Gabriela, baiana de todas as cores

Sônia Regina de Araújo Caldas · Capítulo 9 de 30

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Gabriela, baiana de todas as cores

O verniz e a sedução

O contexto simbólico revela-se também necessariamente

social, já que nem os símbolos e nem a esfera do simbólico em

geral existem no abstrato, mas são determinados pelos

caracteres materiais das formações sociais que os engendram.

Dessa forma, o capista vai construindo o seu discurso, utilizando textos linguísticos, fotografias, desenhos ou pinturas, ou seja, linguagens verbais e nãoverbais, sempre com o objetivo de informar, mas também de seduzir e convencer o observador-leitor e possível consumidor.

 

O verniz e a sedução

Um dos recursos usados como artifício para realçar as cores impressas e dar beleza à produção gráfica e artística é o verniz, uma preparação não pigmentada, translúcida e brilhante, que dá uma aparência superficial de brilho. Este recurso sempre foi muito utilizado nas pinturas e, hoje, é considerado um dos melhores efeitos para acabamento gráfico de embalagens e capas de livros e revistas para agregar valor ao impresso e propiciar um aspecto diferenciado e de melhor qualidade ao produto. Atualmente, existe no mercado uma variedade muito grande de vernizes, como os que dão aspecto de brilho, transparência, aroma, textura, até os que fazem a cor impressa anteriormente se modificar com o toque das mãos ou ao ser exposto a temperaturas frias ou receber o calor do sol. Assim, o capista tem a possibilidade de escolher a sensação desejada, tentando transmitir uma falsa idéia de realidade, no sentido de seduzir cada vez mais o possível consumidor-leitor. Além desse artifício, o capista utiliza muitos outros, sempre com a intenção de encantar o observador-consumidor.

A imagem, no discurso jornalístico e publicitário, devido à sua polissemia e através da sua cadeia flutuante de significados, necessita, na maioria das vezes, ser sustentada por um texto verbal com menor ambiguidade. Na publicidade, a linguagem visual é de suma importância, pois objetiva criações de imagens de vida peculiares a cada observador do público-alvo. A relação entre os produtos divulgados e a sua repercussão em termos de consumo tem que ser ligada, diretamente, à configuração de imagens de vida a que esses “produtos” se associam estreitamente. É necessário observar que a linguagem da propaganda fica desatualizada e necessita, por isso, constantemente ser renovada. É imprescindível que o conjunto de signos usados apresente uma determinada “personalidade cultural”, um conjunto de traços comuns a todos os membros de um grupo cultural, e reflita valores e atitudes sociais. Esse processo diário dos publicitários, no momento da sua criação, faz com que a propaganda, ao ser veiculada, influencie e seja influenciada pelo meio em que atua, refletindo, assim, o pensamento coletivo e contribuindo para aprimorar ou deslocar o pensamento do público observador. O discurso publicitário se inscreve em orientações ideológicas implícitas, que guiam a maneira como se selecionam os fatos e se determina o tratamento a eles dispensados.

Uma das etapas do marketing, assim como da propaganda, é a promoção de vendas, que explora os mecanismos psicológicos da compra, funcionando por intermédio de motivações e impedimentos. O ato da compra está ligado ao peso das motivações em relação aos impedimentos. Contudo, o comportamento da compra também pode ser explicado em termos de elementos racionais, irracionais ou emocionais. Os fatores racionais conscientes levam o consumidor a uma decisão abalizada, ligada ao objeto, enquanto os fatores emocionais inconscientes estão ligados não diretamente ao objeto, mas à imagem a ele associada, como sua importância, discurso, estilo, marca, relações com a profissão, etc. Esse comportamento, na hora da compra, vai-se modificar a depender dos dados socioculturais e das informações que os consumidores possuem a respeito do produto.

O mecanismo da promoção de venda será ativado sempre que os impedimentos forem muito intensos ou as motivações muito fracas, oferecendo ao consumidor motivações suplementares e uma resposta às objeções. As promoções de vendas podem acalmar as

apreensões do 2 prospec e superar os impedimentos psicológicos que formam uma barreira à compra, ou oferecer uma motivação suplementar. Um elemento decisivo para promover a venda é a embalagem, além das funções de recipiente ou invólucro destinado a acondicionar mercadorias, a fim de protegê-las de riscos, facilitar seu transporte, estocagem, venda e consumo. Além das funções físicas da embalagem, esta tem como recurso significativo identificar, diferenciar e exibir o produto aos olhos do consumidor. Nos pontos de venda, na hora da compra do produto, é que o consumidor decide sua preferência, mesmo que a marca do produto esteja respaldada por forte campanha publicitária. Logo, sua escolha dependerá, em grande parte, de uma embalagem apropriada e convincente.

Uma boa embalagem pode ser responsável pela liderança desse produto no mercado. A embalagem age como uma vitrine, refletindo as características intrínsecas do produto, bem como o estágio de desenvolvimento em que se encontra seu fabricante e, consequentemente, a sociedade como um todo. Por isso, recomenda-se que a embalagem não seja apenas graficamente satisfatória, mas que mantenha a integridade do produto e interaja com ele em perfeita harmonia.

Portanto, o lugar da embalagem é o lugar do produto, da indústria e do marketing, e o que vai interessar neste capítulo é o lugar do marketing, da amplitude mercadológica, isto é, como a embalagem chama a atenção, transmite as informações, vence a barreira do preço e desperta o desejo de compra no provável consumidor.

Há vários tipos de embalagens: de transporte, uso, display, conjunto, unitária e de consumo. As que interessam, neste estudo, são as de consumo, porque efetivam o contato do produto com o consumidor. As capas dos livros são consideradas embalagens de consumo.

Como dito anteriormente, um dos fatores essenciais no momento da aquisição do produto é o processo decisório. Trata-se do momento em que o indivíduo analisará os prós e os contras para a aquisição do produto ou se deixará levar pelo impulso irresistível, comprando itens de que talvez não usufrua jamais. A hora da tomada da decisão começa na infância e acompanha o homem até o fim dos seus dias, e, de certa forma, a decisão mercadológica sempre acarreta ganhos e gastos. A freqüência e a importância das escolhas variam de acordo com variáveis como idade, status social e outras. Há duas abordagens quanto ao comportamento do consumidor: a distributiva – que dá ênfase aos consumidores quantitativamente, e a analítica – que dá ênfase à forma pela qual a decisão é tomada em termos de um processo que obedece a uma sequência, que leva ao ato de compra. Esta sequência consiste no reconhecimento do problema na procura externa, na avaliação de alternativas, no processo de compra e na avaliação pós-compra. Tal processo, no entanto, não segue obrigatoriamente todos estes passos no nível do consciente e pode ocorrer sem que o consumidor tenha consciência do problema.

O comportamento pode ser estimulado em função de um input físico ou social que, combinado com fatores internos, levará à compra. Esse comportamento forçará o indivíduo a uma procura externa de alternativas para aumentar seus conhecimentos a respeito do produto, e as informações obtidas devem ser avaliadas e comparadas com as já existentes, passando para a seletividade perceptiva, motivações, valores, personalidade, e a atitudes que levam ao ato de compra. Finalmente, a forma mais comum e mais simples do processo decisório é aquela em que o problema é reconhecido, havendo, em seguida, a aquisição. As informações necessárias para esse processo decisório devem estar expostas na embalagem por meio da rotulagem.

A capa, então, funciona como um rótulo, sendo utilizada para atrair e informar o consumidor sobre o que existe na obra literária e o discurso nela contido, consequentemente, influenciará no processo decisório do consumidor. A capa como rótulo deverá, também, estar subdividida em painéis nos quais deverão estar expostas as informações sedutoras para o consumidor, as que são importantes para o produtor e as de natureza obrigatória impostas pelas instituições fiscalizadoras das embalagens, as quais, normalmente, interessam muito mais ao consumidor por serem mais verdadeiras.