O Genocídio do Negro Brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado
[20] Igreja Junto aos Indígenas,
Este extermínio das populações indígenas do Brasil constitui ainda hoje um explícito objetivo do governo brasileiro. A 28 de dezembro de 1976, o altamente respeitado Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, publicou uma entrevista com o ministro do Interior, Rangel Reis. Seu ministério preside os assuntos indígenas através da Fundação Nacional do Índio (Funai), e na entrevista Reis afirma:
Vamos procurar cumprir as metas fixadas pelo presidente Geisel para que, através de um trabalho concentrado entre vários ministérios, daqui a 10 anos possamos reduzir para 20 mil os 220 mil índios existentes no Brasil, e daqui a 30 anos, todos eles
estarem devidamente integrados na sociedade nacional. [20]
Contra essa política, um sacerdote jesuíta, Egydio Schwade, lança seu grito patético: “Poucos povos do mundo possivelmente terão conseguido resistir tanto tempo e com tão poucos recursos a uma sociedade tão bárbara e tão covarde que os invade, como o têm conseguido os bravos Waimiri-
Atroari” [21]
Enquanto isto ocorre, a fertilidade ideológica de Freyre, não contente em simplesmente implicar os africanos nesse genocídio dos índios, continua sua euforia autodeslumbrada, agora cunhando o próprio “mestre” um novo neologismo: a metarraça, o último, assim parece, produto da sua fantasia. A metarraça significaria o além-raça, suposta base da consciência brasileira. Atingiríamos, nesse ponto do nosso desenvolvimento demográfico, uma síntese suprema: a morenidade metarracial, oposta aos conceitos fornecidos por arianismo e negritude, ambos classificados como racistas por Gilberto
Freyre [22]. É oportuno transcrever uma frase do historiador Thomas E. Skidmore comentando a total inutilidade, aos interesses do negro brasileiro, dos trabalhos de Freyre: “O valor prático de sua análise não estava, todavia, em promover o igualitarismo racial. A análise servia, principalmente, para
reforçar o ideal do branqueamento.” [23]