Iniciação - Viagem Astral
Buscando Entendimentos
O Espírito está sempre em busca de entendimentos. O aprendizado é infinito, como infinito é o Espírito que aspira à felicidade em todos os rumos.
A história do atual ciclo evolutivo do mundo está caminhando para um desfecho nunca antes presenciado. As maiores nações da Terra fazem convênios, tratados de paz, querendo fazer crer que tudo vai bem; entretanto, essa harmonia, essa paz, é somente exterior; o organismo social está deteriorado por dentro e a sociedade está decadente, por faltar-lhe o sustentáculo dos seus princípios morais, que é o Amor.
Não é necessário ser um luminar do saber para se perceber que nada falta ao mundo; tudo existe com abundância, em se referindo às necessidades humanas. O que desequilibra a economia é a ganância, é a falta de fraternidade, é a usura, o egoísmo e a prepotência. Quando todos os homens, todas as nações conhecerem o Evangelho do Cristo e o praticarem na vivência diária, desaparecerão todas as dificuldades, porque será acesa dentro do lar, célula da humanidade, a luz do entendimento.
A ciência avançou muito, faltando-lhe os sentimentos iluminados em Cristo para saber aplicar o imenso saber, apenas na obra do Bem. Enquanto o Evangelho não chega aos corações, as guerras, a fome, a dor em variadas formas de enfermidades, as cicatrizes do infortúnio irão mostrar a todos o preço da sua ignorância.
Muitos indagam o porquê da espiritualidade superior não se manifestar visivelmente, diante das possibilidades de comunicação de que o homem de hoje dispõe para alertar as massas. Respondemos: por deixar o homem de realizar sua parte, da qual ele se esqueceu ou não procurou estar à altura de realizar.
O conforto, em determinada faixa evolutiva, empana o despertar e retarda o desabrochar dos grandes ideais. As grandes cabeças estão voltadas para indolência, procurando somente coisas fáceis, fortunas e mais fortunas, sem cogitar se alguém sofre com sua ganância pelo ouro.
Os caminhos para a felicidade estão todos fechados, menos um: o caminho da Dor. As civilizações sempre sofreram as conseqüências das suas próprias artimanhas, da falta de sinceridade nos contratos assinados com a tinta da mentira no papel da falsidade. Ninguém engana as leis de Deus. Elas respondem a todos na medida que as criaturas pedem, pelo processo dos fatos.
Uma coisa, porém, nos dá alegria e nos abre as comportas da esperança: é que, algum dia, todos se arrependerão e voltarão como filhos pródigos para o rebanho do Mestre, reparando tudo que fizeram de mal e entregando os corações somente para o amor.
A Doutrina dos Espíritos abriu ao mundo uma perspectiva enorme para o conhecimento da Verdade e nós, no mundo espiritual, estamos empenhados no trabalho com essa Verdade que brilhará como o sol, mostrando Jesus em todos os ângulos da vida, a nos ensinar as regras de convivência no Bem.
*
Estávamos em um sítio de trabalho, que se chama Nova Esperança, pequeno nas suas proporções, mas grande nos seus ideais.
Ele se localiza, mais ou menos, na divisa de Minas com Espírito Santo e seu ambiente contagia a todos que estagiam por aquelas bandas, fazendo palpitar em todos os corações que se reúnem nesse
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campo de Deus, o amor que nada exige. Seus lugares públicos e as casas de encontros dos trabalhadores nos convidam profundamente às conversações, principalmente àquelas em torno da fé, que dignificam mais o ambiente.
Os dirigentes de Nova Esperança abrem os braços para todos os trabalhadores e o seu móvel não é outro que não o exercício do Bem concretizado. Os grandes portões magnéticos se abrem para todas as caravanas que estiverem em função do trabalho fraterno, sob as bênçãos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A senha para se adentrar nessa casa de Deus é muito simples e ao mesmo tempo engenhosa: é o Amor, que infunde na personalidade de quem chega uma tonalidade bem conhecida dos vigilantes. Quando tocada a campainha, instalada no portal onde se encontra a inscrição luminosa Deus é Amor, os sons anunciadores, em um grande salão, fazem fosforescer as cores da aura dos recém-chegados em um pequeno painel, onde se fica sabendo quem é quem. Além desse, existe outro método para o exame de quem se aproxima pela primeira vez: há um sistema de televisão avançado, que mostra perfeitamente não somente as luzes que circundam os visitantes, como também as imagens, com uma nitidez impressionante.
A atmosfera de Nova Esperança é saudável e a gente se sente como se recebesse um passe divino, que fortalece e ilumina, que dá novas forças e amplia o entendimento para o trabalho a realizar. Mas, quando descemos às sombras da Terra e começamos a respirar a atmosfera mais pesada, ligada ao psiquismo terreno, que diferença! Todas as vezes que volto à crosta terrestre, tenho dificuldades enormes para nova adaptação.
Estávamos em uma sala, onde observávamos mapas e anotávamos residências, pessoas e coisas e dávamos um balanço completo, reunindo dados de que poderíamos precisar para a excursão que planejávamos. A alegria era imensa, por voltarmos ao trabalho com aqueles companheiros saudáveis e sempre de bom humor. Miramez, em alguns momentos se apresentava grave e, por vezes, sisudo; em outras horas, não passava de uma criança, cuja candura e simplicidade o confundiam com um anjo. Quem trabalha com ele, jamais se esquecerá da sua personalidade. Ele fala muito mais com imagens mentais, no silêncio da telepatia, do que por palavras.
Na sala em que permanecíamos em preparo para novas realizações, havia o que podemos chamar um conjunto de som, capaz de encantar qualquer pessoa da nova geração. No entanto, as músicas ali apreciadas eram, geralmente, clássicas. Possuía vários botões que, quando acionados, faziam-nos ouvir Beethoven, Chopin, Gounod, Mozart, Rossini, Schumann, Schubert, Meyerbeer, Wagner, Verdi e muitos outros da mesma linha criativa, cuja música eleva e exterioriza os sentimentos da alma, como uma prece ao Criador.
O botão onde se lia o nome Rossini foi pressionado por Miramez, para ouvirmos O Barbeiro de Sevilha. Que coisa sublime! Como a gente se sente bem! E assim nos sentimos porque, quando a composição é perfeita, ajuda a harmonizar o nosso universo psíquico com o macrocosmo de uma maneira extraordinária, em uma sintonia divina. Depois ouvimos, do mesmo autor, Semíramis, cuja beleza nos transportou a plagas longínquas, fazendo-nos rememorar outras terras.
Depois desse intercâmbio valioso com a melodia do universo, Miram levantou-se como se fosse um astro iluminado pela exteriorização dos sentimentos mais elevados que seu coração desprendia, e orou com fulgor:
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"Senhor do Universo!
Não podemos esquecer a gratidão pelo que temos recebido por misericórdia em todos os lances das nossas vidas. Essa gratidão, meu Deus, somente podemos expressar com o que temos, e quase nada podemos ofertar, porque ainda estamos endividados com a Lei. Mas, permite que possamos ouvir e obedecer à Tua vontade, como sempre o fazemos, sem que a invigilância nos leve a descuidar dos nossos valores a cultivar.
Abençoa nosso coração, para que ele pulse no mesmo ritmo do amor universal. Não nos deixes, Senhor, cair em novas tentações. Abre os nossos olhos e alerta a nossa inteligência, no sentido de discernirmos o que seja melhor para nós.
Estamos de saída e rogamos que guies os nossos passos.
Que Jesus seja, em Teu nome, a Luz em nosso caminho e a Verdade em nossa vida.
Que Maria de Nazaré nos empreste, Senhor, o seu amor mais puro, da fonte do seu coração generoso e santo, porque sabemos que sem amor nada poderemos fazer em favor dos que sofrem e choram .
Que a Tua paz seja a nossa paz ".
Não é preciso descrever os fenômenos ocorridos com a prece, porque já são conhecidos de todos os companheiros dedicados à leitura espiritualista.
Saímos enriquecidos e renovados de ânimo, sentindo o perfume das flores mais lindas a acomodar nas nossas entranhas os sentimentos mais nobres, nos fazendo assinar na consciência, o dever de ajudar sempre, com e por amor.
Partimos para Porto Alegre, no sul do país. A atmosfera se mostrava fechada, com nuvens escuras prenunciando chuvas torrenciais em grande área de vários estados.
Em plena volitação, percebemos luzes faiscando ao longe, em forma de cruz. Era um avião que marcava o mesmo rumo que estávamos tomando.
Miramez demonstrou ter ouvido algo: observou com atenção, mudou a direção da caravana em linha reta à aeronave e nos pediu para examinar o que ele já estava vendo e ouvindo. Notamos uma grande algazarra dentro do avião, com mulheres gritando, homens aflitos e crianças assustadas. O nosso instrutor dava pouca atenção ao vozerio: a sua preocupação maior era saber a causa daquele distúrbio.. Apurou mais a visão e a audição, utilizando seus enormes recursos, e notou imediatamente acima do aparelho, confundindo-se com nuvens magnéticas de baixo teor, algumas entidades inferiores acionando fluidos perturbadores nas instalações do aparelho, de modo que os registros eletrônicos estavam em completa desordem, chegando ao ponto de duas das possantes turbinas falharem, em virtude de o combustível estar com o seu bombeamento interrompido.
Até os experientes homens responsáveis pelo aparelho davam sinais de esgotamento de paciência, nessa confusão em pleno vôo. Nós já estávamos dentro da aeronave, tomando as providências que Miramez tinha nos solicitado, primeiramente, o Padre Galeno, com Celes e Kahena ao lado, buscou um reverendo católico que acabara de acordar de longo sono, meio assustado, perguntando o que estava acontecendo. Logo percebeu a gravidade da hora e sentiu que a sua missão como vigário era consolar as
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criaturas, mesmo que tudo estivesse perdido. Pensava ele: "Com Jesus, nada está perdido!" Levantou-se rápido e, intuído por Galeno, falou com energia:
- Meus filhos! Acalmem-se! Voltem todos para suas poltronas e amarrem os cintos! Acalmem-se, em nome de Deus, que Ele vai nos salvar! Não percam a fé n'Aquele que tudo criou e que tudo pode fazer, por graça e misericórdia. Ele sabe mais que todos os homens juntos e irá nos salvar, usando os meios que Lhe convierem!
Parou um pouco. Todos já estavam assentados; uns orando, outros chorando, agarrados aos seus filhos, as mulheres com seus maridos. Ele continuou, com mais confiança:
- Ainda bem que vocês ouviram a palavra de Deus. O Espírito Santo está atento a todas as nossas necessidades e nos acode, pela vontade do nosso Pai Celestial.
Galeno continuava a falar através do padre, de maneira aprender a atenção dos passageiros, que já não percebiam quase nada do que estava se passando com o avião, que cada vez mais perdia altitude. Estava à altura de nuvens escuras, enquanto relâmpagos estalavam como bombas e seus fios de luz cortavam os ares em busca da Terra.
Miramez deu um sinal para Abílio e Fernando, que logo entenderam o serviço a fazer. Nosso instrutor saiu do avião e eu o acompanhei, meio tonto pelas descargas elétricas que atingiam a aeronave. Eu estava um tanto acostumado a me desfazer com facilidade de efeitos semelhantes, no entanto, confesso que não estava entendendo de onde vinha aquela perturbação tão distonante. Vi, então, um espetáculo maravilhoso: as ondas magnéticas vinham como chuva em direção ao avião. Miramez, colocado entre elas e o aparelho, ampliava a sua luminosidade de maneira grandiosa que, como se fosse um alongamento dos seus braços, recolhia a chuva e a desviava para o espaço. A sua mente poderosa reuniu fluidos até então desconhecidos para mim, que se avolumaram em torno da sua cabeça projetou na aglomeração de entidades infernais. Ouvimos uma enorme explosão provocada pelo choque fluídico. Aqueles Espíritos ainda entregues à prática do mal, foram dispersados e o avião, imediatamente, voltou a obedecer aos comandos dos seus operadores. Os motores asserenaram, o combustível começou a correr normalmente em suas veias metálicas, os indicadores se estabilizaram e reinou paz.
A aeromoça anunciou:
- Bem, pessoal, estamos fora de perigo!
- Graças a Deus, acrescentou o reverendo.
- Agora vem o choro da alegria, comentou Kahena.
- Esse só faz bem, terminou Celes.
Fernando e Abílio continuavam a fazer a limpeza devida no ambiente; fluidos de energismo decadente espraiavam-se por todo o aparelho, que já voava serenamente.
Ao terminar sua parte, entrou sorridente o nosso mentor, que nos esclareceu com sua fala fácil:
- Fiz o que não pretendia fazer.
E esclareceu:
Eram vinte entidades terríveis que queriam derrubar este avião, por estarem viajando nele seus comparsas de crimes em vidas passadas e que os traíram, evitando grande massacre. Isso ainda é resto de vingança; é o ódio que paralisa corações. Eles não medem conseqüências para se vingarem. O que eu não queria fazer era colocá-los em estado de coma por algum tempo. Nós fizemos uma reversão dos mesmos
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elementos que eles emitiam, devolvendo-os para eles, de sorte a acomodá-los nos seus próprios organismos espirituais por determinado tempo. Estão tomando uma lição que não esperavam.
Eu tinha pensado: "Mas, eles são mestres no trato com as coisas do mal! Como aprenderam tanto?"
Miramez, percebendo meus pensamentos, aproximou-se de mim e explicou, de modo a se fazer ouvir por todos:
- De fato, Lancellin, eles são o que poderíamos chamar de magos negros, que vivem provocando distúrbios por muitos lugares, principalmente buscando aqueles que os fizeram sofrer. Todavia, eles se esqueceram da lei de Deus, que vibra em cada milímetro cúbico do Universo e que garante e sustenta os que merecem proteção. O mal tem limite: é onde o bem começa a nascer.
O padre que viajava no avião, sendo portador da faculdade de vidência, vira o nosso grupo trabalhando em favor dos passageiros e tripulantes do aparelho. Percebera com mais clareza o seu colega religioso, nosso querido Padre Galeno. Se reconhecesse tal fato publicamente, estaria renegando as diretrizes de sua religião; por isso, preferiu levar seus companheiros de viagem a acreditarem ser um milagre o fato de não ter se consumado o desastre fatal.
Miramez comentou conosco, em tom de desinteresse:
- Isso é problema de consciência dele. Quando chegar a hora, até as pedras falarão a verdade.
O avião aterrissou no aeroporto de destino sem nenhuma dificuldade, onde muita gente estava à espera do aparelho. Ficamos por lá alguns minutos e tomamos outros rumos.
Nós estávamos buscando entendimentos nas várias direções que o trabalho com Jesus pode oferecer. Renovamos, ali no aeroporto, as energias gastas em labor intenso. Ali mesmo se encontrava instalado um posto espiritual de assistência, que atendia às linhas aéreas, e onde nos reabastecemos em clima de grande fraternidade.
Existem, em todas as linhas aéreas, dezenas de falanges de Espíritos capacitados para tal serviço de assistência urgente. São denominadas Falanges do Ar e atuam não somente no Brasil, mas, em todo o mundo. Eles são preparados para todas as espécies de problemas e, mais ainda, para ajudar a fazer cumprir os carmas de cada criatura, bem como as provas coletivas, para que cada criatura colha realmente o que plantou, na seara das existências.
No caso referido, eles, quando estavam preparados para socorrer o avião, receberam emissão telepática de um agente espiritual que viajava com o aparelho, dizendo já estar em plena atividade um grupo de Espíritos conscientes dos seus deveres, cujo líder era o conhecido companheiro Miramez. Todos ficaram aliviados, por ser ele entidade adestrada nas muitas ciências de servir, inclusive tendo já trabalhado, em várias oportunidades, em viagens aéreas, enfrentando situações semelhantes à que narramos, de maneira a enriquecer sua já vasta cultura de assistência.
A filosofia de ajudar é grandiosa e a vinha de trabalho se estende ao infinito, mas os trabalhadores são poucos.
Miramez sempre nos ensina com otimismo:
- Quando estiverdes em grande dificuldade, lembrai-vos de Deus e de Jesus e confiai nas vossas próprias forças. Levantai o ânimo e, se os problemas não cederem devido ao ambiente pesado da Terra, deixai que as trevas ponham uma vírgula no vosso ideal; se continuar o aperto, consintai que ponham
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ponto vírgula. Mas, escutai bem: não permitais nunca um ponto final! Ceder é uma tática para avançar mais, quando a inteligência com Jesus achar conveniente!
Partimos para nova etapa de trabalho. Já era tarde. Passamos a acompanhar um jornalista que estava saindo de uma conferência, ao qual chamaremos de Treze. Treze é um homem muito sensível, dessas criaturas que se acomodam melhor nos extremos da vida e dificilmente no centro. Em todos os esforços que faz buscando o equilíbrio, ele não se sente bem.
Cada pessoa é um mundo diferente, por ser influenciada de muitas maneiras como, por exemplo, pelas forcas da herança. A hereditariedade é uma realidade incontestável, nos arranjos da organização fisiológica e, até mesmo, psíquica. O espírito, para vencer todos os obstáculos do meio ambiente e se libertar das influências nocivas, necessita de muita força interior. É aí que nos lembramos de Jesus, que já nos disse há quase dois mil anos: Conhecereis a Verdade e ela vos tomará livres.
Esse homem que estávamos acompanhando é um dos que não conseguiram se libertar das opressões do ambiente em que vivem, tanto de família como do trabalho e da sociedade, sendo sempre escravo do meio. É um senhor inteligente mas, impressionado com os acontecimentos, que muda com facilidade suas idéias, dependendo de quem o influencia e da força das imagens que lhe são apresentadas.
Chegamos a sua casa antes dele, a fim de realizarmos a difícil tarefa de limpeza do ambiente.
Havia naquele lar seis entidades ligadas à família há muitos séculos, Espíritos esses que vêm unidos pelos processos das vidas sucessivas e, por desconhecerem o valor do perdão e da amizade, a idéia de perseguição e de vingança surge como prioritária. O limpar a honra é termo absoluto no seio desse grupo de Espíritos ligados pelo ódio.
Quando pensávamos em perguntar a Miramez alguma coisa sobre como deveríamos fazer para ajudar aquele homem a se livrar daqueles terríveis inimigos, cuja influência tanto prejudicava a sua vida familiar e profissional, ele antecipou-se à nossa indagação e nos esclareceu:
- A idéia de ajudar, muitos a têm e faz parte, de certa forma, dos sentimentos de muitos Espíritos, entretanto, saber ajudar é arte de poucas pessoas.
Vejamos a mãe diante dos seus filhos: a ajuda dela é quase cega. A intenção da genitora é somente, ou quase exclusivamente, satisfazer a seus filhos naquilo que eles almejam e que nem sempre é o certo. Assim agimos em relação às pessoas que amamos, em um sem número de casos que podemos relacionar como ajuda errada. É o coração que se esquiva da cooperação do raciocínio. O homem encarnado, ou o Espírito desencarnado, que já aprendeu a servir certo, a ajudar no ponto ideal, que se empenha em despertar em quem recebe a ajuda, as suas próprias forças, esse não é bem visto no reino dos pedidores.
No caso em pauta, o nosso irmão Treze está ligado a essas entidades malfeitoras por sintonia de sentimentos e por conveniência. Nós vamos trabalhar para ele mudar as idéias, porém, quem sintoniza um aparelho radiofônico em uma estação, somente ouve as coisas programadas por ela, isso é claro. Ele está ligado às trevas, por fazer muitas coisas trevosas. De vez em quando, quer se afastar delas, mas fica só na teoria. Somente a prática do Bem isola todas as influências do Mal. O nosso irmão está fazendo tudo para se aposentar sem ter cumprido o tempo de serviço determinado pela lei, simulando uma loucura, para que possa passar pela junta médica, não sabendo ele que essa simulação possui fios que o ligam fortemente e o detêm em baixo nível espiritual, levando-o a conviver com situações e coisas irreais. A aposentadoria
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para ele, não será boa. Ele quer abandonar a profissão e viver sem fazer nada. Sua casa mental será um ninho maior de Espíritos inferiores que pensam do mesmo modo.
O perdão, que ele tanto precisa exercitar, é também o perdão do trabalho no bem comum. Como homem que escreve, pode ajudar a muitos, de muitas maneiras.
Treze vai chegando em casa com a mente confusa e muito inquieto. Sua cabeça parecia estar em fogo. Amiúde, ele tinha essas crises de desespero. As palavras do conferencista o impressionaram sobremaneira, como sempre acontecia. Toda consciência pesada traz desequilíbrio à vida.
As pessoas perguntam sobre como aliviar a consciência. Qual seria a fórmula mágica para curar o nosso espírito doente?
Respondemos com quatro letras apenas: Amor, repetindo as palavras do apóstolo Pedro, em sua I Epístola, no capítulo IV, versículo VIII:
Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os
outros, porque o amor cobre a multidão de pecados.
É o que estamos tentando transmitir a todos aqueles que já identificam em seu íntimo a predisposição para o Bem, quando interrompemos os relatos que agradam mais ao leitor, para falar sobre a disciplina que, no campo espiritual, caracteriza o homem de bem. Discorrendo sobre a auto-educação, damos o roteiro para o Amor, através da sabedoria, localizando-o desde as primeiras manifestações de carinho dos animais até a fraternidade dos anjos, desde a atração do elétron em todo o núcleo atômico, até a mecânica do universo.
Com tudo aquilo que fizemos de errado, nós carregamos a nossa consciência e fazemos pesar mais o nosso fardo. O Espírito passa a receber os impositivos da Lei de Deus quando ainda jornadeia no reino mineral, por meios mais rudes que se suavizam no decorrer da vida no reino vegetal, acentuando-se na seqüência do reino animal.
Por isso, no estado nominal ele se conscientiza de sua individualidade espiritual e passa a ter consciência do erro em que se demora. Assim é que, no acúmulo de pequenas faltas, as criaturas se desviaram do caminho do bem. O aprendizado é longo, porém todos aprenderão. Começando com pequenos acertos, o fardo se alivia do mesmo modo que foi pesando: gradativamente.
Quase sempre, quando o Espírito começa a despertar para a Luz, procura somente os grandes feitos, pensando que com isso avançará mais depressa, quando, na verdade, será pela repetição das pequenas boas ações que se formará o alicerce que suportará o edifício da total renovação.
Se quiseres alimentar um vício, por menor que seja, sob a desculpa de que não possuis nenhum, começarás a enganar a ti mesmo, pois o menor dos vícios está ligado aos demais, sendo a porta aberta para a sua aquisição.
Assim, ao iniciares conscientemente a tua renovação, pratica a terapia do Amor quando falares a alguém, sentindo-o fazer parte do teu ser, da tua vida, e fala visualizando a luz saindo de tua boca e iluminando a quem te ouve.
Quando ajudares alguém, faze-o desinteressadamente e silencia no bem que fazes, porque a própria vida se encarregará de divulgá-lo com mais esplendor. Todo reposicionamento diante da vida
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exige, além de educação e disciplina, coragem. Mesmo os que militam fora da carne precisam de coragem; entretanto, esta tem que ser vigiada pelos sentimentos da fraternidade legítima.
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Estávamos todos já no apartamento de Treze com o ambiente preparado. Nosso irmão se preparava para dormir, porém, suas idéias em desarmonia dificultavam o sono. Passados uns vinte minutos, resolveu orar. Sua oração era decorada e da qual não participavam os sentimentos; todavia, era uma alma sem maldade. Miramez aproximou-se da cama, colocando as mãos sobre os centros de força de Treze, movimentando ora à direita, ora à esquerda. Daí a instantes o jornalista dormia. Miramez ordenou-lhe mentalmente que se virasse de bruços, no que foi logo obedecido. Imediatamente nos foi mostrado, ao longo da espinha dorsal de Treze, alguns impedimentos no trajeto comunicativo das forças nervosas; o cérebro registrava alguns sinais de pedido de socorro de vários pontos do corpo; no entanto, muitos chegavam confusos, criando dificuldades de vária ordem para a consciência instintiva trabalhar.
Via-se com perfeita nitidez pontos escuros com movimento circular e, cada vez que era ampliada a nossa visão, os pontos negros se mostravam como nuvens vivas, provindas de turbulências magnéticas, obedecendo à região que o dedo do nosso instrutor nos indicava. Era a forja mental. As hastes coronárias recebiam o éter físico, transformando-o em energia sublimada no campo dos pensamentos, impregnando-os com as suas próprias determinações.
É difícil transmitir com pureza a magnitude do espetáculo, que nos fala, bem alto, da existência de Deus. A rede nervosa, com toda a sua engenhosa freqüência, não conseguia manter a harmonia dos filamentos sensíveis de ligação com o cérebro de Treze, que se sentia alterado no seu modo de ser. Era um verdadeiro desastre na zona mencionada.
Notemos que determinados Espíritos, às vezes, vibram em faixas inferiores sem perigos imediatos, por lhes faltar evolução espiritual. Mas para os que, como o Treze, já têm certa capacidade, os distúrbios são enormes no campo da sua existência, e muito pior quando desencarnados. Essa é a fase mais crítica da alma que tem urgência de melhorar seu modo de pensar e de agir. Daí a necessidade que temos de Cristo no coração, na inteligência e na vida.
Miramez emitiu projeções mentais em direção à mente do jornalista adormecido e logo uma tênue e bruxuleante luz azul desprendeu-se do cérebro de Treze e tomou a forma em duplicata do corpo físico. O duplo afastou-se um pouco do corpo de carne por ordem do nosso guia e notamos que o jornalista-Espírito nada via. Começou a andar às apalpadelas. Para ele, tudo estava escuro, pois os seus pensamentos eram negros. Quando surgia em sua mente uma idéia, ele a desenvolvia com facilidade, mas, na área do desequilíbrio, piorando sua situação como candidato a viagem astral consciente.
Julgando-se cego, ele deu início a uma gritaria infernal, pedindo ajuda a todos os santos de que se lembrava no momento, mais acentuadamente de Santa Luzia, protetora dos cegos.
Nós o cercamos com vibrações de amor e Kahena se aproximou dele, colocando a destra em seus olhos, dizendo com segurança:
- Em nome de Deus e de Cristo, vê!
E transmitiu tal poder em sua voz, que começaram a cair algo como escamas escuras dos olhos do jornalista. Ele passou a ver o ambiente em que se encontrava e caiu de joelhos para agradecer a Deus.
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Viu também nossa querida Kahena e passou a chamá-la, chorando, de Santa Protetora dos Cegos. Kahena sorriu e lhe falou com meiguice:
- Levanta-te, companheiro! Não posso permitir que me adores como santa, pois estou aqui aprendendo também. Somos todos alunos do Cristo, em reajuste permanente!
Logo que modificou o seu padrão vibratório, Treze pôde ver quase todos os nossos companheiros de jornada educativa e sentiu uma alegria imensurável.
Saímos dali, alçando-nos ao ar. As estrelas, como sempre, nos pareciam mais visíveis, como olhos de Deus a nos vigiar e proteger.
Parecia haver uma força mental a nos dirigir, e havia mesmo. Miramez, com a sua mente lúcida, comandava energias sublimadas que nos abarcava a todos, que éramos mais de cem. A maior parte era de Espíritos encarnados em aprendizado conosco, formando uma comunidade que volitava sob as bênçãos dos Céus, em favor da Terra.
Descemos em um grande pátio de uma fazenda de café. A lua começara a sair por trás das nuvens e clareava o chão batido onde pisávamos, esperando rumos a tomar.
Miramez fez sinal para Kahena e eu. Atendemos prestativos, deixando Fernando, Celes, Abílio e Galeno em companhia dos irmãos em adestramento para viagens conscientes. Galeno tomou a palavra, aproveitando o tempo e anunciando para os irmãos em aprendizado, nova feição do Evangelho de Jesus para o terceiro milênio.
Entramos na casa grande e fomos saudados por uma senhora que parecia ter sido parente dos moradores da fazenda. Olhou para Miramez com os olhos nadando em lágrimas, indicando uma porta. Sobre um catre, estava prostrado um velhinho com vida quase vegetativa, já respirando pela boca e com as feições cadavéricas. Alguns dos familiares entravam e saíam, sem saber o que fazer para aliviar o enfermo.
Pudemos observar, então, que, dentro do quarto havia quatro entidades terríveis sugando as forças vitais do velho sofredor. Quando ele ia desfalecendo, um deles o alimentava pela palavra mental, sugestionando-o para viver. Eles estavam ligados ao quase cadáver por fios tenuíssimos que partiam deles indo aos centros de força do irmão em decadência. Alguns desses fios alimentavam outros pontos nos corpos fluídicos dos obsessores em uma verdadeira simbiose, como o carrapato nos animais.
Eles não podiam nos ver. Miramez meditou por um instante; notamos que se avolumava em sua mente uma grande quantidade de fluidos que imediatamente desceram para suas mãos, transformando-se em uma espécie de tesoura com pouca luminosidade, Passou de leve os dedos naqueles fios que ligavam o doente aos malfeitores e cortou-os com rapidez. Os fios recolheram-se como por encanto e eles sentiram grande abalo, caindo para trás, sem equilíbrio.
Arrisquei uma pergunta mental, mesmo sabendo que a hora era de silêncio:
- Por que é preciso cortar esses fios mentais que interligam obsediados e obsessores? De que são feitos esses fios e por onde passa a energia que é sugada? Estava ansioso por uma resposta.
Miramez, sempre pronto a ensinar, por ter amor a esse exercício divino, respondeu com paciência.
- Olha, Lancellin, bem sabes do poder da mente, mesmo daquela que esqueceu o bem comum. Nós conhecemos muitos Espíritos desenvolvidos mentalmente a ponto de, por vezes, serem admirados.
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Porém, eles abandonaram a moral, força superior que dá direção à inteligência, e caíram no abismo igual ao que ora observamos. Pássaro nenhum pode voar com uma só asa, nem os espíritos buscar a Deus somente por meio da razão. É preciso cortar esses fios, por serem eles consistentes. Ao fazê-lo, é mais fácil para nós transmitir alguma coisa para o seu dono, algo que o possa beneficiar amanhã. Esses fios são feitos do éter físico, manipulado pela mente, que recebe de outras fontes internas o desejo, dando-lhe forma imediatamente. Eles são como os cabelos do ser humano: são ocos e por sua cavidade transitam as energias vitais do enfermo, sem perda para os sugadores. Isto tudo que estás vendo, meu amigo, é problema de sintonia de ambos os lados, mas, como tudo tem um fim, hoje terminou essa obsessão, finalizando, igualmente, a vida física deste homem.
Esses fios invisíveis aos olhos humanos se prendem ao corpo enfermo por junção eletromagnética. São forças iguais que se unem por lei. Quando deixar de existir a semelhança, desaparecerá o fenômeno comumente chamado de vampirismo, perturbação, encosto, obsessão, possessão, subjugação etc.
Fiquei satisfeito com o que ouvi. O nosso Treze também estava conosco dentro do quarto e escutava atento o nosso benfeitor, porque já conseguia vê-lo perfeitamente. Ele absorvia com facilidade o ambiente em que estava vivendo e aspirando no momento.
O velho dava sinais de melhora e seus olhos buscavam em todas as direções, alguém que não podia ver, mas cuja presença sentia.
Nesse ínterim, assomou à porta uma senhora que parecia sua filha; pegou suas mãos, beijou-as e pronunciou seu nome. Ele a reconheceu e avivou mais ainda sua lucidez. Ela imediatamente lhe trouxe um caldo reconfortante, que o pai sorveu com avidez. Era verdadeiramente uma melhora.
Todavia, o Treze, que estava atento, ajudando pelos meios de que dispunha e com a alegria de servir, quando ouviu a mulher pronunciar o nome do ancião começou a desequilibrar o seu estado emotivo, precisando das nossas mãos para que pudesse se apoiar. Reconhecera naquele infeliz homem, o seu velho pai.
A história é longa, mas podemos resumi-la assim: Treze fugira de casa ainda muito moço, para acompanhar determinados senhores, levado pelo sonho que a mente jovem emprestava ao coração embriagado de ilusão. Nunca mais vira a família.
Sacudimos o jornalista, chamando-o muitas vezes pelo nome. Ele voltou à consciência e pegou as mãos encarquilhadas do velho moribundo, beijando-as demoradamente, repetindo muitas vezes: Papai, papai!
O doente, naquele momento de lucidez ativada, avistou o filho, reconhecendo-o. Com a garganta ajudada por Miramez ele disse: - Filho! Meu filho! Os familiares, todos em torno da cama, comentavam entre si estar ele delirando:
- Isso é natural, para quem se encontra neste estado de depressão física e mental, diziam.
Os olhos do velho falavam com mais clareza do que as próprias palavras. Não obstante, os encarnados não compreendiam a verdadeira mensagem da existência do espírito.
Miramez aplicou vários passes no enfermo e ele se acalmou. Daí a minutos, ele respirou pela última vez. Como já estava ambientado fora do corpo, não houve demora em tirá-lo definitivamente do
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fardo, o que o nosso benfeitor fez com todo carinho, entregando o Espírito desfalecido a Kahena e à senhora que tinha nos recebido quando chegamos, recomendando:
- Levem-no urgentemente para o primeiro posto de socorro e entreguem-no aos cuidados daqueles trabalhadores do bem comum. Depois passaremos por lá, para ver como ele vai indo.
O jornalista custou a voltar ao normal, ouvindo as palavras do nosso instrutor:
- Dá graças ao Senhor, meu filho, por teres encontrado aquele que foi instrumento para que te materializasses no mundo e beijasses suas mãos por gratidão. A tua presença muito nos ajudou, para que ele afrouxasse os laços da carne e viesse ter conosco. Vê o quanto vale o amor, o quanto pode o coração. Ele pensou que já tivesses morrido, quis transmitir isso aos familiares, mas, eles criaram uma barreira ao verdadeiro entendimento, por faltar-lhes uma religião que lhes educasse os sentimentos e ampliasse a inteligência acerca do destino da alma depois do túmulo.
Passados alguns minutos, tudo voltara ao normal. Os Espíritos que perturbavam o ambiente haviam partido. Os nossos companheiros que ficaram no pátio estavam treinando os aprendizes em volitações rasteiras, sozinhos. Achei uma brincadeira muito gostosa e fiz algumas experiências para eles verem como era. Ouvimos o Padre Galeno dizer a um deles:
- Meu filho, a mente é tudo nesta operação. Vamos, vai sozinho e ajuda este outro a subir.
Mas, não deu certo. Reunidos novamente, Miramez fez ali mesmo uma súplica ao Criador e a Jesus e partimos, entregando todos os nossos companheiros encarnados em seus lares, pensando nas impressões que eles guardariam ao despertar.
Já se prenunciava um novo dia.
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