Iniciação - Viagem Astral
A Seleção
De trezentos e tantos candidatos que foram escolhidos, somente sete é que permaneceram convictos e fiéis aos exercícios de desdobramento espiritual e, dentre esses sete, um apenas conseguiu nota máxima no seu percurso de viagens e no aproveitamento das lições dadas no andamento dos trabalhos. Pode parecer estranho afirmarmos que não ficamos aborrecidos; pensamos ter conseguido muito bom resultado, comparando-se com experiências anteriores.
Como sabemos que nada se perde, todo trabalho que se processa no bem da coletividade são sementes de ouro que brilharão em todos os caminhos dos semeadores.
O mérito de tudo que foi feito, diz o nosso companheiro Miramez, foi dos iniciantes. Eles é que serviram de instrumento para que o bem pudesse caminhar em variadas vias, onde as necessidades gritavam mais alto. Todos eles escreveram no livro da vida algo de bom a seu favor e estão inscritos para novas aventuras espirituais, dependendo da melhoria que apresentarem, quando for determinado pelos maiores da espiritualidade. Para nós, que falamos por um sensitivo, sentimos muita alegria em participar de todos os exercícios, se, porventura formos escolhidos.
Os sete candidatos, no final do curso intensivo que durou um ano e meio, foram favorecidos com uma viagem astral superior, onde receberam a atenção de altos instrutores da Verdade, os quais nos seguiram durante as operações de desdobramentos, pelos seus dons largamente desenvolvidos.
Tudo o que nos propomos a fazer, a lei nos devolve no mesmo teor que imprimimos naquilo que realizamos. No campo espiritual, o equilíbrio é bem mais difícil, por não escapar dos registros um só segundo do que pensamos, sentimos ou fazemos; no campo da matéria, a grafia mental é mais lenta, mesmo nas regiões mais sensíveis da consciência. O Espírito encarnado tem determinadas cooperações por já estar, de certo modo, sendo prisioneiro da carne e sofrer constantemente as investidas dos habitantes de planos inferiores.
Os demais candidatos merecem o nosso maior respeito pelo que realizaram nos bastidores de trabalhos espirituais. Todos são sensitivos pertencentes a quase todas as religiões e, uns poucos, fora delas. Esses Espíritos já foram selecionados de uma lista de mais de mil companheiros encarnados, fichados nos nossos arquivos de trabalhos, onde Jesus não pode ficar esquecido nas consultas diárias. Se o Mestre de Nazaré é muito lembrado na Terra, em quase todos os templos, aqui no plano que habitamos Ele é o próprio ar que respiramos, como alimento e vida.
Para mostrar aos irmãos da Terra - sem que isso seja interpretado como vaidade - a paciência dos companheiros do nosso plano, todos os candidatos selecionados foram estudados com muito carinho, tiveram todos os seus pormenores analisados, como fazem os bons clínicos com um enfermo do mundo, ajudando para que a consciência de todos eles despertasse para as realidades.
As palavras são fracas para dizer o que foi feito para a fortaleza do bem. Talvez esse nosso humilde trabalho, onde estão visíveis alguns traços dos nossos afazeres, possa despertar os mais sensíveis para o sol que nos aquece e para a luz que nunca nos faltará nos roteiros que escolhemos.
Não há dúvida de que as lutas não são fáceis de serem vencidas, mormente nas lides dos encarnados, porém, não podemos esquecer que Deus está em toda parte, nos dando as mãos através dos
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Seus filhos maiores. Como é bom e quanto nos alegra, quando um dos nossos companheiros escolhidos e testados nos nossos labores experimentais se sai bem nas provas! O regozijo é geral e a felicidade maior é a do próprio estudante, que começa a conhecer a Verdade. As amarras vão se desfazendo como que por encanto e o companheiro passa a fazer parte do grupo de Espíritos libertos.
A primeira preocupação dos que ajudam as pessoas nas viagens astrais é a harmonia; harmonia em tudo: do corpo à alma, dos pensamentos às palavras, para que o relax atinja as fibras mais íntimas do fardo somático, afrouxando, assim, certos laços que prendem o perispírito ao corpo e tranqüiliza igualmente vários outros instrumentos do Espírito imortal.
Quando falamos em harmonia, nos lembramos de música. E é bem lembrado, por ser ela um meio de grande alcance, podendo dar boa direção a emoções desordenadas do candidato, acalmando os seus possíveis impulsos, que não soam bem nas experimentações de desdobramento espiritual. O aluno deve ser dócil ao comando do servidor do Cristo, no entanto, não pode esquecer o raciocínio, a análise apurada, para que surja o discernimento na área daquilo em que está se instruindo.
Todas as vezes que o ajudante se encontra com o ajudado, o primeiro testa o companheiro, como o chofer observa o carro antes de colocá-lo em movimento. Isso é imprescindível em todos os treinamentos onde a sinceridade é o lema e dentro da confirmação não pode existir desconfiança.
Quase todas as escolas espiritualistas, quando vêem o nome Espiritismo, refugam, qual o animal no caminho, ao ver algo que desconhece. Às vezes raciocinam sobre tudo e, nessa hora, se esquecem da razão. Nós, do plano espiritual, encontramos na Doutrina dos Espíritos um coadjuvante sem precedentes. Nós notamos a mediunidade operando em todos os trabalhos, quer sejam físicos ou espirituais, e o próprio viajante é um sensitivo de muito valor. A maior grandeza dos grupos de adestramento das linhas da doutrina, é que ela a ninguém violenta, respeitando todos os que se alistam em suas fileiras, com os marcantes direitos que a vida lhes assegura.
As palavras são fracas para dizer o que foi feito para a fortaleza do bem.
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