Iniciação - Viagem Astral
Kahena
Kahena, quando encarnada no século VII depois de Cristo, foi rainha de tribos bárbaras nos montes Urais.
Jovem robusta e inteligente, nunca se descontrolava diante das adversidades. Era um Espírito de energia dominante, de uma força de vontade sem limites, que desconhecia qualquer obstáculo. Respeitava os inimigos, sem temê-los e, quando necessário, impunha sua autoridade à frente das batalhas. Entre seu povo, era considerada profetisa.
Vencida em combate pelos mongóis que a odiavam, Kahena foi morta por eles e amarrada à cauda de um cavalo montado por um dos líderes inimigos. Seu corpo foi arrastado por terreno acidentado e, de vez em quando, era levado até um riacho onde seu sangue, chamado pelos algozes de sumo venenoso, tingia as águas cristalinas. Naquela época, era essa uma prática comum, à qual eram submetidos os vencidos.
Entretanto, Kahena, Espírito, não chegou a sofrer com tal perversidade; tão logo cruzou o portal do mundo espiritual, foi amparada por mãos abençoadas que a isolaram da tragédia dos seus restos mortais.
Após um período de refazimento, voltou ela com mais fulgor, em espírito, ao povo que tanto amava, procurando ajudá-lo, bem como aos considerados inimigos de sua tribo. Procurou inspirar os líderes na criação de novas leis, mais humanas e justas, ampliando os direitos dos mais necessitados e submissos.
Alma sensível, Kahena passou a observar e a se interessar pelas coisas da natureza, vendo nela um mundo novo e um imenso campo de aprendizado a convidá-la. Foi num dia em que contemplava as maravilhas da criação do Pai, sentindo a vida palpitar em tudo e o amor do Ser Supremo irradiar em todas as direções, que ela ouviu uma voz, com a suavidade peculiar aos seres angélicos, lhe dizer:
-Filha, nunca penses que o universo é morto e que a raça humana independe da Força Universal, que se chama Deus! Não existem povos privilegiados pelo Grande Arquiteto, nem seres que ocupem posições de destaque eternamente, no comando das nações. O Criador dá oportunidades a todos e pode retirá-las quando Lhe apraz.
Desde o pária mais obscuro da Terra, até o mais célebre pastor de almas, todos recebem a mesma assistência do Alto, como a chuva que cai sobre justos e pecadores. No entanto, cada um assimila essa força divina, de acordo com seu merecimento e capacidade de recepção. A justiça de Deus é imensurável e imutável para todas as criaturas!
Ingressa, minha filha, na escola da natureza, colocando todo o amor no aprendizado, para poder ajudar mais e as portas da Universidade de Deus abrir-se-ão para suprir as tuas necessidades de conhecimento. Sê feliz!
A voz silenciou e Kahena olhou em volta, procurando inutilmente quem pronunciara tais palavras. Em prantos, caiu de joelhos, beijando o solo arenoso, como se regasse com suas lágrimas as sementes daquilo que ouvira. Quis agradecer, mas sumiu-lhe a voz e obscureceu-se o seu raciocínio. Apenas conseguiu chorar.
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Quando readquiriu o equilíbrio, era alta madrugada, no tempo dos homens. Cambaleante, notou a presença de dois anciãos que a ajudaram a se levantar, convidando-a a repouso tonificante. Graças à sua natureza forte, em poucos segundos respirava aliviada em um casarão confortável, onde seus benfeitores lhe trouxeram um líquido de agradável sabor, que lhe refez as energias. Logo em seguida, Kahena dormiu profundamente.
A partir desse dia, Kahena se entregou ao estudo da natureza, principalmente da flora, encontrando nas matas do Brasil recursos extraordinários e um campo de trabalho grandioso. Passou a se dedicar também à assistência das tribos indígenas e, quando a nação abençoada foi descoberta por Pedro Alvares Cabral e os negros africanos passaram a ser traficados para cá, fez-se protetora daquela gente humilde e servidora, cujos braços eram a melhor ferramenta da época. A sua equipe estava sempre presente em todos os pontos do país.
Kahena sabe comunicar-se com todos os reinos da natureza e deles extrair o necessário ao bem da coletividade, sendo, por isso mesmo, muito solicitada em todas as regiões da grande nação, atendendo sempre com presteza e bom ânimo, demonstrando equilíbrio em suas mínimas atitudes. Extrai substâncias dos vegetais com um simples gesto e devolve com facilidade as energias que sobram em suas tarefas, à grande fonte de suprimento, para que nada se perca ou irradie sem necessidade.
Ao conhecer os ensinamentos do Mestre, apaixonou-se por Sua filosofia celestial, da qual nunca se esquece na sua lida no bem. Gosta imensamente de ouvir todas as dissertações evangélicas, delas tirando profundas deduções. Está conosco nesta expedição e nunca reclama do trabalho a realizar, fazendo sua parte com profundo amor.
Já teve algumas reencarnações no Brasil, mas, quando volta à pátria espiritual, retoma a forma de Kahena, por ter sido naquela vida que ocorreu a explosão de luz em seu sensível coração.
PERFIL
Cabelos longos e negros, bem volumosos, grossos e brilhantes; sobrancelhas fechadas e espessas, mostra algumas rugas na testa. Apesar da aparência esbelta, seus ombros são largos e as mãos grossas e alongadas. Tem o nariz um pouco adunco e, no rosto ovalado, apresenta uma expressão de constante energia. Dificilmente sorri, embora esteja sempre de bom humor.
Desde o pari» mais obscuro da Terra, até o mais célebre pastor de almas todos recebem a
mesma assistência do Alto, como a chuva que cai sobre justos e pecadores.
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