O Genocídio do Negro Brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado
Capítulo 8
A exposição desses vários aspectos da realidade, em matéria de relações raciais brasileiras, contidas tanto no meu trabalho “Racial Democracy” in Brazil: Myth or Reality?, como também nas várias intervenções minhas feitas no desenrolar do colóquio, habilitaram a comissão redatora do Relatório das Minorias do colóquio a incluir uma seção sobre o Brasil. O Relatório das Minorias está reproduzido na íntegra, ao final deste volume, como Anexo 1.
Quanto às contribuições dos delegados oficiais do Brasil, elas foram mera repetição da linha tradicional do país: Fernando A.A. Mourão e Clarival do
Prado Valladares [8], cada um à sua maneira e em seu campo específico de interesses, deram a bendição ao status quo desfrutado pelos afro-brasileiros.
René Ribeiro [9], Yeda Pessoa de Castro e seu marido [10], e o dr. Alakija [11], produziram monografias descritivas, de pretenso caráter científico. São trabalhos de cunho acadêmico, naquela orientação que o Teatro Experimental do Negro, desde 1944, vem denunciando como totalmente inúteis às necessidades da população negra brasileira. Tal “ciência” em geral usa o afro-brasileiro e o africano como mero material de pesquisa, dissociado de sua humanidade, omitindo sua dinâmica histórica, e as aspirações de sentido político e cultural do negro brasileiro. São estudos de vista curta, em geral considerando os povos africanos e negros como “interessantes” e/ou “curiosos”; tais “estudos” veem o negro apenas na dimensão imobilizada de objeto, verdadeira múmia de laboratório.