O Presente

Cecelia Ahern · Capítulo 20 de 29

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O Presente

O Garoto do Peru 4

 

– Isso é besteira — disse o Garoto do Peru enquanto Raphie fazia um a pausa para tom ar fôlego. Raphie não disse nada. Decidiu esperar até que algo m ais construtivo saísse da boca do Garoto do Peru.

— Grande besteira — disse ele outra vez.

— Bem , agora chega — disse Raphie, levantando-se da m esa e pegando sua caneca, o copo de isopor e as em balagens dos chocolates que com era enquanto contava sua história. — Vou deixá-lo em paz, esperando por sua m ãe.

— Não, espere! — disse o Garoto do Peru.

Raphie continuou a andar em direção à porta.

— Você não pode term inar a história dessa m aneira — disse ele, incrédulo. — Não pode m e deixar nesse suspense.

— Ah, bem . Isso é o que você m erece por ser tão ingrato — disse Raphie, dando de om bros. — E por quebrar j anelas com peru congelado.

Ele saiu da sala de interrogatório.

Jessica estava na pequena cozinha da delegacia, tom ando outra xícara de café. Seus olhos estavam verm elhos e as olheiras escuras estavam m ais pronunciadas.

— Fazendo outra pausa para o café? — ele fingiu não notar a aparência da colega.

— Você está lá dentro há décadas. — Ela soprou o café e tom ou um gole, sem tirar a caneca da frente dos lábios enquanto falava, com os olhos fixos no quadro de avisos diante dela.

— Seu rosto está m elhor?

Ela assentiu com um m ovim ento curto, o m ais próxim o que j á chegara de com entar a respeito dos cortes e arranhões que lhe m arcavam a face. E m udou o assunto.

— Até onde conseguiu contar?

— Até a prim eira duplicação de Lou Suffern.

— O que ele disse?

— Creio que ele usou a palavra “besteira”, que logo foi seguida por “grande besteira”.

Jessica abriu um sorriso discreto, soprando seu café e tom ando m ais um gole.

— Você chegou m ais longe do que eu im aginava. Deveria m ostrar a ele as gravações daquela noite.

— Já tem os gravações em vídeo do pub onde ele estava? — perguntou Raphie, apertando o botão da chaleira elétrica outra vez. — Quem é que estava trabalhando lá no dia de Natal? O Papai Noel?

— Não, ainda não sabem os. Mas a gravação da videoconferência m ostra um cara exatam ente igual a Lou Suffern saindo da sala. Parece que algum as pessoas na Patterson Em preendim entos não sabem que podem tirar um dia de folga. — Ela revirou os olhos. — É Natal. Francam ente!

— Poderia ser aquele tal de Gabe na gravação da videoconferência. Eles são parecidos.

— Poderia ser.

— Por falar nisso, onde ele está? Esse cara deveria ter chegado aqui há um a hora.

Jessica deu de om bros.

— Bem , é m elhor ele aparecer por aqui logo e trazer a carteira de habilitação com o eu m andei — disse Raphie, irritado. — Se não fizer isso, eu vou...

— Você vai fazer o quê?

— Eu m esm o vou buscá-lo.

Ela afastou lentam ente a caneca dos lábios e seus olhos intensos e m isteriosos fitaram os de Raphie.

— Buscá-lo para que, Raphie?

Raphie a ignorou e serviu-se de m ais um a xícara de café, acrescentando dois tabletes de açúcar. Jessica, percebendo seu hum or, não protestou. Ele encheu um copo de isopor com água e voltou a andar pelo corredor.

— Aonde você está indo? — perguntou ela enquanto Raphie se afastava.

— Vou term inar de contar a história pro garoto — resm ungou ele.