Folhas inúteis
Capítulo 4
A sra. Aldwinkle havia comprado até as estrelas.
— Vejam como brilham! — exclamou ela ao sair para o terraço, liderando o pequeno grupo de convidados. — E como cintilam, como palpitam! É como se tivessem vida. Nunca vi nada assim na Inglaterra, não é, Calamy?
Ele concordou. Descobrira que concordar era um artifício que lhe poupava trabalho — decididamente uma necessidade naquele Lar Ideal. Ele sempre procurava concordar com a sra. Aldwinkle.
— Olhe como a Ursa Maior pode ser vista com clareza — continuou ela, falando com o rosto voltado quase perpendicularmente para as alturas do céu. Ursa Maior e Órion eram as únicas constelações que ela era capaz de reconhecer. — Que formas belas e estranhas, não é? Poderiam ter sido desenhadas pelo arquiteto do Palácio Malaspina.
— Muito estranhas — disse Calamy.
A sra. Aldwinkle afastou os olhos do zênite e sorriu para ele com um olhar penetrante, esquecendo-se de que na escuridão da noite sem luar seu charme seria inteiramente desperdiçado.
A voz suave da srta. Thriplow soou quase infantil na escuridão.
— Elas devem ser os tenores italianos — disse — a tremeluzir apaixonadamente no céu. Não admira que com essas estrelas sobre a cabeça a vida neste país tenda, vez ou outra, a se assemelhar a uma ópera.
A sra. Aldwinkle ficou indignada.
— Como pode blasfemar dessa maneira contra as estrelas? — Lembrando-se, então, de que comprara também a música italiana, além dos hábitos e costumes de todo o povo da Itália, ela continuou: — Além disso, é um gracejo barato sobre os tenores. Afinal, este é o único país em que o bel canto sobrevive... — Ela moveu a mão. E você sabe quanto Wagner admirava, como é mesmo o nome dele?
— Bellini — prontificou-se a jovem sobrinha com o máximo de segurança possível. Ela ouvira a tia falar da admiração de Wagner, antes.
— Bellini — repetiu a sra. Aldwinkle. — A vida na Itália não é uma ópera. É verdadeiramente apaixonada.
Por um momento a srta. Thriplow não soube o que responder. Ela possuía o dom de fazer pequenos gracejos, mas ao mesmo tempo temia ser vista pelos outros como uma jovem meramente sagaz e insensível, brilhante, porém inflexível. É claro que seria possível meia dúzia de réplicas inteligentes; mas então ela não poderia esquecer que era fundamentalmente simples e wordsworthiana, uma violeta em pedra musgosa — especialmente nessa noite, com seu xale.
Por mais que gostemos de fazer isso, por mais surpreendentes que, no íntimo, consideremos nossas habilidades, geralmente percebemos que não é educado nos vangloriarmos de nossa inteligência. Mas não sentimos tanta vergonha em relação às qualidades do coração; falamos livremente da bondade que beira a fraqueza, da generosidade quase sempre no limite da extravagância (moderando um pouco a vaidade ao fazermos com que as qualidades, de tão excessivas, se transformem em defeitos). A srta. Thriplow, entretanto, era uma dessas raras pessoas tão clara e reconhecidamente brilhantes que não haveria nenhuma objeção a que ela mencionasse o fato quantas vezes quisesse; as pessoas veriam nisso apenas uma justificável autoestima. Mas a srta. Thriplow, perversamente, não queria ser louvada ou louvar a si mesma pela própria inteligência. Estava sobretudo ansiosa para fazer com que o mundo apreciasse seu coração. Quando, em ocasiões como essa, deixava-se levar pela tendência natural ao brilhantismo, ou quando, transportada pelo desejo de parecer agradável a refulgentes companhias, descobria-se dizendo alguma coisa cujo brilho desarmonizava com a posse de emoções simples e inteiramente naturais, recompunha-se e rapidamente tentava corrigir o mal-estar que criava entre seus ouvintes. Para seu orgulho, entretanto, após um momento de leve meditação, ela conseguiu pensar numa observação que combinava admiravelmente o sentimento mais genuíno pela natureza com uma alusão elegantemente obscura — esta última dirigida especialmente ao mr. Cardan, que, como cavalheiro bem-educado da velha escola, era grande admirador da erudição.
— Sim, Bellini — disse ela com arrebatamento, valendo-se da referência feita pela sra. Aldwinkle no meio de sua última frase. — Que melodia maravilhosa! Casta diva, lembra-se, não? — E cantou com a voz aguda as primeiras frases musicais. — Que adorável desenho melódico! Como aquele traçado no céu pelas montanhas — apontou.
Na parte mais distante do vale, a oeste do promontório sobre o qual ficava o palácio, projetava-se uma faixa de terra maior e mais alta. Do terraço via-se essa enorme massa suspensa... Era para lá que a srta. Thriplow apontava, seguindo com a ponta do dedo a silhueta recortada e ondulada.
— Na Itália, até a natureza é uma obra de arte — acrescentou.
A sra. Aldwinkle estava apaziguada.
— Essa é a mais pura verdade — disse, e, dando o primeiro passo, iniciou o passeio noturno ao longo do terraço. A cauda do vestido de veludo ia se arrastando sobre as lajes empoeiradas. Era o efeito geral que importava; manchas, pó, galhinhos e pequenos insetos que se prendiam eram meros detalhes. Ela tratava suas roupas, consequentemente, com um descuido aristocrático. O pequeno grupo a seguia.
Não havia lua; apenas estrelas no firmamento azul-escuro. Negros e recortados contra o céu, os Hércules e os Atlas encurvados, as Dianas de saias curtas e as Vênus que ocultavam seus encantos com gestos de sedutora modéstia perfilavam-se como bailarinos petrificados nos pilares da balaustrada. Por entre eles as estrelas espiavam. Abaixo, na escuridão da planície, esbraseavam constelações de luz amarelada. Um coaxar ininterrupto, remoto, fraco mas muito claro, emanava de águas invisíveis.
— Noites como esta — disse a sra. Aldwinkle, parando de repente e dirigindo-se com intensidade para Calamy — fazem-me compreender a paixão do sul. — Ela tinha o hábito alarmante de, ao falar a sério ou intimamente, aproximar demais o rosto de seu interlocutor, abrir os olhos exageradamente e fitá-lo de maneira penetrante, como um oculista ao examinar um paciente. Como os vagões atrelados a uma locomotiva que para de repente, os convidados da sra. Aldwinkle esbarraram uns nos outros quando ela parou.
Calamy assentiu com um menear de cabeça.
— Sem dúvida, sem dúvida. — Mesmo à luz tênue das estrelas, ele notou que os olhos da sra. Aldwinkle brilhavam de maneira assustadora ao se aproximarem dos seus.
— Nesta terrível era burguesa — no vocabulário da sra. Aldwinkle (como no do mr. Falx, embora por razões diferentes) não havia outra palavra de mais amargo desprezo do que “burguês”, — somente o povo do sul pode entender o que é, ou mesmo, acredito eu, sentir a paixão. — A sra. Aldwinkle acreditava apaixonadamente na paixão.
Por trás da brasa do cigarro, o mr. Cardan começou a falar. Na escuridão sua voz soava ainda mais madura e suculenta.
— Você está certa — assegurou à sra. Aldwinkle —, muito certa. É o clima, claro. O calor tem um efeito duplo sobre os habitantes, direto e indireto. O efeito direto não necessita de explicação; calor atrai calor. É óbvio. Mas o indireto é tão importante quanto o primeiro. Num país quente ninguém se importa em trabalhar duro. Trabalha-se o suficiente para se manter vivo (e é totalmente fácil fazer isso sob estas estrelas), cultivando longas horas de ócio. Agora, parece-me óbvio que particularmente a única coisa que alguém que não seja filósofo pode fazer durante todo esse tempo disponível é amor. Indolente, o trabalhador tem o tempo, a energia necessária e a inclinação para abandonar-se à paixão. Esta só pode florescer entre os desempregados bem alimentados. Consequentemente, exceto para os homens e as mulheres da classe desocupada, mal existe a paixão em toda a sua luxuriante complexidade entre os do norte trabalhador. Foi somente entre aqueles cujos desejos e cuja preguiça natural são embalados pelo carinhoso calor do sul que a paixão floresceu, e continua a florescer, como você bem apontou, minha querida Lilian, mesmo nesta era burguesa.
O mr. Cardan mal começara a falar e a sra. Aldwinkle, indignada, voltou a caminhar. Ele ultrajava todos os seus sentimentos.
Sem que o mr. Cardan parasse de falar, o grupo passou pelas silhuetas da discreta Vênus, de Diana e seu cão atento, de Hércules curvado sobre a clava, de Atlas vergado sob o peso do globo, de Baco erguendo para o céu o coto de um braço quebrado, em cuja mão outrora segurara uma taça de vinho. Chegando ao final do terraço, eles voltaram, percorrendo novamente a fila de símbolos.
— É fácil falar dessa maneira — disse a sra. Aldwinkle, quando ele acabou. — Mas não modifica em nada a grandiosidade da paixão, sua pureza, sua beleza e... — a voz desapareceu num suspiro.
— Não foi Bossuet — perguntou Irene timidamente, mas com determinação, porque sentia que devia à tia Lilian uma intervenção; além disso, tia Lilian gostava que ela participasse da conversa —, não foi Bossuet quem disse que havia algo de infinito na paixão?
— Esplêndido, Irene — gritou o mr. Cardan, para encorajá-la.
Irene enrubesceu na escuridão.
— Acho que Bossuet está certo — declarou ela. Era capaz de se transformar numa leoa, apesar da timidez, quando se tratava de apoiar tia Lilian. — Acho que ele está absolutamente certo — confirmou, após se recordar brevemente da própria experiência. Ela mesma a sentira infinitamente, mais de uma vez, porque Irene já se apaixonara um número de vezes surpreendente. “Não posso entender”, costumava dizer tia Lilian quando Irene ia pentear-lhe os cabelos antes de se deitar, “não posso entender como é que você não está terrivelmente apaixonada por Peter, ou Jacques, ou Mário.” (O nome mudava conforme a sra. Aldwinkle e a sua sobrinha se moviam em viagens sazonais de um lado para o outro no mapa da Europa; mas, afinal, o que é um nome?) “Se eu tivesse a sua idade, estaria bastante empolgada por ele.” Pensando agora mais seriamente em Peter, ou Jacques, ou Mario, Irene descobria que tia Lilian estava certa; o rapaz era mesmo notável. E para lembrar-se de sua estada no Continental, no Bristol ou no Savoia, ela se apaixonava — profundamente. O que sentira nessas ocasiões fora decididamente infinito. Bossuet, ela não duvidava, sabia o que estava falando.
— Bem, se você acha que ele está certo, Irene — disse o mr. Cardan —, não me resta alternativa senão retirar-me da discussão. Curvo-me diante de uma autoridade superior. — Ele tirou o cigarro da boca e fez uma reverência.
Irene sentiu-se ruborizada mais uma vez.
— Agora o senhor está caçoando de mim — disse ela.
A sra. Aldwinkle passou os braços protetoramente pelos ombros da jovem.
— Não vou permitir que caçoe dela, Cardan — disse. — Esta menina é a única entre nós que possui um sentimento verdadeiro pelo que é nobre, fino e grandioso. — Ela puxou Irene para seu lado e pressionou-a com um abraço lateral e peripatético. Feliz, devotada, Irene entregou-se. Tia Lilian era maravilhosa!
— Oh, eu sei — desculpou-se o mr. Cardan — que não passo de um velho caprípede.
Nesse ínterim, lorde Hovenden, resmungando alto e caminhando um pouco apartado do resto do grupo, deixou evidente, ele esperava, que se ocupava com os próprios pensamentos e não ouvira nada do que fora dito nos últimos cinco minutos. Tudo o que se dissera não o perturbara nem um pouco. Como Irene sabia tanta coisa sobre a paixão, perguntava-se? Teriam existido, existiriam ainda... outras pessoas? A pergunta se repetia de uma maneira insistente e dolorosa. Pensando em se dissociar ainda mais completamente de tudo o que ouvira, ele se dirigiu ao mr. Falx.
— Diga-me, mr. Falx — disse pensativo, como se estivesse meditando sobre o assunto algum tempo antes de perguntar —, o que acha dos sindicatos fascistas?
O mr. Falx respondeu. A paixão, pensava Calamy, a paixão... Como era possível não senti-la, Senhor! Suspirou. Se se pudesse dizer “nunca mais” e ter certeza de que era para valer, seria um grande conforto. Ainda assim, refletiu, existe alguma coisa de terrivelmente atraente nessa mulher, a srta. Thriplow.
A srta. Thriplow, enquanto isso, teria gostado de dizer alguma coisa para mostrar que também acreditava na paixão — mas numa paixão de uma qualidade diferente daquela da sra. Aldwinkle; um tipo de paixão mais natural, mais espontânea, quase infantil; não a paixão artificial que costuma florescer nas salas de visita. Cardan fazia bem em não pensar nisso muito seriamente. Mas não se podia esperar que ele soubesse muito sobre os amores simples e refrescantes que ela tinha em mente. Também nada se podia esperar da sra. Aldwinkle. A srta. Thriplow entendia ambos perfeitamente. Pensando melhor, entretanto, ela chegou à conclusão de que eram tênues e delicadas demais — aquelas suas paixões diáfanas — para serem mencionadas ali, a uma audiência tão pouco compreensiva.
Casualmente, ao passar, a srta. Thriplow apanhou uma folha de um galho pendente. Distraída, esmagou-a entre os dedos. Da folha macerada uma fragrância subiu a suas narinas. Ela ergueu a mão até o rosto, cheirou uma vez, cheirou outra e outra. E de repente estava de volta à barbearia de Weltringham, esperando que seu primo Jim cortasse o cabelo. O mr. Chigwell, o barbeiro, acabara nesse instante de desligar a escova mecânica. O eixo da máquina ainda girava, a correia elástica ainda corria em torno da roda, contorcendo-se de um lado e de outro, como uma serpente mortal, suspensa perigosamente sobre a cabeça raspada de Jim.
— Quer brilhantina, mr. Thriplow? O cabelo está seco, sabe, bastante seco. Ou prefere a loção de folhas de louro de sempre?
— A loção — dissera Jim na voz mais grossa e mais grave que conseguia tirar do peito.
E o mr. Chigwell pegava o vaporizador e envolvia a cabeça de Jim em nuvens de um líquido marrom-claro. E o ar ficava repleto de uma fragrância, a mesma que agora se soltava daquela folha, a folha da árvore de Apolo que ela tinha na mão. Aquilo acontecera havia muitos anos, e Jim estava morto. Eles tinham se amado, na infância, com aquela paixão profunda e delicada da qual ela não podia falar — não ali, não naquela hora.
Os outros continuavam conversando. A srta. Thriplow cheirava a folha de louro amassada e lembrava sua infância, o primo que morrera. Querido, querido Jim, disse para si mesma; querido Jim! Outra e outra vez. Como o amara, como se sentira terrivelmente infeliz com sua morte! E ainda sofria; ainda, depois de tantos anos. A srta. Thriplow suspirou. Ela se orgulhava de ser capaz de sofrer tanto; encorajava o próprio sofrimento. Essa súbita lembrança de Jim ainda menino na barbearia, a recordação vívida, surgida como por encanto do odor de uma folha amassada, era sinal de requintada sensibilidade. Juntamente com o pesar ela sentia certa satisfação. Afinal, tudo isso acontecera quase por si só, espontaneamente. Ela sempre dissera às pessoas que era sensível, que possuía um coração enorme. Aí estava a prova. Ninguém sabia quanto ela sofria intimamente. Como alguém poderia adivinhar o que havia por trás de sua alegria? Quanto mais sensível se é, costumava dizer a si mesma, quanto mais tímida e espiritualmente virtuosa, mais se torna necessário usar uma máscara. O riso, as brincadeiras eram as máscaras que ocultavam do mundo o que lhe ia na alma; eram a armadura contra a curiosidade que devassava e feria. Como eles poderiam saber, por exemplo, o que Jim significara para ela, o que ainda significava depois de tantos anos? Como poderiam imaginar que existia um lugar sagrado em seu coração, onde ambos ainda comungavam? Querido Jim, dizia ela a si mesma, querido Jim! As lágrimas afloraram-lhe aos olhos. Com o dedo que ainda cheirava a folha de louro, ela as secou.
Foi então que lhe ocorreu fazer disso um esplêndido conto. Uma jovem e um rapaz caminhavam, como agora, sob as estrelas — as fantásticas estrelas italianas, que tremeluzem como tenores (lembrar-se-ia de introduzir isso na descrição) no alto do céu aveludado. Seus diálogos aproximam-se cada vez mais do tema do amor. Ele é bastante tímido. (O nome dele, decidira a srta. Thriplow, seria Belamy.) Um desses rapazes encantadores que adoram à distância, que gostam de pensar que a moça é boa demais para eles e jamais ousam esperar que ela desça de sua divindade e coisas desse tipo. Teme dizer claramente que a ama por medo de ser ignobilmente rejeitado. Ela, é claro, gosta demais dele e seu nome é Edna. Uma criatura sensível e delicada; a gentileza e a timidez são as qualidades dele que mais a atraem.
A conversa entre ambos aproxima-se cada vez mais do amor; as estrelas palpitam de maneira extasiante. Edna apanha uma folha do louro perfumado ao passar.
“O que há de mais maravilhoso no amor”, o rapaz ia dizendo nesse instante (era um discurso pronto e ele tomava coragem para dizê-lo havia meia hora), “o amor verdadeiro, quero dizer, é a completa compreensão, a fusão dos espíritos, o deixar de ser o que se é para tornar-se outra pessoa, a...”
Mas ao cheirar a folha amassada ela grita de repente, incontrolavelmente (a impulsividade é um dos encantos de Edna).
“A barbearia de Weltringham! O engraçado mr. Chigwell é vesgo! A correia de borracha ainda gira sem parar em torno da roda, contorcendo-se como uma cobra!”
O infeliz rapaz, o pobre Belamy, fica terrivelmente desapontado. Se é assim que ela vai responder quando ele falar de amor, é melhor ficar em silêncio.
Faz-se uma longa pausa; ele começa a falar de Karl Marx. E é claro que ela não consegue explicar — por impossibilidade psicológica — que o barbeiro de Weltringham é um símbolo da sua infância e que o perfume da folha amassada trouxera de volta a lembrança de seu irmão morto — na história seria um irmão. Simplesmente ela não consegue explicar que a interrupção aparentemente indelicada fora provocada pela angústia de uma súbita recordação. Deseja ardentemente, mas por alguma razão não consegue começar. É muito difícil e delicado demais para ser dito em palavras; e quando o coração é tão sensível, como revelar o que vai dentro dele, como purgar a ferida? Por outro lado, ele deveria ter adivinhado, deveria tê-la amado o bastante para entender; ela também tem seu orgulho. Quanto mais adiada, mais impossível se torna a explicação. Com a voz enfadonha e irritante ele continua a falar de Karl Marx. De repente, incontrolavelmente, ela começa a soluçar e rir ao mesmo tempo.