O mistério da cruz egípcia
11. Pega!
Quando Ellery subiu o caminho de cascalho de Bradwood na manhã seguinte, encontrou o carro do promotor de justiça Isham estacionado na entrada da garagem. Havia uma expectativa insensível no rosto dos detetives ao redor. Com a suspeita de que algo importante estivesse ocorrendo, ele se apressou pelos degraus da varanda colonial e entrou na casa.
Passou raspando por um pálido Stallings e seguiu para a sala de estar. Lá dentro encontrou Isham, de sorriso lupino, e o inspetor Vaughn, deveras ameaçador, confrontando Fox, o jardineiro e chofer. Fox estava parado diante de Isham, uma figura silenciosa, as mãos fechadas com força; apenas o seu olhar entregava a perturbação. A sra. Brad, Helene e Jonah Lincoln estavam postados ao lado, como as três moiras.
— — — Entre, sr. Queen disse Isham em uma voz agradável. Chegou bem na hora. Fox, você foi pego com as calças curtas. Por que não se pronuncia?
Ellery entrou com cuidado no cômodo. Fox não se mexeu. Até os lábios estavam retesados.
— — Não entendo falou ele, mas estava aparente que entendia, sim, e estava se preparando para um golpe.
Vaughn mostrou os dentes.
— Pare de enrolar. Você visitou Patsy Malone na terça à noite; a noite em que Brad foi assassinado!
— — — A noite adicionou Isham com ênfase em que você deixou Stallings e a sra. Baxter no Roxy. Às oito horas, Fox.
Fox estava imóvel como uma pedra. Os lábios ficaram brancos.
— — — Pois bem? rosnou o inspetor. O que tem a dizer na sua defesa, seu bandido? Por que um chofer inocente visitaria a sede da máfia de um gângster nova-iorquino?
Fox piscou uma vez, mas não respondeu.
— — — Não quer falar, é? O inspetor foi até a porta. Mike, traga aquela almofada de tinta aqui!
Um policial à paisana apareceu na mesma hora carregando uma almofada de tinta e papel. Fox soltou um grito estrangulado e se lançou para a porta. O policial soltou os itens e segurou os braços de Fox, e o inspetor agarrou com brutalidade as pernas do homem e o derrubou, lutando ferozmente, no chão. Subjugado, ele parou de resistir e permitiu que Vaughn o pusesse de pé.
Helene Brad observava com um olhar horrorizado. A sra. Brad estava imóvel. Lincoln se levantou e virou de costas.
— — Colete as impressões digitais dele ordenou o inspetor.
O policial à paisana segurou a mão direta de Fox, pressionou os dedos na almofada e depois no papel, habilmente, e repetiu o procedimento com a mão esquerda. Fox estava com uma expressão de sofrimento.
— — Averigue as digitais agora mesmo. O homem responsável saiu correndo. — Agora, Fox, meu camarada… se esse for o seu maldito nome, que eu sei muito bem que não é… sugiro que tenha bom senso e responda às minhas perguntas. Por que visitou Malone?
Silêncio.
— Qual é o seu nome verdadeiro? De onde você é?
Silêncio. O inspetor voltou à porta e chamou dois detetives que esperavam no corredor.
— Levem-no de volta à choupana e o mantenham trancado lá dentro. Lidaremos com ele mais tarde.
Os olhos de Fox faiscaram enquanto ele saía cambaleando entre os dois detetives. Ele evitou o olhar da sra. Brad e de Helene.
— — — Muito bem! O inspetor enxugou a testa. Desculpe-me, sra. Brad, por criar uma cena dessas na sua sala de estar. Mas o homem é evidentemente um meliante.
A sra. Brad balançou a cabeça.
— Não entendo. Ele sempre foi um rapaz tão gentil. Tão educado. Tão eficiente. O senhor não acha que foi ele que…
— Se foi ele, que Deus o ajude.
— — Tenho certeza de que não foi interveio Helene com rispidez; os olhos cheios de piedade. — Fox não poderia ser um assassino ou um gângster. Tenho certeza. Ele sempre foi reservado, é verdade, mas nunca ficou bêbado ou foi desordeiro de nenhuma maneira condenável. Ele é culto, também. Já o flagrei diversas vezes lendo bons livros e poemas.
— — Esses sujeitos são muito cuidadosos, srta. Brad disse Isham. — Até onde sabemos, ele poderia estar desempenhando um papel desde que arrumou o emprego aqui. Verificamos a referência e ela era genuína… mas ele só trabalhou para o homem por alguns meses.
— — Pode ter aceitado o trabalho só pela referência adicionou Vaughn. — Essas pessoas fazem todo tipo de coisa. — Ele se virou para Ellery. — Pode dar esse crédito para o seu pai, sr. Queen. Conseguimos a dica com o inspetor Queen, que tem acesso a mais infiltrados e informantes do que qualquer policial de Nova York.
— Eu sabia que meu pai não conseguiria deixar de meter o bedelho — murmurou Ellery. — A informação foi muito específica?
— O informante viu Fox entrando na sede de Malone, só isso. Mas é o bastante.
Ellery deu de ombros. Helene disse:
— O problema com vocês é que estão sempre prontos para pensar o pior de todo mundo.
Lincoln sentou-se e acendeu um cigarro.
— Talvez, Helene, nós devêssemos ficar fora disso.
— Talvez, Jonah, seja melhor você cuidar da própria vida!
— — Crianças começou a sra. Brad, sem forças.
Ellery suspirou.
— Alguma novidade, sr. Isham? Estou sedento por informação.
O inspetor abriu um sorrisinho.
— — Engula essa, então. Ele pegou um maço de papéis datilografados do bolso e entregou-o a Ellery. — Se conseguir encontrar qualquer coisa neles, você é um gênio. Mas… — acrescentou, com ênfase, virando-se para Lincoln, que se levantara e estava prestes a sair do cômodo. — Não vá embora ainda, sr. Lincoln. Tem algo que… eu… quero lhe perguntar.
O momento foi bem escolhido, e Ellery aprovou a estratégia astuta e deliberada do inspetor. Lincoln parou de pronto, ruborizando. As duas mulheres tensionaram na cadeira. De uma hora para a outra, o ambiente anteriormente tranquilo passou a faiscar de tensão.
— — O quê? perguntou Lincoln com dificuldade.
— — — Por que inquiriu Vaughn o senhor mentiu para mim ontem quando falou que o senhor, a srta. Brad e a mãe dela tinham vindo para casa juntos na segunda-feira à noite?
— … Eu Ora, como assim?
Isham explicou:
— Parece que vocês estão tentando ao máximo atrapalhar, em vez de ajudar a investigação do assassinato do seu marido, sra. Brad. Os homens do inspetor descobriram pelo taxista que trouxe dois de vocês da estação para Bradwood na segunda à noite…
— — Dois? perguntou Ellery com a voz arrastada.
— …que só o sr. Lincoln e a srta. Brad estavam no táxi, sra. Brad!
Helene se levantou de um pulo; a sra. Brad estava sem palavras.
— Não responda, mãe. Isso é abominável! O senhor está sugerindo que um de nós está envolvido no assassinato, sr. Isham?
Lincoln murmurou:
— … Veja bem, Helene, talvez seja melhor nós
— — — Jonah! Ela o encarou, tremendo. Se você ousar abrir a boca, eu… eu nunca mais falo com você!
Ele mordeu os lábios, evitando o olhar dela, e saiu do cômodo. A sra. Brad soltou um gritinho de lamúria, e Helene se pôs diante dela, como se para protegê-la do mal.
— — — Bem disse Isham, jogando as mãos para o alto , aí está, sr. Queen. É com isso que investigadores oficiais precisam lidar. Muito bem, srta. Brad. Quero que saiba, no entanto, que a partir desse momento, todo mundo… e eu quero dizer todo mundo… está sob suspeita do assassinato de Thomas Brad!
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