O Presente
O Garoto do Peru 2
– Quer dizer, então, que você deixou o cara ir em bora? — um a voz j ovem irrom peu por entre os pensam entos de Raphie.
— O quê? — perguntou Raphie, acordando do seu transe e voltando sua atenção para o adolescente sentado à sua frente.
— Eu perguntei se você deixou o cara ir em bora.
— Quem ?
— O cara rico com o Porsche. Ele estava acim a do lim ite de velocidade e você o deixou ir em bora.
— Não. Eu não o deixei ir em bora.
— Deixou sim . Você não m arcou pontos na habilitação dele, não lhe deu um a m ulta, não fez nada. Você sim plesm ente o deixou ir em bora. Esse é o problem a da polícia. Vocês sem pre ficam do lado dos ricos. Se eu estivesse no lugar dele, provavelm ente ficaria preso o resto da m inha vida. Só quebrei um a j anela com um m aldito peru e estou trancado aqui. E logo no Natal.
— Pare de fazer m anha. Estam os esperando sua m ãe chegar, você sabe disso. E eu não a culparia se ela decidisse deixar você aqui o dia inteiro.
O Garoto do Peru ficou am uado ao ouvir aquilo.
— Quer dizer, então, que você é novo por aqui. Você e sua m ãe se m udaram para cá há pouco tem po? — perguntou Raphie.
O garoto fez que sim com a cabeça.
— E de onde vieram ?
— Da República do Seu Rabo.
— Espertinho — disse Raphie, sarcástico.
— E então, por que você deixou o Porsche ir em bora tão rápido? — perguntou ele quando a curiosidade conseguiu vencê-lo. — Ficou com m edo dele?
— Não sej a bobo, filho. Eu lhe dei um a advertência — disse Raphie, endireitando-se de um j eito defensivo em sua cadeira.
— Mas isso é ilegal. Você deveria ter m ultado aquele cara. Ele poderia m atar alguém , correndo daquele j eito.
Os olhos de Raphie se escureceram e o Garoto do Peru sabia que era hora de parar com aqueles com entários.
— Você quer escutar o resto da história ou não?
— Quero. Continue. — O garoto se inclinou para a frente, cruzou as m ãos sobre a m esa e apoiou o queixo sobre elas. — Tenho o dia inteiro — disse ele, com um sorriso irônico.