Gabriela, baiana de todas as cores

Sônia Regina de Araújo Caldas · Capítulo 1 de 30

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Gabriela, baiana de todas as cores

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Gabriela, Baiana de Todas as Cores

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

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EDITORA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

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Suplentes

Antônio Fernando Guerreiro de Freitas

Evelina de Carvalho Sá Hoisel

Cleise Furtado Mendes

Maria Vidal de Negreiros Camargo

Apoio:

 

Gabriela, Baiana de Todas as Cores

as imagens das capas e suas influências culturais

Sônia Regina de Araújo Caldas

Salvador -Bahia

2009

©2009, by Sônia Regina de Araújo Caldas

Direitos de edição cedidos à EDUFBA.

Feito o depósito legal.

Capa e Projeto Gráfico: Angela Garcia Rosa

Revisão: Solange Fonsêca

Tratamento de imagens: Rodrigo Schlabitz

Sistema de Bibliotecas - UFBA

 

Caldas, Sônia Regina de Araújo.

Gabriela, baiana de todas as cores [livro

eletrônico] / Sônia Regina de Araújo Caldas ; apresentação Myriam Fraga, Lícia Regina Carvalho Moreira de Souza. - Salvador :

EDUFBA, 2009.

9927 Kb ; ePUB : il.

Originalmente apresentada como tese do autor (doutorado - Universidade Federal da Bahia, 2003)

ISBN 978-85-232-0933-9

1. Capas de livros. 2. Imagens - Interpretação. 3. Análise do discurso. 4. Comunicação e cultura. I. Fraga, Myriam. II. Souza, Lícia Regina Moreira de. III. Título.

CDD - 401.41

Editora filiada à

 

EDUFBA

Rua Barão de Jeremoabo, s/n, Campus de Ondina,

40170-115, Salvador-BA, Brasil

Tel/fax: (71)3283-6160/3283-6164

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Com todo o carinho e amor: Aos meus pais José Joaquim

Borges de Araújo Filho (in memoriam) e Risolêta Lopes Pontes

de Araújo pela luz que me indicou o caminho do livro. A

Oberdan, meu namorado, pelo amor, companheirismo e

comunhão sempre. Aos meus queridos filhos Pablo e Rodrigo,

por fazerem a minha vida ter um sentido novo a cada dia.

Prefácio

No universo de estudos sobre a obra amadiana, muitos deles já reunidos no acervo da Fundação Casa de Jorge Amado, a presente publicação emerge como um importante testemunho de como a obra pode ser recebida em contextos dos mais diversificados.

De autoria da pesquisadora e professora, Sonia Regina Caldas, o ensaio "Gabriela, baiana de todas as cores", resultante da tese de doutorado defendida em agosto 2003, na UFBa, vem, certamente, cumprir o papel de proporcionar aos estudiosos de literatura uma visão pormenorizada das ilustrações e das capas de várias edições do romance "Gabriela, cravo e canela", no Brasil e no mundo.

A Fundação Casa de Jorge Amado, que tem como finalidade preservar, organizar, manter e divulgar o acervo documental de seu patrono, vem procurando, desde a sua criação em julho de 1986, incentivar estudos e pesquisas sobre o universo amadiano na certeza de assim estar contribuindo para melhor compreensão e reconhecimento de sua obra, especialmente perante as gerações futuras.

Nesse viés, a Fundação se tornou um expressivo centro de produção cultural e editorial, mantendo vínculos com instituições representativas nacionais e internacionais.

A Divisão de Pesquisa e Documentação, constituída de cerca de 250.000 documentos, busca atender às múltiplas demandas de utilização do acervo, através de projetos específicos sobre literatura e cultura, apoiando desse modo inúmeras pesquisas que resultaram em alentada produção científica.

O grande desafio é promover incessantemente um canal de experiências e de intercâmbios culturais, incentivando e sistematizando a produção de estudos, teses e ensaios realizados a partir da obra amadiana, contribuindo dessa maneira para a divulgação de novas idéias e conceitos, estimulando a formação de uma consciência quanto à importância da literatura para a fixação de uma memória cultural.

Desse modo acreditamos que a presente publicação, além do objetivo específico de trazer à tona aspectos inusitados sobre o universo das capas e ilustrações nas diversas edições dos livros de Jorge Amado, através da cuidadosa e extensa pesquisa da professora Sonia Regina Caldas, terá o condão de ampliar o catálogo institucional de estudos e pesquisas, elaborados em torno das obras deste grande escritor baiano, produzidos a partir de documentos do acervo que ele deixou como legado de uma vida inteiramente dedicada à literatura.

Salvador, 30 de julho de 2009.

Myriam Fraga

Apresentação

Não sei se ouvi ou li em algum lugar, mas a memória registrou. "Como saber o valor do presente sem desembrulhar o pacote?" e Sônia Regina oferece aos leitores sua "Gabriela, Baiana de Todas as Cores", presente que traz implícito um grande desafio: como desembrulhar esta Gabriela que vem, há cinquenta anos, viajando pelo mundo e fazendo girar ao contrário as rodas e engrenagens do progresso?

Este livro que me foi dada a honra de apresentar, distinção de uma ex-aluna da Análise do Discurso, é um espaço de reflexão e um movimento de pensamento, aberto ao diálogo, para discussão de como a linguagem das capas de Gabriela, Cravo e Canela das edições brasileiras e estrangeiras funcionam no processo de produção de sentidos dos leitores de diferentes culturas.

Assim construiu com maestria seu objeto de estudo e com extrema lucidez, deslizando entre a "luz e a sombra", apresenta a leitura do discurso de quarenta e oito capas do livro Gabriela, Cravo e Canela, mostrando sua interferência no "encontro do leitor com o discurso de origem" pela representação plural da personagem. Estas representações de Gabriela, a pluralidade de tipos e modelos, como escreveu a autora, "podem estar enriquecendo-a mediante a possibilidade de uma modificação infinita..."

Será que a Gabriela, do inesquecível Jorge Amado, cobiçada por tantos olhares, não é representação do bem-estar subjetivo das experiências de vida dos "não-civilizados", uma possibilidade de resgatar a condição humana, ameaçada pela privação de prazeres e amarrada à racionalidade que exige pensar antes de agir? Não estaria Gabriela entre os seguidores de Epimeteu (mito recriado e interpretado pelo filósofo renascentista Francis Bacon) que satisfazem a sua índole e preferem fruir o prazer do instante, imersos na pura alegria instintiva de viver?

Estes discursos que embalam e porque não dizer embrulham Gabriela são provocativos, instigantes e abrem um novo campo de questões sobre o conhecimento da linguagem, sujeitos e sentidos.

Ao leitor caberá a produção de sentidos, ao atravessar este arco-íris de cores múltiplas e cambiantes e as divergências de representações desta misteriosa e indecifrável Gabriela.

Salvador, 31 de agosto de 2009.

Lícia Regina Carvalho Moreira de Souza