O mistério da cruz egípcia
Nota da editora
Ellery Queen é conhecido como um dos autores mais proeminentes da Era de Ouro da ficção de mistério, e seu maior representante nos Estados Unidos. Nome do escritor quanto do detetive que protagonizava suas histórias, Ellery Queen não foi alguém real, mas, sim, o pseudônimo de dois primos novaiorquinos, Frederic Dannay (1905-1982) e Manfred B. Lee (1905-1971).
Apesar de não terem qualquer experiência prévia como escritores de ficção, eles foram atraídos por um prêmio de 7.500 dólares oferecido pela revista McClure’s, que estava em busca de uma ficção policial. Assim, em 1928, aos 23 anos, Dannay e Lee submeterem o título The Roman Hat Mystery [O mistério do chapéu romano, em tradução livre], a primeiro de mais de quarenta obras que escreveram juntos. E, na hora de escolher o pseudônimo para assassinar a obra, os primos perceberam que seria muito fácil para o público gravar um só nome, dando origem, então, a Ellery Queen.
O fato de personagem e autor compartilharem o mesmo nome fez com que o público acreditasse durante muito tempo que Ellery Queen era um detetive de verdade. Um engodo perpetuado por Dannay e Lee no prólogo de cada livro, no qual J. J. McC, um suposto amigo do detetive-autor, se autoproclama editor das palavras e peripécias de Queen e apresenta todas as suas histórias, tornando-o ainda mais real.
Inclusive, por sua habilidade na escrita e fama, Queen foi convidado a dar diversas palestras em universidades, sendo uma delas a Escola de Jornalismo da Universidade Columbia, em 1932. Dannay e Lee resolveram comparecer e, para tal, decidiram quem iria através de um jogo de cara ou coroa. E foi assim que Lee, personificando Queen e usando uma máscara, deu uma palestra sobre a escrita do mistério. A verdadeira identidade dos autores só foi divulgada quatro anos depois desse evento, em 1936.
Outro fato que foi alvo de grande especulação nas obras de Frederic Dannay e Manfred B. Lee era a dinâmica de escrita. Apesar de serem questionados inúmeras vezes, ambos os autores mantiveram em segredo o papel que cada um desempenhava na produção dos mistérios de Queen. Somente após a morte deles é que foi descoberto que Dannay, fã de obras de detetive desde criança, era o gênio por trás da criação e do detalhamento dos enredos e crimes; enquanto Lee, com sua paixão pela escrita e seu sonho de se tornar um grande escritor de ficção literária, dava vida aos personagens e às ações imaginadas pelo primo.
Dessa forma, ambos construíam narrativas impecáveis que ficaram conhecidas por sua característica “fair play”, ou seja, por apresentarem todas as pistas para a resolução do crime no decorrer da história. Inclusive, cada um dos mistérios de Queen apresenta um “ desafio para o leitor”, no qual o detetive quebra a quarta parede e convida quem está lendo a solucionar o mistério antes que ele revele a resposta. Por esse caráter justo e envolvente, as histórias de Ellery Queen se tornaram um marco na história do suspense. E até Agatha Christie era uma fã do autor. Segundo ela, “um novo livro de Ellery Queen é algo que sempre espero ansiosamente já faz alguns anos”.
E o impacto de Dannay e Lee na literatura de crime foi muito além das obras que publicaram e de suas subsequentes adaptações para a rádio e a televisão. Em 1941, os primos também foram os responsáveis por criarem uma das maiores revistas de ficção de mistério: a Ellery Queen’s Mystery Magazine, também sob o pseudônimo.
Além de suposto autor e editor de uma revista, Ellery Queen, enquanto personagem, era um detetive amador conhecido por ser um brilhante formando de Harvard, alguém que sabia o quão inteligente era e, por isso, muitas vezes era visto como alguém presunçoso e insolente.
Dentre as mais de trinta obras de Ellery Queen, O mistério da cruz egípcia se destaca por ter um enredo repleto de reviravoltas e, fugindo do padrão das narrativas da Era de Ouro, por ter mais mortes violentas do que a maioria dos mistérios tradicionais, e certamente mais do que qualquer romance de Queen da época. No Brasil, o livro já havia sido publicado em 1973 pela Edições MM e agora está sendo republicado na coleção Clube do Crime em uma edição com tradução de Paula Di Carvalho e posfácio de Mabê Bonafe.
Boa leitura!
OceanofPDF.com
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