Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Manuel Luiz Freire · Capítulo 15 de 46

Páginas do PDF

Paródia ao primeiro canto dos Lusíadas

Capítulo XXX

E porque, como ouvistes, tem passados

Na viagem tão asperos perigos,

Tantos vinhos vinagres esgotados,

Nas Vendas novas, nos Pegões antigos;

Que sejam determino agasalhados

Entre as quintas aqui de seus amigos,

E enchendo cada qual a sua bota

Comecem a seguir sua derrota.

 

XXX.

 

Taes palavras Francisco assi dizia,

Quando todos sem ordem respondendo,

Na sentença um do outro differia,

Razões diversas dando e recebendo.

Mas Pero Vaz alli não consentia

No que Francisco disse, conhecendo

Que esqueceria um bebado eminente

Se cá viesse beber aquella gente.

 

XXXI.

 

A bebados ouvira que viria

Uma gente de copo tão estranha,

Pela charneca, a qual esgotaria

Tudo quanto Louredo e Lagem banha;

E com beberes novos venceria

A todos os famosos d'Allemanha. Altamente lhe dóe perder a gloria