Iniciação - Viagem Astral

João Nunes Maia · Capítulo 15 de 47

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Iniciação - Viagem Astral

Primeiro Encontro

Quando amadurece o fruto, ele não suporta mais o ambiente onde foi gerado.

Nós estávamos em uma casa de trabalho no plano espiritual, onde entidades de muitas classes atravessavam o grande pátio interno, cada qual com uma obrigação determinada. Os muros que circundavam a instituição davam certa aparência dos velhos muros da China, que guardam a antiga cidade do povo amarelo.

A diferença, contudo, era no aspecto de vida; ele era dotado de certa matéria que provocava determinada reação nos que não cultivavam os bons pensamentos e, fora disso, ainda existiam guardas hábeis e cães amestrados para defesa do patrimônio sagrado de educação comum. Torres altas apontavam para o infinito, como que dizendo de um poder maior que nos assiste a todos, havendo outras, maiores ainda, de forma piramidal, absorvendo constantemente raios energéticos que desciam do desconhecido ou, para melhor compreensão, raios cósmicos que atingem toda a criação de Deus.

As flores despejavam um perfume inebriante, combinando com matizes encantadores, insuflando a esperança por meio do visual dos que contemplavam o espetáculo. As estrelas não faiscavam como quando vistas do plano terreno, porém, vibravam na sua intensidade costumeira, derramando luzes em todas as direções. A vegetação acompanhava a mesma alegria das sugestões exteriores e os Espíritos superiores que por ali estagiavam ofereciam ao ambiente maior esplendor, por serem centros da luz de Deus a irradiar por todos os ângulos.

O trabalho ali era não somente das almas conscientes dos seus deveres mas, também, da natureza, que caprichava nos seus mínimos comportamentos.

O ambiente era tranqüilo, mas operoso. Dávamos os últimos retoques aos assuntos que ali nos levaram, referentes ao adestramento dos Espíritos encarnados em viagens pelo espaço, objetivando as saídas conscientes, como se estivessem nos seus afazeres diários. Combinávamos o primeiro encontro de todos os candidatos para uma preparação, ainda na esfera terrestre. Cada um de nós sairia em determinada direção, arrebanhando os pretendidos, para depois nos reencontrarmos em um ponto onde pudéssemos ouvir as primeiras lições.

Quando passamos à prática, as dificuldades foram muito maiores do que pensávamos; entre cerca de mil inscritos, somente oitocentos e poucos foram ao encontro, com muitas dificuldades. Muitos, no ambiente em que nos reunimos, dormiram, sem se aperceberem do que seria perdido com a falta de atenção.

Era alta madrugada e a noite estava bela, muito mais para aquele que observa os fenômenos da natureza, como livro aberto às nossas cogitações.

Algumas pessoas passavam por nós sem, contudo, perceberem a aglomeração de almas, para uma reunião de onde poderiam sair obrigações interessantes, no campo do bem da coletividade. Mas, elas passavam despercebidas, embriagadas, não somente com bebidas alcoólicas, como também por pensamentos inferiores que o condicionamento assimilava às próprias idéias. Um deles quase caiu em nosso meio, começando a perturbar nosso ambiente, mas, logo providenciamos recursos, isolando

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totalmente as suas ondas mentais, como também o odor cavernoso que exalava dos condutos dos sentidos, como do seu próprio todo, cheiro esse insuportável para quem vibra em outra faixa de vida.

Muitos dos companheiros, como já dissemos, se encontravam desmaiados como se tivessem inalado tóxico, no entanto, grande parte estava atenta, esperando o início dos trabalhos com grande esperança em novos deveres.

Um dos nossos companheiros de ideal, Galeno, se fez visível a todos através das suas possibilidades, buscando na natureza o que lhe faltava para ser visto pelos presentes ainda ligados ao corpo físico.

Cumprimentando todos, disse em tom paternal:

- A paz de Deus seja com todos, meus filhos!

A emoção foi geral, dadas às tonalidades de luz que irradiava aquela personalidade encantadora. Parecia que de sua boca fazia-se mostrar um sol existente no coração; a palavra mansa e atraente saía dos seus lábios em uma forte projeção de policromia, sobremaneira divina Alguns que dormiam, acordavam assustados com o fenômeno e percebiam a "codificação do ambiente pela presença do benfeitor que parecia procurar alguma estrela com os olhos, sondando o infinito, terminando por fixar o olhar em algum ponto que achou conveniente. E, com doçura, proferiu esta inspirada prece:

Senhor! Somos muitos irmãos nesta hora Te pedindo trabalho que possa enriquecer nossas experiências; Te pedindo a luz que nos ajude a ver os nossos próprios caminhos; Te pedindo discernimento, para não errarmos na escolha daquilo que nos pode servir com mais proveito! Deus de bondade inconfundível! Não nos deixes cair e ajuda-nos, para que nos alcemos à presença de Jesus, que nos indica as melhores tomadas de posições, diante das nossas necessidades de trabalho. Quantos somos aqui, agora! Somos muitos à espera de orientação que nos libera para os rumos iluminados do Bem.

Pai! Nós Te pedimos que o Cristo abençoe os nossos propósitos em todos os momentos, desde que eles se alinhem com o bem comum. E que esse bem seja a Tua vontade e não a nossa. Permite que possamos trabalhar nesta grande vinha, sem murmurar, sem exigências, sem tristezas, porque queremos fazer do labor, um meio de aumentar as fileiras da fraternidade, em um ambiente onde todos nós possamos esquecer a maledicência, o amor próprio, a vingança, a preguiça, o ódio e a indiferença, nos caminhos onde somos chamados a servir.

O ambiente era sereno e somente se ouvia o cantar de suave vento, que era como que música para contemplação mais profunda. Trezentas e sessenta e duas almas estavam acesas, sem perder um til da palavra cheia de esperança do mentor. Viam-se irradiar dele, luzes de matizes diferentes, onde predominava um azul celeste encantador. Aqueles raios de luz cheios de vida, ao sair do peito do mensageiro de amor, distanciando-se da sua personalidade imperturbável, tomavam formas diferentes e energismo variável, de conformidade com os que por eles eram beneficiados. Parecia, à nossa visão, um acúmulo de estrelas descidas da imensurável casa do Senhor. Tudo era vida em nosso derredor, mas vida estuante e benfazeja.

O benfeitor Galeno retomou a sua palavra mansa e instrutiva, peculiar à sua evolução:

 

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- Meus filhos, não vos esqueçais de uma coisa muito importante na vida que levais, para que possais sentir o ânimo necessário nas lutas de cada dia e a valorização do bem que jamais fenece: é a oração. A prece eleva as criaturas a um padrão espiritual, onde se sorve a água da vida, aquela que mantém o equilíbrio dos valores eternos. Muitos dos que aqui dormem neste momento, desconhecem esse tesouro a que ora nos referimos, da súplica cheia de humildade e de amor. Conferi, meus irmãos, todos os dias, esse poder que existe em todos: o poder da oração.

Jesus se referia a ele quando disse: Pedi e obtereis. Os irmãos que estão adormecidos, estão revestidos com o magnetismo da indiferença, atraídos pela invigilância, por verem em todas as religiões somente as faltas dos homens; por apanharem no garimpo da vida, somente o cascalho desprezado pelos hábeis catadores de pedras preciosas. Por isso, agora dormem, porque lhes falta a capacidade de ver e ouvir o chamado de Deus para a caridade consigo mesmos e em favor dos que sofrem.

Não estamos aqui brincando com os fenômenos psíquicos, porém, procurando despertá-los, sem esquecer o bem que poderemos fazer neste exercício. Aos que estão ouvindo e sentindo esse ambiente de misericórdia, que Jesus nos oferta por amor, peço que não desprezem essa oportunidade, pois ela será a luz que poderá guiá-los para a eternidade e a libertação.

Levantemo-nos todos, pois eis aí a separação do trigo do joio. Os indiferentes, que recebam a nossa bênção em nome do Cristo, e que esse convite fique como luz de Deus em seus corações, para que no amanhã desperte valorizada. E que Deus nos abençoe a todos!

Grupos de companheiros adestrados no serviço, encarregavam-se de levar todos os incapacitados para o empenho que almejávamos e os outros subiram, como que por encanto, acima da relva úmida e macia. Alguns deles brincavam com flores que, vagando no ar, procuravam se integrar nos centros de força de cada criatura. Era a resposta à súplica do irmão Galeno, ao começo do curso intensivo de desdobramento astral dos seres encarnados, em despertamento espiritual para a Vida Maior.

Levamos cada um de volta ao seu pouso da Terra com muita alegria e carinho, esperando que pudéssemos continuar os trabalhos iniciados, conquanto ainda existissem muitas barreiras a transpor. E quantos poderiam ficar no meio do caminho? Muitos talvez; todavia, não deveríamos esmorecer, principalmente no começo.

Tínhamos certeza absoluta de que, mesmo os que fracassassem no aprendizado, guardariam algo de divino no coração e, de outra vez, em outra jornada, isso ser-lhes-ia útil.

A prece eleva as criaturas a um padrão espiritual, onde se sorve a água da

vida, aquela que mantém o equilíbrio dos valores eternos.

 

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