Gabriela, baiana de todas as cores
Quinta capa estrangeira
Título MULATKA GABRIELA
País TCHECOSLOVÁQUIA
Editora ODEON
Ano 1967
Autoria da capa SEM REFERÊNCIA
Autoria da Ilustração RUFINO TAMAYO
Técnica a ilustração PINTURA
Tradução ZDENEK HAMPL
Versão do texto da capa BOHUMILA ARAÚJO ( para fins deste
trabalho)
Essa edição foi feita na Tchecoslováquia ainda sob o regime comunista. No início dos anos 90, com a chamada Revolução de Veludo, dividiu-se e transformou-se em República Tcheca e Eslováquia. A República Tcheca é uma das economias mais desenvolvidas do extinto bloco socialista, destaca-se pela produção de automóveis, cerâmicas, tecidos e cervejas, e destina a maior parte das suas exportações para a União Européia.
Com o golpe de Estado dado pelos comunistas em 1948, a Tchecoslováquia ficou sob a influência da União Soviética.
Na década de 60, quando foi lançada essa edição, começaram fortes manifestações por reformas democráticas, surgindo o primeiro movimento - a Primavera de Praga -, reprimido violentamente pela Rússia em 1968. Esse episódio foi marcado pelo emprego das tropas do Pacto de Varsóvia que invadiram a Tchecoslováquia para reprimir os movimentos pró-democracia no país.
Em 1989, com as reformas pacíficas da Revolução de Veludo, tomou corpo a campanha para separação dos dois países, aprovada em 1992. Em 1993, surge a República Tcheca.
O autor da ilustração escolhida pelo profissional que fez essa capa é o pintor Rufino Tamayo que nasceu em Oxaca, no México, em 1917. Tamayo estudou Belas Artes na Academia de São Carlos e na Universidade do México. Trabalhou no Departamento de Desenhos Etnográficos do Museu Arqueológico Nacional do México, e os desenhos que elaborou, nesse trabalho, são considerados por alguns críticos como de grande influência na sua técnica artística. Com a proposta de explorar a arte moderna, mudou-se para Nova York em 1924, onde descobriu o trabalho de outros artistas tais como Rouault, Brancusi e Matisse, aprendendo novas técnicas e conhecendo outros processos que ajudaram, no seu trabalho, a reconhecer o valor da pesquisa.
Em 1926, teve o primeiro encontro com o grande muralista mexicano Diego Rivera e, posteriormente, com outros muralistas que, assim como Rivera, eram considerados artistas de temática nacionalista, como José Clemente Orozco e David Alfaro Siqueiros. Enquanto os trabalhos artísticos desses muralistas eram exaltados pelos críticos, o trabalho de Tamayo era confinado, pois revivia a antiga civilização mexicana. Por não ter provocado uma simpática reação nos adeptos da revolução mexicana, tornou-se um renegado pelos mexicanos contemporâneos. Não era considerado como um grande profissional, pois era distante da política e, apesar de com alguns dos seus trabalhos ter abordado temas nacionalistas, preferia a utilização de temas cósmicos, folclóricos e, principalmente, a solidariedade da vida diária.
Observador das tradições artísticas mexicanas, refletia em seus trabalhos a herança hispânica, e suas pinturas também demonstram influência do Cubismo e do Expressionismo.
Tornou-se professor da Escola Nacional de Artes, em 1928, mas um maior reconhecimento de Tamayo surgiu após 1930, quando se destacou ao ser inserido na publicação Contemporary Artists of Mexico. A partir desse momento, pas-sou a expor suas pinturas regularmente em Nova York, aumentando esse reconhecimento com a exposição das suas pinturas na Galeria de Belas Artes em Paris, no ano de 1940. Nos anos 50, empreendeu uma série de viagens pela Europa e fez parte do grupo de pintores muralistas.
Mitos, fábulas e esculturas pré-colombianas influenciaram o trabalho desse artista que destacou, também, seu especial interesse pela representação da figura feminina. A sua pintura tem como características a forte influência da arte popular mexicana com monumentalidade, toques largos do pincel, supressão de detalhes e cores expressivas. Considerado, por alguns críticos, como um pintor figurativo, pintou uma série de retratos e abordou, na maioria das vezes, temas da vida da aldeia mexicana ou da pobreza urbana.
Considerado um dos melhores pintores contemporâneos, seus trabalhos são reconhecidos em todo mundo, como Nova York, Tóquio e Paris, onde possui trabalhos expostos em alguns museus. Faleceu em 1991, quando estava executando uma série de litografias, deixando apenas oito dessas gravuras completas e assinadas.
Em 1999, foi celebrado com honras o aniversário de 100 anos de nascimento desse artista, com muitas atividades e no México, principalmente em Oxaca. Esse ano foi denominado "O ano de Rufino Tamayo"
Somente pelo nome Gabriela e a caracterização da mulata, é possível associar o livro ao texto de Amado, sendo que pode parecer para o leitor estrangeiro um outro trabalho literário, já que se trata de um novo título -Mulata Gabriela. Nos textos impressos nas orelhas dessa capa, há um resumo crítico do romance e algumas informações sobre outros romances de autoria de Amado, assim como um breve resumo biográfico do autor e do ilustrador. As informações dadas nesses textos demonstram uma convergência aos discursos de Amado, à sua biografia e à biografia de Tamayo.
O título diferente (Mulata Gabriela) demonstra o enfoque escolhido pelo capista ou pela editora, que é enfatizar ou focalizar o tipo físico e racial da personagem amadiana. A ilustração escolhida pelo capista para representar esse título, é uma tela do pintor mexicano Tamayo, que demonstra uma imagem bastante diferente do que descreve Amado em seu texto. A tela possui o título O seresteiro e mostra um personagem de difícil identificação, um misto de figura futurista e antepassada, que lembra uma figura deformada, com uma suposta viola. Mesmo considerando as peculiaridades do traço do artista, torna-se distante a relação dessa ilustração com o personagem amadiano e também impossível uma articulação com o título. Amado (1966, p.383), quando descreve o Terno de Reis, cita alguns instrumentos musicais e refere-se à dança e à música, o que pode ter provocado alguma relação:
Por volta das onze horas, quando já o sereno se reduzira a
umas poucas pessoas - há muito Glória se retirara e com ela o
coronel Coriolano - , ouviu-se, vindo da rua, música de
cavaquinhos e violões, de flautas e pandeiros. E vozes a cantar