os.

– E eu realmente tenho muito trabalho. Você sabe, possuo algumas outras propriedades além de Westonbirt.

Emma assentiu. Então assentiu mais uma vez só porque era bom demais sentir a pele quente do torso dele contra o seu nariz frio.

– Estava pensando que você poderia assumir a administração dessas propriedades. Vou pedir que monitore a contabilidade e você terá que viajar até elas de vez em quando, para se reunir com os supervisores. Além de se encontrar com os arrendatários, é claro. Acho que é muito importante que eles percebam que não queremos ser senhores ausentes.

Emma se afastou um pouco do corpo do marido e levantou o rosto para encará-lo, com os olhos violeta cintilando.

– Você irá comigo?

– É claro – disse ele, sorrindo. – A cama ca muito fria sem você. Eu não conseguiria dormir.

Emma abraçou o marido, esquecendo-se completamente do ferimento.

– Ah, Alex. Também senti a sua falta. Muito. Sophie me disse que eu deveria car longe de casa por cinco dias, para ensinar uma lição a você, mas eu não conseguiria. Minha intenção era passar o dia com os meus primos, depois voltar para casa. Eu não conseguiria evitar – disse ela, engolindo as lágrimas. – Eu amo tanto você.

– E eu amo você.

Alex passou os braços ao redor da esposa, sentindo-se imensamente satisfeito por ter o corpo quente dela contra o seu. Pela primeira vez em dez anos, sentia-se completamente em paz com o mundo. Visões do resto da sua vida passaram diante dos seus olhos, e as cenas eram todas lindas, cheias de lhos e netos de cabelos cor de cenoura. E, é claro, ao lado de uma esposa de cabelos cor de cenoura.

– Não é estranho? Estou realmente ansioso para car velho – comentou, a voz carregada de encantamento.

Emma abriu um sorriso trêmulo.

– Eu também.