Folhas inúteis
Capítulo 7
Sem possibilidade de fuga... Mas eu estava ainda bastante atordoado e não desejava realmente fugir. A sensação de sobriedade não fora mais do que um lampejo instantâneo. Veio e passou quase no mesmo instante, no momento em que fui absorvido mais uma vez pelo que parecia ser uma comédia interminável representada à minha volta. Bastava-me saber que eu estava vivo e as coisas estavam acontecendo. Fui carregado para o hotel por dois jovens gigantes, fui vestido e minhas roupas foram emaladas. No saguão do hotel, enquanto eu esperava a sra. Aldwinkle vir me apanhar, ensaiei alguns passos; a fraqueza das minhas pernas era, para mim, uma deliciosa fonte de risos.
Vestida de seda amarelo-pálido e com um grande chapéu de palha na cabeça, a sra. Aldwinkle finalmente apareceu. Seus hóspedes, explicou-me, já tinham ido em outro carro; eu poderia ir deitado, ou quase, no carro vazio. No caso de sentir-me mal, ela balançou um frasco prateado de conhaque diante de mim. Fugir? Isso só me ocorrera rapidamente; eu estava mesmo era encantado.
Reclinei-me confortavelmente no assento do carro. A sra. Aldwinkle deu uma batidinha no vidro que nos separava do motorista. Ele moveu as mãos languidamente e o carro começou a andar, abrindo caminho por entre um grupo de aficionados, que, na Itália, se forma como que num passe de mágica em volta de cada automóvel estacionado. E o da sra. Aldwinkle era especialmente atraente. Os jovens chamavam seus companheiros: “Venite! É una Ro-Ro”. E admirados comentavam entre si: “Una Ro-Ro!”. O grupo ia se dispersando com relutância à medida que avançávamos; afastamo-nos do Grande Hotel e entramos pela rua principal, do outro lado da piazza, em cujo centro, encalhada na praia e protegida pelo mar recuado, havia uma pequena fortificação rosada que fora construída pela princesa de Massa Carrara para vigiar o Mediterrâneo, tornado perigoso pelos piratas bárbaros. Deixamos a cidade por uma estrada que cruzava a planície e seguia para as montanhas.
Arrastando uma nuvem de poeira, uma fileira de bois brancos avançava trôpega e ziguezagueantemente na estrada em nossa direção. Oito deles estavam presos na canga, uma longa procissão, conduzidos por meia dúzia de homens que gritavam, seguravam firme as rédeas e estalavam os chicotes. Eles puxavam uma carreta baixa à qual estava amarrado um imenso monolito de mármore branco. Perturbados por nossa passagem, os animais sacudiram a cabeça para um lado e para o outro, como se procurassem desesperados algum jeito de fugir. Os longos chifres curvos batiam uns nos outros; a papada branca e mole balançava; e dentro dos olhos de um marrom descorado dava para ver um medo, uma súplica para que nos apiedássemos de sua invencível estupidez e lembrássemos que eles simplesmente não podiam, por mais que se esforçassem, se acostumar com os veículos motorizados.
A sra. Aldwinkle apontou o monolito.
— Imagine o que Michelangelo não teria feito com aquilo — disse. E, notando que tinha na mão o frasco prateado, tornou-se solícita. — Tem certeza de que não quer um gole disto? — perguntou, inclinando-se sobre mim. Os dois perigosos sinais azuis brilharam diante de meu rosto. Suas roupas exalavam um perfume de âmbar-cinzento. O hálito recendia a pastilhas de heliotrópio. Mas até então eu não ficara assustado; não fizera nenhuma tentativa de fuga. Os bois brancos, guiados pela invencível estupidez, comportavam-se com mais sensibilidade do que eu.
Nós seguíamos em frente. As montanhas ficavam mais próximas. Os picos distantes de pedra limosa estavam ocultos pela massa luminescente de contrafortes argilosos e cobertos de vegetação. Eu me sentia feliz olhando para aquelas imensas formações geológicas.
— Que beleza! — disse. A sra. Aldwinkle recebeu essas palavras como um cumprimento.
— Alegro-me que esteja gostando. É tudo tão maravilhoso... — respondeu, como um escritor a quem eu tivesse acabado de dizer que adorara seu último livro.
Chegamos mais perto; as montanhas se erguiam uma diante da outra como uma imensa muralha. Mas a barreira se rompeu à nossa frente; cruzamos os portões do vale que penetrava por elas. A estrada seguia paralela ao rio. Nos flancos da montanha à nossa direita, a pedreira de mármore formava uma longa cicatriz escalvada de centenas de metros. Uma franja de pinheiros contornava a crista como um amplo guarda-sol. Muito altos, os troncos retos e finos se projetavam para cima; seus domos esparramados e planos formavam uma silhueta contínua, e por entre eles e atrás da massa escura da montanha podia-se ver uma faixa delgada de céu azul. Era como se um pintor, para enfatizar as linhas de suas montanhas, tivesse dado pinceladas finas e flexíveis paralelamente ao contorno da silhueta e um pouco afastadas dela.
Nós seguíamos em frente. A estrada se estreitou então numa esquálida ruazinha de vilarejo. O carro se arrastava ruidosamente por essa ruazinha.
— Vezza — explicou a sra. Aldwinkle. — Era aqui que Michelangelo vinha buscar seus mármores.
— É mesmo? — Agradou-me ouvir isso.
Sobre as janelas de um grande armazém repleto de cruzes brancas, colunas quebradas e estátuas, li a legenda: “Companhia Anglo-Americana de Lápides”. Emergimos da ruazinha estreita para um aterro que seguia paralelamente ao rio. Na outra margem, o terreno era escarpado.
— Lá está a minha casa — apontou a sra. Aldwinkle, triunfante, ao atravessarmos a ponte. No alto da montanha vi uma fachada com vinte janelas e uma torre que arranhava o céu. — O palácio foi construído em 1630 — começou ela. Eu ouvia, deliciado, a aula de história.
Depois da ponte, subimos por uma estrada íngreme e sinuosa, que atravessava uma quase floresta de oliveiras. A encosta abrupta e relvada fora cortada em estreitos e inúmeros degraus, nos quais as árvores estavam plantadas. Aqui e ali, sob sua sombra cinzenta, pequenos rebanhos de carneiros pastavam. As crianças descalças que os pastoreavam correram para a estrada para nos ver passar.
— Gosto de imaginar como eram aquelas velhas cortes principescas — estava dizendo a sra. Aldwinkle. — Como as abadias de... abadias de... — Ela agitava o frasco de conhaque com impaciência. — Você sabe qual... em Thingumy.
— Abadia de Thelema — sugeri.
— Isso mesmo. Um local retirado onde as pessoas tenham a liberdade de viver de maneira inteligente. É o que pretendemos fazer desta casa. Fico muito feliz por ter conhecido você. É exatamente o tipo de pessoa que quero. — Ela se inclinou com um sorriso luminoso. Eu não recuei nem mesmo diante da perspectiva de entrar na abadia de Thelema.
Nesse momento o carro cruzou um imenso portão. Vi de relance a escadaria no meio dos ciprestes, subindo por uma sucessão de terraços abertos no terreno, até uma porta cravada no centro da grande fachada. O carro entrou em uma curva e a vista se fechou. Continuamos a subida por uma alameda de azinheiros que rodeava o flanco da montanha e, sempre subindo, chegamos à casa pela ala lateral. Finalmente a estrada nos levou para dentro de um amplo pátio quadrado, que ficava diante de uma reprodução menor da grande fachada. No alto de uma escadaria dupla, que se curvava como uma ferradura desde o chão até a entrada, havia um pórtico pomposo, encimado por um brasão sombriamente convidativo. O carro parou.
E já não era sem tempo, como percebo ao reler o que escrevi. Poucas coisas são tão profundamente enfadonhas e inúteis quanto as descrições literárias. Para o escritor, é verdade, há um certo prazer a ser extraído da caça às palavras apropriadas e expressivas. Levado pelo calor da perseguição ele se lança, indiferente ao pobre leitor que o segue penosamente pelas páginas secas e arenosas, correndo atrás de uma caçada sem achar graça nenhuma. Todos os escritores são também leitores — talvez eu deva abrir exceções em favor de alguns poucos colegas que se especializaram no canto de pássaros nativos — e portanto devem saber como uma descrição é cansativa. Mas isso não os impede de infligir aos outros tudo o que eles próprios têm sofrido. Às vezes acho realmente que alguns autores escrevem movidos apenas pelo desejo de vingança.
Os outros hóspedes da sra. Aldwinkle já tinham chegado e esperavam por nós. Fui apresentado e achei-os todos igualmente encantadores. A pequena sobrinha correu para ajudar a sra. Aldwinkle; o jovem que conduzira o patino correu, por sua vez, para a pequena sobrinha e insistiu em carregar todas as coisas das quais ela livrara a tia. O velho de rosto vermelho que falara sobre as nuvens assistiu com benevolência a essa rápida cena. Mas o outro cavalheiro de barba branca, que eu nunca vira antes, pareceu observar a cena com certo ar de reprovação. A moça que comentara sobre a brancura de suas pernas, e que vinha a ser uma ilustre colega minha, a srta. Mary Thriplow, usava agora uma túnica verde curta com a gola branca dobrada para baixo, punhos e botões brancos, que a fazia parecer uma colegial de uma ópera cômica de Offenbach. O rapaz bronzeado estava ao lado dela.
Saí do carro, recusei o auxílio oferecido e consegui, um pouco tonto, é verdade, subir os degraus.
— Deve ter muito cuidado por enquanto — disse-me a sra. Aldwinkle com solicitude maternal. — Estes — acrescentou, movendo as mãos em direção aos salões vazios pelos quais passávamos —, estes são os aposentos da princesa.
Seguimos pela casa até um grande pátio quadrado que era circundado por construções em três de seus lados, e no quarto, voltado para a montanha, por uma arcada. No centro, sobre um pedestal, havia uma estátua de mármore de tamanho maior que o natural, que representava, informou-me a anfitriã, o penúltimo príncipe de Massa Carrara, com uma peruca de cachos, saiote romano, borzeguins, um desses bonitos peitorais clássicos com uma cabeça de gárgula gravada em relevo, e uma pequena covinha indicando a posição do umbigo no meio de uma barriga redonda e polida. Com a expressão de quem está prestes a revelar um delicioso segredo e mal pode esperar o momento da revelação para dar expressão ao seu prazer, a sra. Aldwinkle, sorrindo por baixo da superfície do rosto, levou-me ao pé da estátua.
— Olhe! — disse ela.
Era como um desses shows a que se assistem espiando por um pequeno orifício e nos quais, por cinco minutos de diversão e para deleite dos olhos, os grandes monarcas costumam gastar o valor de uma rica província. Do arco central da arcada, outra escadaria de mármore conduzia ao alto da montanha, onde, diante de um semicírculo de ciprestes, um pequeno templo redondo brincava graciosamente de paganismo, como a estátua de borzeguins brincava heroicamente de Plutarco.
— E agora por aqui — disse a sra. Aldwinkle, fazendo-me dar a volta na estátua e levando-me para uma grande porta em frente à arcada, no centro de uma longa fileira de construções. Estava aberta; um corredor abobadado, como um túnel, conduzia diretamente à casa. Dali eu pude ver o céu azul e o remoto horizonte do mar. Seguimos por esse corredor; no final dele, encontrei-me no alto da escadaria que eu já vira lá de baixo, da entrada da casa. Era um cenário de teatro; mas feito de mármore verdadeiro e com árvores vivas.
— O que acha disto? — perguntou a sra. Aldwinkle.
— Magnífico! — respondi com um entusiasmo que começava a se misturar com a crescente fraqueza física.
— Que vista! — disse a sra. Aldwinkle, apontando com a sombrinha. — Esse contraste entre os ciprestes e as oliveiras...
— Mas é ainda mais bonita a vista do templo — disse a pequena sobrinha, evidentemente ansiosa para que eu notasse o valor inestimável das propriedades da sua tia Lilian.
A sra. Aldwinkle virou-se para ela.
— Como pode ser tão insensata! — disse severamente. — Tente se lembrar de que o pobre mr. Chelifer ainda está sofrendo os efeitos do terrível acidente. E ainda espera que ele suba até o templo!
A pequena sobrinha ficou rubra de vergonha e encolheu-se diante da reprovação. Nós nos sentamos.
— Como está se sentindo? — perguntou-me a sra. Aldwinkle, lembrando-se mais uma vez de ser solícita... — Apavoro-me só de pensar... Você quase... E eu sempre admirei tanto o seu trabalho...
— Eu também — declarou minha colega de túnica verde. — Admiro muitíssimo. Mas confesso que acho algumas coisas um pouco, como direi, um pouco tortuosas. Gosto que minha poesia seja mais direta.
— Um gosto muito sofisticado — disse o cavalheiro de rosto vermelho. — Pessoas realmente simples, primitivas, gostam que sua poesia seja tão complicada, convencional, artificial e distante da linguagem do dia a dia quanto for possível. Reprovamos o século xviii pelo artificialismo. Mas o fato é que Beowulf é expresso em frases cinquenta vezes mais complicadas e inaturais do que o Ensaio sobre o homem. E se você for comparar as sagas islandesas com o dr. Johnson verá que o mais loquaz e afetado é o doutor. Só as pessoas mais complexas, que vivem nos ambientes mais artificiais, desejam que sua poesia seja simples e direta.
Fechei os olhos e deixei que as ondas da conversa passassem por cima de mim. E que conversa de primeira! O príncipe Papadiamantopoulos não teria conseguido manter a bola correndo num nível mais elevado. O cansaço estava me deixando sóbrio.
Cansaço, fraqueza do corpo — alguma formiguinha laboriosa e científica deveria catalogar e medir os seus vários efeitos. Todos, porque não basta provar que quando os escravos assalariados trabalham demais tendem a cair dentro das máquinas e virar pasta. O fato é interessante, sem dúvida; mas há outros não menos importantes. Por exemplo, o fato de uma leve fadiga aumentar nossa capacidade de sentir. As mais comprometedoras cartas de amor são sempre escritas nessas horas; sempre à noite, e não quando estamos frescos e repousados, é que falamos sobre o amor ideal e nos entregamos às nossas mágoas. Sob a influência de uma fadiga leve sentimo-nos mais dispostos do que em outras ocasiões para discutir problemas do universo, fazer confidências, dogmatizar sobre a natureza de Deus e traçar planos para o futuro. Também somos inclinados a ser mais voluptuosos. Quando, entretanto, a fadiga vai além de certo ponto, cessamos completamente de ser sentimentais, voluptuosos, metafísicos ou confidentes. Não vemos nada além da decrepitude do nosso ser. Não nos interessamos mais pelas outras pessoas ou pelo mundo exterior — não nos interessam, a menos que não nos deixem em paz, e nesse caso passamos a odiá-los com profunda mas ineficaz aversão, quase com repulsa.
No meu caso, a fadiga havia subitamente ultrapassado o ponto crítico. Minha felicidade de convalescente se evaporava. Meus companheiros não pareciam mais tão belos, tão originais ou amáveis. As tentativas da sra. Aldwinkle de me introduzir na conversa exasperavam-me; quando eu olhava para ela via um monstro. Percebi tarde demais (o que tornou o fato ainda mais aflitivo) onde eu próprio me metera ao aceitar o seu convite. Paisagens fantásticas, arte, conversas de primeira sobre o cosmos, a intelligentsia, o amor... Era demais para mim, mesmo nas minhas férias.
Fechei os olhos. Às vezes, quando a sra. Aldwinkle me interpelava, eu dizia sim ou não, sem prestar muita atenção ao sentido do comentário. A discussão reinava à minha volta. Do rebuscamento da minha poesia eles haviam chegado à arte em geral. Caramba, eu disse a mim mesmo, caramba... Fiz o que pude para fechar os ouvidos de minha mente; e por um curto período consegui realmente não entender nada do que estavam dizendo. Pensei na srta. Carruthers, em Fluffy e no mr. Brimstone, em Gog’s Court e no mr. Bosk...
A voz da sra. Aldwinkle, elevada pela irritação a um tom peculiar, tornou-se audível à minha mente embotada.
— Quantas vezes eu já lhe disse, Cardan, que você não entende nada de arte moderna?
— Pelo menos mil — respondeu delicadamente o mr. Cardano. — Mas, graças a Deus — acrescentou, e eu abri os olhos a tempo de ver seu sorriso benevolente —, nunca dei nenhuma importância a isso.
O sorriso foi evidentemente demais para a paciência da sra. Aldwinkle. Com o gesto de uma rainha indicando que a audiência chegara ao fim, ela se levantou.
— Já é tarde — disse, olhando para o relógio —, já é tarde. Preciso dar uma ideia do interior do palácio ao mr. Chelifer antes do almoço. Quer me acompanhar? — Ela sorria para mim como uma sereia.
Bem-educado demais para lembrá-la de sua recente explosão contra a sobrinha, declarei-me encantado com a ideia. Meio tonto, segui-a para dentro da casa. Atrás de mim, o jovem remador exclamava num tom espantado e ao mesmo tempo indignado:
— Mas se há poucos minutos ela disse que o mr. Chelifer estava muito mal para...
— Ah, mas isso é diferente — disse a voz do homem de rosto vermelho.
— Diferente por quê?
— Porque, meu jovem amigo, os outros são, em todos os casos, a regra; mas eu sou invariavelmente a exceção. Devemos acompanhá-los?
A sra. Aldwinkle fez-me olhar para os tetos pintados até eu quase desmaiar de tontura. Arrastou-me de uma sala barroca para outra, e por escadarias escuras conduziu-me à Idade Média. Quando voltamos ao Trecento, eu estava tão exausto que mal parava em pé. Meus joelhos tremiam, eu sentia náuseas.
— Aqui é o antigo arsenal — explicava-me a sra. Aldwinkle com entusiasmo crescente. — E lá é a escada para a torre. — Ela apontou para uma passagem em forma de arco através da qual, no lusco-fusco, via-se o começo de uma escada íngreme, torcida como uma rosca, que subia a alturas desconhecidas. — São trezentos e trinta e dois degraus — acrescentou.
Nesse momento, muito longe, do outro lado da casa imensa e vazia, ouvimos o gongo para o almoço.
— Graças a Deus! — exclamou com devoção o homem de rosto vermelho.
Mas ficou evidente que nossa anfitriã não tinha nenhum pendor para a pontualidade.
— Que pena — disse ela. — Mas não faz mal, ainda temos tempo. Eu queria dar um pulinho até a torre antes do almoço. De lá se tem uma perspectiva maravilhosa... — Ela olhou inquisitorialmente para todos. — O que vocês acham? Vamos subir até lá? Levaremos apenas um minuto. — Ela repetiu o sorriso de sereia. — Vamos! Vamos! — E sem esperar pelo resultado de seu plebiscito caminhou rapidamente para a escada.
Eu a segui. Mas antes que eu tivesse dado cinco passos o chão e as paredes da sala pareceram desvanecer a distância. Havia um rugido em meus ouvidos. De repente, tudo escureceu. Senti que estava caindo. Pela segunda vez desde que me levantara da cama naquele dia, eu perdia a consciência.
Quando voltei a mim estava deitado no chão, com a cabeça no colo da sra. Aldwinkle, e ela refrescava minha testa com uma esponja úmida. As primeiras coisas de que tomei consciência foram seus brilhantes olhos azuis, parados sobre mim, muito próximos, muitos vivos e alarmantes.
— Pobre rapaz — ela estava dizendo —, pobre rapaz... — E então, erguendo os olhos, gritou irritada para os donos das várias pernas e saias que eu distinguia vagamente à direita e à esquerda. — Afastem-se, afastem-se! Estão querendo sufocar o pobre rapaz?