Iniciação - Viagem Astral
Lancellin
Já que fiz um rápido histórico de cada companheiro, não poderia me furtar ao dever de falar algo sobre mim mesmo, embora quase nada tenha a dizer.
Sou um reincidente em faltas graves e tive a felicidade de reencarnar em vários países, inclusive no Egito antigo, onde pude observar e aprender muita coisa sobre a ciência espiritual e a paciência de observar a lenta, mas constante, marcha evolutiva.
A minha última estadia foi na França, país encantador, onde a flor intelectual e a bandeira de luz dos altos ensinamentos renovadores do Cristo deram início a uma nova marcha, de sorte a abrir os braços, acolhendo o mundo inteiro.
O Espírito é uma chama divina, na seqüência da eternidade, e a sua casa é o Universo. Deus criou leis compatíveis com a sua natureza para o guiar onde quer que seja nessa imensidão infinita e, de acordo com essas leis, onde ele estiver, colherá o que plantou, pela força da justiça da Grande Luz Universal.
O nosso benfeitor Miramez sempre nos fala que os infortúnios nunca erram o endereço. Os problemas são lições de reajuste e a dor é a grande mestra que nos ensina em todas as faixas da ascensão. Não adianta querer comprar a felicidade. Todos os nossos gestos, todos os nossos pensamentos, todos os nossos feitos, ficam gravados na nossa consciência e no éter cósmico, de maneira que sempre nos encontramos com aquilo que realmente somos. Esta é a lei.
Fui, na França, um escritor espiritualista dentre os muitos que ali surgiram. Tinha algumas experiências sobre aquilo que escrevia, no entanto, meus conhecimentos ainda deixavam a desejar, o que fez com que aqueles que me sucederam, os que vêm aperfeiçoar aquilo que colhemos em outras fontes, me criticassem asperamente pelo que não tive condições de esclarecer perfeitamente. Esse é o mundo e o clima dos homens.
Escrevi sobre o assunto que estou tentando agora transmitir, sobremodo diferente daqueles tempos, porque agora estou falando em espírito. Vejo muitas coisas que antes me eram vedadas, que eu não conseguia enxergar ou sentir, pela interferência da carne e do meio negativo onde vivia.
Fui um homem simples pelas circunstâncias, porém vaidoso, de sorte a atrapalhar a minha própria carreira. Aos que estivessem em situação inferior à minha, eu dava pouca, ou quase nenhuma, importância, mas buscava com interesse os que estavam à minha dianteira. O orgulho acompanhou-me por muitos milênios e no meu dicionário da consciência não existia a palavra perdão. Quando a usava, era por conveniência.
Gostava das pesquisas psíquicas. Era dado ao treinamento de viagens astrais, seguindo as experiências dos meus antepassados, e, algumas vezes, obtinha certos resultados, o que me trazia grande alegria.
Era apaixonado por fenômenos psíquicos. Visitei muitos médiuns curadores e alguns de efeitos físicos, ficando impressionado com o transe mediúnico. Alguns desses médiuns, que eu conhecia mais de perto e sabia não possuírem uma certa cultura, me forçaram a pesquisar assuntos importantes e a verificar
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a realidade. Impressionava-me o fato de eles falarem em várias línguas, quando mediunizados, pois eles, sabia eu, não tinham conhecimento para tal. Era o fenômeno de xenoglossia.
O desdobramento me interessou especialmente. "Eis aí", pensava eu, "a maior prova da existência e da sobrevivência da alma". E, graças a Deus, pude comprovar isso, apesar do pouco que os Céus me permitiram realizar conscientemente.
Mesmo nessa reencarnação como Lancellin, já comecei a valorizar os ensinamentos do Divino Mestre de Nazaré. Senti a profundidade da missão do Cristo e passei a cultivar as virtudes. A princípio, encontrei muitas dificuldades. A própria rejeição do organismo acostumado a pesadas vibrações, depois a reação dos outros corpos que se sucedem são coisas terríveis. Todavia, o mesmo Mestre nos ensina que aquele que perseverar até o fim será salvo. Esta é a verdade, seremos salvos das ilusões passageiras do mundo, para ingressarmos nas belezas imortais do Espírito, onde não existe regressão, somente avanço; onde não há esmola ou favoritismo, apenas conquista. As experiências milenares nos fazem crer que somente o amor nos oferta meios para a felicidade eterna.
Estou de volta, meu companheiro, ao meio onde não mereço estar. É a misericórdia do Pai que me proporciona essas oportunidades e, como Espírito, falo aos Espíritos de boa vontade, endereçando sugestões para aqueles chamados e escolhidos pelas entidades espirituais, para conhecerem mais um pouco do mundo de onde vieram.
Tenho certeza, de que as criticas, como outrora, não irão faltar porém, o que importa é a nossa sinceridade no trabalho e a nossa consciência diante do Cristo Nosso Senhor.
Nós somos sete. Exceto eu, os outros são Espíritos de alto nível, que falam de cátedra, por conhecerem as leis e as regras que podem gerar uma vida feliz.
Na orientação dos nossos trabalhos está o nosso querido Miramez, Espírito de escol, que ainda permanece nos bastidores da Terra por amor à humanidade, se fazendo como um dos homens, mas, sabemos, envolto em luz.
Aos leitores que dedicarem o seu tempo em ler nossas páginas, nós agradecemos, por nos ajudarem a vibrar no bem comum e a fazer a caridade que já se estende por toda a Terra de Deus.
Os problemas são lições de reajuste e a dor é a grande mestra que nos ensina em
todas as faixas da ascensão.
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2a parte
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