O Presente

Cecelia Ahern · Capítulo 13 de 29

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O Presente

A via de trânsito rápido

 

Lou percebeu que estava bêbado dem ais para conversar com a m ulher atraente no bar, com quem tinha trocado olhares a noite toda, quando, prestes a se sentar à m esa com ela, tropeçou em seus próprios pés e derrubou a bebida da am iga no vestido dela. Não no vestido da m oça bonita, m as no da am iga. Balbuciou algo que im aginou ser incrivelm ente charm oso e inteligente, m as a garota achou o com entário vulgar e ofensivo. O lim ite entre a vulgaridade e um a cantada sexy se torna m uito tênue quando se bebe tanto quanto Lou Suffern tinha bebido. Ele tinha perdido o charm e e a sofisticação que apresentara aos m ontes quando entrou no pub. As gotas de uísque e Coca-Cola que lhe m anchavam a cam isa branca e a gravata eram um sinal de alerta para aquelas executivas sofisticadas, e os olhos azuis de Lou, que geralm ente faziam com que as garotas se sentissem m ergulhando em piscinas de águas lím pidas, estavam em baçados e inj etados de sangue, portanto não causaram o efeito desej ado. O que ele conseguiu foi passar a im pressão de depravado, bêbado dem ais para conseguir chegar a qualquer lugar com ela ou com a am iga, em quem Lou tam bém passara um a cantada ao esbarrar-lhe o corpo quando ela voltava do banheiro, onde fora tentar lim par o vinho tinto do vestido. O que lhe restava era pegar o carro e ir para casa.

Quando chegou ao estacionam ento frio e escuro no subsolo do prédio da em presa — um a cam inhada que dem orou vinte m inutos a m ais do que deveria —, Lou percebeu que se esquecera do lugar onde estacionara o carro. Circulou pelo estacionam ento, pressionando o botão em seu chaveiro e esperando que o som do alarm e ou as luzes indicassem onde o veículo estava. Mas estava gostando tanto do passeio que constantem ente se esquecia de inspecionar os carros. Finalm ente, um a luz acendeu e, quando percebeu que o carro estava na vaga de sem pre, ele fechou um dos olhos e concentrou-se em chegar até o Porsche.

— Oi, neném — ronronou, esfregando o corpo contra a lateral do carro; não num gesto de carinho, m as para m anter-se em pé. Ele beij ou o capô e entrou no carro. Percebendo que estava no banco do passageiro e que o volante não estava à sua frente, ele desem barcou e deu a volta até o lado do m otorista. Após se acom odar no lado certo, concentrou-se nas colunas de concreto que sustentavam o teto e percebeu que elas balançavam de um lado para outro. Esperava que elas não caíssem sobre o seu carro. Seria irresponsável da parte delas e um desastre m uito dispendioso para ele.

Depois de alguns m om entos tentando enfiar a chave na ignição e arranhar o painel com a ponta da chave, Lou conseguiu encontrar a posição certa e em purrou a chave na fenda. Exultante de alegria ao ouvir o som do m otor, pisou com tudo no acelerador. Lem brando-se de olhar para onde estava indo, ele gritou, apavorado. Sobre o capô do carro estava Gabe, im óvel.

— Jesus Cristo! — gritou Lou, tirando o pé do acelerador e batendo no para-brisa com a m ão direita, j á m achucada. — Está louco? Você vai acabar m orrendo assim !

O rosto de Gabe ficou em baçado naquele m om ento, m as Lou tinha certeza de que ele estava sorrindo. Ouviu um a batida e, quando olhou ao redor, viu que Gabe o observava pela j anela do m otorista. O m otor ainda estava ligado, e Lou baixou um pouco o vidro da j anela, abrindo um a fresta.

— Oi.

— Oi, Gabe — respondeu ele, sonolento.

— Quer desligar o m otor, Lou?

— Não, não. Estou indo para casa.

— Você não vai chegar m uito longe se continuar em ponto m orto. Não acho que é um a ideia m uito boa voltar para casa dirigindo. Por que não desce do carro e cham am os um táxi?

— Não, não posso deixar o Porsche aqui. Algum m aluco vai roubá-lo. Algum lunático. Algum vagabundo sem -teto. — E com eçou a rir feito louco ao dizer aquilo. — Ah, j á sei! Por que você não pega o volante e m e leva para casa?

— Não, eu não acho que isso sej a um a boa ideia, Lou. Saia daí, vam os procurar um táxi — disse Gabe, abrindo a porta do carro.

— Não. Nada de táxi — disse Lou, com a voz arrastada, tirando o câm bio do ponto m orto e engatando a prim eira m archa. Pisou no acelerador e o carro deu um salto para frente com a porta escancarada; em seguida, parou; depois, deu m ais um solavanco para frente e parou. Gabe revirou os olhos e segurou-se na porta do passageiro enquanto ela saltava para a frente com o um grilo com crise de ansiedade.

— Tudo bem , tudo bem — disse Gabe enfim , depois que Lou havia dirigido, em bora “dirigir” não fosse exatam ente o term o correto, até a ram pa de saída. — Tudo bem , eu disse. — Ele ergueu a voz enquanto Lou avançava com o carro aos saltos. — Eu o levarei até sua casa.

Lou passou por cim a da alavanca do câm bio e sentou-se no banco do passageiro, enquanto Gabe sentava-se ao volante, um pouco trêm ulo. Não precisou aj ustar o assento ou os espelhos, j á que ele e Lou, aparentem ente, tinham a m esm a altura.

— Você sabe dirigir? — perguntou Lou.

— Sim .

— Já dirigiu um desses antes? — perguntou Lou e com eçou a rir feito louco de novo. — Talvez haj a um estacionado em baixo da sua cobertura.

— Aperte o cinto, Lou — Gabe ignorou os com entários e concentrou-se em fazer com que Lou chegasse vivo em casa. Essa tarefa era m uito im portante naquele m om ento. Realm ente m uito im portante.